segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Evangelho do dia

Ano C - 11 de novembro de 2013

Lucas 17,1-6

Aleluia, aleluia, aleluia.
Como astros no mundo brilheis, pregando a palavra da vida! (Fl 2,15s) 


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
17 1 Jesus disse também a seus discípulos: "É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!
2 Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos.
3 Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe.
4 Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás".
5 Os apóstolos disseram ao Senhor: "Aumenta-nos a fé!"
6 Disse o Senhor: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: ‘Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá’".
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
RECONCILIAÇÃO E PERDÃO
A comunidade cristã não é feita de pessoas santas ou incapazes de pecar. Pelo contrário, comporta, entre seus membros, gente afetada pelo egoísmo e sempre disposta a romper os laços fraternos, que mantém a unidade entre os cristãos. Uma comunidade esfacelada é o pior contratestemunho do Reino que possa existir. É uma declaração tácita de que o amor é impraticável, e a força do egoísmo, inexorável.
Daí a exigência de o cristão se predispor, continuamente, a refazer os laços rompidos. Capitular seria um gesto anticristão, incompatível com as exigências do Reino.
A reconstrução da comunidade cindida pela inimizade processa-se num duplo movimento: o reconhecimento do pecado, por parte de quem ofende o irmão, e a oferta de perdão, por parte de quem foi ofendido. É uma questão de boa vontade e de se deixar mover pela graça.
Quem peca, deve ter consciência de suas faltas e das conseqüências negativas para a comunidade. O passo seguinte consiste em ser capaz de declarar-se arrependido e pedir perdão. É preciso ter a humildade de refazer este mesmo caminho, quantas vezes forem necessárias.
Quem foi vítima da ofensa alheia, deve estar sempre pronto a perdoar, sem conservar ressentimento ou rancor no coração. Reconhecendo que o pecado resulta da fraqueza humana, terá para com o pecador arrependido a mesma paciência de Deus.

OraçãoEspírito de reconciliação, mantenha meu coração aberto tanto para pedir perdão, quanto para oferecê-lo a quem tiver ofendido.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Leitura
Sabedoria 1,1-7
Leitura do livro da Sabedoria.
1 1 Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração,
2 porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança;
3 com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos.
4 A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado;
5 o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniqüidade que sobrevém o repelirá.
6 Sim, a Sabedoria é um espírito que ama os homens, mas não deixará sem castigo o blasfemador pelo crime de seus lábios, porque Deus lhe sonda os rins, penetra até o fundo de seu coração, e ouve as suas palavras.
7 Com efeito, o Espírito do Senhor enche o universo, e ele, que tem unidas todas as coisas, ouve toda voz.
Palavra do Senhor.
Salmo 138/139
Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

Senhor, vós me sondais e conheceis,
sabeis quando me sento ou me levanto;
de longe penetrais meus pensamento,
percebeis quando me deito e quando eu ando,
os meus caminhos vos são todos conhecidos.

A palavra nem chegou à minha língua
e já, o Senhor, a conheceis inteiramente.
Por detrás e pela frente me envolveis;
pusestes sobre mim a vossa mão.
Esta verdade é por demais maravilhosa,
é tão sublime, que não posso compreendê-la.

Em que lugar me ocultarei de vosso espírito?
E para onde fugirei de vossa face?
Se eu subir até os céus, ali estais;
se eu descer até o abismo, estais presente.

Se a aurora me emprestar as suas asas,
para eu voar e habitar no fim dos mares,
mesmo lá vai me guiar a vossa mão
e segurar-me com firmeza a vossa destra.
Oração
Ó Deus, que fostes glorificado pela vida e morte do bispo são Martinho, renovai em nossos corações as maravilhas da vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

'Deusa propina': a última cruzada de Francisco


O anátema do papa Francisco sobre a corrupção parece evocar a necessidade de uma comunidade cristã de "mãos limpas".
Por Marcello Longo
"Um hábito mundano e fortemente pecaminoso". Um vício das pessoas que "perderam a dignidade" e saciam os seus filhos com o "pão sujo". O Papa Francisco escolhe tons ásperos para lançar o seu anátema contra a "deusa propina" e os seus "devotos", uma advertência anticorrupção pronunciada nessa sexta-feira de manhã durante a ritual missa na casa de Santa Marta, no Vaticano.

