quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Em Mensagem de Natal, Papa lembra os sofrimentos da guerra e pede paz. "Deixemos que nosso coração se comova com Deus"


Cidade do Vaticano (RV) – Diante de mais de cem mil pessoas que o aguardavam na Praça São Pedro, o Papa Francisco leu em sua sacada, ao meio-dia deste dia de Natal, a mensagem "Urbi et Orbi", à cidade e o mundo.

Desejando um Feliz Natal a todos, Francisco lembrou que a primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. O Papa espera que “todos possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo e adorá-Lo”.

O Papa frisou que “a verdadeira paz não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela ‘fachada’, por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, que se realiza a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo”.

A partir daí, disse Francisco, “pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!”.

Muitas vidas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária”.

O Bispo de Roma se disse contente em saber que pessoas de diversas confissões religiosas se unem à súplica pela paz na Síria.

Depois foi a vez do Papa lembrar a situação da República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens e “dilacerada por uma espiral de violência e miséria onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver”.

Ainda no continente africano, o Papa pediu “concórdia no jovem Estado do Sudão do Sul e na Nigéria, países onde a convivência pacífica tem sido ameaçada por ataques que não poupam inocentes nem indefesos”.

Como sempre, Francisco dedicou um pensamento aos deslocados e refugiados, especialmente no Chifre da África e no leste da República Democrática do Congo:

Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa”.

Passando ao Oriente Médio, Francisco clamou pela “conversão do coração dos violentos, por um desfecho feliz das negociações de paz entre israelenses e palestinos e pela cura das chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados”.

O Papa mencionou ainda outro tema que o preocupa:

Tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância”.

Sempre sensível à questão ambiental e às consequências dos nossos maus comportamentos, o Pontífice chamou a atenção para “a ganância e a ambição dos homens e pediu proteção para as vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão”.

Francisco terminou sua fala com uma mensagem de esperança:

Deixemos que o nosso coração se comova, se incendeie com a ternura de Deus; precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus”.

Na sequência, o Papa Francisco fez votos de Feliz Natal aos fiéis reunidos na Praça e aos que estavam em conexão no mundo inteiro através dos meios de comunicação, invocando os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados.

Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; e sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal!”, concluiu o Papa, concedendo a bênção Urbi et Orbi.



Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano 

Evangelho do dia

Ano C - 25 de dezembro de 2013

João 1,1-18 ou 1-5.9-14

Aleluia, aleluia, aleluia.
Despontou o santo dia para nós: ó nações, vinde adorar o Senhor Deus, porque hoje grande luz brilhou na terra! 


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
1 1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio junto de Deus.
3 Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.
4 Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6 Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
7 Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
8 Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
9 era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
10 Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu.
11 Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
12 Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.
15 João dá testemunho dele, e exclama: “Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim”.
16 Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.
17 Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
18 Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
O VERBO SE FEZ CARNE 
Pelo mistério da Encarnação, estabeleceu-se uma comunhão indissolúvel entre a divindade e a humanidade. Jesus foi o ponto de encontro deste movimento que ligou a Terra ao Céu, o homem a Deus, a história à eternidade.
Vindo de junto do Pai, Jesus é a Palavra de Deus que se tornou visível na história humana. Sua existência iria manifestar os desígnios divinos, tanto no seu falar quanto no seu agir. A vida que haveria de transmitir, mediante gestos poderosos, provinha da abundância da vida herdada do Pai. Sua presença se constituiria em luz para orientar a humanidade dacaída, ansiosa de salvação. Por meio dele, seria possível chegar até Deus e experimentar a comunhão divina.
Todavia, este Jesus era plenamente humano, excluindo-se apenas a experiência do pecado. Não lhe foram concedidas regalias, pelo fato de ser o Filho de Deus. Por isso, experimentou a rejeição exatamente daqueles para os quais fora enviado. Sua não-acolhida revelar-se-ia em forma de perseguição, hostilidades e abandono, para culminar na morte de cruz. Na medida em que descia aos porões da humanidade, Jesus ia comunicando ao ser humano, ferido pelo pecado, o lenitivo da salvação. Desta forma, as pessoas reconciliavam-se com Deus e recuperavam sua dignidade original. Nisto consiste o mistério do Natal!

Oração Senhor Jesus, vieste ao mundo para reconciliar a humanidade com Deus. Que eu saiba colher os frutos de teu gesto de amor, deixando a divindade transparecer em mim.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês) 
Leitura
Isaías 52,7-10
Leitura do livro do profeta Isaías.
52 7 Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas e anuncia a libertação, que diz a Sião: “Teu Deus reina!”
8 Ouve! Tuas sentinelas elevam a voz, e todas juntas soltam alegres gritos, porque vêem com seus próprios olhos o Senhor voltar a Sião.
9 Prorrompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor se compadece de seu povo, e resgata Jerusalém!
10 O Senhor descobre seu braço santo aos olhares das nações, e todos os confins da terra verão o triunfo de nosso Deus.
Palavra do Senhor.
Salmo 97/98
Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus. 


Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

O Senhor fez conhecer a salvação
e, às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
alegrai-vos e exultai!

Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa
e da cítara suave!
Aclamai, com os clarins e as trombetas,
ao Senhor, o nosso rei!
Oração
Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou a assumir a nossa humanidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Alegria, chegou o Natal!

Que Natal de Jesus aconteça, de fato, no coração de todos.


Com a aceitação do Menino-Deus, tudo encontra sentido e esperança.
Por Dom José Alberto Moura*
Ver Jesus numa criança colocada numa manjedoura de uma gruta requer fé e aceitação plena do projeto de Deus para a humanidade. Ver com o olhar da fé faz gotejar os pingos férteis das palavras do anjo aos pastores: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” Lucas 2,11).

O que é o Messias? O Senhor da história, o prometido pela Pai, seu Filho, que vem recolocar de cheio Deus no coração de cada ser humano para que ele pulse do amor divino e tenha condição de felicidade infinita, a começar na terra. Não é um fundador humano a mais de qualquer religião. Não vem fazer promessas mirabolantes de solução de problemas imediatos. Sua salvação se dá na ordem global e não só em curas físicas e superação de situações financeiras e circunstanciais. Ele vem para consertar o coração humano para que ele haja com amor, misericórdia, compreensão, promova a vida e respeite o semelhante. Faça justiça.  Erga os caídos. Dê suporte total aos fragilizados. Dê vida, mesmo tendo que desgastar a própria. Saiba ser humano. Use tudo para servir. Faça, promova e estruture a família com laços de verdadeira união e compromisso de mútua ajuda para a realização de um projeto de vida conforme o proposto pelo Criador. Use os dons para o serviço ao outro. A política para o real benefício à sociedade e não para uso egoísta e injusto de interesse fechado em si e nas corporações. Use o dinheiro público para a promoção do bem da saúde, da educação, da segurança, do lazer, do transporte e da inclusão social.

Celebrar o Natal é mais do que dar algo neste dia para os pobres. É o compromisso cotidiano com eles para a defesa e promoção de sua causa, lutando por sua inclusão humana, social e cristã.

A Liturgia do Natal precisa ser participada mais do que a refeição festiva com melhores comidas.  Saborear espiritualmente a presença do Emanuel nos dá força para a caminhada. A fé é solidificada. O amor é potencializado. A esperança nos faz verdadeiros apóstolos de Cristo para inundarmos o convívio humano com a Palavra feita carne e darmos a todos a certeza de que, caminhando com Ele, nós nos tornamos mais humanos e fraternos. Construímos mais união para superarmos as desavenças, os ódios, as desonestidades e as politicagens que destroem a justiça e a promoção da dignidade humana. Tornamo-nos pessoas do bem e do real serviço à comunidade. Nossas famílias se tornam celeiros de fraternidade e vida digna.

Que Natal de Jesus aconteça, de fato, no coração de todos, em todas as famílias, organizações e comunidades. Assim, nasça a esperança de dias felizes e esperançosos para todos, até para os que se encontram em situações difíceis da vida. Saibam que tudo é passageiro na vida. Com a aceitação do Menino-Deus tudo encontra sentido e esperança. Ele liberte a todos de todas as aflições e lhes dê sua graça e sua paz!
CNBB, 20-12-2013.
*Dom José Alberto Moura é arcebispo de Montes Claros (MG).

Natal: Roteiro Homilético


A proposta de reflexão para a liturgia do dia do Natal é de autoria do Pe. Johan Konings SJ, preparada pelo Pe. Jaldemir Vitório SJ, professor e reitor da FAJE.


JESUS NASCE POBRE

Sete séculos antes de Cristo, o povo de Israel andava oprimido pelas ameaças dos assírios, que já tinham deportado parte da sua população. Em meio a essas trevas – anuncia o profeta – aparece uma luz: nasce um novo príncipe, portador das esperanças que seus títulos exprimem: “Conselheiro admirável, Deus forte” (1ª leitura).
Em Jesus, o significado deste nascimento recebe sua plenitude. Ele nasce como luz para o povo oprimido. Seu nascimento no meio dos pobres é o sinal que Deus dá aos pastores (gente bem pobre), para mostrar que o Messias veio ao mundo (evangelho). No meio das trevas, eles se encontram envoltos em luz...
Celebramos “a aparição da graça de Deus” em Jesus (2ª leitura). A escolha dos pobres como primeiras testemunhas evidencia a gratuidade: nada de aparato oficial. Nós podemos corresponder a esta graça por uma vida digna e pela viva esperança – que se verifica em nossa prática – da plena manifestação da luz gloriosa de Cristo, quando de sua nova vinda (cf. 1º dom. do Advento). Quem acolhe Jesus no meio dos pobres não precisa ter medo de sua glória...
Reunindo-se em torno do presépio, o povo exprime algo muito importante. Jesus nasceu num estábulo, no meio dos pobres, que foram os primeiros a adorá-lo, porque, para ser o Salvador de todos, tinha que começar pelos mais abandonados. Quem quer ser amigo de todos tem que começar pelos pequenos, pois, se começa com os grandes, nunca chega até os pequenos. A devoção popular do presépio merece valorização e aprofundamento, e não podemos permitir que ela se degenere em algo puramente comercial.
À luz do presépio, solidariedade com Cristo significa solidariedade com os pobres. Viver uma vida “digna” (de Cristo) não significa elitismo, mas solidariedade em que se manifestam a graça e a bondade de Deus para todos.

