segunda-feira, 10 de junho de 2013

Artigo: Evangelização eficaz


Artigo do Pe. João Batista Libanio, SJ, professor da Faculdade Jesuíta de Teologia e Filosofia (FAJE)

O verbo Evangelizar ressoa desde o mandato de Jesus relatado no final dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Os discípulos assumiram-no com coragem e denodo até a entrega da própria vida. E assim a fé cristã cresceu no meio de judeus e pagãos por meio da pregação.

O apóstolo Paulo resumiu em poucas palavras a necessidade da evangelização, quando afirma que a salvação vem de crer no nome do Senhor. Mas como crer naquele que não ouviram? E como o ouvirão, se ninguém o proclamar? E para proclamar precisamos de enviados. Logo a fé vem pela pregação (Rm 10 13-17).

Essa consciência alimentou durante séculos o fogo evangelizador. Acrescente-se na Igreja Católica a interpretação, no sentido literal, de que “fora da Igreja não há salvação”. Então os missionários saíram dispostos a tudo para converter as pessoas para dentro da Igreja com o batismo e assim arrancá-las da condenação eterna.

Hoje temos uma compreensão mais ampla. A de que a salvação de Deus vai muito além dos limites visíveis da Igreja e da evangelização explícita, conforme afirma o Papa Paulo VI na Exortação Apostóloca Evangelii Nuntiandi (n. 21).

Sabemos, contudo, que a evangelização significa graça para quem acolhe o Evangelho. E nele existem tesouros que só chegam às pessoas pelo seu conhecimento. Daí a responsabilidade de fazer chegá-los a quantos podemos.

Nas últimas décadas soou a expressão Nova Evangelização. Ela tem duas vertentes principais de compreensão. Ainda que muitos não saibam, Medellín já a usou. E depois se tornou muito divulgada por obra de João Paulo II que a empregou em vários momentos de suas viagens apostólicas pela Polônia, Haiti, República Dominicana e Uruguai.

Em Medellín, o termo adquiriu sentido libertador. Analisara-se a evangelização do Continente e percebera-se como ela não tinha considerado, em muitos momentos, as culturas indígenas e, depois da vinda dos escravos, a cultura negra. Impusera-se com o Evangelho a cultura europeia ocidental, como a única verdadeira cultura.

Medellín pensou girar radicalmente o processo evangelizador da América Latina. Propôs pensá-lo a partir da base, em vez de simplesmente plantar em nossas terras o modelo europeu. Neste sentido, ela se realizava por meio das comunidades eclesiais de base, alimentadas pela teologia da libertação. No fundo, portanto, ela visava principalmente aos pobres no sentido libertador, não somente como os destinatários principais, mas como os próprios sujeitos evangelizadores.

João Paulo II encontrava-se em outra perspectiva. Sentia o cansaço da evangelização em nossos países e buscou animar a Nova Evangelização, ao incentivá-la sob três aspectos: “nova em seu ardor, em seus métodos, em sua expressão".  Importa-nos, agora, encontrar a síntese que valorize a tradição de Medellín de enculturação respeitosa das culturas locais. Vale também ouvir o desejo de João Paulo e de Aparecida de que nos entusiasmemos com o encontro pessoal com Cristo para anunciá-lo a todos com novo ardor, novos métodos e expressão, respondendo ao momento e a cultura atual.
SIR

sábado, 8 de junho de 2013

“A CESE é a comunhão das nossas Igrejas a serviço dos pobres”, afirmou dom Leonardo Steiner


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Em comemoração pelos 40 anos da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), foi realizada no dia 6 de maio, um culto celebrativo na Cúria Metropolitana do Bom Pastor, em Salvador (BA). Participaram representantes de diferentes denominações religiosas. Também esteve presente o Secretário Geral da CNBB, dom Leonardo Steiner.
O bispo destacou a missão da CESE. “É uma comunhão das nossas Igrejas a serviço dos pobres. A CESE sempre procurou levar à pessoa humana uma autonomia, lutando para que os direitos sejam preservados, mas também as pessoas tenham acesso aos seus direitos, nos diversos aspectos que o direito propõe”, concluiu.
O evento, que marcou os 40 anos do grupo, incluiu uma sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia, e a exposição “Direitos Humanos em Imagens”, do artista plástico J. Cunha. Também foi realizado o lançamento do livro “Ecumenismo e Cidadania: a trajetória da Coordenadoria Ecumênica de Serviço”.
A CESE é uma entidade ecumênica, sem fins lucrativos, que já apoiou mais de 10 mil projetos de organizações populares em todo o Brasil. Desta forma, busca beneficiar as populações rurais e urbanas, que convivem com as consequências de extrema desigualdade no país.
Fonte: CNBB