O raciocínio de Bergoglio parte das páginas do Evangelho com a explicação da parábola do administrador desonesto, em que um malfeitor é elogiado pelo chefe pela sua notável astúcia. "É o louvor da propina", exclama Francisco, lançando-se contra o "espírito da mundanidade que agrada tanto do demônio" e que permeia a figura protagonista do trecho evangélico.

Assim, no discurso do pontífice, também entram em jogo os homens com cargos de responsabilidade: "Todos não!", especifica o papa, mas "alguns". Ele se refere a "administradores públicos, de empresas e do governo", que apresentam todas as características daquela atitude – segundo Bergoglio, na base da corrupção – caracterizada pela busca "do caminho mais curto, mais cômodo para ganhar a vida".

Durante a homilia, Francisco comparou a praga dos subornos a um mecanismo biológico capaz de criar dependência: "Começa-se com uma propina, mas é como uma droga". O suborno se torna uma rotina, um hábito – destaca – "que não vem de Deus", porque "Deus nos mandou trazer o pão para casa com o nosso trabalho honesto".

À dura crítica contra os ganhos fáceis da corrupção, segue-se um pedido de oração. Bergoglio se volta àqueles filhos "talvez educados em colégios caros, que cresceram em ambientes cultos" que recebem dos pais "sujeira como comida", ou seja, o fruto de rendas ilegais.

"Fará bem a nós – acrescenta Francisco – rezar pelas muitas crianças e jovens que recebem dos seus pais pão sujo. Esses também estão famintos: famintos de dignidade". Outra oração é reservada aos senhores dos subornos, para que "mude o coração desses devotos da deusa propina" e para que percebam que "a dignidade vem do trabalho digno de todos os dias e não desses caminhos mais fáceis que, no fim, lhe tiram tudo".

A corrupção é um tema caro ao Papa Bergoglio. Em março deste ano, foi publicado nas livrarias, pela editora EMI, o livro Guarire dalla corruzione, uma acusação contra o mal costume institucional sintetizado na expressão "pecadores sim, mas não corruptos". No texto, uma das primeiras publicações de Bergoglio em italiano, o papa analisa a figura do corrupto: um sujeito que "passa a vida em meio aos atalhos do oportunismo, ao preço da sua própria dignidade e da dos outros. O corrupto tem rosto de ´não fui eu´, o rosto de ´santinho´, como dizia a minha avó. Mereceria um doutorado honoris causa em cosmética social. E o pior é que acaba nos fazendo crer nisso".

Como em outras ocasiões, as palavras do papa argentino se dirigem sem filtros à consciência dos fiéis. É inevitável, porém, imaginar uma conexão entre as questões levantadas com força por Francisco e o projeto de uma Igreja renovada e limpa dos escândalos. O anátema sobre a corrupção parece evocar a necessidade de uma comunidade cristã de "mãos limpas". Dentro e fora dos muros do Vaticano.
Jornal Il Fatto Quotidiano, 09-11-2013.

domingo, 10 de novembro de 2013

CNBB envia carta aos bispos sobre coleta de assinaturas para o PL pela Reforma Política no Brasil


O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, enviou aos bispos da Conferência a proposta de Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma Reforma Política no Brasil, o formulário para a coleta de assinaturas e uma carta da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política.
Segundo dom Leonardo, “o passo a ser dado é a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, a ser levado ao Congresso Nacional”. Para tanto, de acordo com o bispo, a ficha de coleta de assinaturas deve ser multiplicada.
A carta, assinada pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política, dom Joaquim Mol, foi aprovada pelo Conselho Permanente da Conferência, durante reunião realizada no último mês de outubro.
“Esta carta cumpre o objetivo de informar sobre os últimos acontecimentos acerca deste assunto e também de convidar a todos os bispos a acompanharem e participarem, em suas dioceses, do movimento que se iniciou recentemente”, disse dom Joaquim Mol.
Leia, na íntegra, a carta enviada aos bispos do Brasil.