No primeiro Natal como papa, Francisco pede que fiéis evitem o egoísmo


Por Philip Pullella
Cidade do Vaticano - O papa Francisco, comemorando seu primeiro Natal como líder de 1,2 bilhão de católicos do mundo, pediu nesta terça-feira que as pessoas que evitem o orgulho e o egoísmo e que os fiéis abram o coração a Deus.
Francisco, que em março passado tornou-se o primeiro papa não europeu em 1.300 anos, celebrou uma solene missa de véspera de Natal para cerca de 10 mil pessoas na basílica de São Pedro.
Francisco fez uma breve homilia, tão simples como suas vestes brancas: o homem pode escolher entre a escuridão e a luz.
"Por parte das pessoas há momentos de luz e escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião", disse Francisco em italiano.
"Em nossa história pessoal também, há momentos iluminados e escuros, de luz e de sombra. Se amamos a Deus e aos nossos irmãos e irmãs, nós andarmos na luz. Mas se o nosso coração está fechado, se somos dominados pelo orgulho, o engano, o egoísmo, caímos na escuridão", disse ele.
Francisco, que celebrou a missa com mais de 300 cardeais, bispos e padres, pediu que as pessoas não tenham medo de chegar a Deus.
"Não tenha medo! Nosso Pai é paciente, ele nos ama, ele nos dá Jesus para nos guiar no caminho que leva para a terra prometida. Jesus é a luz que ilumina a escuridão. Ele é a nossa paz", acrescentou Francisco.
Reuters

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Evangelho do dia

Ano C - 24 de dezembro de 2013

Lucas 1,67-79

Aleluia, aleluia, aleluia.
Ó sol da manhã, ó sol de justiça, da eterna luz esplendor: oh, vinde brilhar para o povo sentado na sombra da morte.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 1 67 Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos:
68 "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo,
69 e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo
70 (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas),
71 para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam.
72 Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua santa aliança,
73 segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor,
74 libertados de mãos inimigas, possamos servi-lo
75 em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias da nossa vida.
76 E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho,
77 para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados.
78 Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,
79 que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz".
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
LOUVOR E PROFECIA
Zacarias soube reconhecer a salvação de Deus, cumprindo-se na história de Israel, por meio da libertação trazida pelo poderoso Salvador, Jesus, suscitado no meio do povo. Finalmente, a tão esperada visita de Deus se concretizava, e a libertação, há séculos acalentada, se fazia verdade. A seu filho recém-nascido competia a tarefa de preparar os caminhos da libertação que estava próxima.
Com Jesus, renascia a esperança no coração do povo. Deus não se esquecera das antigas profecias. As promessas seriam realizadas e o povo, resgatado da escravidão a que fora reduzido. Sem dúvida, a servidão pior era a do pecado e do egoísmo. Fazia-se necessário uma remissão urgente. Só assim seria possível servir a Deus, de maneira agradável, na justiça e na santidade.
O Altíssimo, do qual João seria profeta, despontaria como luz para tirar a humanidade das trevas e das sombras da morte, a que o pecado a havia reduzido. Doravante, seria possível trilhar os caminhos da paz, deixando para trás a injustiça e a iniqüidade, fruto do pecado.
O canto de Zacarias, saudando o nascimento de seu filho, era de louvor pelas promessas cumpridas, mas também profecia do que Deus iria realizar.

