segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

As iniciativas do papa Francisco em 2013


Os nove meses do pontificado de Bergoglio revelaram-se um tempo de fecundas iniciativas.

Francisco entre os fiéis: atitudes balizam caminhos da Igreja.
Por Dom Demétrio Valentini*
Desta vez, a passagem de ano coincide, simbolicamente, com os nove meses de pontificado do papa Francisco.  É o tempo de uma gestação. Foi um tempo muito fecundo de iniciativas, que aos poucos vão dando forma ao novo pontificado.

Através destas iniciativas, dá para perceber a intenção do papa Francisco de ir abrindo frentes de trabalho, que integram  um projeto mais amplo de renovação da Igreja,  a partir de sua missão.

Já é possível perceber o alcance de algumas destas frentes.

A primeira, decidida com rapidez pelo Papa, se refere ao “Banco do Vaticano”. Esta é fácil de resolver. Pois se trata, em síntese, de agir com honestidade e transparência, na gestão dos recursos financeiros, que poderiam, simplesmente, ser confiados, para a sua gestão, a um banco idôneo, de qualquer país, e livrar assim a Igreja da persistente imaginação de que ela é detentora de grandes recursos financeiros!

A segunda iniciativa, também tomada para deixar clara a atitude da Igreja, se refere às vítimas da pedofilia. Foi constituída uma comissão, com a finalidade específica de proteger estas vítimas, seja qual foi a autoria desses crimes, contra os quais a Igreja quer agir com severidade. Como a primeira, esta segunda frente de trabalho se destina a fortalecer a credibilidade da Igreja, para tomar outras iniciativas, mais amplas e mais significativas.

Estas duas iniciativas, que poderíamos chamar de prévias, já foram tomadas em sintonia com o grupo de oito cardeais,  nomeados para ajudar o Papa no governo da Igreja. Mas a própria convocação deste grupo de cardeais já sinaliza, por sua vez, uma proposta mais ampla e mais profunda, de estabelecer  um "governo colegiado" da Igreja, que  está em plena sintonia com a "colegialidade episcopal", a qual se constituiu no núcleo teológico e pastoral mais consistente de todo o Concílio Vaticano II.

Uma outra "frente" aberta pelo papa, é a campanha contra a fome no mundo. Ela tem a fisionomia de uma campanha esporádica. Mas as circunstâncias lhe dão o caráter de paradigma da ação social da Igreja. Lançada pela Cáritas, que é presidida pelo Cardeal Maradiaga, um dos membros do "grupo dos oito", foi recomendada com  ênfase pelo papa, deixando bem clara sua intenção de fazer dela o símbolo da aproximação entre Igreja e Sociedade, recomendada pelo Concílio em sua constituição pastoral denominada "Gaudium et spes".

Bastariam estes acenos, para perceber que o papa age de maneira estratégica, respaldando sua ação no Evangelho de Cristo e apoiando-se na consistência teológica e pastoral do Concílio, que é reproposto como referência básica e indispensável para a tão esperada renovação da Igreja.

Para que estas iniciativas não pareçam soltas e desconexas, o papa Francisco aproveitou a “Exortação Pós-sinodal Evangelii Gaudium”  para transmitir sua visão orgânica e integral do momento que a Igreja está vivendo, e dos desafios que ela precisa enfrentar.

De tal modo que a “Evangelii Gaudium” se constituirá num marco referencial para a caminhada da Igreja, como foi a “Evangelii Nuntiandi” de Paulo VI.

É um documento que servirá de baliza para a caminhada da Igreja nos próximos anos, como afirmou o próprio Papa Francisco.  Colocando suas propostas de maneira integrada na “Evangelii Gaudium”, o Papa nos convida a refletir sobre elas, e perceber quanto podem influenciar nossa ação eclesial. Se queremos estar em sintonia com o Papa, precisamos acolher as reflexões e as propostas da "Evangelii Gaudium"!
CNBB, 27-12-2013.
*Dom Demétrio Valentini é bispo de Jales (SP).

