segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Santo do dia


São Graciano
249-301
18 de dezembro

São Graciano
Graciano foi um dos sete missionários cristãos enviados por Roma, para evangelizar na região da Gália, futura França. Conforme os registros da diocese de Tours, consta que Graciano foi o primeiro bispo dessa diocese.

Tudo começou no ano 249, quando Graciano chegou a Tours, local que o papa Fabiano, agora santo, lhe designara para exercer o cargo de bispo. A cidade não possuía igreja, os pobres eram maltratados e os enfermos, marginalizados; era dominada, completamente, pelo paganismo. Desde o início, como representante do catolicismo, passou a ser perseguido pelos infiéis, que não queriam deixar a adoração dos falsos deuses.

Em certos períodos, a perseguição era tanta e tão feroz que Graciano precisava esconder-se em lugares solitários. Lá, reunia os cristãos e os interessados em converter-se para poder celebrar os sacramentos, a missa e pregar a palavra de Cristo.

Mas o bispo perseverou e o grupo de cristãos foi crescendo. Os pobres da cidade, pela primeira vez, começaram a receber atenção e ajuda comunitária. Ele fundou, até, um hospital para os doentes abandonados, que antes não existia para eles. Esse árduo e fecundo apostolado durou cinqüenta anos.

Segundo a tradição, o próprio Jesus teria aparecido ali para avisar o bispo Graciano que a sua morte se aproximava. De fato, logo depois ele morreu, numa data imprecisa, mas no ano 301. Seu corpo foi sepultado no cemitério cristão que ele mesmo implantara nos arredores da cidade.

Mais tarde, suas relíquias foram transferidas para a antiga Catedral de Tours, que era dedicada a são Martinho e, atualmente, é dedicada a são Graciano. Por isso ela é chamada, pela população francesa, de "La Gatienne". A festa do primeiro bispo de Tours foi fixada pela Igreja no dia 18 de dezembro.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Campanha para a Evangelização realiza coleta neste final de semana







CE2012A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza no tempo do Advento a Campanha para a Evangelização (CE) que chega ao fim neste domingo, 16 de dezembro. O objetivo da iniciativa é despertar em todos os cristãos a responsabilidade com a missão da Igreja. “É uma forma de mostrar que todos nós somos chamados a colaborar, de forma concreta, para que tenhamos recursos em nossos projetos de evangelização”, explica o assessor nacional da campanha, Pe. Luiz Carlos Dias.
Todas as coletas das missas e celebrações das comunidades de todo o país neste final de semana se destinam para a CE. A distribuição dos recursos é feita da seguinte forma: 45% permanece na própria diocese; 20% é encaminhado para os Regionais da CNBB; e os demais 35% para a CNBB Nacional.
As doações, em caráter individual, também podem ser feitas através do site www.evangelija.com.  A Comissão Episcopal da CE enviou esta semana uma mensagem a todas às comunidades do Brasil destacando a importância da iniciativa. A seguir, a íntegra do texto:
Participe da Campanha para a Evangelização neste final de semana
A Igreja existe para evangelizar. (...) Anunciar, por palavras e ações,
Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6)


Estimados:

Bispos, padres, consagrados/as, agentes de pastoral, líderes de comunidades e movimentos, comunicadores e os demais fieis leigos, do Brasil e exterior, sempre ajudaram a manter, com suas generosas ofertas, o serviço evangelizador da nossa Igreja. A todos/as nosso reconhecido agradecimento.

Nascida em 1998, a Campanha para a Evangelização está para comemorar 15 anos. Ainda não atingiu o objetivo para o qual foi criada: mobilizar os católicos a assumir a responsabilidade de participar da sustentação de toda a ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

Para esse ano de 2012, o material promocional da Campanha traz um slogan que pretende expressar a “urgência da evangelização”, “a evangelização já”: EVANGELI.JÁ.

A Comissão Episcopal da CNBB, responsável pela Campanha, precisa e pede confiantemente sua participação nas Missas e Celebrações nas Comunidades neste final de semana, quando ocorrerá a coleta para a Evangelização. Na impossibilidade de participação, a doação pode ser feita através do site www.evangelija.com

Na esperança de poder contar com sua imprescindível colaboração, pedimos, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que a bênção de Deus faça frutuosos seus trabalhos.
Com toda gratidão, em Cristo,
Murilo Sebastião Ramos Krieger
Arcebispo de Salvador (BA)
Presidente da Comissão para a Campanha para a Evangelização

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário Geral da CNBB

“Tem gente com sede de solidariedade” arrecada mais de 60 mil litros de água



Mais de 60 mil litros de água serão entregues para famílias do semiárido pernambucano, que desde o começo do ano vem sofrendo com a pior seca das últimas quatro décadas. A doação foi o resultado da primeira fase da campanha “Tem gente com sede de solidariedade” realizada nas 109 paróquias da Arquidiocese de Olinda e Recife. A iniciativa é fruto de uma parceria da Igreja local com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape).

