quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Menino Jesus desce das estrelas


"Que Sua chegada encontre morada no interior das pessoas!"
Por Padre Geovane Saraiva*

“Tu desces das estrelas ó Rei do céu! Vens morar numa gruta, ao frio, ao gelo!“ No advento, grande é a expectativa, na chegada do Salvador da humanidade, trazendo esperança e ânimo para o povo abatido e desanimado. Como é preciosa e imprescindível a mensagem daquele homem extraordinário, que estava preso e ouvindo falar das obras e prodígios do Filho de Deus, enviou-lhe alguns dos seus discípulos, com a seguinte pergunta: “És tu aquele há de vir ou devemos esperar outro?” Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados (...)!” (Mt 11, 3-6).

Jesus nos indica o caminho da verdade e da vida, através dele mesmo, na manjedoura, ao se encarnar e entrar no mundo, realizando a vontade do Pai. Daí a importância de olhar para a grandeza do homem que se alimentava de gafanhotos e mel da selva, figura humana e divina, que recebeu o maior do todos os elogios do seu Mestre e Senhor, ao afirmar: “Dos nascidos de mulher, ninguém é maior que João Batista” (Mt 11, 11). É por isso mesmo que somos convidados a falar bem alto, com palavras e com a própria vida, de renúncia, doação e generosidade, tendo diante dos olhos e na mente, o maior de todos os profetas, que mostrou ao mundo a salvação que chegou para todos.

João, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, conhecido como o Precursor de Cristo pela palavra e pela vida (cf. Mc 17, 29), tendo nascido seis meses antes do Messias de Deus, não exerceu função sacerdotal, a exemplo do seu pai Zacarias, mas foi mostrado ao mundo como pregador; como um homem que desempenhou bem sua função, anunciando um batismo de penitência para o perdão dos pecados. Seu grande trunfo encontrava-se na vinda do Salvador da humanidade. Sua vocação profética desde o ventre materno reveste-se de algo extraordinário, repleto de júbilo messiânico ao preparar o nascimento do Salvador da humanidade.

Um homem foi enviado por Deus, e o seu nome se chamava João. O Evangelho de São João, logo no início, depois do prólogo, trata do batismo realizado por João no Rio Jordão, batizando o autor do batismo, tendo como ponto alto o seu encontro com Jesus, que ao vê-lo passar, reconhece-o e expressa deste modo: "Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29).

Para vivermos bem e realizados, é necessário que se faça o seguimento de Jesus de Nazaré, a partir da exigência, que tem origem no seu projeto de seu amor para conosco, realizado através da experiência central e decisiva, na obediência ao projeto do Pai em favor da humanidade, a exemplo de João Batista, que recebeu a indispensável missão de testemunhá-lo como luz e assim preparar um povo bem disposto a acolhê-lo.

É neste sentido que olhamos com amor e carinho para a figura de João Batista, o maior de todos os profetas, que foi imolado sem alarde e sem julgamento, vítima de maldades e intrigas na Corte Real. Sua morte brutal e violenta nos faz pensar na nossa missão de batizados, anunciadores de novos tempos, numa mística que deveria ser profundamente marcada de coragem e esperança, personificada nos seres humanos, na aspiração e no compromisso com um mundo verdadeiramente de irmãos, numa Igreja com rosto pascal. O batismo de penitência que o acompanhou no anúncio, prefigura o batismo segundo Espírito, no sentido de que as pessoas abracem a fé, transformando-se em criaturas novas.

Foi ele que preparou o povo para o início da missão pública de Jesus, dizendo com todas as letras que ele mesmo caminharia à frente do Cristo Jesus, anunciando que os sinais dos tempos chegaram e as promessas anunciadas por Zacarias estavam para se realizar. O seu vibrante convite foi de acordar o povo do sono, muitas vezes profundo, para reconhecer o Salvador, como o Sol que veio nos visitar.

Quando festejamos o nascimento de João Batista para a glória, significa para nós acolher e aceitar a luz revelada por ele, voz que clama no deserto: O Cristo Senhor! É ao mesmo tempo, proclamar bem alto, com palavras e com a própria vida, que a salvação chegou e que é uma realidade concreta para todos. É Deus mesmo a confortar, encorajar e alegrar a humanidade através desta pessoa querida. O nascimento deste menino alegrou o mundo, trazendo tempos novos e messiânicos. É a esterilidade de seu pai, Zacarias, que se transformou em fecundidade e o homem mudo se tornou um profeta corajoso e exuberante (cf. Lc 1, 57s).