Os dois caminhos no encontro pela Palavra de Deus


A Palavra de Deus está sempre a nosso alcance para nos mostrar o sentido da vida. A leitura do Deuteronômio 11, 18s nos diz: “Incuti estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma”. É a proposta dos dois caminhos, tão freqüente na literatura bíblica e cristã: o caminho do bem e o caminho do mal; o caminho dos vícios e das virtudes, o caminho da luz e das trevas, o caminho largo e o caminho estreito, o caminho da árvore plantada à margem do rio que produz muito fruto e da semente que cai em terra seca; o caminho da realização do plano de Deus, o caminho da bênção e o caminho dos próprios horizontes, o caminho da perdição. 

Esta leitura prepara o trecho do evangelho de Mateus 7, 21-27. “Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram enchentes, ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu porque estava construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!” 

Para receber convenientemente a linguagem de Deus e tirar proveito do seu falar a nós, podemos recomendar três regras: escutar, refletir, praticar. Praticar, sem ter escutado e refletido, é impossível; escutar e refletir sem pôr em prática é inútil. Trata-se de verdadeiro itinerário de vida cristã. 

Há vários modos de pôr-se em contato com a palavra de Deus: escuta da Palavra durante as ações litúrgicas, cursos bíblicos, subsídios escritos e a insubstituível leitura pessoal da Bíblia. 

A leitura pessoal não deve se preocupar com os métodos mais avançados da crítica histórica e filológica. A primeira disposição é receber o livro sagrado com fé. Somos gratos aos que empregaram sua vida em estudar a Bíblia e penetrar sempre mais a fundo o seu sentido e, assim, nos ajudam a compreender a escuta. 

Deve ser evitado o fundamentalismo que toma a Escritura à letra, materialmente, sem dar a mínima atenção ao contexto, aos gêneros literários, a uma sadia hermenêutica. Isso é ignorar o Espírito Santo para cair na letra. A letra mata a força da mensagem. Cuidado, pois, para não se perder a atenção ao conteúdo do que Deus nos revela. 

O segundo momento da escuta da Palavra é a reflexão: um fixar o olhar sobre a Palavra, uma parada longa diante do espelho, segundo a expressão do apóstolo Tiago 1, 22-25. Como a semente que cai em terra boa, o coração aberto, para germinar, crescer e produzir fruto. Assim a Palavra pode ser compreendida depois de contemplada com vontade de assimilar o ensinamento. 

Um exemplo pode-se tomar do sermão das bem-aventuranças. Após cada enunciado, perguntemos a nós mesmos: E eu sou pobre no espírito, puro de coração, minha caridade é paciente, não é invejosa, tudo suporta? Tudo que Deus nos revela deve fazer olhar-nos no espelho, para nos questionar, para saber como estamos. Assim, olhando-nos no espelho, descobrimos o rosto de Deus, o seu coração e nós vamos adquirindo o rosto e o coração de Deus em nós mesmos. 

O terceiro momento, e mais importante, da escuta da Palavra de Deus é colocar em prática a Palavra. O contraste maior está entre quem escuta e põe em prática e quem escuta e não põe em prática. O mesmo pode ser dito também hoje que a oposição maior não está entre quem conhece o Evangelho e quem não o conhece; entre os cristãos e os não cristãos; mas está entre quem conhecendo o Evangelho não o põe em prática; e quem o conhecendo ou não o conhecendo, o põe em prática; ou ainda entre fé viva e fé morta. Quem diz ter fé e não pratica é apenas como um sino que toca. 

A Palavra de Deus, como se vê, pode constituir um caminho em si completo de santificação: guia-nos à contemplação da verdade e ao exercício da caridade. A carta de São Tiago e a de São Pedro insistem, quase com as mesmas palavras: “Por isso, deixada toda impunidade e todo resto de malícia, acolhei com docilidade a palavra que foi semeada em vós e que pode salvar as vossas almas”. 

Orígenes completa: “o mesmo respeito, devido ao Corpo eucarístico do Senhor, é devido à Palavra de Deus escutada”!
CNBB

Com Deus em nosso colo

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz*

Uma das fantásticas es maravilhosas alegrias do Natal é encontrar-se com o Deus Menino,  a Criança Adorável que nos inunda de ternura e amor.   Ter a Deus no colo nosso coração, na manjedoura de nossa alma, para balançá-lo e afagá-lo com carinho, expressando para Ele o quanto significa para nós, e quanto precisamos Dele.

