sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ganância e gratuidade


Mãe e filho: exemplo de amor gratuito.
Certa vez, um garoto surpreendeu sua mãe com uma listinha. Nela estava escrito:

"Mamãe, você me deve:

Por levar o recado para a tia Anita, R$2,00

Por comprar o pão, R$0,50

Por tirar o lixo, R$0,50

Por varrer o chão, R$3,00

Total: R$6,00"

A mãe não deixou por menos. Pegou na hora um papel e escreveu:

"Por carregar você dentro de mim durante nove meses, R$0,00

Por dar banho e cuidar de você quando criança, R$0,00

Por fazer a comida e lavar a roupa, R$0,00

Total que você me deve: nada".

A sociedade moderna nos ensina a cobrar por tudo o que fazemos para o nosso próximo. Mas Jesus nos ensina bem o contrário: A gratuidade. "De graça recebestes, de graça deveis dar" (Mt 10,8).

"O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" (Lc 1,35). Esposa do Espírito Santo, ensine-nos a solidariedade!
A12, 26-01-2014.

Maria: purificada segundo a Lei, consagrada pelo amor



Por Antonio Clayton Sant’Anna*

Desde séculos, o dia 02 de fevereiro (último domingo) figura no calendário cristão com vários motivos de celebração: purificação de Maria, apresentação de Jesus no Templo, festa das candeias, procissão e bênção das velas. São referências à página bíblica de Lucas, capítulo 2, sobre a entrada de Jesus recém-nascido nos ritos de socialização da lei judaica: circuncisão, resgate do primogênito, purificação da mãe parturiente, etc.

O texto realça a menção a duas pessoas idosas, Simeão e Ana, habituais frequentadores do Templo. Pessoas representativas da grande esperança messiânica acalentada pelo povo humilde em profundo sentido religioso. Não por acaso, mas por moção interior do Espírito de Deus, Simeão e Ana compareceram ao Templo no 40º dia do nascimento de Jesus, prazo legal para o cumprimento dos rituais acima. Acolheram o bebezinho dos braços de Maria e falaram do futuro dele e dela. Interpretaram o ato em chave profético-libertadora: a salvação e luz chegavam para todos os povos; o menino era a glória do povo eleito; mas, definiria a opção por Deus ou contra.

A meditação mais consciente do mistério da Encarnação do Verbo no seio virginal de Maria nos leva a perceber o quanto ela entrou intimamente na história da salvação. (Luz dos Povos, 65). Aos olhos das pessoas e perante as normas da Lei mosaica tudo parecia costumeiro e normal na convivência de Maria, José e Jesus: na família e nas questões religiosas atinentes aos costumes do povo. Mas, quem poderia imaginar o intercâmbio de dons, a interiorização e partilha das graças do projeto salvador do Pai naquela família ali no Templo? Purificar-se implica o querer entrar em comunhão com Deus.

Não é neste sentido que se cumpriu a purificação de Maria descrita no texto de Lucas. Ela foi ao Templo sendo já a Imaculada Conceição! A seiva da videira, símbolo da subsistência espiritual com Jesus, pressupunha a consagração daquela que lhe deu sua carne e sangue. E Jesus já viera ao mundo como o Cristo, isto é, o “consagrado de Deus”, seu inocente cordeiro.

As celebrações litúrgicas marianas não são repetidas todos os anos por rotina. Dialogando com a piedade popular que vive a fé, pretendem renovar e atualizar em cada época tudo o que Maria é à luz da tradição bíblico-eclesial. O culto católico distribuiu ao longo do ano o mistério total de Cristo. Isso permitiu fazer memória mais viva da íntima participação de Maria nele. Há uma disponibilidade infinita nas mãos de Deus em sua postura de fé: Faça-se em mim segundo a Palavra anunciada! Para quem aceitou o batismo de Jesus na sua Igreja e lhe é fiel, tudo é consagrado. Não só alguns momentos marcantes ou gestos festivos na Igreja. Tudo é consagração a todo instante. Somos o Povo de Deus em todo o tempo, nos projetos, desejos e desafios da história. (LG 10).
A12, 01-02-2014.
*Antonio Clayton Sant’Anna é padre e diretor da Academia Marial de Aparecida.

Vaticano publica mensagem do Papa para a quaresma


A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou, nesta terça (04), a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma
Atualizada em 04/02/2014 às 11h10

O título foi extraído de uma frase de São Paulo: “Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (cf. 2 Cor 8, 9). No texto, o Pontífice explica que a finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas, como diz o Apóstolo, para vos enriquecer com a sua pobreza. “Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus.”

