sábado, 15 de fevereiro de 2014

Uma igreja e dois papas


Era uma segunda-feira de Carnaval, oito horas da manhã e eu dormia em Petrópolis, Estado do Rio. Fui acordada pelo telefonema da jornalista que me pedia para falar sobre a renúncia do Papa.  Ao perguntar “que papa?”, ela viu que eu ignorava ainda a notícia e disse que telefonaria depois.  Liguei a televisão e fui submergida em espanto: Bento XVI havia renunciado.  E dia 11 de fevereiro  fez um ano que isto aconteceu.

Imediatamente senti que aquilo era algo positivo, e que havia a mão de Deus por trás do gesto do Papa.  As opiniões em volta não podiam ser mais contraditórias.  Muitos se encontravam chocados.  Nunca se havia visto tal coisa: um Papa renunciar.  A insegurança se apoderava das pessoas.  E o mundo, que até então ia progressivamente deixando de prestar atenção à muito antiga instituição chamada Igreja Católica, agora voltava atento seus olhos para Roma.
          

Depois disso foi o que se sabe e o que se viu.  As semanas do Conclave e a Igreja Católica ocupava as manchetes da principal mídia todos os dias.  Nunca menos de quatro páginas, podendo chegar a doze.  Um desmentido rotundo à profecia de que a religião não interessa a mais ninguém, que perdeu seu papel na sociedade etc. E depois veio o -  primeiro, suave e depois fortíssimo -  “ boom” Francisco, de cujos efeitos vivemos até hoje.

A figura do intelectual refinado Bento XVI, que ocupava o centro do mundo eclesial foi conhecendo um lento e suave “fading out”.  Conforme suas próprias declarações ao despedir-se de Roma e da Sé de Pedro, o Papa Bento faz agora, nesta fase final de sua vida, aquilo de que mais gosta: rezar e dedicar-se ao estudo da teologia e à música.  Os que conhecem o estilo do Papa Emérito sabem da influência beneditina sobre sua espiritualidade.  Na verdade, Bento XVI sempre foi um monge, e isso o aproxima de um seu antigo predecessor, o único Papa na história da Igreja Católica que renunciou ao mandato antes que este chegasse ao fim: Celestino V. Tinha tal nostalgia da vida monástica que não suportou o papado. Parece que isso aconteceu outra vez há um ano.

Levando vida monástica, Bento XVI vive retirado, não interfere no pontificado de Francisco, embora se diga que este o consulta repetidas vezes sobre muitos assuntos.  Mas parece que efetivamente faz o que prometeu: dedicar-se à oração, ao estudo e à música.  E no centro de suas preces certamente estão a Igreja e seu successor, Jorge Mario Bergoglio, primeiro papa latino-americano e jesuíta.

Enquanto isso, Francisco no para.  Tanto que é difícil acompanhá-lo. A cada dia uma novidade, uma surpresa, uma ideia.  E o mundo o segue encantado.  Mudou a imagem da Igreja não em meses, mas em dias.  E caminha para o primeiro aniversário de seu pontificado com a popularidade certamente em alta, apesar de, evidentemente, contar com alguns opositores. Não chegam a atrapalhá-lo.  O Papa que veio do fim do mundo é firme e resistente.  E tem treino missionário dos bons, ótimos.  É difícil abalá-lo e quebrar seu sorriso e sua energia.

E é providencial que assim aconteça: é muito o trabalho que tem pela frente.  E todo esse imenso trabalho, tão necessário, indispensável mesmo,  Bento XVI viu que não podia realizar.  E em vez de aferrar-se ao cargo e continuar, teve a nobreza, a coragem, a imensa estatura espiritual de renunciar, afastar-se, deixar o espaço para outro.  Raras vezes se viu tamanho gesto de desprendimento pessoal e amor à Igreja.  E esta deverá sempre ser grata a este Papa, que sofreu tanto em seus poucos anos de pontificado e o terminou com um gesto tão belo e evangélico, abrindo um precedente que poderá aproximar muito mais a Igreja do sonho de Jesus e de Deus seu Pai: não ser lugar de poder, mas de serviço.

Hoje, o Papa Francisco pediu orações por seu antecessor.  É evidente que todos nos animaremos a atendê-lo.  Devemos a Bento XVI termos agora essa esperança da Igreja que sonhamos.  E sonhar esse sonho amparados por dois irmãos, dois servidores, dois pastores, dois bispos de Roma que presidem as outras igrejas na caridade.  É realmente uma enorme graça ter um papa agindo e outro orando, um papa trabalhando, viajando, e outro contemplando, um papa visível e o outro recolhido, acompanhando de longe mas tão perto.

No aniversário de sua renúncia, só podemos dizer obrigada.  Que o Senhor culmine de bênçãos  seus últimos anos e que possa ver os frutos de seu gesto de amor à Igreja de Cristo.  Amém.