Certamente esta presença divina pequenina entre nós, nos faz descobrir a verdadeira face de Deus, a sua infinita misericórdia e bondade. Nos faz acreditar que é possível sonhar com um mundo sem guerras, com uma humanidade nova, fraterna e solidária.

Na sua fragilidade, candura e inocência se fortalece o nosso propósito de lutar pela paz, pela não violência, pela firmeza da verdade. Iluminados pela sua graça nos reconciliarmos com a vida, com as nossas origens superando e curando nossas feridas, machucados e decepções.   Existe realmente a terapia do Natal, ela nos permite desvencilharmo-nos do que nos pesa na consciência, o que levamos de lembranças negativas, para renascer e recuperar a alegria e o gozo de viver.

O infinito e o divino irromperam no tempo e fizeram morada permanente na nossa história, se tornando um vizinho, um amigo e companheiro de jornada, para comunicar-se plenamente, sem mediações midiáticas ou virtuais, para poder abraçar e restaurar a nossa pobre condição.

Sim o sagrado se fez gente, para que nós pela graça participássemos da sua divindade, para sanar o mundo, para torná-lo um presépio  cheio de harmonia, equilíbrio, de sustentabilidade amorosa em comunhão com toda a criação, acolhendo a todas as criaturas no banquete da vida e do Reino.

Por isso é necessário anunciar como os Anjos o Natal, com a poesia e musicalidade da concórdia dos corações, com a delicadeza e gentileza, de quem cuida, ama e protege, pois, Natal como bem afirmava a imortal poetisa Cecília Meirelles se celebra uma vez no ano, mas acontece infinitas vezes na vida de cada pessoa, quando deixamos o Deus Criança entrar de novo na nossa alma sedenta de amor e de beleza.

Que possamos ter uma vez mais esta experiência de recriançar a nossa vida com fé, ternura e a pureza do Menino Deus.  Deus seja louvado!
CNBB, 23-23-2013.
*Dom Roberto Francisco Ferreria Paz é bispo de Campos (RJ).

domingo, 29 de dezembro de 2013

Reflexão para o Domingo da Sagrada Família


Cidade do vaticano (RV)  Como é hoje a vida de uma família comum? Ela é constituída por um casal e um ou dois filhos. A mãe trabalha fora e possuem pouco tempo para se encontrar.

Muitas vezes acontecimentos na vida pessoal de cada um sucedem e não são colocados em comum, porque não possuem tempo ou não existe clima para isso.

Pior quando surgem mágoas e elas não são trabalhadas, mas engolidas. A natureza, que pede vida de família, se sente violentada e, mais cedo ou mais tarde, essas mágoas, que não foram digeridas, voltam e aí temos situações profundamente dolorosas que provocam mágoas maiores e, muitas vezes, sem solução imediata.

Também é muito doloroso quando algum membro da família possui algo maravilhoso para partilhar e não recebe a devida atenção para isso, pior quando sua bela notícia é reduzida a algo corriqueiro, insignificante.

Aí vem em socorro da família a profecia de Isaías, proposta como primeira leitura da missa da noite de Natal: “O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1). O Senhor se encarna e se solidariza, redimindo-nos e nos devolvendo nossa dignidade de pessoas, de seres criados á sua imagem e semelhança.

A liturgia da festa da Sagrada Família traz, para a família do dia de hoje, a luz e a força para redescobrir e manter o caminho da felicidade.

A família de Nazaré tinha tudo para ser submissa aos caprichos de uma sociedade consumista e economicamente carente. Basta ler os relatos evangélicos da infância de Jesus e sobre sua família. Mas a presença de Deus, o Deus-Conosco em seu meio e sua fidelidade ao Amor de Deus, fizeram a diferença.