Ele é lembrado como uma pessoa que viveu com muita seriedade e com muito rigor, na austeridade e na penitência, anunciador da verdade e da justiça, prometendo tempos bons e o futuro tão esperado pela humanidade. “Consagrado de tal modo, que ainda no seio materno, ele exultou com a chegada do Salvador da humanidade e seu nascimento trouxe grande alegria” (Missal Romano, p. 601).

É o futuro esperado diante de nós no Natal Senhor! Que Sua chegada encontre morada no interior das pessoas, além de causar-lhes uma alegria transbordante, como tão bem diz a belíssima canção de natal, composição de 1744, do nosso querido padroeiro, Santo Afonso Maria de Ligório: "Tu Scendi Dalle Stelle" – Tu desces das estrelas ó Rei do céu! Confira o link.
* Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.

Uma conversa de Pai


A missão da Igreja é ser companheira dos homens na busca por Deus.


A tarefa de evangelizar – que é de todos, e não só do clero – deve ser otimista e alegre. (Foto: Arquivo)
Por Dom Aloísio Roque Oppermann*
Nós todos, sobretudo brasileiros, já conhecemos essa voz. Ela soa de modo agradável aos ouvidos. Não se trata da voz de um pai, eventualmente zangado, ou de alguém que vem defender seus privilégios, mas de alguém que reúne seus filhos e filhas, e lhes passa preciosas instruções. Recebemos com gosto a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium", do papa Francisco.

Ela se baseia muito sobre o que disseram os padres sinodais, em outubro de 2012. Mas tem sobretudo a marca registrada do papa, com suas propostas práticas. Não se trata de um escrito de cunho teológico. Suas 67 páginas tem um cunho nitidamente exortativo. Os estudiosos sacros diriam que é um texto parenético, desvestido de retórica, quase familiar. "O homem bom tira coisas boas do bom tesouro de seu coração” (Lc. 6,45). Mas suas referências não mostram mais uma ligação precípua com o eurocentrismo. Suas experiências de vida provém da América Latina. E é de lá que se irradia uma luz que ajuda os católicos do mundo inteiro.

Quais são as idéias fortes contidas nesse escrito papal? Ele quer estimular os católicos, que a tarefa de evangelizar – que é de todos, e não só do clero – seja uma tarefa otimista e alegre. Por quê? É que o amor do Pai Celeste vai ao encontro de todos. E a missão da Igreja é ser companheira dos homens nessa busca de Deus.

Garantidamente essa é uma tarefa conjunta, e não pode estar imbuída de tristeza individualista. Como que apresentando um modo ideal de evangelizar, apresenta as comunidades da América Latina, otimistas e abertas, que se reúnem para aplicar à vida os ensinamentos de Cristo.
O papa Francisco quer que as igrejas – dentro da possibilidade local – estejam de portas abertas para acolher os que desejam freqüentá-las. Essa abertura é simbólica, pois sinaliza para uma Igreja que deve conceder os sacramentos para todos os que estiverem aptos a recebê-los.

A preocupação não deve carregar demais sobre a excelência das liturgias. Nem deve só prestar atenção à reta doutrina, ou ao prestígio da Igreja. Sua grande meta devem ser as famílias, os empobrecidos, os que buscam a Deus. Para isso tudo é necessário, não só nosso empenho, mas a doação decidida de nós mesmos.” Os discípulos partiram e pregaram por toda a parte” (Mc. 16, 20). Mas com alegria, acrescentaria o papa.
CNBB, 10-12-2013.
*Dom Aloísio Roque Oppermann é arcebispo emérito de Uberaba (MG).