Carta sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popoular pela Reforma Política 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, ciente da necessidade de mudanças mais profundas na realidade política do Brasil, criou uma Comissão de Acompanhamento da Reforma Política, presidida por mim. Esta carta, que foi apresentada ao Conselho Permanente da CNBB em 24/10/13, cumpre o objetivo de informar sobre os últimos acontecimentos acerca deste assunto e também de convidar a todos os bispos a acompanharem e participarem, em suas Dioceses, do movimento que se iniciou recentemente.
Seguem os principais pontos.
1. Várias tentativas de Reforma Política foram feitas no Congresso Nacional. Todas foram infrutíferas por uma única razão: os congressistas não têm interesse em reformar o sistema político e eleitoral do nosso país, por se encontrarem em zona de conforto no atual sistema. É verdade, igualmente, que há vários parlamentares empenhados em fazer uma Reforma Política.
2. Algumas entidades organizadas na sociedade civil, percebendo a dificuldade instalada no Congresso Nacional, organizaram debates e formularam propostas de Reforma Política, com o intuito de coletarem assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular.
3. Ao percebermos o ambiente político modificado pelas manifestações a partir de junho e ao mesmo tempo as várias propostas de Reforma Política em circulação, mas sem a necessária conjunção de forças, a CNBB convidou um conjunto expressivo de entidades da sociedade civil , para um encontro em sua sede, dia 14/08/2013, com vistas a unificarmos os objetivos e as áreas a serem reformadas. Quinze entidades compareceram e aceitaram a proposta.
4. Nesta primeira reunião foi eleita a coordenação do movimento e foi definida a tarefa da mesma: apresentar uma proposta de Projeto de Lei de Reforma Política para o Brasil, abrangendo cinco áreas escolhidas pelos presidentes das entidades, a saber:
a. afastamento do poder econômico das eleições;
b. adoção do sistema eleitoral do voto dado ao partido e depois a um candidato de uma lista formada democraticamente;
c. alternância de gênero nas listas de candidatos;
d. fortalecimento dos partidos e fidelidade partidária programática;
e. regulamentação dos instrumentos da democracia direta, previstos no Artigo 14 da Constituição: projeto de lei de iniciativa popular, referendo e plebiscito.
Este delicado trabalho exigiu que todos colocassem suas propostas sobre a mesa para sofrerem as alterações de interesse comum às entidades. Todos ofereceram e todos cederam. O Projeto de Lei ficou pronto e posteriormente foi apresentado, aperfeiçoado e aprovado pelo plenário das entidades.
5. Dia 3/9/2013, num ato público realizado na CNBB, com participação de muitas pessoas, foi dado ao conhecimento público a proposta unificada do Projeto de Lei com o nome de “Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”, bem como a unificação dos esforços de entidades e pessoas pela necessária e urgente Reforma Política. Naquele dia, 35 entidades assinaram o Projeto de Lei.
6. Esta proposta de Reforma Política foi entregue ao presidente da Câmara Federal, Deputado Henrique Alves, pelas entidades, agora em número de 44, na presença de dezenas de parlamentares apoiadores, dia 10/9/2013.
Cerca de 130 parlamentares subscreveram a proposta. Explicitamos ao presidente da Câmara Federal a necessidade de se colocar a proposta em votação imediatamente para que fosse ao senado e logo sancionada pela Presidente da República, de modo a cumprir o tempo regulamentar e passar a valer já nas próximas eleições.
O referido Deputado reconheceu a importância do ato, a legitimidade da proposta e assumiu, diante de todos, o compromisso de colocá-la em votação. Em ato contínuo, noticiamos aos veículos de comunicação que nos aguardavam na sala de entrada da Câmara Federal. Informo aos senhores que muitos veículos de comunicação não têm interesse na Reforma Política: mesmo acompanhando intensa movimentação naqueles dias, alguns veículos não noticiaram o fato.
7. A Reforma Política não foi colocada em votação. Já imaginávamos esta possibilidade. Por isso a proposta foi elaborada no formato de Projeto de Lei de Iniciativa Popular, acompanhada da folha de assinaturas. Precisamos nos empenhar neste grande trabalho e desencadear uma campanha cívica, unificada, solidária pela efetivação da Reforma Política, assim como aconteceu, vitoriosamente, em vários outros momentos da história recente do Brasil, como as campanhas pelas eleições diretas, ficha limpa, recursos para a saúde.
8.  Os principais pontos do Projeto de Lei de Iniciativa Popular são os seguintes:
a. Proibição do financiamento de campanha por empresa. Instauração do financiamento democrático de campanha, constituído do financiamento público e de contribuição de pessoa física limitada a R$ 700,00. O total desta contribuição não poderá ultrapassar o limite de 40% dos recursos públicos recebidos pelo partido, destinados às eleições;
b. Adoção do sistema eleitoral do voto dado em listas pré-ordenadas, democraticamente formadas pelos partidos com a participação dos filiados e não só dos dirigentes, e submetidas a dois turnos de votação, constituindo o sistema denominado “voto transparente”, pelo qual o eleitor inicialmente vota no partido e posteriormente escolhe individualmente um dos nomes da lista;
c. Alternância de gênero nas listas mencionadas no item anterior;
d. Regulamentação dos instrumentos da Democracia Participativa, previstos no art. 14 da Constituição, de modo a permitir sua efetividade, reduzindo-se as exigências para a sua realização, ampliando-se o rol dos órgãos legitimados para iniciativa de sua convocação, aumentando-se a lista de matérias que podem deles ser objeto, assegurando-se financiamento público na sua realização e se estabelecendo regime especial de urgência na tramitação no Congresso;
e. Modificação da legislação para fortalecer os partidos, para democratizar suas instâncias decisórias especialmente na formação das listas pré-ordenadas, para impor programas partidários efetivos e vinculantes, para assegurar a fidelidade partidária, para considerar o mandato como pertencente ao partido e não ao mandatário;
f. Criação de instrumentos eficazes voltados aos segmentos sub-representados da população, como os afrodescendentes e indígenas, com o objetivo de estimular sua maior participação nas instâncias políticas e partidárias;
g. Previsão de instrumentos eficazes para assegurar o amplo acesso aos meios de comunicação e impedir que propaganda eleitoral ilícita, direta ou indireta, interfira no equilíbrio do pleito, bem como garantias do pleno direito de resposta e acesso às redes sociais.
Estamos cientes da complexidade desta matéria, mas também convictos de que a Reforma Política é uma das principais iniciativas da população brasileira neste momento,
considerando os baixos índices de credibilidade dos poderes legislativo, judiciário e executivo, dos partidos políticos;
considerando que a inclusão social em curso aprimora a consciência cívica, o desejo de participação e a cobrança de direitos;
considerando que povo brasileiro, especialmente a juventude, reage fortemente contra os escândalos de corrupção e exigem punição efetiva para os culpados;
considerando as distorções do sistema político e eleitoral que alargam o fosso entre a Nação e o Estado, os representados e os representantes, a sociedade e o governo;
considerando que a atual conjuntura impõe que se proceda com urgência a uma profunda Reforma em nosso sistema político e eleitoral.
Por isso, apresentamos a “Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas” como o melhor caminho possível neste momento para esta transformação e conclamamos a todos os brasileiros em suas cidades, mas especialmente, por esta carta, a todos os bispos e suas dioceses a participarem desta Campanha pelo aperfeiçoamento da Democracia.
Este assunto já foi tratado em reuniões do CONSEP e do CONSELHO PERMANENTE da CNBB e será aprofundado a cada passo neste caminho.
Renovo-lhe meus sentimentos de respeito e fraternidade, em Cristo Jesus.
Cordialmente,