A primeira leitura, extraída do Livro do Eclesiástico, nos fala de que a misericórdia em todos os relacionamentos, mas principalmente para com os pais, está em referência a Deus que é o Pai por excelência. Honrar e respeitar os pais é prestar culto a Deus.

Também a Carta de São Paulo aos Colossenses, continua o tema da misericórdia nas relações familiares. “Tudo o que fizerdes, em palavras ou em obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo”, nos diz o Apóstolo.

Jesus, o Caminho, a Verdade, a Vida, o Amor nos ensina o verdadeiro caminho para o Pai, para a felicidade ainda neste mundo. Será necessário renunciar aos valores deste mundo, será necessário renunciar fazer dos filhos pessoas como nos pedem o elitismo e seus códigos. Será necessário que no relacionamento do casal seja priorizado o diálogo. Será necessário ver na simplicidade de vida e até na carência de certos bens, a presença do carinho de Deus que supre tudo aquilo que nossa carne valoriza.

Deixemos a luz de Deus entrar, iluminar e aquecer nossa vida. Ela nos revelará nossa submissão aos valores mundanos e, consequentemente explicará a causa de nossos sofrimentos. Veremos em que situação colocamos nosso coração, não na simplicidade do lar de Nazaré, mas no fausto do Palácio de Herodes.

(CAS)



Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano 

O texto da oração do Papa à Sagrada Família


Cidade do Vaticano (RV) - A oração à Sagrada Família composta pelo Papa Francisco e recitada no Angelus deste domingo:


ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA


Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projecto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.



Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano 

Refugiados e idosos, os "exilados" nos nossos dias. No Angelus o Papa reza com as famílias do mundo


Cidade do Vaticano (RV) – Papa Francisco assomou, esta manhã, à janela do último andar do Palácio Apostólico, que dá para a Praça São Pedro, para rezar a oração mariana do Angelus, com os numerosos peregrinos e fiéis, provenientes da Itália e de diversos países.

Em sua alocução dominical, neste primeiro domingo, depois do Natal, o Santo Padre disse que “a liturgia nos convida a celebrar a festa da Sagrada Família de Nazaré”. De fato, recordou o Papa, todo presépio nos mostra Jesus, juntamente com Maria e São José, na gruta de Belém. Deus quis nascer em uma família humana, quis ter uma mãe e um pai.

Partindo da Liturgia de hoje, que nos apresenta a Sagrada Família no caminho doloroso do exílio, à busca de refúgio no Egito, o Pontífice afirmou:

“José, Maria e Jesus experimentam a condição dramática de refugiados, marcada pelo medo, pela incerteza e pelo incômodo. Infelizmente, em nossos dias, milhões de famílias podem se identificar com esta triste realidade. Quase todos os dias, a televisão e os jornais transmitem notícias de refugiados, que fogem da fome, das guerras e de outros graves perigos, à busca de segurança e de uma vida digna, para si e para suas famílias”.

Em terras distantes, constatou o Papa, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os refugiados e imigrantes encontram uma verdadeira acolhida, respeito e apreço pelos valores dos quais são portadores. Suas legítimas expectativas se deparam com situações complexas e dificuldades que parecem, às vezes, intransponíveis. E acrescentou:

Por isso, quando fixamos nosso olhar na Sagrada Família de Nazaré, quando é obrigada a se refugiar, pensemos no drama daqueles migrantes e refugiados que são vítimas da rejeição e da exploração, que são vítimas do tráfico de pessoas e do trabalho escravo. Pensemos também nos "exilados" - e eu os chamaria de 'exilados escondidos' - aqueles exilados que podem existir no âmbito das próprias famílias: os idosos, por exemplo, que, às vezes, são tratados como presenças incômodas. Muitas vezes, penso que um sinal, para saber como vai uma família, é ver como são tratados as crianças e os idosos”.

Jesus, afirmou o Santo Padre, quis pertencer a uma família, que passou por essas dificuldades, para que ninguém se sinta excluído da presença amorosa de Deus. E explicou:

A Fuga para o Egito, por causa das ameaças de Herodes, nos mostra que Deus se encontra onde o homem corre risco, onde o homem sofre, onde é fugitivo, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas é também o lugar onde o homem sonha, espera de voltar à sua terra natal, em liberdade, faz projetos e escolhas para a sua vida e a sua dignidade e a dos seus familiares”.

