quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Papa encoraja jovens a descobrir 'a importância da virgindade'


Cidade do Vaticano  - O papa Francisco encorajou nessa quarta-feira (5) os jovens "a compreender a importância da pureza e da virgindade", durante uma audiência geral realizada na Praça de São Pedro.

Após terminar a catequese, nas tradicionais saudações em vários idiomas, Francisco lembrou que hoje é celebrada a festividade de Santa Ágata, virgem e mártir, e pediu que sua "virtude heroica" estimule os jovens e ajude a "compreender a importância e a pureza da virgindade".

O papa também pediu que Santa Ágata ajude os recém-casados a "compreender o papel da mulher na vida familiar" e que ajude os doentes "a aceitar a cruz em união espiritural com o coração de Cristo".

Por conta da forte chuva que cai sobre Roma, hoje os doentes que todas as quartas-feiras ocupam um lugar perto do palanque colocado na Praça de São Pedro, foram acomodados no interior da basílica e o papa os cumprimentou antes de começar a audiência.

O pontífice dedicou sua catequese à Eucaristia e afirmou que "é importante que as crianças se preparem bem para receber a primeira comunhão".
SIR

Como evitar o inferno na terra

Como opção fundamental que impõe uma orientação essencial da atividade humana, a caridade precisa se encarnar na justiça, sem ter, por isso, que se identificar totalmente com ela (ou esgotar-se nela).

Por Gianfranco Ravasi

Houve um período nas últimas décadas em que se multiplicaram os congressos, os encontros, até mesmo os cursos sobre "ética e economia (ou finanças)" ou sobre "ética e política". Os resultados estão diante dos olhos de todos e certamente não são exaltantes, consideradas as causas e os efeitos perversos da crise econômica e política em que estamos afundados. Por isso, seríamos tentados a compartilhar a amarga conclusão do Marco Polo de Cidades Invisíveis, de Calvino, que responde assim a Kublai Khan: "O inferno não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno em que habitamos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem dois modos para não sofrê-lo. O primeiro é fácil para muitos: aceitar o inferno e tornar-se parte dele até o ponto de não vê-lo mais. O segundo é arriscado e exige atenção e aprofundamento contínuos: buscar e saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e fazê-lo durar e dar-lhe espaço".

É um pouco sobre essa segunda escolha que se deve atestar o compromisso social cristão: conscientes do limite e do pecado da criatura, devemos ampliar na história, porém, o espaço do Reino de Deus, ou seja, o horizonte da justiça e do amor. O eixo principal da proposta cristã é claro: "Como opção fundamental que impõe uma orientação essencial da atividade humana, a caridade precisa se encarnar na justiça, sem ter, por isso, que se identificar totalmente com ela (ou esgotar-se nela)". Quem define essa asserção é um teólogo moral de grande refinamento intelectual e de intensa atenção ao complexo panorama contemporâneo, Giannino Piana, ex-professor das universidades de Urbino e de Turim, que agora – depois de um livro dedicado à moral fundamental, já assinalado por nós – continua o seu projeto global, previsto para quatro tomos, com um amplo afresco temático justamente sobre "moral socioeconômica e política".

A própria enunciação do assunto revela a sua amplitude e a delicadeza, e até mesmo um único olhar lançado sobre o índice do texto é suficiente para dar uma sensação de vertigem. Tentemos apenas formular uma lista das questões que se agregam em cacho sobre os três troncos que sustentam a estrutura da obra de Piana.

Entre parênteses, a longa militância acadêmica permite ao autor o uso de um procedimento claramente didático, que, no entanto, evita o pedantismo através de um ditado incisivo e atraente. É por isso que nos permitimos sugerir a leitura, mesmo para quem não está familiarizado com a ética teológica, mas está consciente da necessidade de um olhar não meramente sociológico e fenomênico sobre uma realidade tão ardente e "humana".

O primeiro tronco argumentativo é central e imprescindível, o dos fundamentos. É precisamente aqui que se revelam mancas ou edificadas sobre a areia certas análises desavisadas de uma antropologia de base, indiferentes a princípios constitutivos, alérgicas a fontes que precedem e justificam o fluxo disperso da história. Para um autêntico humanismo cristão, as duas estrelas de referência são o princípio da destinação universal dos bens e a opção preferencial pelos pobres, dois critérios que são a flexão concreta do já mencionado eixo da caridade-justiça.