Evangelho do dia

Ano C - 13 de dezembro de 2013

Mateus 11,16-19

Aleluia, aleluia, aleluia.
O Senhor há de vir, acorrei-lhe ao encontro; é o príncipe da paz.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 11 16 "A quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos sentados nas praças que gritam aos seus companheiros:
17 ‘Tocamos a flauta e não dançais, cantamos uma lamentação e não chorais’.
18 João veio; ele não bebia e não comia, e disseram: ‘Ele está possesso de um demônio’.
19 O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos’. Mas a sabedoria foi justificada por seus filhos.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
CRÍTICAS INFUNDADAS
Os destinatários da denúncia de Jesus eram todos os que não o acolheram, como também a João Batista. Isto é, os que, aferrados aos seus esquemas, fechavam-se para quem os questionava, propondo-lhes algo novo, mais condizente com a vontade divina. A incapacidade de converter-se era acobertada com críticas infundadas.
A austeridade de João foi taxada de possessão demoníaca, de loucura. Por seu modo fraterno de ser, Jesus recebeu a alcunha de comilão, beberrão e amigo de gente de má vida. Assim, ambos eram desmoralizados e desautorizados a se apresentarem como referenciais para o povo. A credibilidade dos dois ficava minada nas bases.
O testemunho de João exigia preparar-se para acolher o Messias vindouro, por meio de uma profunda transformação interior, em detrimento de certas práticas, ensinadas pelos líderes religiosos. Com isto, a imensa estrutura articulada em torno do templo e de suas instituições, bem como das sinagogas espalhadas pelo país, ficavam sem importância. E também seus mentores e propagadores.
Já o testemunho de Jesus era uma aberta denúncia ao segregacionismo preconceituoso da religião da época. Ele foi se colocar exatamente junto dos que eram marginalizados, fazendo-se solidário com eles. Mostrava, assim, onde e como a salvação estava acontecendo, e de que modo o Reino, de fato, irrompia na História.

Oração
Pai, que eu não me deixe bloquear pelas críticas, quando minha vida for um testemunho de serviço ao Reino, expressão de minha adesão a teu Filho Jesus.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
Isaías 48,17-19
Leitura do livro do profeta Isaías.
48 17 Eis o que diz o Senhor, teu Redentor, o Santo de Israel: "eu sou o Senhor teu Deus, que te dá lições salutares, que te conduz pelo caminho que deves seguir.
18 Ah! Se tivesses sido atento às minhas ordens! Teu bem-estar assemelhar-se-ia a um rio, e tua felicidade às ondas do mar;
19 tua posteridade seria como a areia, e teus descendentes, como os grãos de areia; nada poderia apagar nem abolir teu nome de diante de mim".
Palavra do Senhor.
Salmo 1
Senhor, quem vos seguir terá a luz da vida.

Feliz é todo aquele que não anda
conforme os conselhos dos perversos;
que não entra no caminho dos malvados,
nem junto aos zombadores vai sentar-se;
mas encontra seu prazer na lei de Deus
e a medita, dia e noite, sem cessar.

Eis que ele é semelhante a uma árvore,
que à beira da torrente está plantada;
ela sempre dá seus frutos a seu tempo,
e jamais as suas folhas vão murchar.
Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

Mas bem outra é a sorte dos perversos.
Ao contrário, são iguais à palha seca
espalhada e dispersada pelo vento.
Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,
mas a estrada dos malvados leva à morte.
Oração
Ó Deus, que a intercessão da gloriosa virgem santa Luzia reanime o nosso fervor, para que possamos hoje celebrar o seu martírio e contemplar, um dia, a sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Papa Francisco é eleito personalidade do ano pela 'Time'


Francisco beija uma criança ao chegar à audiência geral na Praça de São Pedro.
A revista Time escolheu nesta quarta-feira o Papa Francisco como personalidade de 2013, ao destacar que, desde a sua chegada ao Vaticano, ele "tirou o papado do palácio para levá-lo às ruas" e se colocou no centro das discussões-chave da época.

Francisco, o primeiro latino-americano a comandar a Igreja Católica, "mudou o tom, a percepção e o enfoque de uma das maiores instituições do mundo com um extraordinário peso", disse Nancy Gibbs, editora da revista Time, ao fazer o anúncio no canal NBC.

A prestigiosa revista americana destacou o papel do ex-arcebispo de Buenos Aires para "comprometer" uma Igreja que tem 1,2 bilhão de fiéis no mundo "a enfrentar as necessidades mais profundas e equilibrar seu julgamento com piedade".