Para Francisco, a miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. A verdadeira miséria, escreve o Papa, consiste em não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo, distinguindo três tipos de miséria: material, moral e espiritual.

“A Quaresma é um tempo propício para o despojamento”, recorda o Papa, e nos fará bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. “Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói”, afirma.

“Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia.”

Eis a íntegra do texto:

Mensagem do Santo Padre Francisco
para a Quaresma de 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza
(cf. 2 Cor 8, 9)


Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: “Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza” (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: sendo rico, Se fez pobre por vós. Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, esvaziou-Se, para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – para vos enriquecer com a sua pobreza. Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), herdeiro de todas as coisas (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu jugo suave (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua rica pobreza e pobre riqueza, a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este caminho da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013

Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Escola Teológica



A Escola Teológica da Paróquia Nossa Senhora das Candeias está com as matrículas abertas para TURMAS INICIANTES (Disciplinas: Introdução a Teologia e Teologia Fundamental).
A ESCOLA TEOLOGIA, objetiva dar maiores razões de credibilidade ao ato de crer, aproximando-o mais de Deus. Na verdade a TEOLOGIA é uma matéria fascinante. Abre a pessoa para o mistério insondável de Deus e para a compreensão religiosa da vida.
O Curso quer fortalecer a vida espiritual e dar maior credibilidade ao ato da fé. Ao final de dois anos, os participantes terão uma idéia geral das Ciências Teológicas.

O objetivo da Escola é formar jovens e adultos engajados nas Paróquias, Movimentos, Serviços, Pastorais e Comunidades dispostos e interessados em aprofundar os conhecimentos Bíblicos, Doutrinais e Pastorais.

O Curso tem como objetivo alimentar e reforçar a fé dos ouvintes. As pessoas têm, em geral, uma fé bastante intensa, mas pouco profunda. Acreditam muito, mas não sabem muito bem por que acreditam. O Curso quer, por isso, dar razões de credibilidade à fé, para que todos possam saber por que estão crendo.

O Curso é promovido e apoiado pela Paróquia Nossa senhora das Candeias. Não será algo à margem da vida religiosa da Paróquia, mas, sim, algo complementar. A Paróquia manterá os seus Cursos normais ao longo do ano. O Curso apenas desenvolverá, de forma sistemática e progressiva, o grande discurso da Teologia católica.
A matrícula deverá ser feita na secretaria da Paróquia, de terça à sexta, das 08h às 12h e de 14h às 17h, pelo próprio aluno ou responsável legal. As aulas terão início dia 12 de fevereiro de 2014.

Valor por módulo: R$ 80,00

Salão paroquial da Igreja Nossa Senhora das Candeias
Av. Ulisses Montarroyos, nº 6375 – Candeias – Jaboatão dos Guararapes/PE.
Módulo: Introdução a Teologia e Teologia Fundamental
Horário: 19h30 às 22h00 - 4ªs Feiras
INÍCIO: 12/01/2014
TÉRMINO: 23/04/2014

Módulo: Introdução aos Sacramentos ( Batismo e Confirmação )
Horário: 19h30 às 22h00 - 5ªs Feiras
INÍCIO: 13/01/2014
TÉRMINO: 24/04/2014

Informações e inscrições na Secretaria Paroquial
Horário do expediente paroquial
Terça a sexta: das 8h às 12h e das 14h às 16h30
Sábado: 8h às11:30

Evangelho do Dia

Ano C - 06 de fevereiro de 2014

Marcos 6,7-13

Aleluia, aleluia, aleluia.
Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o reino de Deus está chegado! (Mc 1,15)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
6 7 Então, Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.
8 Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;
9 como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.
10 E disse-lhes: “Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali.
11 Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele”.
12 Eles partiram e pregaram a penitência.
13 Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
PREGAR NA POBREZA
Quando Jesus enviou seus discípulos para anunciar o evangelho do Reino, ordenou-lhe pregar na pobreza. Só lhes foi permitido levar um simples bastão, talvez para se protegerem de animais ferozes, e calçar sandálias, por causa das longas caminhadas. Tudo mais se reduzia às roupas do corpo. Por que tanto rigor da parte de Jesus?
Agindo assim, os apóstolos não corriam o risco de atrair gente por motivos alheios à proposta do Reino. Seria inútil recorrer aos apóstolos esperando encontrar o que não fosse estritamente a palavra de Deus e seu apelo de conversão. Por outro lado, os apóstolos ficavam livres da tentação de atrair discípulos para si mesmos, esquecendo de que sua missão era a de fazer discípulos para o Senhor. Os apóstolos, pregando na pobreza, eram forçados a se entregarem totalmente à providência de Deus. Ela não haveria de permitir que lhes faltasse pão, nem o necessário para a sobrevivência. Esta dependência da caridade alheia, porém, não podia por em questão a gratuidade do ministério dos apóstolos. Esses não pregavam, com espírito venal, pensando em tirar partido e obter proveitos. E, sim, desempenhavam sua função de maneira desinteressada, deixando à providência a questão do próprio sustento.
Apesar de sua opção pelo despojamento, os discípulos deveriam manter no horizonte a possibilidade de serem rejeitados. Nem por isso estariam dispensados da missão.

