domingo, 18 de agosto de 2013

Papa: Dom Paglia pede laços entre gerações. Sociedade corre risco


Cidade do Vaticano, 18 ago (SIR) – “O Papa denuncia aquela divisão que está se criando entre as gerações. É como se cada idade fosse abandonada a si mesma, sem mais laços que poderíamos dizer intergeracional, que é a história, que é acultura, que é a vida de um povo. Na realidade nós corremos o risco de esfarelar a sociedade: cada um por si”.
É o que afirma dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, em entrevista à Rádio Vaticano, destacando que “uma cultura que destaca o eu e que condena o nós é terrível, porque cria não só indiferença, mas também crueldade. Eis porque os laços entre as gerações é a condição para o desenvolvimento, para o encontro, por uma vida que seja mais pacífica e mais serena”.
O tweet de Papa Francisco na manhã deste sábado sobre as crianças e os idosos, explicou dom Paglia, “na realidade é uma janela aberta sobre a sociedade, que nos pede para olhar com mais atenção a vida toda, que todos somos chamados a viver em serenidade, na paz e também no trabalho”.
“Eu acredito que o Papa com grande intuição pastoral – acrescentou dom Paglia – continua a colocar em relação íntima crianças e idosos para falar da família e da vida em geral, exatamente porque entre estes dois extremos se dá toda a realidade da sociedade, como também da Igreja. Neste sentido, poderíamos dizer que não é negociável eliminar a infância ou eliminar a vida dos idosos, pensando não fazer nascer os pequeninos ou com a eutanásia, eliminando os idosos”.
SIR

JMJ Rio2013 revelou o rosto vivo e jovem da Igreja para o Brasil


Jovens na JMJ Rio2013
Por Nice Affonso
O Rio de Janeiro, durante os dias 23 e 28 de julho passado, viveu momentos lindos e inesquecíveis com a Jornada. E não apenas para os católicos. Os moradores da Cidade Maravilhosa não se cansam de recordar aquele período em que, preparados para lidar com o caos de uma suposta multidão incômoda de rapazes e moças pelas ruas dos seus bairros, foram surpreendidos e encantados pela beleza do testemunho de vida e de fé de uma juventude fraterna, alegre e bem educada.
E foram os cariocas mesmos a anunciarem a todo o Brasil essa bela experiência, pelas redes sociais e pelos veículos de comunicação que fizeram a cobertura desse evento mundial. Sim: o bom exemplo de rapazes e moças de todos os continentes ecoou por toda a sociedade brasileira e parece ter anunciado algo de novo ao País.
"Este evento trouxe paz, tranquilidade, alegria, juventude e vontade de querer seguir adiante. Depois desta JMJ, o que vai permanecer forte aqui no Rio de Janeiro é a fé em Deus. E eu agradeço aos jovens por tudo isso, nesse momento tão difícil que estávamos passando aqui", disse a carioca Ester Albuquerque.
Fé é mesmo a palavra-chave que abrange a vivência daqueles dias e, ao mesmo tempo, arremessa os brasileiros a uma nova etapa na história da Igreja Católica no Brasil...
O fundador da Comunidade Shalom, Moysés Azevedo, acredita que, através da presença do Papa Francisco no Rio de Janeiro, começou a nascer uma ´nova geração´. "Está surgindo uma nova geração, que, encantada, atraída pelo Evangelho e por Jesus Cristo, mostra ao mundo, à sociedade e ao Brasil o rosto vivo e jovem da Igreja. E isso é uma semente que poderá trazer grandes transformações para a sociedade. (...) A Jornada, com certeza, atingiu o coração do Brasil e produzirá frutos abundantes", afirmou.
Para a cantora Elba Ramalho, a beleza do testemunho de fraternidade da juventude tem a força de mudar a percepção que as pessoas têm do que é a vivência da fé. "Eu tenho certeza de que o Brasil vai ter um novo olhar com relação à Igreja, à fé, ao amor, à caridade para com o próximo, sobretudo com relação à vida humana. (...) Parabéns ao Rio de Janeiro, porque foi lindo!(...) E principalmente aos jovens, que deram um show!".
O acolhimento dos cariocas e também o que existiu entre os próprios jovens, no lidar diário de uns com os outros em tantos eventos de massa, foi um marco impressionante para muitos. "O grande fruto para o Brasil foi a experiência que os jovens tiveram do calor humano. O Papa veio na hora certa. O Brasil precisava disso", afirmou Rosa da Silva Almeida Câmara, que trabalhou na JMJ Rio2013 como voluntária do Setor Hospedagem.
Mas, sem dúvida, o grande estímulo para a Igreja no Brasil partiu do testemunho do Papa Francisco, que tocou o coração da juventude e — por que não afirmar? — de cristãos e não cristãos do mundo inteiro, que, atentamente, pelo menos em algum instante, souberam de algumas palavras do Pontífice, pelos veículos de comunicação social.
"As palavras que o Papa Francisco pronunciou nos Atos Centrais me marcaram muito. Ele disse tudo aquilo que o nosso coração precisava ouvir, como católico, como cristão, como quem precisa de alento para a fé. As palavras dele vieram no momento exato, porque há muita gente desacreditada do país, muita gente indo às ruas protestar – o que é bom, mas precisa ser feito com consciência cristã. Ele trouxe um pouco dessa harmonia. Acredito que os jovens vão estar mais dispostos a testemunhar, e o Papa, com toda a sua vida, mostrou que é possível ter uma vida cristã, coerente, ética, por meio da simplicidade. Acredito que esse exemplo possa motivar os jovens a também levar essa vida e a ter um propósito e a não andar no vazio", contou Anderson Vasconcelos Barreto, peregrino de Manaus.
"O Papa Francisco encantou toda a população brasileira. Então, eu acho que as pessoas, ao verem nele essa transparência e proximidade com o povo, vão se sentir estimuladas à caridade e à humildade. E que, também por isso, a unidade da juventude, e não só católica, vai acontecer", apostou Morena Ferraz, voluntária vinda de Vila Velha (ES).
Para a carioca Rani dos Santos Jaber, que atuou como voluntária no Setor Atos Culturais, a experiência da JMJ revela um tempo de graça, que apenas tem início. "Agora, a gente entra num novo tempo de Igreja, já que a Igreja do Rio e do Brasil sentiu Jesus bem de perto. Pudemos perceber e até tocar uma Igreja viva, real, jovem. É um novo tempo, um renascer, um mover novo de Deus para nós. E a gente está empolgado para ir bem além, sempre em frente. Pra gente, foi só o começo!"
SIR