"Raramente um novo personagem no cenário internacional capturou tanta atenção tão rápido - jovem ou velho, crente ou cínico - como o papa Francisco", escreveu Gibbs a respeito de Jorge Bergoglio, de 76 anos.

"Em seus nove meses no poder, se colocou no centro das discussões chaves de nossa era: sobre riqueza e pobreza, equanimidade e justiça, transparência, modernidade, globalização, o papel da mulher, a natureza do casamento, as tentações do poder", destacou.

A chegada de Francisco ao Vaticano aconteceu no momento em que a Igreja Católica atravessa uma de suas crises mais profundas, após os escândalos de pedofilia dos últimos anos e acusações de afastamento dos fiéis.

O Vaticano reagiu com a afirmação de que o anúncio "não é surpreendente, levando em consideração a ressonância e a ampla atenção dada ao Papa Francisco e ao início do novo papado", e destacou o "sinal positivo" de que tenha recebido "um dos reconhecimentos mais prestigiosos da imprensa internacional".

"O papa não busca a fama ou o sucesso porque está a serviço do Evangelho de Deus, de amor para todos. Se a escolha como personalidade do ano significa que as pessoas entenderam, ao menos implicitamente, esta mensagem, então o deixará definitivamente feliz", afirmou o porta-voz da Santa Sé, Francisco Lombardi.

Atrás do papa Francisco ficou o ex-consultor da NSA o americano Edward Snowden, que revelou o programa secreto de espionagem do governo de seu país e atualmente está asilado na Rússia.

O papa Francisco, primeiro latino-americano , foi "uma escolha muito interessante este ano", afirmou.

Entre os cinco finalistas estavam ainda a americana Edith Windsor, que venceu um caso na Suprema Corte do país sobre os direitos dos casais homossexuais; o presidente sírio Bashar al-Assad, que permanece no poder apesar das pressões internacionais; e o senador americano Ted Cruz, responsável pela estratégia republicana para forçar a paralisação do governo federal há alguns meses.

A designação de "personalidade do ano" é uma tradição anual da revista Time desde 1927. A figura escolhida ocupa a capa da edição de fim de ano da revista.

Em 2012, a personalidade do ano foi o presidente americano Barack Obama, reeleito para o cargo.

Em 2011, a personalidade do ano da revista Time foi a figura do "manifestante", em um reconhecimento às pessoas de todo o mundo, em particular do Oriente Médio e norte da África, que saíram às ruas para lutar por seus direitos na denominada "Primavera Árabe".
AFP

Francisco e a reação conservadora

Francisco não é marxista. Ele é um católico que entende como a economia molda a cultura.

Mendigo na rua: papa Francisco denuncia conexão entre a liberdade pregada pelo capitalismo e o aumento da exclusão social.
Por Patrick J. Deneen*
Desde o lançamento da Evangelii Gaudium, tem havido inúmeros artigos e comentários sobre as partes da exortação apostólica do papa Francisco que tratam de economia. Alguns dos comentários têm sido francamente bizarros, como os feitos por Rush Limbaugh, ao chamar o papa de marxista, ou de Stuart Varney, que acusou Francisco de ser um neossocialista. Os conservadores norte-americanos resmungaram, mas denunciaram devidamente que a mídia distorceu o papa Francisco quando ele parecia vacilar sobre a homossexualidade, mas suas críticas ao capitalismo foram além da linha, e agora vemos o papa ser criticado e até mesmo denunciado de quase todos os púlpitos midiáticos de direita sobre a Terra.

Não muito abaixo da superfície de muitas dessas críticas, ouve-se o seguinte refrão: por que o papa não pode simplesmente voltar a falar sobre o aborto? Por que não podemos voltar aos bons velhos tempos do Papa João Paulo II ou de Bento XVI e falar 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano sobre sexo? Por que Francisco não tem a decência de se limitar a falar de Jesus e gays, evitando a grosseria de discutir economia em uma sociedade de economia mista, um assunto sobre o qual ele não tem experiência ou competência?