Oração
Senhor Jesus, ajuda-me a compreender a importância de anunciar o teu Reino, na pobreza, entregue totalmente nas mãos da tua providência.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
1 Reis 2,1-4.10-12
Leitura do primeiro livro dos Reis.
2 1 Aproximando-se o fim de Davi, deu ele ao seu filho Salomão as suas (últimas) instruções:
2 “Eu me vou, disse ele, pelo caminho que segue toda a terra. Sê corajoso: porta-te como homem.
3 Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés. Desse modo serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes,
4 e o Senhor cumprirá a promessa que me fez, isto é, que eu terei sempre um de meus descendentes no trono de Israel, se meus filhos guardarem seus caminhos e andarem diante dele com fidelidade, de todo o seu coração e de toda a sua alma”.
10 Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi.
11 Reinou quarenta anos sobre Israel: sete anos em Hebron e trinta e três em Jerusalém.
12 Salomão sentou-se no trono de Davi, seu pai, e seu reino foi solidamente estabelecido.
Palavra do Senhor.
Salmo 1 Cr 29
Dominai todos os povos, ó Senhor.

Bendito sejais vós, ó Senhor Deus,
Senhor Deus de Israel, o nosso pai,
desde sempre e por toda a eternidade!

A vós pertencem a grandeza e o poder,
toda a glória, esplendor e majestade.

A vós, Senhor, também pertence a realeza,
pois sobre a terra, como rei, vos elevais!
Toda a glória e riqueza vêm de vós!

Sois o Senhor e dominais o universo,
em vossa mão se encontra a força e o poder,
em vossa mão tudo se afirma e tudo cresce!
Oração
Ó Deus, força dos santos, que em Nagasaki chamastes à verdadeira vida são Paulo Miki e seus companheiros pelo martírio da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, perseverar até a morte na fé que professamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia Diária


Dia 6 de Fevereiro - Quinta-feira

SÃO PAULO MIKI
Mártir
(Vermelho, Pref. comum ou dos mártires – Ofício da Memória)

Antífona da entrada: Alegram-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.
Oração do dia
Ó Deus, força dos santos, que em Nagasaki chamastes à verdadeira vida são Paulo Miki e seus companheiros pelo martírio da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, perseverar até a morte na fé que professamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 Reis 2,1-4.10-12)
Leitura do primeiro livro dos Reis.
2 1 Aproximando-se o fim de Davi, deu ele ao seu filho Salomão as suas (últimas) instruções:
2 “Eu me vou, disse ele, pelo caminho que segue toda a terra. Sê corajoso: porta-te como homem.
3 Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés. Desse modo serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes,
4 e o Senhor cumprirá a promessa que me fez, isto é, que eu terei sempre um de meus descendentes no trono de Israel, se meus filhos guardarem seus caminhos e andarem diante dele com fidelidade, de todo o seu coração e de toda a sua alma”.
10 Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi.
11 Reinou quarenta anos sobre Israel: sete anos em Hebron e trinta e três em Jerusalém.
12 Salomão sentou-se no trono de Davi, seu pai, e seu reino foi solidamente estabelecido.
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 1 Cr 29
Dominai todos os povos, ó Senhor.

Bendito sejais vós, ó Senhor Deus,
Senhor Deus de Israel, o nosso pai,
desde sempre e por toda a eternidade!

A vós pertencem a grandeza e o poder,
toda a glória, esplendor e majestade.

A vós, Senhor, também pertence a realeza,
pois sobre a terra, como rei, vos elevais!
Toda a glória e riqueza vêm de vós!