Maria Clara Bingemer é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de diversos livros, entre eles, ¿Un rostro para Dios?, de 2008, e A globalização e os jesuítas, de 2007. Escreveu também vários artigos no campo da Teologia.

PROCLAMAS MATRIMONIAIS



                                                            15 e 16 de fevereiro de 2014


COM O FAVOR DE DEUS E DA SANTA MÃE A IGREJA, QUEREM SE CASAR:


·         RÔMULO PEDRO FERREIRA DA SILVA
E
LAYS MARIA RAMOS PORTELA

·         WALTER BRANDER JÚNIOR
E
                            DANIELLE DA CUNHA AMARAL LIMA

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Camisas estão sendo vendidas na Estação Central do metrô e no Polo Pina


1525612_576804152396593_232356627_nDesta quinta-feira, 13, até o próximo sábado usuários do metrô poderão adquirir a camisa para o Show da Esperança, na Estação Central do Recife. O espaço montado no local deve facilitar a vida de milhares de trabalhadores e estudantes que utilizam o transporte e que ainda não compraram a camisa. A partir desta sexta-feira, 14, um estande também será instalado no Polo Pina, onde acontecerá o 1º Evangelizar é preciso Recife – Show da Esperança.
Nos novos pontos, católicos ou não que queiram vestir a causa do combate às drogas encontrarão camisas de todos os tamanhos (P, M, G e XG) ao preço de R$20. Tudo que for arrecadado será revertido para a construção da primeira Fazenda da Esperança da Arquidiocese de Olinda e Recife, que deverá começar já em março. As camisas também estão á venda nas 115 paróquias da arquidiocese, nas livrarias católicas, nos shoppings do Recife e na Casa da Juventude Padre Antônio Henrique, nas Graças.
Show – No dia 15 de fevereiro, um mar de esperança e solidariedade tomará conta das areias do Polo Pina. Milhares de pessoas sensíveis à causa participarão dos shows e da Missa. O evento terá início às 14h com atrações locais. Entre eles padre João Carlos, frei Damião Silva, DJ Angelus, Cristina Amaral e Nando Cordel. Em seguida, Dom Fernando Saburido presidirá a Concelebração Eucarística. Encerrando o 1º Evangelizar é preciso Recife – Show da Esperança, o padre Reginaldo Manzotti cantará seus maiores sucessos.
Doações – As pessoas podem contribuir ainda durante a coleta realizada na Celebração Eucarística. Outra opção é através de depósito bancário na conta da Fazenda.
Banco do Brasil
Agência: 3108-9
Conta Corrente: 32892-8
Da Assessoria de Comunicação AOR

Vou para servir à Igreja e ao mundo inteiro, diz Dom Orani


dom oraniO consistório em que Dom Orani será criado cardeal está marcado para o dia 22, mas o arcebispo do Rio chegará antes ao Vaticano para participar de outros compromissos.
Na quarta-feira ele e os outros novos cardeais se reúnem com o Santo Padre em uma audiência geral. A programação inclui ainda dois dias de retiro antes do consistório. Já como cardeal, Dom Orani também vai participar de duas Missas, nas Basílicas de São Pedro e São Sebastião.
“Eu vou com o coração aberto para servir a Igreja, e sabendo que, ao servir a Igreja, eu sou chamado a servir também o mundo inteiro e ao Santo Padre. Além de ser aquele que está a frente da Igreja Católica. E ao mesmo tempo, pedindo a Deus que me capacite para fazê-lo da melhor maneira possível”, disse Dom Orani.
Em meio as expectativas, Dom Orani ja sabe como será chamado quando retornar ao Brasil…
“Cardeal João Orani Tempesta. Quando assina coloca Orani João Cardeal Tempesta, porque o sobrenome que é Tempesta. Essa é a forma que, pelo menos até agora, como marinheiro de primeira viagem, que eu sei”.
O Rio de Janeiro foi a primeira sede cardinalícia do Brasil com a nomeação de Dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti em 1905. Pela arquidiocese ainda passaram os cardeais Dom Eugênio Sales e Dom Eusebio Scheid.
A viagem de Dom Orani ao Vaticano não é a unica novidade para a arquidiocese do Rio. O bispo auxiliar, Dom Nelson Francelino, foi nomeado pelo Papa Francisco o novo bispo diocesano de Valença, no sul do estado”.
Além de bispo auxiliar, Dom Nelson atuava também como pároco na Paróquia Nossa Senhora de Copacabana, zona sul da cidade. A posse esta marcada para 5 de abril em uma Missa na Catedral de Nossa Senhora da Glória, em Valença.
“Eu sei da importância da Diocese de Valença, uma diocese que, na história do Brasil, tem um papel determinante no ciclo do café. Tem quase 90 anos de fundação essa diocese, passaram grandes bispos, grandes nomes por lá, e deixaram lá, com certeza, uma obra bem plantada, bem cuidada”, destacou Dom Nelson.
O Papa também nomeou o padre Antônio Carlos Cruz Santos, de 52 anos, como bispo da Diocese de Caicó (RN). Provincial dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, em Juiz de Fora (MG), padre Antônio Carlos é carioca e foi ordenado sacerdote em 12 de dezembro de 1992.
Fonte: Canção Nova