Existem versões sutis e ousadas desse fundamento. No site The Catholic Thing, Hadley Arkes escreveu um artigo caracteristicamente elegante em que observa que Francisco, geralmente, está correto sobre ensinamentos sobre casamento e aborto, mas aborda esses assuntos muito breve e superficialmente, e com diversas ressalvas indesejáveis. Ao mesmo tempo, Francisco continua falando longamente sobre as desigualdades e os danos causados por economias de mercado livre, o que faz Hadley aconselhar o papa a consultar Michael Novak da próxima vez. O resultado: ser tão breve quanto o discurso de Gettysburg no que concerne à economia, e loquaz como Edward Everett quando se trata de erotismo.

No lado impetuoso, há Larry Kudlow, que quase tem um ataque quando se trata de sua discordância com o Papa Francisco, acusando-o de abrigar simpatias com a Rússia comunista e não apreciar suficientemente Ronald Reagan, Margaret Thatcher e o papa João Paulo II. Reveladoramente, Kudlow aconselha o papa a se concentrar na "reforma moral e religiosa" e a "insistir" em "moral, espiritualismo e religiosidade", e deixar de falar sobre assuntos econômicos. Da mesma forma, o juiz Napolitano, em resposta a um desafio de Stuart Varney sobre por que o papa está falando sobre economia, respondeu: "Eu gostaria que ele se concentrasse em fé e moral, onde ele é muito sólido e tradicional".

Todos esses comentaristas estão afirmando: nós abraçamos a doutrina católica quando ela se preocupa com "fé e moral" – quando ela denuncia o aborto, se opõe ao casamento gay, e incita à caridade pessoal. Esse é o catolicismo que tem sido aceitável em uma conversa educada. Esse é um catolicismo despojado que não põe em causa os artigos fundamentais da fé econômica.

E verifica-se que essa versão do catolicismo é uma ferramenta útil. É precisamente essa parte do catolicismo que é aceitável para aqueles que controlam a narrativa da direita, porque não coloca realmente em risco o que é mais importante para aqueles que dirigem a república: a manutenção de um sistema econômico que pressupõe a extração ilimitada, a promoção de desejos infinitos e a criação de um fosso cada vez maior entre vencedores e perdedores, que é encoberto por mantras sobre favorecer a igualdade de oportunidades.

Um aparato de financiamentos maciços apoia ideais católicos conservadores, que por sua vez apoiam uma série de causas, desde que elas se concentrem exclusivamente em questões que se relacionem com a sexualidade humana, seja aborto, casamento gay ou a liberdade religiosa (que, para ser franco, está intimamente ligada na sua forma atual com preocupações sobre o aborto). Acontece que esses fundos são um bom investimento: "fé e moral" nos permitem supor a superioridade moral e ocupam os conservadores sociais, enquanto nós damos risada sobre o salvamento bancário.

Os contratempos da direita com o papa Francisco trouxeram à tona o que raramente é mencionado de forma educada: os católicos mais visíveis e famosos que lutam em nome de causas católicas nos EUA concentram-se quase exclusivamente sobre questões sexuais (como o próprio papa Francisco parecia estar apontando e denunciando em sua entrevista à revista America), mas têm sido geralmente silenciosos a respeito de uma tradição secular da doutrina social e econômica da Igreja.

A elite meritocrática e econômica têm sido a beneficiária principal desse silêncio: os mais sérios sobre o catolicismo – e, portanto, que poderiam suportar a poderosa tradição de pensamento sobre a economia que evita tanto os pressupostos individualistas radicais do capitalismo, assim como o coletivismo do socialismo – gastaram as suas energias combatendo as guerras culturais e sexuais, mesmo quando a máquina dirigente republicano-democrata apenas mudou o assento do condutor da limusine que lhes conduz até códigos postais cada vez mais exclusivos.

Nos últimos meses, quando se discute sobre o papa Francisco, a imprensa de esquerda tem aproveitado todas as oportunidades para avançar em uma "narrativa de ruptura", alegando que Francisco está repudiando essencialmente quase tudo que os papas João Paulo II e Bento XVI representavam. A imprensa de esquerda e os comentaristas louvaram Francisco como o anti-Bento XVI depois da sua entrevista improvisada no avião ("Quem sou eu para julgar?") e da longa entrevista com a revista jesuíta America. No entanto, nessas mais recentes reações da imprensa e de comentaristas de direita a Francisco, testemunhamos um amplo acordo de muitos católicos a respeito da "narrativa de ruptura", desejando a volta dos bons velhos tempos de João Paulo II e Bento XVI.