Dom Joaquim Giovani Mol GuimarãesBispo Auxiliar de Belo Horizonte
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação
Presidente da Comissão de Acompanhamento da Reforma Política

 Fonte: CNBB

A importância do diálogo Inter-religioso

Foi o próprio Jesus que falou: “que todos sejam um, para que o mundo creia”.


Papa recebe líder muçulmano: aproximação com os irmãos.
Por Dom Demétrio Valentini

Ainda no contexto do último mês de outubro, mês missionário, precisamos incluir em nossas intenções missionárias, as grandes religiões do mundo. Pois agora, a partir do Concilio Vaticano II, somos desafiados a ter um olhar diferente sobre as grandes religiões, reconhecendo nelas muitos valores positivos, nos quais dá para perceber a atuação do Espírito Santo, que está sempre pronto a vir em auxílio de quem busca com sinceridade os caminhos que levam para Deus.

Diz textualmente o Concílio, no seu documento "Nostra Aetate": "A Igreja Católica nada rejeita do que há de verdadeiro e santo nestas religiões". E acrescenta: “Exorta por isto seus filhos que, com prudência e amor, através do diálogo e da colaboração com os seguidores de outras religiões, testemunhando sempre a fé e a vida cristãs, reconheçam, mantenham e desenvolvam os bens espirituais e morais, como também os valores sócio-culturais, que entre eles se encontram”.

É bom termos um mapa aproximado dessas grandes religiões no mundo. Algumas delas têm suas raízes na cultura asiática, a mais antiga do mundo, com suas tradições milenares. Duas delas emergem com força no contexto da Ásia: o Budismo e o Hinduísmo, ambas originárias da Índia. Sendo que o Budismo se propagou mais nos países orientais da Ásia, especialmente na China e no Japão.