O segundo tronco do escrito de Piana é mais recente no seu crescimento, mas tem uma alma antiga. Alimenta-se, de fato, com a seiva da atual globalização, que imprime uma nova fisionomia aos dois cânones econômicos clássicos da eficiência e da solidariedade. Aqui, os fundamentos acima mencionados devem se confrontar com as ramificadas dinâmicas e leis do "econômico": nesse âmbito, o autor revela um extraordinário equilíbrio entre capacidade analítica e habilidade sintética.

Basta pensar apenas na sequência das questões que se encadeiam, mas que devem ser postas nas caixas corretas de uma investigação destinadas a desembocar em um crivo rigoroso: a superação da perspectiva individualista na adoção de uma concepção personalista, o equilíbrio entre subsidiariedade e solidariedade, o contraponto entre globalidade e identidade local, a dialética entre Estado e mercado, e a relativa configuração de uma "economia civil" ou de uma "democracia econômica" em que o bem-estar acomode as exigências institucionais com as várias subjetividades sociais. E ainda: a exigência primária do trabalho, direito fundamental da pessoa, o relevo adquirido pela questão ecológica e a radical mudança da comunicação introduzida pelo império midiático, capaz de criar um inédito fenótipo social.

Esse árido elenco permite entender, no entanto, como é grave a superficialidade da política (principalmente italiana), incapaz de inscrever na sua agenda um fluxo tão variado de instâncias estruturais. É assim que o terceiro tronco que sustenta o estudo de Piana se eleva no céu da ética política sobre a qual Cristo já havia se pronunciado de forma lapidar com os seus tuítes de 50 caracteres gregos e respectivos espaços: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Marcos 12, 17). Obviamente, esse princípio se desfaz em infinitas e muitas vezes incandescentes aplicações, especialmente em uma sociedade tão articulada e fragmentada como a contemporânea. No entanto, algumas referências estão sempre aí, diante de todos, e impedem de se contentar com uma pura e simples modelística ou com o recurso à seca ou desumana tecnologia sociopolítica.

Pensemos, por exemplo, na pessoa, mas também no bem comum, na reconstrução de uma genuína democracia sustentada pela sociedade civil e não pilotada apenas de cima, na elaboração de uma ordem internacional que não seja uma inerte sociedade das nações reciprocamente em defesa ou em suspeita, na promoção de uma interculturalidade dinâmica capaz de superar a simples multiculturalidade estática; pensemos, enfim, no compromisso com a paz que não seja paradoxalmente confiada apenas à defesa e nem apenas à diplomacia e às intervenções de caráter humanitário, mas que seja positivamente ancorada no desenvolvimento e na integração entre os povos.

O mapa que esboçamos até aqui leva a compreender como é retórico um apelo genérico à ética dos negócios ou da política, e como é necessária uma revisão acurada e um exame pontual das coordenadas tanto concretas quanto valoriais postas em uma interação constante. Escrevia Adorno nos seus Minima moralia: "O conhecimento não tem outra luz a não ser a que emana da redenção sobre o mundo; todo o resto se esgota na reconstrução a posteriori e faz parte da técnica".
Il Sole 24 Ore, 02-02-2014.
*Gianfranco Ravasi é cardeal presidente do Pontifício Conselho para a Cultura.

Dom Helder nascia há 105 anos


Dom Helder Câmara: obstinado nos ideais da paz.
Por Geovane Saraiva*

Dom Helder Câmara leu, quando Arcebispo de Olinda e Recife, um conjunto de crônicas, no microfone da Rádio Olinda de Pernambuco, intituladas: “Um olhar sobre a cidade”. Trata-se de mensagens da melhor qualidade, mensagens ricas e profundas, assim como foi rica, profunda, intensa, preciosa e de ótima qualidade a vida do pastor dos empobrecidos, humano ao extremo, nascido aos 07 de fevereiro de 1909, na cidade de Fortaleza – Ceará.

Mensagens de amor e de esperança para o seu povo, sua gente muito querida, em primeiro lugar nas cidades de Olinda, Recife e demais cidades de sua então arquidiocese, mas também para o mundo inteiro, porque sua emblemática palavra, por seu significado social, profético e profundamente humano, chegava aos confins do mundo. Mensagens de um pastor que soube amar a todos, mas, sobretudo, seu imenso amor à causa dos empobrecidos, os “sem voz e sem vez”.  "Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo", dizia ele.

