sábado, 13 de abril de 2013

PENTECOSTES 2013


Babel nos consensos

                    

A exigência inegociável de construir um mundo melhor a partir da força própria dos consensos constitui a natureza da sociedade contemporânea. Compreende-se esse desafio quando se considera, entre os vários aspectos complexos que caracterizam a pós-modernidade, a natural rejeição às tentativas de domínio que trazem como consequência uma redução ao direito de participação cidadã. Forte também é o que caracteriza os ideais democráticos e o respeito às diferenças, particularmente às minorias. Contudo, na contramão dessa busca por entendimentos, o que se verifica, com muita frequência, é uma verdadeira Babel que nos remete à narrativa do Livro do Gênesis.

Não há como fugir da busca pelo consenso, sob pena de produzir totalitarismos, fundamentalismos ou mesmo afastamentos, que geram deserções prejudiciais para instituições e seus funcionamentos. Imprescindível é seguir no exigente caminho do diálogo, exercitando a paciência e nunca desistindo de avançar na construção da convergência em torno de temas, prioridades e assuntos importantes para a vida social, política, cultural e também religiosa.  Esse percurso que dá espaço para diferentes opiniões não pode negociar a centralidade da verdade. Só por ela se pode discernir adequadamente e alcançar a meta fundamental do bem e da justiça.

É um enorme desafio buscar a verdade que define rumos, corrige descompassos, dá prioridade ao que, naquele momento histórico e naquele lugar, é melhor e adequado. A verdade não está nunca sob o domínio de um ou de outro. Afinal, conforme bem ensina a sabedoria popular, “cada cabeça é uma sentença”. A complexidade se apresenta, justamente, em razão do inevitável confronto entre a verdade buscada, a realidade em si e as opiniões. Estas carecem de ser analisadas em suas fundamentações. Aí se encontra um infindável número de tensões e confrontos, que refletem interesses, muitas vezes não pertinentes, estreiteza de mentalidade, além da falta de uma formação cultural e humanística para subsidiar uma participação edificante na configuração do consenso.

É importante considerar que sem a construção de entendimentos, nas diferentes instâncias, modalidades e intensidades, a cultura não avança. Atrasos de todo o tipo são perpetuados e os cidadãos não usufruem dos bens e dons da natureza, da história, do seu próprio povo e das dádivas de Deus. Dessa Babel contemporânea surgem os fundamentalismos, de tipos variados, sintomas da perda do equilíbrio, que configuram a mediocridade e incapacidade para garantir o bem, a verdade e a justiça. Não menos grave é a falta de lucidez necessária aos operadores da união, por tarefa política, cultural ou religiosa. Uma carência fundamentada na falta do imprescindível embasamento humanístico. Trata-se de um problema que compromete o exercício da liderança, com decisões, posturas e escolhas que conduzem a coletividade no caminho oposto ao bem comum.

Diante de todos está esse sério desafio à conjuntura social, com suas importantes questões em pauta, como a reforma política, das instituições todas, incluindo as religiosas. Os consensos indispensáveis na construção da sociedade não podem ser reduzidos a meros processos de negociação partidária ou de interesses cartoriais. Só o compromisso com a verdade, meta a ser sempre buscada, possibilitará um qualificado processo na formação dos entendimentos construídos a partir de escolhas acertadas, rumos bem definidos e a participação indispensável de todos.

Na complexidade dessa questão de formar consensos, como força educativa e definidora de novos rumos, não poderá faltar o exercício de um caminho indicado por Jesus, em sua maestria, a partir de ditos e parábolas: a humildade. O exercício dessa virtude tem efeitos admiráveis sobre nós todos. Aos inteligentes, dá mais luminosidade. Aos governantes, a capacidade para ouvir o povo e, a partir dessa escuta, discernir as prioridades e urgências. A cada cidadão, eleva o gosto pelo diálogo e um despertar apurado quanto ao compromisso de construir a sociedade justa e solidária. No caminho da humildade indicado pelo Mestre Jesus, a Babel de consensos se tornará a sociedade de entendimentos.



Dom Walmor Oliveira de Azevedo O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma (Itália). Membro da Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé. Dom Walmor presidiu a Comissão para Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante os exercícios de 2003 a 2007 e de 2007 a 2011. Também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB - Minas Gerais e Espírito Santo. É o Ordinário para fiéis do Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de Ordinário do próprio rito. Autor de numerosos livros e artigos. Membro da Academia Mineira de Letras. Grão-chanceler da PUC-Minas.