Seminário pretende relembrar a atuação dos cristãos no período da ditadura


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Nos dias 26 e 27 de junho, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNNB), promove o Seminário Internacional Memória e Compromisso. O evento será realizado no Centro Cultural de Brasília (CCB) e tem por objetivo relembrar a atuação dos cristãos no processo de anistia política e de redemocratização do Brasil durante o período de 1964 a 1988.
Para a CBJP, o resgate dessa memória é fundamental para fazer justiça aos que vivenciaram diversas violações de direitos e para alimentar as esperanças em tempo de opressão, bem como para lançar luzes aos desafios da atualidade. Por isso, o evento pretende provocar reflexões a cerca da conjuntura político-social brasileira com discussões que envolvem o modelo atual de Estado e de desenvolvimento adotado pelo país e suas consequências para a sociedade.
A reflexão contará com a presença de nomes como padre Oscar Beozzo, Hamilton Pereira, padre Leonel Narvaez, Maria Clara Bingemer, Maria Vitória Benevides, frei Carlos Mesters, pastor Walter Altmann, dom Celso Queiroz, entre outros.
O encontro será pautado em análises da conjuntura nacional, internacional e eclesial, do período ditatorial. A reflexão será no sentido de entender quais eram os desafios teológicos e institucionais da Igreja nesse período. Os participantes ainda acompanharão falas sobre os cristãos em luta por transição em diversos países; resgate de experiências e memória da atuação dos cristãos e instituições cristãs; e uma reflexão sobre justiça de transição e desafio cristão de reconciliação, entre outros temas.
Memória e Compromisso
O Seminário consiste na primeira fase do projeto Memória e Compromisso. Esse projeto é realizado em parceria com a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e conta com apoio da Comissão Nacional da Verdade e da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal.
O projeto também conta com a participação do padre Zezinho e Frei Betto, que não participarão do Seminário, mas vão colaborar em outras etapas (como a publicação do livro, do DVD e do CD com as conclusões do projeto).
Participação
Podem participar estudantes, pessoas de todas as denominações religiosas, agentes pastorais, membros de organismos, profissionais e militantes da área de direitos humanos, e demais interessados. Será emitido certificado de participação, com as horas correspondentes.
Os interessados devem acessar o site da Comissão Brasileira Justiça e Paz e preencher a ficha de inscrição.
Mais informações: (61) 33238713 ou cbjpagenda@gmail.com
Assessoria de Imprensa: (61) 84802524 ou comunicaçã o.cbjp@gmail.com
Fonte: 

Não se transmite a identidade cristã pelo relativismo, afirma Dom Fisichella


O Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, comentou sua preocupação sobre os nocivos efeitos do relativismo na transmissão da Fé nos níveis comunitário e familiar, essenciais para a Nova Evangelização. "Nós somos crentes mas em nossas comunidades não se transmite a identidade cristã como a identidade de evangelizadores", alertou o Arcebispo. Suas declarações destacam vários desafios sérios que deve enfrentar a Igreja Católica. "O grande problema hoje é este: nos encontramos em um momento histórico no qual se interrompeu a transmissão da Fé", afirmou Dom Fisichella. Para o prelado, uma das causas mais importantes deste problema é o avanço do relativismo. "Seguramente um dos motivos é o não crer mais que nossa religião seja a verdadeira. Se não há já uma relação com a verdade, por que tenho que ir aonde está outra pessoa e dizer-lhe que isto é belo? Porque nos dirá: ´Ele é muçulmano, aquele é budista, cada um tem uma cultura própria´", explicou.