Artífice da paz o foi. E o caminho cristão no campo social orienta-se na linha da não violência ativa, encontrando em Dom Helder Câmara, segundo Pe. João Batista Libânio, falecido no dia 30/01/2014, a figura certa e emblemática de tal via. Daí olharmos para a força desse irmão querido como o homem dos grandes sonhos e utopias: “Quando sonhamos sozinhos é só um sonho; mas quando sonhamos juntos é o início de uma nova realidade”; “Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante... Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do mundo (...)”.

A Carta aos Hebreus nos assegura: “Nós não temos aqui na terra cidade permanente, estamos à procura da cidade que há de vir” (Hb 13, 14). Hoje a grande maioria da humanidade mora em cidades. Daí o nosso olhar para a cidade e que seja o mesmo olhar do artesão da paz, desejando tirar dela coisas boas e positivas. O mundo é bom e as cidades são boas. Como seria bom viver bem e em harmonia com este mundo, que Deus criou para nós, suas criaturas, na assertiva do próprio Deus: “O que vos peço é que não tireis do mundo, mas livreis do mal” (Jo 17, 15).

Mensagens do Profeta que viveu bem nessa “cidade”, que não é permanente, mas com um grande desejo que todos compreendessem o sentido da vida neste mundo, voltando-se, é claro e evidente, para a outra vida, para a transcendência. Mensagens do “irmão dos pobres” que encarnou o Concílio Vaticano II, quando diz: “Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração” (GS, 200).

Nós moramos numa cidade e por vontade do Criador e Pai, a exemplo do Apóstolo dos gentios, de Dom Hélder Câmara e de outros homens de Deus, sonhamos com a cidade do céu, a Jerusalém do Alto. Santo Agostinho, na sua obra, “A cidade de Deus” fala que “dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial”.

Que o aniversário de nascimento de Helder, pequeno na estatura, mas grande e obstinado nos ideais de peregrino da paz, o qual na qualidade de místico e maestria de rara originalidade procurou ser fiel a Jesus de Nazaré, com os pés no chão e no permanente esforço de unir o céu a terra, com os olhos, a mente e o coração fixos e voltados para a cidade lá do alto, que na alegria e na esperança cristã jamais iremos esquecê-lo.

Que ao celebrarmos sua memória, uma vida toda pelos irmãos, produza-nos os melhores frutos, para a maior glória de Deus e o bem do povo brasileiro e da humanidade inteira. Assim seja!
* Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Audiência: Eucaristia, fonte de vida da Igreja





Cidade do Vaticano (RV) – Não obstante a chuva que há dias cai sobre Roma, cerca de 13 mil fiéis e peregrinos compareceram à Praça S. Pedro esta quarta-feira, para a Audiência Geral.

Prosseguindo sua série de catequeses sobre os Sacramentos, Francisco falou hoje da Eucaristia, coração da “iniciação cristã” com o Batismo e a Confirmação.

O que vemos quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia nos faz intuir aquilo que estamos para viver. O altar coberto por uma toalha nos faz pensar num banquete: Cristo é o alimento espiritual que recebemos. Ao lado, está o ambão, de onde se proclama a Palavra de Deus.

Palavra e Pão na Missa se tornam uma só coisa, como na Última Ceia, quando todas as suas palavras e os seus sinais se condensaram no gesto de partir o pão e oferecer o cálice.

“O gesto de Jesus realizado na Última Ceia é o extremo agradecimento ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. ‘Agradecimento’ em grego se diz ‘eucaristia’. Eis o motivo pelo qual o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é gesto de Deus e do homem juntos, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem”, disse o Papa, explicando que, com aquele gesto, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor e, deste modo, renova o nosso coração, a nossa vida e o nosso modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos.

Por isso, explicou o Pontífice, a celebração eucarística é muito mais do que um simples banquete: é o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério central da salvação. Quando nos aproximamos deste sacramento, é costume dizer que vamos “receber a Comunhão”. Na potência do Espírito Santo, a participação na eucaristia nos conforma de modo único e profundo a Cristo, fazendo-nos saborear desde já a plena comunhão com o Pai que caracterizará o banquete celeste, onde com todos os Santos teremos a alegria inimaginável de contemplar Deus face a face.