A Igreja e os novos movimentos religiosos

             

Fiéis assistem a missa em Igreja Evangélica: novos movimentos religiosos são tema de discussão

Roma  - A Casa Bonus Pastor sedia um encontro internacional promovido pela Conferência Episcopal Alemã. O motivo é o estudo, por parte de pesquisadores, sociólogos e expoentes religiosos, dos Novos movimentos religiosos em todo o mundo, desde a África até a América. Estudioso do tema, o Frei Luis Carlos Sussin, professor de teologia sistemática da PUC de Porto Alegre fala sobre as motivações pelas quais as pessoas ingressam em novas formas de Igreja. Frei Luiz Carlos Sussin explica a partir de onde está sendo analisado o fenômeno:

“Nós temos multiplicado estudos para compreender melhor, porque é um fenômeno que nos surpreende a partir não tanto dos pregadores, dos pastores, dos líderes das diferentes formas de Igreja que temos no Brasil, mas pelo fervor, pelo dom de si, pelo sacrifício e a vontade de acreditar dos fiéis: é um fenômeno de religiosidade intensa. Evidentemente do ponto de vista das instituições, demonstra fragilidade e ao mesmo tempo, manipulação; às vezes interpretações inadequadas: é um caldeirão de coisas que precisam ser desdobradas para serem analisadas por partes”.

“De fato, o Brasil vem se tornando já tradicionalmente sincrético por sua história, e o Pentecostalismo no Brasil está muito sensível a novas formas de sincretismos. As pessoas se encontram ali porque geralmente conseguem interpretar o que está acontecendo com elas... é o divã do povo, é o lugar de consolação, de fortalecimento”.

“A tentação às vezes é analisar só do lado do mercado que isto representa, porque ali os pobres não vão para pedir ajudas, mas para oferecer seu dinheiro, que é oferecer seu dom, seu sacrifício. Há uma questão antropológica, de religiosidade, muito profunda nisso”.

“Há também o aspecto teatral que continua a ter lugar nestas Igrejas. Há a questão ‘templo mercado e teatro’, e também um pouco de hospital, de enfermaria, porque também é o espaço público paralelo ao espaço do Estado: é um espaço onde as pessoas buscam recursos que poderíamos esperar que buscassem em seus direitos de cidadania, na política, por exemplo. Na alma brasileira nunca houve uma separação de Igreja e Estado, neste sentido. Por isso, temos hoje alguns problemas políticos vindos deste Pentecostalismo, porque nesta sensibilidade nunca houve a separação dos aspectos religião e política”.

“O que há de melhor aqui é vermos este fenômeno em âmbito realmente global: nós nos convencemos daquilo que já líamos, ou seja, que o fenômeno se registra em todos os continentes com matizes diferenciadas, e inclusive, está acontecendo até fora do cristianismo: é um fenômeno de renovação espiritual, de fervor religioso que acontece também em outras tradições religiosas. É ligado ao movimento da história hoje, portanto é um sinal que precisa ser lido tanto positivamente, como um sinal do Espírito, como também em suas patologias e deformações, porque a religião é um ingrediente de muita energia. Esta energia pode ser muito construtiva, mas se deixada ao acaso, pode se tornar destrutiva”.

SIR

Apenas a Igreja é capaz de interpretar as escrituras, diz o papa Francisco


 

"Tudo o que está relacionado com a interpretação das Escrituras está sujeito ao julgamento da Igreja", ressaltou o papa
O Papa Francisco expressou nesta sexta-feira (12) seu compromisso com o pleno respeito à tradição da Igreja, única habilitada a interpretar corretamente as escrituras, e rejeitou "a interpretação subjetiva", em seu primeiro discurso ante o Comitê da Bíblia do Vaticano.
Nesta intervenção a "especialistas" - e não apenas para fiéis, como a maioria de seus discursos do último mês - o papa jesuíta fez uma longa referência a um texto do Concílio Vaticano II ( 1962-1965), a Constituição "Dei Verbum" ("A Palavra de Deus"), sobre o papel da Igreja.
Até o momento, ao contrário de Bento XVI, o novo papa pouco tinha mencionado o Concílio, ao qual ele é o primeiro pontífice das últimas décadas a não ter participado. Uma omissão surpreendente.
"O Concílio lembrou com grande clareza: tudo o que está relacionado com a maneira de interpretar as Escrituras está, em última análise, sujeito ao julgamento da Igreja, que realiza o seu mandato divino e o ministério de preservar e interpretar a palavra de Deus".
Para o papa, "há uma unidade indissolúvel entre Escritura e Tradição", que são "conjuntas e se comunicam entre elas", "formando, de certa maneira, uma única coisa", declarou.
"A Sagrada Tradição transmite a Palavra de Deus plenamente (....) Desta forma, a Igreja tira a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas não só nas Sagradas Escrituras. Uma como a outra devem ser aceitas e veneradas com sentimentos semelhantes de piedade e respeito", disse em um discurso que revela um papa muito respeitoso da autoridade da Igreja.
Como resultado, "a interpretação das Escrituras não pode ser apenas um esforço intelectual individual, mas deve ser sempre confrontado, inserido e autenticado pela tradição viva da Igreja", argumentou.
Esta declaração, na linha de Bento XVI, não deve agradar os protestantes ou católicos contestatórios, como o suíço Hans Küng, que reivindicam o direito de interpretar livremente as Escrituras.
Para ser claro, o papa denunciou "a insuficiência de qualquer interpretação sugestiva, ou simplesmente limitada a uma análise incapaz de acolher o significado global que tem sido construído há séculos pela tradição de todo o povo de Deus."
AFP