Outras duas grandes religiões têm sua origem no Oriente Médio, o Judaísmo e o Islamismo, a religião dos muçulmanos. Por diversos motivos a Igreja se sente mais próxima, e mais ligada a estas duas grandes religiões, o Judaísmo e o Islamismo. A partir do Concílio, a Igreja assumiu uma postura de mais respeito, superando hostilidades que possa ter havido na história, e propondo um diálogo que possibilite uma progressiva aproximação com as grandes tradições religiosas.

O relacionamento com os judeus melhorou muito, sobretudo a partir da decisão tomada por João XXIII, de modificar a prece pelos judeus, na liturgia da Semana Santa. Antes, a formulação desta prece chegava a ser ofensiva, pois se referia a eles como “pérfidos judeus”.

Com eles existe agora um clima de respeito, que é fortalecido por atitudes simbólicas. Diversas vezes o Papa foi visitar sinagoga dos judeus em Roma. João Paulo II chamou os judeus de "nossos irmãos maiores".

O Concílio falou de maneira muito respeitosa a respeito dos muçulmanos. O seu livro sagrado apresenta Cristo como um profeta, e fala de Maria de maneira muito respeitosa.

Portanto, haveria muitas coincidências a nível de fé, entre a religião fundada por Maomé, e a nossa religião cristã. Mas infelizmente, na história, o relacionamento com os muçulmanos foi marcado por guerras religiosas e incompreensões mútuas, cujas consequências ainda não foram assimiladas.

Entre os muçulmanos, ao lado de correntes fundamentalistas que ainda propagam a “guerra santa” contra os cristãos, existem grupos moderados e profundamente religiosos, com os quais é possível manter um diálogo construtivo.

Todas estas dificuldades de aproximação e de entendimento, deveriam mostrar aos cristãos a urgente necessidade de reconciliação entre nós, superando nossas divisões internas, como cristãos, que infelizmente ainda existem. Foi o próprio Jesus que falou: “que todos sejam um, para que o mundo creia”.

Assim como a missão abre o caminho para a renovação da Igreja, assim a aproximação com as grandes religiões não cristãs, se transforma em apelo para a unidade dos cristãos!
A12, 24-10-2013.
*Dom Demétrio Valentini é Bispo de Jales (SP).

Evangelho do dia

Ano C - 10 de novembro de 2013

Lucas 20,27-38 ou 27.34-38

Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo é o primogênito dos mortos; a ele a glória e o domínio para sempre! (Ap 1,5s).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 20 27 alguns saduceus - que negam a ressurreição - aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe:
28 "Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filhos, case-se com ela o irmão dele, e dê descendência a seu irmão.
29 Ora, havia sete irmãos, o primeiro dos quais tomou uma mulher, mas morreu sem filhos.
30 Casou-se com ela o segundo, mas também ele morreu sem filhos.
31 Casou-se depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete, que morreram sem deixar filhos.
32 Por fim, morreu também a mulher.
33 Na ressurreição, de qual deles será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher".
34 Jesus respondeu: "Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento,
35 mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido.
36 Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados.
37 Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente, chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó .
38 Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele".
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
A VIDA SUPERA A MORTE
Ao questionar Jesus, os saduceus tinham a intenção de ridicularizar os fariseus, cuja fé na ressurreição dos mortos era bem conhecida, por ser uma crença propagada nos meios populares. Os saduceus queriam também conhecer a posição de Jesus, para saber de que lado se posicionava.
O ponto de partida da pergunta foi uma história um tanto grotesca, fundada numa teologia mal-enfocada. Supunha-se, erroneamente, que a ressurreição fosse a continuação pura e simples da vida terrena. Que a humanidade está envolvida por um determinismo cruel, estando todos os seres humanos fadados a idêntico destino eterno. Que a morte supera a vida, pois é para o sheol, lugar de trevas e sombra, que caminham todas as pessoas. Que Deus não tem o poder de interferir no destino eterno delas.
Jesus responde, estabelecendo uma distinção entre "este mundo" e o "outro mundo". O erro dos saduceus consiste em confundi-los. O ser humano está destinado a viver neste mundo, sem perder de vista o outro. Sendo Deus o Senhor da vida, pode doá-la tanto neste mundo quanto no outro. Entretanto, no mundo vindouro, a vida será vida plena, sem as limitações da vida terrena. Cessam, aí, as preocupações terrenas, como casar-se e dar-se em casamento, e desaparece, também, as ameaças da morte. A comunhão com o Pai torna-se penhor de vida eterna. A morte dá início, neste caso, a uma explosão de vida.