“Queridos amigos, nunca agradeceremos suficientemente ao Senhor pelo dom que nos fez com a Eucaristia! É um dom muito grande e por isso é importante ir à missa aos domingos, não somente para rezar, mas para receber a Comunhão. É o dia da ressurreição do Senhor. E jamais conseguiremos colher todo o seu valor e a sua riqueza. Peçamos então que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o coração do Pai. E isso se faz durante toda a vida, mas se começa no dia da Primeira Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para este dia, porque é o primeiro passo desta pertença a Jesus Cristo.”

No final da Audiência, o Papa dirigiu um pensamento especial às muitas pessoas, “nossos irmãos e irmãs”, que sofrem a consequência das chuvas na região da Toscana e em Roma. “Rezemos todos e nos mantenhamos próximos com o nosso esforço, com a nossa solidariedade e com o nosso amor.”

Devido à chuva, Francisco cumprimentou os doentes antes da Audiência, na Sala Paulo VI.


(BF)



Evangelho do Dia

Ano C - 05 de fevereiro de 2014

Marcos 6,1-6

Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz; eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 6 1 depois, Jesus partiu dali e foi para a sua pátria, seguido de seus discípulos. 2 Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: “Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres?
3 Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs?” E ficaram perplexos a seu respeito.
4 Mas Jesus disse-lhes: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa”.
5 Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6 Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
QUE SABEDORIA É ESSA?
A sabedoria manifestada pelos ensinamentos de Jesus deixava atônito o povo de sua cidade. Seu povo não podia entender como o filho de um carpinteiro, tão conhecido de todos, podia falar com tanta segurança a respeito de coisas elevadas. Outro argumento fundava-se na convivência deles com Jesus e seus parentes, tudo dentro da mais total normalidade, sem nada de extraordinário. Também não constava que Jesus tivesse sido instruído por algum rabino famoso da época. Resultado, recusaram-se a dar crédito às palavras de Jesus. Antes, as puseram sob suspeita.
Efetivamente, o povo de Nazaré não podia valorizar a sabedoria de Jesus por julgá-la a partir de critérios humanos de aquisição de sabedoria. A fonte da sabedoria de Jesus, porém, estava radicada no Pai, cujas palavras proclamava. Não era uma sabedoria adquirida com os meios humanos, nem tinha como ponto de partida concepções humanas. As palavras de Jesus tinham o Pai como origem. Elas eram palavras que o Pai queria dirigir à humanidade. Por isso, era inútil comparar o ensinamento de Jesus com o dos mestres da lei. Havia entre eles uma enorme diferença.
Jesus refez o caminho dos profetas rejeitados na sua própria terra, pelos de sua casa. O discípulo arrisca-se a rejeitar Jesus, se não reconhecer a origem divina de suas palavras.

Oração
Senhor Jesus, possa eu reconhecer a origem de sua palavras e acolhê-las como expressão da sabedoria divina.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
2 Samuel 24,2.9-17
Leitura do segundo livro de Samuel.
24 2 Disse, pois, o rei a Joab e aos chefes do exército que estavam com ele: “Percorrei todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabéia, e recenseai o povo, de maneira que eu saiba o seu número”.
9 Joab entregou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens.
10 Depois que foi recenseado o povo, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: “Cometi um grande pecado, fazendo isso. Mas agora apagai, ó Senhor, a culpa de vosso servo, porque procedi nesciamente”.
11 Levantando-se Davi no dia seguinte, a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta Gad, o vidente de Davi, nestes termos:
12 "Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: Proponho-te três coisas: - escolhe uma delas, e eu ta infligirei”.
13 Gad veio ter com Davi e referiu-lhe estas palavras ajuntando: “Preferes que venham sobre a tua terra sete anos de fome, ou que fujas durante três meses diante de teus inimigos que te perseguirão, ou que a peste assole a tua terra durante três dias? Reflete, pois, e vê o que devo responder a quem me enviou”.
14 Davi respondeu a Gad: “Estou em grande angústia. É melhor cairmos nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!” E Davi escolheu a peste.
15 Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel, desde a manhã daquele dia até o prazo marcado. Ora, foi nos dias da colheita do trigo que o flagelo começou no povo, e morreram setenta mil homens da população, desde Dã até Bersabéia.
16 a E o Senhor enviou um anjo sobre Jerusalém para destruí-la.
17 Vendo Davi o anjo que feria o povo, disse ao Senhor: “Vede, Senhor: fui eu que pequei; eu é que sou o culpado! Esse pequeno rebanho, porém, que fez ele? Que a tua mão se abata sobre mim e sobre a minha família!”
Palavra do Senhor.
Salmo 31/32
Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

Feliz o homem que foi perdoado
e cuja falta já foi encoberta!
Feliz o homem a quem o Senhor
não olha mais como sendo culpado
e em cuja alma não há falsidade!