Sois o Senhor e dominais o universo,
em vossa mão se encontra a força e o poder,
em vossa mão tudo se afirma e tudo cresce!
Evangelho (Marcos 6,7-13)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o reino de Deus está chegado! (Mc 1,15)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
6 7 Então, Jesus chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.
8 Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;
9 como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.
10 E disse-lhes: “Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali.
11 Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele”.
12 Eles partiram e pregaram a penitência.
13 Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
PREGAR NA POBREZA
Quando Jesus enviou seus discípulos para anunciar o evangelho do Reino, ordenou-lhe pregar na pobreza. Só lhes foi permitido levar um simples bastão, talvez para se protegerem de animais ferozes, e calçar sandálias, por causa das longas caminhadas. Tudo mais se reduzia às roupas do corpo. Por que tanto rigor da parte de Jesus?
Agindo assim, os apóstolos não corriam o risco de atrair gente por motivos alheios à proposta do Reino. Seria inútil recorrer aos apóstolos esperando encontrar o que não fosse estritamente a palavra de Deus e seu apelo de conversão. Por outro lado, os apóstolos ficavam livres da tentação de atrair discípulos para si mesmos, esquecendo de que sua missão era a de fazer discípulos para o Senhor. Os apóstolos, pregando na pobreza, eram forçados a se entregarem totalmente à providência de Deus. Ela não haveria de permitir que lhes faltasse pão, nem o necessário para a sobrevivência. Esta dependência da caridade alheia, porém, não podia por em questão a gratuidade do ministério dos apóstolos. Esses não pregavam, com espírito venal, pensando em tirar partido e obter proveitos. E, sim, desempenhavam sua função de maneira desinteressada, deixando à providência a questão do próprio sustento.
Apesar de sua opção pelo despojamento, os discípulos deveriam manter no horizonte a possibilidade de serem rejeitados. Nem por isso estariam dispensados da missão.

Oração
Senhor Jesus, ajuda-me a compreender a importância de anunciar o teu Reino, na pobreza, entregue totalmente nas mãos da tua providência.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Recebei, Pai santo, as nossas oferendas na comemoração dos vossos santos mártires e dai-nos a graça de não vacilar ao proclamarmos nossa fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Fostes vós que permanecestes comigo nas minhas tribulações. E eu disponho do reino para vós, diz o Senhor. No meu reino comereis e bebereis à minha mesa (Lc 22,28ss).
Depois da comunhão
Ó Deus, que, de modo admirável, manifestastes em vossos mártires o mistério da cruz, concedei que, fortalecidos por este sacrifício, possamos seguir fielmente a Cristo e participar na Igreja da obra de salvação. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO PAULO MIKI)
Foi através do trabalho evangelizador de São Francisco Xavier, que o Japão tomou conhecimento do cristianismo, entre 1549 e 1551. A semente frutificou e, apenas algumas décadas depois, já havia pelo menos trezentos mil cristãos no Império do sol nascente. Mas se a catequese obteve êxito não foi somente pelo árduo, sério e respeitoso trabalho dos jesuítas em solo japonês. Foi também graças à coragem dos catequistas locais, como Paulo Miki e seus jovens companheiros.

Miki nasceu em 1564, era filho de pais ricos e foi educado no colégio jesuíta em Anziquiama, no Japão. A convivência do colégio logo despertou em Paulo o desejo de se juntar à Companhia de Jesus e assim o fez, tornando-se um eloqüente pregador. Ele porém, não pôde ser ordenado sacerdote no tempo correto porque não havia um bispo na região de Fusai. Mas isso não impediu que Paulo Miki continuasse sua pregação. Posteriormente tornou-se o primeiro sacerdote jesuíta em sua pátria, conquistando inúmeras conversões com humildade e paciência.

Paciência, essa que não era virtude do imperador Toyotomi Hideyoshi. Ele era simpatizante do catolicismo mas, de uma hora para outra, se tornou seu feroz opositor. Por causa da conquista da Coréia, o Japão rompeu com a Espanha em particular e com o Ocidente em geral, motivando uma perseguição contra todos os cristãos. Inclusive alguns missionários franciscanos espanhóis que tinham chegado ao Japão através das Filipinas e sido bem recebidos pelo Imperador.

Os católicos foram expulsos do país, mas muitos resistiram e ficaram. Só que a repressão não demorou. Primeiro foram presos seis franciscanos, logo depois Paulo Miki com outros dois jesuítas e dezessete leigos terciários.

Os vinte e seis cristãos sofreram terríveis humilhações e torturas públicas. Levados em cortejo de Meaco a Nagasaki foram alvo de violência e zombaria pelas ruas e estradas, enquanto seguiam para o local onde seria executada a pena de morte por crucificação. Alguns dos companheiros de Paulo Miki eram muito jovens, adolescentes ainda, mas enfrentaram a pena de morte com a mesma coragem do líder. Tomás Cozaki tinha, por exemplo, catorze anos; Antônio, treze anos e Luis Ibaraki tinha só onze anos de idade.