Mas não houve nenhuma ruptura – nem aquela desejada pela esquerda, nem aquela temida pela direita. O papa Francisco tem sido inteiramente consistente com os dois papas anteriores que hoje são, alternativamente, odiados ou amados, já que os papas João Paulo II e Bento XVI falaram com igual força e poder contra as depredações do capitalismo (João Paulo II na encíclica Centesimus Annus, e Bento XVI na encíclica Caritas in Veritate).

Mas essas encíclicas – mais autoritárias do que uma exortação apostólica – não provocaram a mesma reação que as críticas de Francisco ao capitalismo. Isso ocorre porque a narrativa dominante sobre João Paulo II e Bento XVI os tinha atrelados como republicanos. Para a esquerda, eles eram velhos conservadores obcecados com questões sexuais; para a direita, tradicionalistas sólidos que se importavam com os principais ensinamentos morais do catolicismo. Ambos os lados ignoraram amplamente os seus ensinamentos sociais e econômicos, tão focados estavam em sua ênfase na "fé e moral". Todos esqueceram que, para os católicos, a economia é um ramo da filosofia moral.

Eu acho que é por causa da "narrativa de ruptura" da esquerda que a direita está em pânico com as críticas de Francisco ao capitalismo. Essas críticas ao Vaticano – de repente salientes de uma forma que não eram quando proferidas por João Paulo II e Bento XVI – precisam ser cortadas pela raiz antes que causem qualquer dano. Está evidente que o ensinamento católico tem visto um forte vínculo entre o individualismo radical e o egoísmo no coração do capitalismo e as práticas sexuais liberacionistas, entendendo que eles têm como premissa os mesmos pressupostos antropológicos (se você não acredita nos católicos com relação a isso, basta ler Ayn Rand).

Enquanto Hadley Arkes lamenta que o papa Francisco não falou mais detalhadamente sobre assuntos sexuais, se alguém ler suas críticas com cuidado sobre as depredações do capitalismo, percebe-se que ele usa as mesmas frases com as quais ele criticou o aborto, ou seja, que o aborto é apenas uma manifestação de "uma cultura do descartável", uma expressão usada também na Evangelii Gaudium na sua crítica ao capitalismo (n. 53).

Se alguém acompanha atentamente as críticas de Francisco aos efeitos da economia sobre os mais fracos e indefesos, não se pode deixar de perceber também que ele está falando do nascituro da mesma forma quanto daqueles que são "perdedores" em uma economia que favorece os fortes. Como João Paulo II e Bento XVI antes dele, Francisco discerne a continuidade entre uma economia do "descartável" e uma visão "descartável" da vida humana. Ele vê a profunda conexão subjacente entre uma economia que destaca a autonomia, a escolha infinita, as conexões frouxas, a excitação constante, o utilitarismo e o hedonismo, e uma cultura sexual que tolera o “ficar” aleatório, o aborto, o divórcio e a redefinição do casamento baseado no sentimento, e em que os fracos – crianças, neste caso, e aqueles na escala socioeconômica mais baixa que estão sofrendo uma devastação completa da família – são uma reflexão tardia.

A divisão da plenitude do pensamento católico nos EUA, em grande parte, tem o tornado tratável em uma nação que sempre viu os católicos com suspeita. Os EUA de Locke domesticaram o catolicismo não pela opressão (como Locke pensou que seria necessário), mas dividindo e conquistando – permitindo e até incentivando a promoção de seus ensinamentos sexuais, embora despojado de seus ensinamentos sociais mais amplos. Isso controlou o poder desses ensinamentos, direcionando a energia dos conservadores sociais exclusivamente para as guerras sexuais da cultura, deixando praticamente intocada uma economia voraz que diariamente cria poucos vencedores e muitos perdedores, apoiando uma cultura de liberdade sexual e crianças "descartáveis".

Sem minimizar a seriedade com que temos de encarar questões como aborto, casamento gay e liberdade religiosa, esses são aspectos distintos de uma abrangente "globalização da indiferença" descrita por Francisco. No entanto, temos sido treinados para tratá-los como um conjunto de questões políticas autônomas que podem ser resolvidas por uma ou duas nomeações no Supremo Tribunal.