Prescindir da Igreja é destruir o cristianismo

O Presidente do Pontifício Conselho advertiu que a cultura atual concebe as religiões como um "supermercado" onde cada qual pega o que necessita, e isto contradiz a veracidade e autenticidade do cristianismo. "Porque não cremos mais, se diminuiu a transmissão, a dimensão da verdade; na catequese não se fala mais do valor intrínseco da Fé, motivo pelo qual cada um pensa ter Fé prescindindo da Igreja", advertiu o prelado. Prescindir da Igreja tem um efeito devastador na Fé mesma, segundo alertou Dom Fisichella: "Essa dimensão individualista que a sociedade e a cultura hoje me dá, a assumo também no fenômeno do cristianismo, o que significa a destruição do cristianismo mesmo. Por que? Porque o cristianismo é um fenômeno comunitário e não individual como tal". O Arcebispo fez então um chamado aos católicos para tomar consciência desta situação e fomentar a adesão dos crentes à Igreja. "Temos necessidade de nos reencontrar com nós mesmos, ou seja redescobrir nossa identidade e o sentido do pertencer a uma comunidade, a Igreja. Isto, a meu ver, é fundamental." Dom Fisichella recordou finalmente que os católicos tem a obrigação de ser evangelizadores e de sair ao encontro do homem de hoje, levando a Fé aos lugares nos quais se desenvolve a vida cotidiana daqueles que se distanciaram de Deus.
SIR

'Não quis ser o papa. E me agrada estar no meio do povo'


“Vivo em Santa Marta porque me agrada estar no meio do povo...” Tem tudo a ver com isso o diálogo extemporâneo do Papa Francisco com os alunos dos colégios dos jesuítas na Itália e na Albânia, acompanhados de educadores e famílias, recebidos nesta manhã em audiência. Bergoglio se apresenta com o discurso escrito. Mas vê a plateia e diz: “Eu preparei um texto, mas são cinco páginas! Um pouco fastidioso... Façamos uma coisa: eu farei um pequeno resumo e depois consignarei isto, por escrito, ao padre provincial e o darei ao padre Lombardi, para que todos vocês o tenham por escrito”.

“Eis, pois, em poucas batidas, o suco do discurso. Primeiro ponto deste texto” – explica Francisco – é que “na educação que damos aos jesuítas o ponto-chave é, para o nosso desenvolvimento de pessoa, a magnanimidade. Nós devemos ser magnânimos, com o coração grande, sem medo. Apostar sempre nos grandes ideais. Mas também magnanimidade com as coisas pequenas, com as coisas cotidianas. O coração amplo, o coração grande... E esta magnanimidade é importante encontrá-la com Jesus, na contemplação de Jesus. Jesus é aquele que nos abre as janelas ao horizonte”.

Depois, um conselho aos pais e aos professores: no educar é preciso “balançar bem os passos. Um passo firme na zon de segurança, mas o outro andando na zona de risco... Não se pode educar somente na zona de segurança: somente não. Isso é impedir que as personalidades cresçam. Mas também não se pode educar somente na zona de risco: isso é demasiado perigoso”. Francisco também convidou os educadores a procurarem novas formas de educação não convencionais, segundo a necessidade de lugares, tempos e pessoas. “Isto é importante na nossa espiritualidade inaciana’.

Depois começou o diálogo com os meninos, que se dirigiram ao papa tratando-o de “tu”. Por que não escolheu viver no palácio apostólico, não ter uma grande máquina, nem horários e preciosidades? “Não é somente uma questão de riqueza", explica. "É um problema de personalidade: eu tenho necessidade de viver entre o povo. Seu eu vivesse sozinho, talvez um pouco isolado, não me faria bem. Esta pergunta me foi feita por um professor: por que não vai morar lá? E eu respondi: veja, professor. É por motivos psicológicos! É a minha personalidade. O apartamento não é tão luxuoso, é tranquilo, mas não posso viver sozinho.

E sobre a sobriedade acrescentou: “creio que os tempos nos falam de tanta pobreza no mundo, e isto é um escândalo! Num mundo em que temos tantas riquezas, tantos recursos para dar de comer a todos, não se pode entender como há tantas crianças famintas, tantas crianças sem educação, tantos pobres. A pobreza hoje é um clamor, todos nós devemos pensar se podemos tornar-nos um pouco mais pobres. Como posso tornar-me um pouco pobre, para assemelhar-me a Jesus, Mestre pobre?”

O Papa falou depois dos seus amigos, respondendo à pergunta de outra menina. “Eu sou papa há dois meses e meio, e meus amigos estão a catorze horas daqui, estão longe... Vieram três deles a visitar-me e saudar-me, vejo-os e lhes escrevo... Não se pode viver sem amigos, são importantes!”