O que esperar da JMJ em Cracóvia?


Cidade polonesa receberá próxima JMJ
Rio de Janeiro, 18 ago (Arq. Rio) - A preparação para a próxima Jornada Mundial da Juventude já começou para muitos. Os peregrinos elaboram planos para garantirem a sua participação em 2016 na cidade polonesa de Cracóvia. Mas, se a edição de 2013 do evento desde o início foi marcada pela acolhida calorosa do povo carioca, o que esperar da próxima edição da JMJ?
A polonesa Aleksandra Szymczak, voluntária no Comitê Organizador Local da JMJ Rio2013 desde novembro do ano passado, arrisca um palpite. "Vai ser uma grande homenagem a João Paulo II, que criou as Jornadas e sempre sonhou realizar uma em Cracóvia que foi onde ele cresceu e foi bispo. O povo polonês quer expressar toda a sua gratidão a ele através de uma bela JMJ", apontou.
Uma característica forte da terra da JMJ de 2016 será a relação entre fé e história, temas que se misturaram com o tempo e ainda marcam a cultura e a religiosidade popular. "A Polônia tem uma história muito rica do cristianismo, onde em vários momentos a nossa fé foi crucial em criar a nossa identidade como nação", explicou Aleksandra, apontando outra data especial para a Igreja local, os 1050 anos do “batismo” da Polônia (referente ao batismo de Mieszko I, o primeiro soberano de um Estado polonês unificado, e o início da cristianização do país).
Surpresa com a escolha
A voluntária, que atuou no Setor de Comunicação, ao chegar ao Rio de Janeiro nem imaginava que a cidade polonesa seria a escolhida pelo Papa Francisco. "Foi uma grande graça para mim estar aqui, viver a Jornada de modo tão íntimo e intenso e ser testemunha desse momento histórico para o Brasil, que eu amo tanto, e para a Polônia, que acolherá o encontro mais maravilhoso do mundo".
Sobre as diferenças entre as edições do Rio e de Cracóvia, a comunicadora não vê problemas. "Ainda não parei para pensar como será a JMJ em Cracóvia, mas acho que será diferente, porque somos diferentes e essa é a força da Jornada; é linda porque não tem um padrão. Será a chance de viver a sua fé em uma cultura diferente. Vejo esta como uma grande oportunidade especialmente para a Polônia e toda a Europa se fortalecerem na fé e no amor entre as pessoas", finaliza Aleksandra.
SIR

PROCLAMAS MATRIMONIAIS

 17 e 18 de agosto de 2013


COM O FAVOR DE DEUS E DA SANTA MÃE A IGREJA, QUEREM SE CASAR:



·        ALEX CLAYTON DE BRITO OLIVEIRA
E
BRUNA SOARES DO VALLE

·        SERGIO MONTE VIEIRA DA CUNHA FILHO
E
EDUARDA RAMOS SOARES ALVES PINTO

·        JOÃO RENAN DE ALMEIDA
E
MARIA CAROLINA DA SILVA MOURA

·        KLAUS LUDWIG  SCHILLING MACIEL
E
ANDRESSA MARIA AMORIM ANJOS

BRUNO FERRAZ FERREIRA
E
MARCELA MARQUES DE AZEVEDO MAIA



                       Quem souber algum impedimento que obste à celebração destes casamentos está obrigado em   consciência a declarar.
                                                                           

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Vozes em favor da vida

Por Dom Antônio Dias Duarte*

O papa Francisco visitou o Brasil num momento de grandes manifestações nas ruas de várias cidades espalhadas pelos quatro cantos do país. Jovens e adultos, até  famílias inteiras, reivindicavam os direitos básicos da sua condição de cidadãos brasileiros. As redes sociais foram o veículo novo de convocação de tanta gente esperançosas de mudanças sociais e econômicas ainda necessárias.

As semanas que antecederam a Jornada Mundial da Família foram de muitas expectativas, sobretudo quanto às declarações do Santo Padre. Qual seria a sua mensagem principal? Mencionaria diretamente essas reivindicações do povo brasileiro ou ficaria apenas com mensagens espirituais? As manifestações populares com risco de violência física e atos de vandalismos continuariam?

O que não se esperava nesse tempo de espera da JMJ Rio 2013, ainda mais porque se manobrou no silêncio dos gabinetes do Ministério da Saúde, nas salas de deputados federais e senadores no Congresso Nacional, foi o projeto de lei numero 3/2013 que aparentemente pretende defender as mulheres brasileiras da violência sexual do estupro. Junto com o Ministro da Saúde, Dr. Alexandre Padilha, políticos pertencentes ao Partido dos Trabalhadores, retomaram o compromisso assumido no III Congresso desse partido, realizado em agosto/setembro de 2007, obrigando todos seus filiados a conseguirem de todas as formas possíveis a descriminalização do aborto no Brasil.

A violência sexual contra a mulher brasileira é uma vergonha ainda presente no nosso país! O sofrimento físico e psicológico das vítimas de estupro é acrescido dos riscos de contágio de graves doenças sexualmente transmissíveis e de possíveis mudanças da afetividade e da própria vida sexual dessas mulheres violentadas.

Diante dessa situação cabe ao Estado, à sociedade e à família brasileiras, uma reação mais afirmativa e defensiva dessas mulheres e, quando elas engravidam por esse ato inadmissível, receberem todo o respeito e ajuda para que possam acolher com amor e criar com dignidade uma criança que não teve nenhuma culpa de ser concebida dessa maneira brutal. Mãe e filho não podem continuar sofrendo nenhum tipo de violência depois de terem passado por um momento tão agressivo!

Entretanto o Poder Legislativo e o Poder Executivo com a aprovação do PL 3/2013 e com a sanção presidencial no ultimo dia 1 de agosto demonstraram que não valorizaram as vozes das famílias e da juventude nas manifestações havidas antes da JMJ Rio 2013, e ignoraram mais uma vez o desejo de aproximadamente 82% da população brasileira, que não quer em nenhuma das suas formas o ABORTO no Brasil.

É verdade que ninguém de bom senso no país quer deixar de prestar atendimento médico e psicológico às mulheres estupradas. É óbvio que toda mulher no Brasil tem que ter seus autênticos direitos atendidos e respeitados por todos os segmentos da sociedade, para que ela possa assim desempenhar seu papel insubstituível no mundo e na Igreja.

O que não pode ser verdadeiro e óbvio é considerar um projeto de lei a favor do atendimento emergencial e integral da mulher que sofreu violência sexual como mais uma porta de entrada para o aborto, e o aborto financiado com dinheiro público, pois a lei sancionada obriga todos os hospitais integrantes da rede do SUS que tenham Pronto Socorro e Serviço de Ginecologia a prestarem esse atendimento.

Atendimento emergencial quer dizer, na prática, uma ação imediata da parte dos médicos, depois que a mulher diz ter sido estuprada, mesmo que ela não apresente o Boletim de ocorrência desse crime, o que protege o estuprador, esse criminoso que irá continuar cometendo a mesma brutalidade, e mesmo que ela não aceite fazer o exame de corpo de delito. O médico será obrigado a fazer o aborto ou administrar a pílula do dia seguinte, conhecida também como pílula emergencial, que se ingerida depois da violência sexual sofrida onde houve a fecundação causará o aborto químico.