As garrafas e os galões de água foram abençoados na tarde deste sábado, 15, pelo arcebispo dom Fernando Saburido. O religioso comemorou o resultado. “A primeira fase da campanha superou e muito nossas expectativas. Estou muito feliz com a disposição e solidariedade das pessoas que atenderam ao nosso chamado. A bênção é para que as famílias que vão receber essa água possam ser renovadas também na sua fé”, declarou.

A doação será levada ainda neste domingo, 16, para as cidades de Caruaru, Buíque, Sertânia, Manari, Itaíba e Ibimirim, beneficiando mais de três mil famílias. Para o presidente da Fetape, Doriel Barros, a chegada da água representa mais do que uma renovação da esperança do homem do campo. “Esse líquido precioso, direito de todos os seres vivos, significa para o trabalhador rural a recuperação de sua dignidade. E é isso que queremos, mais do que entregar a água é mostrar que estamos juntos nesse momento difícil”, disse.

2ª Fase
A partir de agora a campanha “Tem gente com sede de solidariedade” entra em uma nova etapa. A arquidiocese, juntamente com a Fetape, e também, a Cáritas Regional Nordeste 2 começaram a arrecadar dinheiro, por meio de depósito em conta bancária, para a construção de cisternas e outras obras estruturadoras. “Precisamos desenvolver ações que garantam a sobrevida dos moradores do semiárido em momentos de seca como essa que está atingindo tantas famílias”, explicou Doriel Barros.

Para dom Saburido o momento agora é de aumentar os esforços e ampliar a rede de solidariedade em prol de todo o semiárido. “As previsões para os próximos três anos são assustadoras, e como Igreja não podemos deixar os nossos irmãos desamparados, por isso é importante que todas as pessoas de bem participem e doem”, afirmou o arcebispo.
As doações devem ser feitas na conta
Banco do Brasil
Agência 3505-x
Conta Corrente: 43879-o

Da Assessoria de Comunicação AOR

Confraternização Paroquial 2012


Abertura do Aono da Fé


A vinda de Elias - Evangelho do Dia

"Elias já veio, mas não o conheceram; antes, fizeram com ele quanto quiseram. Do mesmo modo farão sofrer o Filho do Homem."

Mateus 17,10-13
As expectativas messiânicas do tempo de Jesus mesclavam-se com uma série de elementos, dentre os quais, a crença que, por ocasião da vinda do Messias, o profeta Elias haveria de retornar. Era bem conhecida a história do profeta arrebatado aos céus, num carro de fogo. Por não ter morrido, como qualquer ser humano, difundiu-se a esperança de que Elias voltaria no fim dos tempos, indicando, assim, que a vinda do Messias estava próxima.

Jesus não negou esta tradição. Entretanto, ofereceu uma pista para indicar que ela já se havia realizado na pessoa de João Batista. A ação precursora dele em relação a Jesus correspondia àquela de Elias, em vista do Messias vindouro. A conclusão era evidente: Jesus era o Messias esperado por Israel. Deveria, pois, ser aceito e acolhido como tal.

Entretanto, o Mestre não se adaptou aos esquemas messiânicos do povo. Se, por um lado, sua presença assinalava o fim de uma era, por outro, introduzia, na história humana, um tempo novo. Ele superou a agitação messiânica, propondo aos discípulos um ideal de fraternidade, fundado na misericórdia e no serviço desinteressado aos irmãos. Igualmente recusou-se a responder questões de curiosidade a respeito do dia do fim do mundo e do número dos que seriam salvos. Desta forma, rompeu com o messianismo popular, dando margem para que seus discípulos assumissem sua vida e sua missão com mais seriedade.
Oração
Senhor Jesus, não me deixes contaminar pelas preocupações escatológicas. Antes, que eu esteja sempre voltado para o compromisso de transformar o mundo pelo amor.

Quando a Igreja volta a criticar a neutralidade do Estado

A análise é de Stefano Rodotà, professor emérito de direito civil da Universidade La Sapienza, de Roma, e ex-deputado do Parlamento italiano.