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Evangelho do dia

Ano C - 10 de abril de 2013

João 3,16-21

Aleluia, aleluia, aleluia.
Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna (Jo 3,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
3 16 Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18 Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
19 Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
20 Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.
Palavra da Salvação.
 
Leitura
Atos 5,17-26
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
5 17 Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja,
18 e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública.
19 Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes:
20 "Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida".
21 Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere.
22 Dirigiram-se para lá os guardas, mas ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar:
23 "Achamos o cárcere fechado com toda segurança e os guardas de pé diante das portas, e, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro".
24 A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso.
25 Mas, nesse momento, alguém transmitiu-lhes esta notícia: "Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo!"
26 Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.
Palavra do Senhor.
 
Salmo 33/34
Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.

Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,
seu louvor estará sempre em minha boca.
Minha alma se gloria no Senhor;
que ouçam os humildes e se alegrem!

Comigo engrandecei ao Senhor Deus,
exaltemos todos juntos o seu nome!
Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu
e de todos os temores me livrou.

Contemplai a sua face e alegrai-vos,
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido,
e o Senhor o libertou de toda angústia.

O anjo do Senhor vem acampar
ao redor dos que o temem e os salva.
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
 
Comentário do Evangelho
O FILHO SALVADOR
Jesus Cristo veio ao mundo para trazer salvação à humanidade mergulhada no pecado, e incapaz de ver-se livre desta trágica situação. De nada adiantaria submetê-la ao julgamento e à condenação. Já a persistência no pecado não dava margens para dúvidas: o relacionamento com Deus estava rompido. Era necessário alguém para ajudá-la a por fim a esta inimizade antiga com o Criador. E nisto consistiu a missão de Jesus!
O caminho da salvação passa pela fé no Salvador. Crer, neste caso, não se limita a confessar, com os lábios, que Jesus salva, mas requer, também, que assimilemos o seu modo de ser. Ou seja, a total submissão à vontade de Deus, expressa na vivência no amor entranhado ao próximo, sem jamais deixar-se levar pelo egoísmo. Como na vida de Jesus o Reino de Deus foi o objetivo absoluto, o mesmo deve ser para todos os cristãos. O Reino deverá pautar todas as suas ações.
A salvação de Jesus apresenta-se como uma proposta, a qual pode ser acolhida ou recusada. Jesus mesmo experimentou a rejeição sistemática por parte dos seus contemporâneos, embora muitos se tornassem discípulos dele, e acolhessem com fé suas palavras. A atitude hostil de muitos não intimidou o Mestre. Ele continuou a ser a luz, apontando, para toda a humanidade, o caminho da salvação.

Oração
Espírito de Deus, conduze-me a uma fé sempre mais entranhada a Jesus, que veio para nos trazer luz e salvação.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
 
Oração
Imploramos, ó Deus, a vossa clemência, ao recordar cada ano o mistério pascal que renova a dignidade humana e nos traz a esperança da ressurreição: concedei-nos acolher sempre com amor o que celebramos com fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
 
 
 
 

Paróquias são tema central da Assembleia Geral dos Bispos


Aparecida - A 51ª Assembleia dos Bispos do Brasil terá início nesta quarta-feira (10), em Aparecida (SP). A reunião começa com celebração da Missa no Santuário Nacional, seguida da abertura com entronização da Palavra de Deus e a entrada da imagem de Nossa Senhora Aparecida. A partir desse momento, têm início os trabalhos do encontro.
O tema geral da assembleia deste ano é "Comunidade de comunidades: uma nova paróquia". De acordo com o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Ulrich Steiner, com este tema a Igreja no Brasil deseja repensar o serviço que as paróquias oferecem à evangelização.
Segundo o bispo, a sociedade vive uma realidade urbana, digital e virtual próprias deste tempo e por isso é necessário rever as estruturas das paróquias. Para dom Leonardo, a paróquia, na forma em que foi criada e pensada, não responde mais às necessidades do tempo, mas “continua sendo um instrumento importante para a dinamização da Igreja”.
Citando o Documento de Aparecida, o bispo ressalta que a paróquia não deve ser um lugar apenas para a busca dos sacramentos, mas um local onde as pessoas possam se encontrar, celebrar e enfrentar a vida cotidiana. Na opinião do secretário-geral da CNBB, tratar desse assunto na Assembleia significa questionar como a Igreja, por meio da paróquia, pode ser mais viva; “uma Igreja que realmente é uma presença ativa, uma presença de conselho, de esperança, de fraternidade e justiça”.