Atendimento integral significa que nenhum procedimento médico deve ser omitido e todas as informações devem ser prestadas à mulher violentada, inclusive como ela pode tirar a vida do seu filho e onde ela poderá realizar essa nova violência sobre si mesma com a aprovação do Estado brasileiro.

O papa Francisco não se pronunciou sobre a aprovação desse projeto de lei, ainda que sabendo da sua existência, mas se pronunciou de forma clara e firme, em várias ocasiões, sobre o papel político do cristão, como por exemplo, fez no discurso dirigido à classe dirigente do país no dia 27 de julho passado.

“Somos responsáveis pela formação das novas gerações, ajudá-las a ser capazes na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige hoje a tarefa de reabilitar a política, que é uma das formas mais altas da caridade”.

Aos jovens brasileiros e estrangeiros ele perguntava: “Amigos queridos, a fé é revolucionária e eu lhe pergunto hoje: esta disposto, está disposta, a entrar nesta onda da revolução da fé? Só entrando, sua vida, jovem, terá sentido e, assim, será fecunda”.

Aos bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas, fazia a seguinte exortação paterna: "Tenham a coragem de ir contra a corrente dessa cultura eficientista, dessa cultura do descarte. O encontro e a acolhida de todos, a solidariedade, é uma palavra que estão escondendo nessa cultura, quase um palavrão; a solidariedade e a fraternidade são elementos que fazem nossa civilização verdadeiramente humana...Gostaria de vê-los quase obcecados nesse sentido".

A Voz do papa e as Vozes das manifestações se somam, depois que assistimos, no Rio de Janeiro, a um impressionante evento de solidariedade, de fraternidade, de paz e de boa vontade e fé, que revolucionarão o futuro da humanidade, desde que sejam Vozes ouvidas pelos que legislam e governam o Brasil, país que demonstrou, na JMJ Rio 2013, que sabe acolher e dar espaço a todas as pessoas.
*Dom Antônio Dias Duarte é bispo auxiliar do Rio de Janeiro.

A caridade é o amor atuante de Deus, afirma padre chileno


Santiago - Desde o ano de 2009, o centro de medidas da Universidade Católica do Chile, vem tentando através de modernos métodos de investigação social descobrir quão solidários são os chilenos. A conclusão da pesquisa, revelada em novembro do ano passado, demonstrou que os chilenos não são tão solidários como aparentam.
Com base nos resultados deste estudo e por ocasião do Mês da Solidariedade, o padre Francisco Campos, encarregado de projetos do Vicariato da Pastoral Social, comentou que os chilenos nem sempre tem conhecimento claro sobre o verdadeiro espírito solidário, nem sobre as diferenças existentes com a caridade.
"A caridade é o amor atuante de Deus, é a expressão da relação dEle com seus filhos e entre irmãos; a solidariedade é mais horizontal, é sentirmos em um destino comum com o outro, é a percepção de ser povo", precisou.
O padre Campos ressaltou também que os chilenos compreendem a solidariedade como um sentimento, como uma atitude passageira, mais do que como uma virtude constante e perseverante no tempo. Por ser uma virtude, a solidariedade pode ser adquirida ou cultivada no tempo, daí a importância da educação como eixo central de uma sociedade mais solidária.
O sacerdote convidou os fiéis a "gerar espaços onde nos encontremos como pessoas, ajudemos os outros, já que a chave é estar com o outro, ficar com o que tem menos ou mais que eu, que sejamos capazes de gerar a cultura do encontro e ir rompendo as segregações estruturais que temos".

'Desafios na educação cristã dos filhos'


Brasília  - Durante a Semana Nacional da Família (SNF) que está sendo realizada, entre os dias 11 e 17 de agosto, em paróquias e comunidades de todo o Brasil, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família (CEPVF), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), preparou alguns textos para aprofundamento e reflexão.
Este ano, o tema da SNF é “Transmissão e educação da fé cristã na família”, dentro desse contexto, a CEPVF divulgou mais um texto para colaborar com as atividades, e grupos de estudos que estão sendo realizadas pelas dioceses do país. O segundo texto trata da responsabilidade do papel dos pais perante a família e, principalmente, perante os filhos dentro de uma realidade individualista que, muitas vezes, tornam relativos os juízos e os valores morais.