Eu confessei, afinal, meu pecado
e minha falta vos fiz conhecer.
Disse: “Eu irei confessar meu pecado!”
E perdoastes, Senhor, minha falta.

Todo fiel pode, assim, invocar-vos
durante o tempo da angústia e aflição,
porque, ainda que irrompam as águas,
não poderão atingi-lo jamais.

Sois para mim proteção e refúgio;
na minha angústia me haveis de salvar
e evolvereis a minha alma no gozo
da salvação que me vem só de vós.
Oração
Ó Deus, que santa Águeda, virgem e mártir, agradável ao vosso coração pelo mérito da castidade e pela força no martírio, implore vosso perdão em nosso favor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia Diária

Dia 5 de Fevereiro - Quarta-feira

IV DO TEMPO COMUM
SANTA ÁGUEDA
Virgem e Mártir

Antífona da entrada: Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo, com sua lâmpada acesa.
Oração do dia
Ó Deus, que santa Águeda, virgem e mártir, agradável ao vosso coração pelo mérito da castidade e pela força no martírio, implore vosso perdão em nosso favor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (2 Samuel 24,2.9-17)
Leitura do segundo livro de Samuel.
24 2 Disse, pois, o rei a Joab e aos chefes do exército que estavam com ele: “Percorrei todas as tribos de Israel, desde Dã até Bersabéia, e recenseai o povo, de maneira que eu saiba o seu número”.
9 Joab entregou ao rei o resultado do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que manejavam a espada; e, em Judá, quinhentos mil homens.
10 Depois que foi recenseado o povo, Davi sentiu remorsos e disse ao Senhor: “Cometi um grande pecado, fazendo isso. Mas agora apagai, ó Senhor, a culpa de vosso servo, porque procedi nesciamente”.
11 Levantando-se Davi no dia seguinte, a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta Gad, o vidente de Davi, nestes termos:
12 "Vai dizer a Davi: Assim fala o Senhor: Proponho-te três coisas: - escolhe uma delas, e eu ta infligirei”.
13 Gad veio ter com Davi e referiu-lhe estas palavras ajuntando: “Preferes que venham sobre a tua terra sete anos de fome, ou que fujas durante três meses diante de teus inimigos que te perseguirão, ou que a peste assole a tua terra durante três dias? Reflete, pois, e vê o que devo responder a quem me enviou”.
14 Davi respondeu a Gad: “Estou em grande angústia. É melhor cairmos nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!” E Davi escolheu a peste.
15 Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel, desde a manhã daquele dia até o prazo marcado. Ora, foi nos dias da colheita do trigo que o flagelo começou no povo, e morreram setenta mil homens da população, desde Dã até Bersabéia.
16 a E o Senhor enviou um anjo sobre Jerusalém para destruí-la.
17 Vendo Davi o anjo que feria o povo, disse ao Senhor: “Vede, Senhor: fui eu que pequei; eu é que sou o culpado! Esse pequeno rebanho, porém, que fez ele? Que a tua mão se abata sobre mim e sobre a minha família!”
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 31/32
Perdoai-me, Senhor, meu pecado!

Feliz o homem que foi perdoado
e cuja falta já foi encoberta!
Feliz o homem a quem o Senhor
não olha mais como sendo culpado
e em cuja alma não há falsidade!

Eu confessei, afinal, meu pecado
e minha falta vos fiz conhecer.
Disse: “Eu irei confessar meu pecado!”
E perdoastes, Senhor, minha falta.

Todo fiel pode, assim, invocar-vos
durante o tempo da angústia e aflição,
porque, ainda que irrompam as águas,
não poderão atingi-lo jamais.