Francisco – como João Paulo II e Bento XVI antes dele – perturbou o "regime". Rush e sua turma não vão se render sem lutar. Se ao menos eles conseguissem fazer o maldito marxista falar sobre sexo...
The American Conservative, 05-12-2013.
*Patrick J. Deneen é cientista político e professor da Notre Dame University, em Indiana (EUA).

Evangelho do dia

Ano C - 11 de dezembro de 2013

Mateus 11,28-30

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eis que o Senhor há de vir, a fim de salvar o seu povo; felizes são todos aqueles que estão prontos para ir-lhe ao encontro.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus tomou a palavra e disse: 11 28 "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
29 Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.
30 Porque meu jugo é suave e meu peso é leve."
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
EU VOS DAREI REPOUSO
Vindo a este mundo, Jesus deparou-se com uma humanidade marcada pela opressão, vítima do pecado e da maldade, e ansiosa de libertação. Esta realidade era patente, sobretudo entre os mais pobres daquele tempo. Ao mesmo tempo em que eram oprimidos pelos romanos, que ocupavam o País, eram vistos com desprezo pelos fariseus e mestres da Lei, por não se dedicarem à religião com a intensidade exigida. Ou, então, eram esmagados com o rigor de uma religião feita de observância escrupulosa de preceitos irrelevantes. Sua pobreza era vista, por alguns, como sinal de castigo divino, já que um dos sinais da bênção divina era, exatamente, a posse de muitos bens. Em suas aflições, não tinham a quem recorrer, pois os grandes do País só sabiam explorá-los, sem lhes oferecer nada em troca.
A presença de Jesus trouxe alento para os pobres. O Reino anunciado por ele fundava-se em relacionamentos fraternos e não admitia a opressão de uns pelos outros. Sendo um Reino de igualdade, ficava superada a visão classista que privilegia alguns e marginaliza os demais. No Reino, os pobres eram bem-aventurados e não malditos, como se pensava. Jesus, em suma, propunha-se a aliviar a carga pesada imposta sobre os mais fracos. Quem se aproximasse dele, haveria de encontrar repouso para as suas aflições.

Oração
Senhor Jesus, que eu saiba assumir, com alegria, teu jugo suave e possa encontrar, junto de ti, libertação e repouso para o que me aflige.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
Isaías 40,25-31
Leitura do livro do profeta Isaías.
40 25 "A quem então poderíeis comparar-me, que possa ser a mim igualado?", diz o Santo.
26 Levantai os olhos para o céu e olhai. Quem criou todos esses astros? Aquele que faz marchar o exército completo, e a todos chama pelo nome, o qual é tão rico de força e dotado de poder, que ninguém falta ao seu chamado.
27 Por que dizer-te então, ó Jacó, por que repetir, ó Israel: "Escapa meu destino ao Senhor, passa meu direito despercebido a meu Deus?"
28 Não o sabes? Não o aprendeste? O Senhor é um Deus eterno. Ele cria os confins da terra, sem jamais fatigar-se nem aborrecer-se; ninguém pode sondar sua sabedoria.
29 Dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.
30 Até os adolescentes podem esgotar-se, e jovens robustos podem cambalear,
31 mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar.
Palavra do Senhor.
Salmo 102/103
Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
e todo o meu ser, seu santo nome!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças de nenhum de seus favores!

Pois ele te perdoa toda culpa
e cura toda a tua enfermidade;
da sepultura ele salva a tua vida
e te cerca de carinho e compaixão.

O Senhor é indulgente, é favorável,
é paciente, é bondoso e compassivo.
Não nos trata como exigem nossas faltas
nem nos pune em proporção às nossas culpas.
Oração
Ó Deus, que fizestes o bispo santo Ambrósio doutor da fé católica e exemplo de intrépido pastor, despertai na vossa Igreja homens segundo o vosso coração, que a governem com força e sabedoria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

CONVOCAÇÃO

     Convocamos todos os alunos da Escola Teológica da Paróquia Nossa Senhora das Candeias para comparecerem amanhã dia 12/12/2013 (quinta-feira) para reunião às 19h com o Pe. Paulo Sérgio. 
É importante o comparecimento de todos.