Oração
Espírito vivificador, que a esperança na ressurreição dos mortos me faça viver neste mundo, sem perder de vista que meu destino é a vida plena, na comunhão com o Pai.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Leitura
2 Macabeus 7,1-2.9-14
Leitura do livro dos Macabeus.
7 1 Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco.
2 Um dentre eles tomou a palavra e falou assim em nome de todos. Que nos pretendes perguntar e saber de nós? Estamos prontos a morrer antes de violar as leis de nossos pais.
9 Prestes a dar o último suspiro, disse ele: Maldito, tu nos arrebatas a vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitará para a vida eterna, se morrermos por fidelidade às suas leis.
10 Após este, torturaram o terceiro. Reclamada a língua, ele a apresentou logo, e estendeu as mãos corajosamente.
11 Pronunciou em seguida estas nobres palavras: Do céu recebi estes membros, mas eu os desprezo por amor às suas leis, e dele espero recebê-los um dia de novo.
12 O próprio rei e os que o rodeavam ficaram admirados com o heroísmo desse jovem, que reputava por nada os sofrimentos.
13 Morto este, aplicaram os mesmos suplícios ao quarto,
14 e este disse, quando estava a ponto de expirar: É uma sorte desejável perecer pela mão humana com a esperança de que Deus nos ressuscite; mas, para ti, certamente não haverá ressurreição para a vida.
Palavra do Senhor.
Salmo 16/17
Ao despertar, me saciará vossa presença
e verei a vossa face!

Ó Senhor, ouvi a minha justa causa,
Escutai-me e atendei o meu clamor!
Inclinai o vosso ouvido à minha prece,
Pois não existe falsidade nos meus lábios!

Os meus passos eu firmei na vossa estrada,
e por isso os meus pés não vacilaram.
Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis,
inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

Protegei-me qual dos olhos a pupila
e guardai-me à proteção de vossas asas.
Mas eu verei, justificado, a vossa face
e, ao despertar, me saciará vossa presença.
Oração
Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

A conclusão do Ano da Fé


Cidade do Vaticano, 10 nov (SIR) – Antes da conclusão oficial do Ano da Fé, no dia de Cristo Rei, o Santo Padre visitará, no próximo dia 21, o Mosteiro de Clausura das monjas Camaldolenses, no bairro do Aventino, em Roma.

A vida contemplativa desenvolve-se em dois momentos: “Ora et laborat”. A união entre “ação e contemplação” é um dos pontos cardeais expressa pela nossa fé. No entanto, a contemplação não dispensa dos compromissos e das preocupações. Pelo contrário, ela dá sentido à nossa lida cotidiana. Neste sentido, a Comunidade das Monjas de Camáldoli representa esta dimensão de modo peculiar: ela está aberta aos habitantes da Cidade Eterna, mediante o serviço do Ofício Divino e a assistência aos pobres, que levam a atingir seu objetivo principal: a contemplação e a partilha. Não é possível contemplar o rosto de Cristo sem reconhecê-lo no sofrimento dos mais necessitados.

Esta visita do Papa Francisco ao Mosteiro das Camaldolenses será uma das tantas atividades realizadas durante o Ano da Fé: um ano rico de graça, que se concluirá, no próximo dia 24, com uma solene celebração Eucarística, presidida pelo Santo Padre, na Praça São Pedro. Neste contexto, o último gesto concreto do Ano da Fé culminará, pela primeira vez, com a exposição, no Vaticano, das relíquias atribuídas a São Pedro. A fé do Apóstolo, portanto, confirmará, mais uma vez, que a porta do encontro com Cristo está sempre aberta a todos.
SIR

Vaticano: Ortodoxos e católicos juntos pela família


Cidade do Vaticano, 10 nov (SIR) - O Pontifício Conselho para a Família promove, nos dias 13, 15 e 16 deste mês, em Roma, um encontro ecumênico internacional com os ortodoxos e uma conferência sobre a transmissão da fé entre as gerações.

Segundo o jornal da Santa Sé, L´Osservatore Romano, a jornada ecumênica, que se realiza no próximo dia 13, foi organizada junto com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e o Departamento das Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou e tem como lema "Ortodoxos e católicos juntos pela família". 

O Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, o chefe do Departamento das Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, o Metropolita Hilarion de Volokolamsk, e alguns professores farão palestras nesse dia.  Já nos dias 15 e 16 deste mês, o Pontifício Conselho para a Família promove o encontro sobre o tema "Eu recebi e transmiti: a crise da aliança entre as gerações".
SIR