A seguir, o Bispo de Roma, convidou os fiéis presentes a dirigir o olhar à Sagrada Família, se deixa atrair ainda pela simplicidade de vida, que conduz a Nazaré. Trata-se de um exemplo que faz tanto bem às nossas famílias, as ajuda a se tornar, cada vez mais, uma comunidade de amor e de reconciliação; nela experimentamos a ternura, a ajuda mútua, o perdão recíproco e acrescentou:

"Recordemos as três palavras chaves para viver em paz e alegria em família: 'dá licença, obrigado, perdão'. Quando em uma família não se é um intruso e se pede "com licença", quando em uma família não se é egoísta e se aprende a dizer "obrigado", e quando em uma família alguém se dá conta que fez uma coisa errada e pede "perdão", então nesta família existe paz e alegria. recordemos estas três palavras: 'com licença, obrigado, perdão'".

Neste ponto, o Pontífice encorajou as famílias a tomarem consciência da importância que tem na Igreja e na sociedade. "O anúncio do Evangelho - disse o Papa -, passa de fato, antes de tudo, através das famílias para depois, chegar até aos diversos âmbitos da vida diária”.

O Papa Francisco concluiu sua alocução dominical, convidando os presentes a invocarem, com fervor, Maria Santíssima, Mãe de Jesus e nossa Mãe, e São José, seu esposo. Convidou-os, também, a pedir à Sagrada Família que nos ilumine, conforte e oriente todas as famílias do mundo, a fim de que possam cumprir, com dignidade e serenidade, a missão que Deus lhes confiou.

Após a oração do Angelus, o Santo Padre comunicou a todos que o próximo Sínodo dos Bispos vai abordar o tema da família e, a sua fase preparatória, já iniciou há muito tempo. Por isso, nesta festa da Sagrada Família, o Papa confiou a Jesus, Maria e José, os trabalhos sinodais e as famílias do mundo inteiro.

Ao final do encontro dominical, o Papa Francisco recitou uma oração dedicada à Sagrada Família. (MT)




Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano 

Papa lamenta drama dos migrantes e refugiados


'Infelizmente, hoje, milhões de famílias podem rever-se nesta triste realidade'
Cidade do Vaticano - O papa lamentou, durante a oração do Angelus, em Roma, o drama dos migrantes e dos refugiados, forçados ao exílio como a Sagrada Família em fuga para o Egito, que os católicos celebram hoje.

Citando o Evangelho, Francisco lembrou à multidão, na Praça de São Pedro, que "José, Maria e Jesus experimentaram a situação dramática dos refugiados, uma impressão de medo, de incerteza e de privações".

"Infelizmente, hoje, milhões de famílias podem rever-se nesta triste realidade", disse o papa, lamentando que esses refugiados não tenham "sempre direito a uma casa, respeito e reconhecimento dos seus valores".

Antes de propor à multidão que ouvisse a oração dedicada à Sagrada Família, celebrada tradicionalmente no último domingo de dezembro - o primeiro depois do Natal -, o papa encorajou "as famílias a perceberem a sua importância na Igreja e na sociedade".

No texto, escrito por ele, Francisco desejou que o próximo Sínodo dos Bispos, que se realizará em outubro de 2014, "possa despertar em todos a consciência do caráter sagrado e inviolável da família".

No início de novembro, a Igreja Católica lançou uma consulta sem precedentes sobre as alterações conhecidas pelas famílias, como a união de fato, o casamento gay, a monoparentalidade e a poligamia, por exemplo.

Em documento preparatório, a Igreja recordou a doutrina católica sobre o casamento, a união indissolúvel de um homem e de uma mulher tendo como projeto a procriação. "Muitas vezes eu acho que para saber como está uma família, é suficiente ver como trata as crianças e os idosos", acrescentou Francisco.

O Angelus foi transmitido ao vivo para missas celebradas em várias cidades do mundo, como Nazaré, Madri, Barcelona e Loreto.
Agência Brasil