Oração
Senhor Jesus, como Zacarias, eu louvo ao Pai pela fidelidade em cumprir suas promessas e agradeço o que sua misericórdia realiza em favor da humanidade.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
2 Samuel 7,1-5.8-12.14.16
Leitura do segundo livro de Samuel.
2 1 Ora, tendo o rei Davi acabado de instalar-se em sua residência, e tendo-lhe o Senhor dado paz, livrando-o de todos os inimigos que o cercavam,
2 disse ele ao profeta Natã: "Vê: eu moro num palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada numa tenda!"
3 Natã respondeu-lhe: "Pois bem: faze o que desejas fazer, porque o Senhor está contigo!"
4 Mas a palavra do Senhor foi dirigida a Natã naquela mesma noite, e dizia:
5 "Vai e dize ao meu servo Davi: eis o que diz o Senhor: ‘Não és tu quem me edificará uma casa para eu habitar.
8 Dirás, pois, ao meu servo Davi: eis o que diz o Senhor dos exércitos: eu te tirei das pastagens onde guardavas tuas ovelhas para fazer de ti o chefe de meu povo de Israel.
9 Estive contigo em toda parte por onde andaste; exterminei diante de ti todos os teus inimigos, e fiz o teu nome comparável ao dos grandes da terra.
10 Designei um lugar para o meu povo de Israel: plantei-o nele, e ali ele mora, sem ser inquietado, e os maus não o oprimirão mais como outrora,
11 no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo. Concedo-te uma vida tranqüila, livrando-te de todos os teus inimigos. O Senhor anuncia-te que quer fazer-te uma casa.
12 Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino.
14 Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Se ele cometer alguma falta, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de homens,
16 Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre’".
Palavra do Senhor.
Salmo 88/89
Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor,
de geração em geração eu cantarei vossa verdade!
Porque dissestes: “O amor é garantido para sempre!”
E a vossa lealdade é tão firme como os céus.

“Eu firmei uma aliança com meu servo, meu eleito,
e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor.
Para sempre, no teu trono, firmarei tua linhagem,
de geração em geração garantirei o teu reinado!”

Ele, então, me invocará: “Ó Senhor, vós sois meu Pai,
sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!”
Guardarei eternamente para ele a minha graça
e com ele firmarei minha aliança indissolúvel.
Oração
Apressai-vos e não tardeis, Senhor Jesus, para que a vossa chegada renove as forças do que confiam em vosso amor. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

Vem Senhor Jesus!


O que fazemos com os dons que o Espírito Santo nos dá?
Por Dom Canísio Klaus*
Estamos por festejar mais um aniversário natalício de Jesus Cristo. Os dias que o antecedem são de preparação e alegre expectativa. A liturgia nos motiva a olharmos para a família de Maria e José e com ela nos predispormos a acolher o Deus que se fez criança numa pequena cidade do interior de Israel. A exemplo dos pastores e dos sábios que vieram do Oriente, queremos reverenciar este menino, dando-lhe as boas vindas e apresentando-lhe os nossos presentes.

Nos dias que antecedem ao Natal, as famílias se juntam em grupos e as comunidades se reúnem nas igrejas com o intuito de rezar, aprofundar a Palavra de Deus e celebrar o sacramento da reconciliação. Ao mesmo tempo, presépios e pinheirinhos são montados nas casas e igrejas, as ruas ganham nova iluminação e a sociedade promove eventos para comemorar a chegada do Menino Jesus.

Quando a gente comemora o aniversário de alguém é costume entregar um presente ao homenageado. E, para acertar no presente, tornou-se costume pesquisar os interesses da pessoa. Qual será o presente que Jesus gostaria de receber? O que vamos lhe dar para que fique satisfeito? Qual é mesmo o presente que vamos dar a Jesus no Natal de 2013?

Também é costume, nos aniversários, o homenageado oferecer alguma coisa aos convidados. Por vezes é um bolo. Outras vezes é um almoço, jantar, café da tarde... Além do grande presente que Ele próprio é, o que mais será que o menino Jesus tem a nos oferecer? Algumas coisas são evidentes. Com a sua chegada, a paz se tornou possível: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas de boa vontade”. O seu desejo é que reine a paz entre as pessoas: “A paz esteja convosco”. O Deus que um dia foi menino, nos oferece o perdão: “teus pecados estão perdoados”. Ele nos garante o seu amor: “Como o meu Pai me ama, eu também vos amo”. Nos anima na esperança: “Não se perturbe nem se atemorize o vosso coração”. Finalmente, Ele nos promete o Espírito Santo: “Recebei o Espírito Santo”!

Com tantas coisas bonitas com as quais o aniversariante nos brinda, cabe-nos perguntar: nós ficamos satisfeitos com aquilo que nos é oferecido? Nós valorizamos aquilo que o aniversariante Jesus de Nazaré nos oferece por ocasião do seu aniversário? Nós aceitamos a sua proposta de paz, o amor com que Ele nos acolhe, o perdão que nos oferece? O que estamos fazendo com os dons que o Espírito Santo nos dá?

Faço votos que o Natal que logo mais vamos celebrar sirva para animar a alegria e a esperança de todas as pessoas. Que seja um Natal de paz, harmonia e fraternidade! Feliz Natal!
*Dom Canísio Klaus é bispo de Santa Cruz do Sul (RS).