Dificuldades na evangelização paroquial

Perguntado sobre as principais dificuldades das paróquias na evangelização, dom Leonardo, afirma ser a aproximação com as pessoas. “Uma das questões mais difíceis é chegarmos às pessoas. Creio que ainda estamos esperando, apesar de termos avançado muito na Igreja no Brasil no espírito missionário, ainda esperamos as pessoas virem. A paróquia precisa criar esse espírito missionário de ir ao encontro das famílias, das pessoas e criar esses grupos, também por rua ou por prédio, que se reúnem e rezam juntos." O papa Francisco tem nos demonstrado isso, diz o bispo. “A Igreja precisa estar mais próxima das pessoas, não nos isolarmos. Talvez a paróquia, na sua estrutura, precise estar mais a serviço das pessoas. A estrutura que criamos precisa estar a serviço das pessoas e não as pessoas a serviço das estruturas. Elas podem nos ajudar a servir melhor."

Sub-temas da Assembleia

O Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil, as questões agrárias e os textos litúrgicos do Missal Romano são assuntos que dom Leonardo adiantou que também farão parte das plenárias. Segundo o bispo, os critérios de escolha do tema geral e dos sub-temas variam de acordo com as necessidades atuais da Igreja, com as propostas oferecidas pelas comissões e questões relevantes como, por exemplo, a situação agrária no país. No entanto, Dom Leonardo garantiu que todos os temas passam por votação no Conselho Permanente da CNBB.


Mensagem ao papa Francisco

No final da Assembleia, os bispos farão uma mensagem que será enviada ao Papa, como tem acontecido nas assembleias gerais anteriores. O texto será escrito por uma comissão composta de três bispos, responsável pela elaboração dos documentos da Assembleia. A mensagem passará pela aprovação de todos os prelados e será encaminhada ao Papa Francisco. “A mensagem será enviada ao Santo Padre expressando a nossa comunhão, nossa fidelidade e o desejo de trabalharmos e estarmos a serviço do Evangelho”, diz dom Leonardo. Ao todo mais de 300 bispos devem participar da 51ª Assembleia Geral, além dos assessores e demais pessoas ligadas à CNBB. Os bispos ficarão hospedados em hotéis próximos uns dos outros. Segundo dom Leonardo, a proximidade aumentará as possibilidades de reuniões, bate-papos e convivência fraterna entre os bispos que participarão do evento.

SIR

Dom Damasceno: 'só a fé pode responder determinadas questões'


Aparecida  - O cardeal arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), presidiu a missa das 9h, no Santuário Nacional de Aparecida, neste último domingo ( 7). dom Damasceno ressaltou em sua homilia que o tempo pascal é o mais importante de todo o ano litúrgico. "É interessante observar que durante o tempo pascal, a primeira leitura será sempre de textos tirados do livro dos Atos dos Apóstolos. O livro dos Atos dos Apóstolos nos convida a contemplar a expansão da Igreja que cresce como fruto da ressurreição de Cristo e da ação do Espírito Santo."
Ao comentar o Evangelho do dia, o presidente da CNBB chamou a atenção para as duas aparições de Jesus narradas por São João evangelista. A primeira, no dia da ressurreição do Senhor e a segunda, oito dias depois. Tomé, ausente na primeira aparição, não acreditou no testemunho dos outros apóstolos e exigiu provas para acreditar na ressurreição de Jesus.
Sobre esse ponto, dom Damasceno explicou que essa atitude de Tomé é semelhante a do homem moderno que só crê naquilo que pode observar e experimentar. "É um desejo natural. É claro também que a ciência não explica tudo e à determinadas questões somente a fé pode dar respostas satisfatórias."
Segundo dom Damasceno, a fé não se baseia em comprovações científicas, embora se baseie em sólidos argumentos. "É um dom de Deus que não elimina certos requisitos de nossa parte, como a abertura à verdade e afastamento de muitos preconceitos que nos impedem de aceitar a revelação de Deus que se manifesta a nós de muitas maneiras."
Ao término de sua homilia, o presidente da CNBB exortou aos fiéis a rezarem pela Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. "Convido a todos a rezar pela 51ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil - CNBB - que começa no dia 10 de abril próximo e se conclui no dia 19. A assembleia se realiza em Aparecida, no Santuário Nacional."
SIR