Francisco, respondendo a uma outra pergunta, falou do empenho político dos que creem: “Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão. Nós cristãos não podemos brincar de Pilatos, lavar-nos as mãos. Devemos envolver-nos na política, porque a política é uma das formas mais altas da caridade, porque procura o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar em política. Você me dirá: Não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre! A política é demasiadamente conspurcada, mas é conspurcada porque os cristãos não se envolveram com o espírito evangélico. É fácil dizer: culpa daquilo... Mas eu, o que faço? Trabalhar para o bem comum é dever do cristão.”
Vatican Insider

'Não existe fé sem a vida, e a vida sem fé'

Em um artigo intitulado "Crer é ir contra a corrente", dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá, no Estado do Paraná, fala que o Ano da Fé, em que estamos vivendo, nos chama para uma renovada conversão e renovação da nossa fé em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador. Segundo o prelado, este é um caminho que fazemos a cada dia, recebendo todo o tipo de influência, onde o cristão é chamado a viver e reviver a sua fé, indo contra a corrente do mundo e das ideologias.
O arcebispo também citou algumas palavras do Papa Francisco, que ao falar dos desafios do ser cristão hoje disse: "A vereda da Igreja, bem como o nosso caminho cristão pessoal, nem sempre são fáceis. Seguir o Senhor, deixar que o seu Espírito transforme as nossas áreas de sombra, os nossos comportamentos em desarmonia com Deus e os nossos pecados, é um caminho que encontra muitos obstáculos fora de nós, no mundo e também dentro de nós mesmos, no coração. No entanto, as dificuldades, as tribulações fazem parte da senda para alcançar a glória de Deus. Por isso, não devemos desanimar.
Temos a força do Espírito para vencer estas tribulações". Ao mesmo tempo, continua o prelado, ninguém pode sentir-se sozinho neste caminho de fé. De acordo com dom Anuar, somos e formamos um corpo, uma comunidade, reunida em nome do Senhor.
Para ele, a razão da nossa perseverança vem da fé no Deus Conosco, no Senhor da vida e da História e ao lado desta consciência de que somos um povo a caminho, nasce também o dever de conhecer melhor a nossa fé. Dom Anuar ainda lembra que, ao abrir o Ano da Fé, o Papa Bento XVI dizia: "O cristão hoje muitas vezes não conhece nem mesmo o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço para um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre as verdades sobre as quais crer e sobre a singularidade salvífica do cristianismo.
Devemos voltar a Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-la entrar de modo mais profundo em nossas consciências e em nossa vida cotidiana." Muitas vezes, afirma Bento XVI, a fé , "é vivida de modo passivo e privado" e esse modo de ser está na base da "fratura" que existe entre fé e vida. Segundo o prelado, todo fiel, na e com a comunidade eclesial, deve sentir-se responsável pelo anúncio e pelo testemunho do Evangelho.
"A partir desta afirmação do Papa, não existe fé sem a vida, e a vida sem fé", completa dom Anuar. Por fim, o arcebispo ressalta que a capacidade de crer, não é um ornamento, algo agregado a nós, e sim é dom de Deus dado, doado a cada cristão para o bem dele e da comunidade. E para concluir ele recorda que, na oração do Ângelus no dia 16 de dezembro de 2007, o Papa Bento XVI disse: "A alegria cristã brota desta certeza: Deus está conosco, está comigo, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E essa alegria permanece também na provação, no próprio sofrimento, e permanece não superficialmente, mas no profundo da pessoa que se entrega a Deus e n´Ele confia".
SIR

Papa Francisco pede mais proteção à liberdade religiosa

O Papa Francisco, que se encontrou neste sábado (8) com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, considera necessário que os governos do mundo protejam de modo "unânime" a liberdade religiosa, que chamou de "direito fundamental". "No mundo de hoje, se fala de liberdade religiosa mais do que se concretiza", lamentou o Papa.
"As graves ofensas que são infligidas a este direito fundamental são fonte de séria preocupação e devem provocar uma reação unânime dos países para reafirmar, contra qualquer atentado, a dignidade intangível da pessoa humana", ressaltou o pontífice.
O Papa destacou "o enfraquecimento da família e dos vínculos sociais", assim como a "diminuição demográfica".
Segundo um comunicado da Santa Sé, Francisco e Napolitano conversaram sobre a "degradação preocupante dos conflitos na zona do Mediterrâneo e a instabilidade na região norte-africana".
O Papa destacou as boas relações entre a Igreja e a Itália e pediu aos italianos, em particular os mais jovens, que voltem a confiar na política.
Giorgio Napolitano foi reeleito presidente da República este ano aos 87 anos. Por falta de alternativa, Napolitano aceitou uma nova candidatura após um apelo dos partidos.
O presidente disse que a liberdade religiosa é um "ponto cardeal" da Constituição italiana e "nosso dever é defendê-la onde quer que for".
AFP