Sois para mim proteção e refúgio;
na minha angústia me haveis de salvar
e evolvereis a minha alma no gozo
da salvação que me vem só de vós.
Evangelho (Marcos 6,1-6)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz; eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 6 1 depois, Jesus partiu dali e foi para a sua pátria, seguido de seus discípulos. 2 Quando chegou o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: “Donde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se operam por suas mãos tão grandes milagres?
3 Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs?” E ficaram perplexos a seu respeito.
4 Mas Jesus disse-lhes: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e na sua própria casa”.
5 Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6 Admirava-se ele da desconfiança deles. E ensinando, percorria as aldeias circunvizinhas.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
QUE SABEDORIA É ESSA?
A sabedoria manifestada pelos ensinamentos de Jesus deixava atônito o povo de sua cidade. Seu povo não podia entender como o filho de um carpinteiro, tão conhecido de todos, podia falar com tanta segurança a respeito de coisas elevadas. Outro argumento fundava-se na convivência deles com Jesus e seus parentes, tudo dentro da mais total normalidade, sem nada de extraordinário. Também não constava que Jesus tivesse sido instruído por algum rabino famoso da época. Resultado, recusaram-se a dar crédito às palavras de Jesus. Antes, as puseram sob suspeita.
Efetivamente, o povo de Nazaré não podia valorizar a sabedoria de Jesus por julgá-la a partir de critérios humanos de aquisição de sabedoria. A fonte da sabedoria de Jesus, porém, estava radicada no Pai, cujas palavras proclamava. Não era uma sabedoria adquirida com os meios humanos, nem tinha como ponto de partida concepções humanas. As palavras de Jesus tinham o Pai como origem. Elas eram palavras que o Pai queria dirigir à humanidade. Por isso, era inútil comparar o ensinamento de Jesus com o dos mestres da lei. Havia entre eles uma enorme diferença.
Jesus refez o caminho dos profetas rejeitados na sua própria terra, pelos de sua casa. O discípulo arrisca-se a rejeitar Jesus, se não reconhecer a origem divina de suas palavras.

Oração
Senhor Jesus, possa eu reconhecer a origem de sua palavras e acolhê-las como expressão da sabedoria divina.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Ó Deus, ouvi as nossas preces, ao proclamarmos as vossas maravilhas em santa Águeda, e, assim como vos agradou por sua vida, seja de vosso agrado o nosso culto. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Eis que vem o esposo; ide ao encontro de Cristo, o Senhor! (Mt 25,6)
Depois da comunhão
Senhor nosso Deus, fortalecidos pela participação nesta eucaristia, fazei que, a exemplo de santa Águeda, nos esforcemos por servir unicamente a vós, trazendo em nosso corpo os sinais dos sofrimentos de Jesus. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTA ÁGUEDA)
Pouco se sabe sobre a vida de Santa Águeda ou Ágata como também era chamada. Ela era italiana, nasceu por volta do ano 230 na Catânia, pertencia à uma família nobre e rica.

Muito bela, ainda na infância prometeu se manter casta para servir a Deus, na pobreza e humildade. Não quebrar essa promessa lhe custou a vida, porque o governador da Sicília se interessou pela casta jovem e a pediu em casamento. Águeda, recusou o convite, expondo seus motivos religiosos. Enraivecido, o político a enviou ao tribunal que a entregou a uma mulher de má conduta para desviá-la de Deus. Como isso não aconteceu, ela foi entregue aos carrascos para que fosse morta, por ser cristã.

As torturas narradas pelas quais passou a virgem são de arrepiar e estarrecer. Depois de esbofeteada e chicoteada, Águeda foi colocada sobre chapas de cobre em brasa e posteriormente mandada de volta à prisão.

Neste retorno, ela teve a graça de "ver" o Apóstolo São Pedro, o que a revitalizou na fé. Seus carrascos que esperavam vê-la fraquejar em suas convicções se surpreenderam com sua firmeza na fé, por isso a submeteram à outras cruéis torturas, desta vez com o desconjuntamento dos ossos e o dilaceramento dos seios. Foi arrastada por sobre cacos de vidros e carvões em brasa.

Depois de passar por esses tormentos, foi conduzida ao cárcere e ali morreu, enquanto rezava pedindo à Deus para parar a erupção do vulcão Etna, que iniciara bem na hora do seu martírio. Assim que ela expirou o vulcão se aquietou e as lavas cessaram. Até hoje o povo costuma pedir a sua intercessão para protegê-lo contra a lava do vulcão Etna, sempre que este começa a ameaça-los. Santa Águeda é invocada contra os perigos do incêndio.