A elevação sobre a qual os vinte e seis heróis de Jesus Cristo receberam o martírio pela crucificação em fevereiro de 1597 ficou conhecida como Monte dos Mártires. Paulo Miki e seus companheiros foram canonizados pelo Papa Pio IX, em 1862.

Os crentes se dispersaram para escapar dos massacres e um bom número deles se estabeleceu ao longo do rio Urakami, nas proximidades de Nagasaki. Lá eles continuaram a viver sua fé, apesar da ausência de padres. A partir do momento em que o Japão se abriu novamente aos europeus, os missionários voltaram e as igrejas voltaram a ser construídas, inclusive em Nagasaki, a poucos quilômetros da comunidade cristã clandestina. Ela havia perdido todo contato com a Igreja Católica, mas guardava preciosamente três critérios de reconhecimento recebidos dos ancestrais: "Quando a Igreja voltar ao Japão, vocês a reconhecerão por três sinais: os padres não são casados, haverá uma imagem de Maria e esta Igreja obedecerá ao papa-sama, isto é, ao Bispo de Roma". E foi assim que aconteceu dois séculos e meio depois, quando os cristãos do Império do sol nascente puderam se reencontrar com sua Santa Mãe, a Igreja. 

A face humana e transparente da Igreja

O encantamento por Francisco acontece, sobretudo, ao revelar a face humana e divina da Igreja.


Papa entre cardeais da Cúria Romana: a face humana da Igreja. (Foto: AFP)
Por Dom Genival Saraiva*

A Igreja Católica é divina em sua origem, uma vez que Jesus Cristo é seu fundador, diferentemente de outras igrejas e até mesmo de religiões que têm fundadores humanos. Não há como não se identificar essa marca diferencial, no olhar de um simples fiel ou numa investigação criteriosa de um concentrado pesquisador.

Como as demais, a Igreja Católica também é humana, enquanto é constituída de pessoas. Dessa maneira, nela se revelam, visivelmente, sua natureza divina e sua face humana. Por isso, é "santa e pecadora", como reconhece e proclama a assembleia cristã quando se coloca em atitude de oração. Dado o seu caráter institucional, a Igreja se rege por disposições canônicas que contemplam estruturas, pessoas e ofícios.

Na ordem institucional, o olhar administrativo identifica, na Igreja, a Cúria Romana, Congregações, Conselhos Pontifícios e outros Organismos. Como, porém, a Igreja não é apenas o Vaticano, por estar espalhada pelo mundo, há Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Administrações Apostólicas, Províncias Eclesiásticas, Conferências Episcopais e outros entes eclesiásticos, com as atribuições canônica e pastoralmente previstas.

Como é óbvio, as instituições não subsistem sem as pessoas. Na realidade, não há uma instituição onde não haja pessoas, em seu respectivo lugar e com sua respectiva função/missão. Desse modo, estão à frente da Igreja e de seus organismos o papa, cardeais, arcebispos, bispos, religiosos e leigos, conforme com seus devidos ofícios.

A sociedade e o próprio universo eclesiástico acompanham com atenção e interesse o Pontificado do papa Francisco, a partir de algumas sinalizações que apontam a sua direção e de algumas intervenções que já evidenciam a sua linha de ação. Muitas dessas ações dizem respeito à vida interna da Igreja e, assim, poderiam passar desapercebidamente perante a sociedade; no entanto, não é isso que se constata.

Nessa matéria, há expectativas e esperanças, uma vez que a palavra da Igreja, por mandado de Jesus, tem o mundo como destinação e, consequentemente, sua ação não se restringe aos muros de sua administração. A Igreja Católica, pelas pessoas e estruturas que constituem o seu corpo e revelam a sua “alma”, fala sempre ao coração da humanidade e ora o faz positivamente, ora negativamente.

Sem dúvida, o ministério do papa Francisco está contribuindo para que a Igreja tenha uma face transparente, perante si e perante o mundo, a fim de chegar àquele estado de aperfeiçoamento concebido por São Paulo - uma Igreja “toda bela, sem mancha sem ruga ou qualquer reparo, mas santa e sem defeito.” (Ef 5,27). Essa busca de transparência começa pela determinação do papa de enfrentar a realidade de fatos que provocam “fratura exposta” na Igreja, em razão da conduta inadequada de alguns de seus membros, no exercício de ofício ministerial ou no desempenho de atividade profissional.

Todavia, o encantamento da população pelo papa Francisco acontece, sobretudo, ao revelar a face humana e divina da Igreja em pessoas, de níveis sociais diversos, que se dedicam aos seus irmãos, diante de suas reais necessidades.
CNBB, 04-02-2014.
*Dom Genival Saraiva é bispo de Palmares (PE).