Mãe é sempre a pessoa que se torna uma ciência de vida, emoldurada por seus gestos de nobreza
(Foto: Divulgação)
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O
Dia das Mães, celebração do segundo domingo de maio, mais do que
tradicional comemoração, é oportunidade para resgatar nobres
sentimentos. Há um magistério do coração materno com propriedades únicas
e sustentadoras da vida, com autenticidade, singeleza e beleza. Mãe é
sempre a pessoa que se torna uma ciência de vida, emoldurada por seus
gestos de nobreza. Uma altivez que se projeta no âmbito dos balizamentos
divinos. Compreende-se porque a mãe é expressão mais completa do amor
misericordioso do Pai.
Deus quis uma Mãe para o seu filho: Maria, a Mãe de Jesus, que ao
participar da vida e missão de seu filho, com admirável simplicidade,
delicadeza completa e artística discrição, alcança a estatura da mais
cativante nobreza. Atenta, escuta e obedece a escolha de Deus dizendo
seu sim. Alcança uma compreensão com medidas humanamente perfeitas para
acolher o querer divino. Nela, Maria, realiza-se a mais completa
expressão da obra da criação, quando coberta pela invisível presença
amorosa do Espírito Santo se torna a Mãe do Salvador do mundo. Caminha
com Ele, acompanhando-o no seu crescimento, de modo exemplar no
desempenho pedagógico de quem foi escolhida para ser a Mãe do Mestre e
Senhor.
Nas circunstâncias de sua missão, mostra-se atenta às necessidades dos
outros, expressão nobre dos mais importantes sentimentos. Vive angústias
e obediência amorosa que geram alegrias e guarda tudo no coração,
tornando-o um sacrário de sabedorias não encontrados nos livros, não
ensinados nas academias e não alcançados pelas estratégias . O exemplo
de Maria mostra que cada mãe é merecedora de toda reverência. Nossa
Senhora alcança o mais relevante patamar da condição de filha de Deus
quando enxerga, pela fé, a certeza da vitória diante dos sofrimentos,
como a crucifixão e morte de um filho. Não por acaso, o artista
Aleijadinho, na imagem veneranda da Senhora da Piedade, aquela da Ermida
da Padroeira de Minas, destaca o olhar que revela a dor e, ao mesmo
tempo, a luminosidade que só a fé pode dar à razão humana e ao coração
da criatura.
Dessa Mãe, a Mãe de Deus, cada mãe, na singularidade de sua história de
vida cultural e familiar, e nas particularidades dos dons e de sua
própria missão, tem o necessário para ser especial e no seu dia ser
reverenciada Toda mãe é mestra, sem ser professora. É sábia, sem ser
intelectual ou estudada. Tem realeza, sem pertencer a dinastias
monárquicas. Dona do que for, muito ou pouco, revela a capacidade
inimitável de doação e de partilha. Assim, alivia os pesos da miséria,
dos sofrimentos, consola nas tristezas e inspira, mesmo depois de ter
partido deste mundo, audácias, coragem, sentimentos de gratidão.
Alimenta por seus gestos jamais esquecidos o tesouro dos nobres
sentimentos.
Faço votos que este segundo domingo de maio, congregando famílias,
reunindo filhos ao redor de suas mães, também pela lembrança das que já
partiram desta vida, emolduradas por uma saudade que não passa, seja uma
oportunidade de festa. Além disso, que seja um momento singular para
reavivar os nobres sentimentos, segundo medidas do amor de mãe, para que
se concretize, com mais rapidez e perfeição, o que só o amor aprendido e
vivido pode alcançar: um tempo novo para este novo tempo do terceiro
milênio.
Você, como filho ou filha, resgate no seu coração e na sua vida o que
pode fazer dela o verdadeiro dom que é: as lições que as mães ensinam
pelos nobres sentimentos. Parabéns, mães, com apreço, benção e a
proteção da Nossa Senhora da Piedade, Mãe Padroeira de Minas Gerais.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira
de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade
Gregoriana, em Roma
(Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto
Bíblico, em Roma (Itália). Membro da Congregação do Vaticano para a
Doutrina da Fé.
Dom Walmor presidiu a Comissão para Doutrina da Fé da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante os exercícios de 2003 a
2007 e de 2007 a 2011.
Também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB - Minas Gerais
e Espírito Santo. É o Ordinário para fiéis do Rito Oriental residentes
no Brasil e
desprovidos de Ordinário do próprio rito. Autor de numerosos livros e
artigos. Membro da Academia Mineira de Letras. Grão-chanceler da
PUC-Minas.