O martírio de Águeda aconteceu durante o império de Décio, no seu terceiro consulado, no ano de 251. Santa Águeda é uma das santas mais populares da Itália, e uma das mais conhecidas mártires do cristianismo dos primeiros séculos. Apenas Roma chegou a ter doze igrejas dedicadas à ela.

Sal e luz

Reflexão sobre as leituras bíblicas do 5º. Domingo do tempo comum

Sal e luz. Duas metáforas utilizadas por Jesus
Por João Batista Nunes Coelho
“Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). O cristão é chamado a exercer esta função. É fácil? Não, pois antes é preciso  ter a luz em si. Isto não é simples. Quem não tem a luz não consegue ser luz para os outros.

Sal e luz. Duas metáforas utilizadas por Jesus.   “Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens” (Mt 5,13). O sal transforma o mundo insípido (sem sal), insensato (sem a sabedoria divina) e sombrio (sem a luz de Deus) em reino de Deus. A ação dos cristãos é  fundamental na transformação do mundo. Contudo, se não tiverem o espírito do evangelho, não terão êxito na edificação do Reino.

Glorifiquem.  Qual será a consequência de se ter a luz divina no coração?  A pessoa será iluminada. Os outros a verão dessa forma. Virá o reconhecimento, a pessoa se torna exemplo. Receberá elogios? Pode ser. Mas não é essa a finalidade do cristão ser luz e sal para os outros. A finalidade é manifestar o amor Deus, transferir a ele toda a glória. “Que, vendo vossas boas ações, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16b). Esta é a meta quando nos empenhamos em ser sal da terra e luz do mundo.  Para tanto precisamos realmente sermos pobres em espírito, mansos, misericordiosos, puros, pacíficos e alegres, apesar das perseguições. Essa atitude é a melhor pregação. “A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloquência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino, 5 para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Cor 2,4-5). O testemunho de vida  exige construção interior, morte para a vontade própria.

Jejum. É forma de mortificação e de preparo do espírito. Isaías já pregava esta necessidade. Contudo alertava para as pessoas não se fixarem apenas em cumprir o preceito do jejum. Ele, em si, não agrada a Deus. Agrada se for caminho para crescimento interior: “Por que foi que jejuamos e tu nem olhaste? Nós nos humilhamos totalmente e nem tomaste conhecimento”. Acontece que, mesmo no dia de jejum, só cuidais dos vossos interesses e continuais explorando os trabalhadores” (Is 58,3). Lição atualíssima. E prossegue censurando duramente esse jejum desvinculado da prática da caridade: “Acontece que jejuais criando caso, brigando e esmurrando. Deixai de jejuar como até agora, para que vossa voz chegue ao Altíssimo” (Is 58,4). Está vendo? Não basta orar, jejuar. Os ritos penitenciais devem ser sinais de sincero arrependimento e expressão de mudança radical de conduta (Jn 3,8).

Rituais. Isaías se dirige aos judeus espalhados pelo mundo e reclama da prática do jejum quando outras pessoas estão sem roupa, enfermas, sem alimento, injustiçadas. O que agrada ao Senhor  “é repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante”  (Is 58,7). .O Antigo Testamento apresenta as ações éticas em favor dos necessitados como portadoras de luz. “Se saciares os pobres, tua luz brilhará nas trevas” (Is 58,10). A verdadeira ação que agrada a Deus não se limita a rituais; ao contrário, é necessário voltar-se para o “outro”. Só assim a glória de Deus resplandecerá. “Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos dirá: "’Eis-me aqui!’ Se expulsares de tua casa toda a opressão, os gestos malévolos e as más conversações” (Is 58,9). Os rituais serão expressão de uma vida dedicada à  prática dos valores do Reino.

“Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Mas, quem não tem a luz não consegue ser luz para os outros. “Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens” (Mt 5,13). A luz e o sal transforma a vida insípida e escura das pessoas em vida saborosa e iluminada.

Que sejamos portadores do sal e da luz para o mundo. Mais: sejamos o sal da terra e a luz do mundo.
1 - Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, doutora em Teologia Bíblica, em artigo na revista Vida Pastoral, jan-fev 2011, São Paulo: Paulus, 2011, p. 56-57.