Leia o texto abaixo:

"O principal desafio que a família de hoje deve estar atenta na educação cristã dos seus filhos não é religiosa, mas antropológico, a maneira, a visão, a concepção em entender quem é o ser humano: a ditadura do relativismo segundo o qual não existe uma verdade única, objetiva, geral para todos sobre quem é o ser humano e, por conseguinte, tampouco sobre o matrimônio e sobre a família. Evidencia-se, assim, o individualismo, em que cada um faz o quer e como quer.

O relativismo e o individualismo afirmam também que não existe um Deus comum a todos, cada um cria e se relaciona com seu próprio Deus e tampouco existem verdade única, normas éticas e valores permanentes. Cada um deve acreditar e fazer no que é melhor para sim mesmo na construção da sua própria felicidade. Eu sou a minha própria verdade e caminho.

Assim, os juízos sobre os valores morais, quer dizer, sobre o que é bom ou mau e, por isso, sobre o que deve fazer ou omitir, não pode proceder segundo o arbítrio individual. O ser humano, no mais profundo da sua consciência, descobre a presença de uma lei que ele não dita a si mesmo e à qual deve obedecer. Esta lei foi escrita por Deus no seu coração, de modo que, além de aperfeiçoar-se com ela como pessoa, será de acordo com esta lei que Deus o julgará pessoalmente.

Diante da realidade relativista e condicionante, a família tem hoje a inevitável tarefa de transmitir aos seus filhos a verdade sobre quem é a pessoa humana e como essa pode atingir a satisfação de todas as suas necessidades. Como já ocorreu nos primeiros séculos, hoje é de capital importância conhecer e compreender a primeira página do Gênesis: existe um Deus pessoal e bom, que criou a sua imagem e semelhança o homem e a mulher com igual dignidade, mas diferentes e complementares entre si, e deu-lhes a missão de gerar filhos, mediante a união indissolúvel de ambos em uma só carne (matrimônio). Um ser humano que é essencialmente relação e comunhão.

O ser humano recebeu de Deus uma incomparável e inalienável dignidade, criado à sua imagem e semelhança e destinado a ser filho adotivo. Cristo, com sua encarnação nos concedeu essa graça, somos filhos de Deus. Por ter sido criado à imagem de Deus, o ser humano tem a dignidade de pessoa: não é só alguma coisa, um ser individual de produção e lucro, mas alguém.

É capaz de conhecer-se, de dar-se livremente e de entrar em comunhão com outras pessoas. Esta relação com Deus e com outras pessoas pode ser ignorada, relativizada, esquecida ou removida, mas jamais pode ser eliminada, porque faz parte constitutiva do ser humano, seria o mesmo que eliminasse das pessoas o respirar, alimentar-se, dormir. Isolar-se é adoecer.

As consequências de não correspondência ao desígnio de Deus são desastrosas para a pessoa, a família e a sociedade. Assim se explica a justificação do aborto como um direito da mulher, as tentativas de legalizar a eutanásia, o controle artificial dos nascimentos, as leis cada vez mais permissivas do divórcio, as relações extraconjugais, as uniões homoafetivas e outras.

Amar significa dar e receber o que não se pode comprar nem vender, mas só presentear livre e reciprocamente. Graças ao amor, cada membro da família é reconhecido, aceito e respeitado em sua dignidade. Do amor nascem relações vividas como entrega gratuita, e surgem relações desinteressadas e de solidariedade profunda. Como a experiência o demonstra, mesmo das famílias em constante conflito e tensão, a família constrói cada dia uma rede de relações interpessoais e prepara para viver em sociedade na possibilidade e ideário de um clima de respeito, justiça e verdadeiro diálogo.

Os pais ter a autoridade de educar hoje a seus filhos com confiança e valentia nos valores humanos e cristãos, começando pelo mais radical de todos: a existência da verdade e a necessidade de procurá-la e segui-la para realizar-se como pessoas humanas. Outros valores chave hoje são o amor à justiça e a educação sexual clara e delicada que leve a uma valorização pessoal do corpo e a superar a mentalidade e a praxe que o reduz a objeto de prazer egoísta.

A família, em sintonia com a Igreja e, mais em particular, com o Papa, os bispos e os padres colabora com que as pessoas desenvolvam alguns valores fundamentais que são imprescindíveis para formar cidadãos livres, honestos e responsáveis, por exemplo, a verdade, a justiça, a solidariedade, a partilha, o amor aos outros por si mesmos, a tolerância. Uma mesa que prepara a mesa da Eucaristia, em que todos compartilham os mesmos alimentos. A criança vai incorporando assim critérios e atitudes que o ajudarão mais adiante nesta outra família mais ampla que é a sociedade."

Padre Wladimir Porreca

Assessor nacional para a Vida e a Família/CNBB
SIR/CNBB