Às vésperas de um aniversário simbólico, os 1.700 anos do Édito de Constantino, o cardeal de Milão fez uma crítica radical à laicidade do Estado, reivindicando o primado absoluto da liberdade religiosa e sublinhando os riscos que ela corre no tempo em que vivemos. Ele fez isso construindo um modelo de conveniência, do qual Vito Mancuso ressaltou as omissões, já que, dentre outras coisas, não se fala das perseguições as quais os justamente cristãos submeteram os fiéis de outras religiões.
Aquele "início da liberdade do homem moderno", que o Édito de Constantino teria aberto, na realidade, teve outros inícios e outras trajetórias. Ter-se-ia que esperar pelo Renascimento, com a sua exclamação "magnum miraculum est homo". Ter-se-ia que esperar pela afirmação plena da liberdade que encontrou a sua mesa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, verdadeiro concílio laico quase dois séculos antes do Vaticano II, que abriu o caminho para a liberdade de todos.
Se hoje queremos discutir a laicidade, não podemos ignorar tudo isso, nem nos refugiarmos em uma visão caricatural de laicidade, atribuída ao seu modelo francês. É de se perguntar a razão de um reducionismo tão pouco sensato por parte de um prelado não desprovido de cultura e de visão histórica. Uma interrogação que merece alguma reflexão, justamente porque hoje o princípio da laicidade do Estado se confronta com uma nova necessidade de sagrado que atravessa as nossas sociedades e, ao mesmo tempo, se apresenta como um inevitável ponto de referência diante da "nova intolerância religiosa" (esse é o título do último livro de Martha Nussbaum). Se esse é um itinerário para identificar equilíbrios adequados entre religião e Estado, o caminho indicado por Angelo Scola certamente não é o que permite uma discussão útil.
Como é revivida a crítica à secularização? Partindo de duas premissas. Diz Scola: "Se a liberdade religiosa não se torna liberdade realizada posta no topo da escala dos direitos fundamentais, toda a escala entra em colapso". E acrescenta: "Até algumas décadas atrás, fazia-se referência substancial e explícita a estruturas antropológicas geralmente reconhecidas, ao menos em sentido lato, como dimensões constitutivas da experiência religiosa: o nascimento, o casamento, a geração, a educação, a morte".
O primado da liberdade religiosa identifica assim uma forma de Estado que, no fator religioso, encontra a sua única legitimação possível. Isso quer dizer que o Estado não pode ser identificado como espaço de convivência de opiniões e crenças diversas, segundo a versão que a laicidade foi assumindo, com o abandono de uma laicidade puramente "opositiva" com relação à religião.
E, falando de estruturas antropológicas, na realidade, referimo-nos aos muitos "nãos" que a Igreja pronunciou: não à procriação assistida; não ao reconhecimento jurídico de formas de convivência diferentes do casamento heterossexual; não à escola pública como estrutura essencial para o conhecimento e para a aceitação do outro; não ao testamento biológico.
Nessas posições, há mais do que uma repulsa da laicidade. Há a negação da liberdade de consciência e a afirmação de que a definição da antropologia do gênero humano é prerrogativa da religião. Não estamos diante de uma discussão dos temas complexos da secularização, mas sim do programa de uma restauração impossível, destinado, portanto, não a promover o diálogo, mas sim conflitos em torno da afirmação que sempre retorna de valores "inegociáveis".
A propósito de antropologia, vale a pena lembrar a crítica de Zygmunt Bauman à tese segundo a qual, na fase pré-moderna, era a religião que dava sentido à vida. Portanto, é uma aquisição histórica e cultural aquela que se refere à forte garra da religião católica sobre os temas da ética, não um dado indissoluvelmente ligado ao fator religioso. Com o passar do tempo, esse laço foi desfeito, graças à ampliação da reflexão ética e ao surgimento de uma nova antropologia, produzida pela revolução científica e tecnológica.
Contra essa antropologia, levanta-se a defesa da "natureza" impugnada por um fundamentalismo religioso que mostra não tanto uma atitude anticientífica, mas sim uma incapacidade de compreender as novas dimensões do mundo e da humanidade. É justamente o pensamento laico, ao invés, que forja os insrtumentos para que não nos rendamos a um desvio tecnológico, com a sua capacidade de garantir o humano através dos princípios de igualdade e dignidade, de autodeterminação da pessoa.
Além disso, não é verdade que a dimensão institucional é possuída apenas por um reconhecimento da liberdade religiosa como fato primorosamente individual. O artigo 10 da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia afirma que pertence às pessoas a "liberdade de manifestar a própria religião, individual ou coletivamente, em público ou em privado".
A plena laicidade dessa afirmação consiste no fato de que não estamos diante de um privilégio ou de uma supremacia, mas sim de uma liberdade que se mede com todas as outras. O oposto da reconstrução do cardeal Scola da laicidade como uma imposição de um único ponto de vista, enquanto ela é um método que permite que todos os pontos de vista convivam de modo fecundo, oferecendo à religião justamente a mais civilizada das garantias.
Stefano Rodotà, jornal La Repubblica, 13-12-2012, reproduzido pelo IHU-Unisinos.