"O cristão é sempre cordeiro. Não deve ceder à tentação de ser lobo", afirma o Papa




Cidade do Vaticano (RV) – O cristão nunca fica parado, caminha sempre além das dificuldades. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa falou da identidade do cristão, inspirando-se nos santos padroeiros da Europa, Cirilo e Metódio, que a liturgia celebra esta sexta-feira. Francisco recordou que o Senhor envia os seus discípulos para que eles prossigam sempre avante. “E isso – observou – significa que o cristão é um discípulo do Senhor que caminha”:

Não se pode pensar num cristão parado: um cristão assim está doente na sua identidade cristã. O cristão é discípulo para caminhar, para ir. É aquilo que o Senhor nos pede: Ide e proclamai o Evangelho. Ir. Caminhar. Eis que a primeira atitude da identidade cristã é caminhar, e caminhar mesmo em meios às dificuldades, ir além das dificuldades.

Um segundo aspecto da identidade do cristão é permanecer sempre “cordeiro”. “O Senhor nos manda como cordeiros em meio aos lobos”, disse o Papa, advertindo que contra eles não se deve usar a força, mas fazer como fez Davi, que usou uma brecha e venceu a batalha:

Como cordeiros... Não se tornar lobos… Porque, às vezes, a tentação nos faz pensar: ‘Mas isso é difícil, esses lobos são astutos e eu serei mais astuto do que eles, eh?’. Cordeiro. Não tolo, mas cordeiro. Com a astúcia cristã, mas sempre cordeiro. Porque se você é cordeiro, Ele o defende. Mas se você se sente forte como um lobo, Ele não o defende, o deixa só, e os lobos o devorarão. Como cordeiro.
O terceiro aspecto desta identidade, disse, é o “estilo do cristão”, que é a “alegria”. Os cristãos são pessoas que exultam porque conhecem e carregam o Senhor. Mesmo “nos problemas, inclusive nas dificuldades, mesmo nos próprios erros e pecados – reiterou o Papa – há a alegria de Jesus, que sempre perdoa e ajuda”. O Evangelho então “deve ir na frente, levado por esses cordeiros enviados pelo Senhor que caminham, com alegria”:

Esses cristãos que vivem assim, sempre se lamentando, num estado de lamentação contínua, sempre tristes, não fazem um favor nem ao Senhor nem à Igreja. Este não é o estilo do discípulo. Santo Agostinho diz aos cristãos: ‘Vá avante, canta e caminha!’. Com a alegria: este é o estilo do cristão. Anunciar o Evangelho com alegria. E o Senhor faz tudo. Ao invés, a demasiada tristeza e também a amargura nos levam a viver um cristianismo sem Cristo: a Cruz esvazia os cristãos que estão diante do Sepulcro chorando, como Madalena, mas sem a alegria de ter encontrado o Ressuscitado.
O Senhor, concluiu o Papa, “por intercessão desses dois irmãos santos, padroeiros da Europa, nos conceda a graça de viver como cristãos que caminham como cordeiros e com alegria”.



Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano

Evangelho do Dia

Ano A - 14 de fevereiro de 2014

Marcos 7,31-37

Aleluia, aleluia, aleluia.
Abri-nos, ó Senhor, o coração para ouvirmos a palavra de Jesus! (At 16,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
7 31 Jesus deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole.
32 Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão.
33 Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva.
34 E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: “Éfeta!”, que quer dizer “abre-te!”
35 No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente.
36 Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam.
37 E tanto mais se admiravam, dizendo: “Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!”
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
ABRE-TE!
A cura do surdo-mudo teve um valor emblemático no ministério de Jesus. Sua dupla deficiência o mantinha fechado em seu mundo e o impossibilitava de se comunicar e deixar transbordar a vida trazida dentro de si. Além disso, era vítima do preconceito que via na sua limitação física um castigo por causa de eventuais pecados do passado. A marginalização social, portanto, agravava ainda mais sua situação.
A ordem peremptória dada por Jesus - Abre-te - assumiu uma ampla dimensão. Ela possibilitou ao deficiente poder expressar-se e comunicar-se normalmente. Uma barreira era posta abaixo e sua riqueza interior podia agora ser partilhada. Porém, não foi menos importante terem caído as barreiras sociais e serem eliminados os preconceitos que padecia. Doravante, sua condição de ser humano podia se expressar de maneira plena.
Este milagre de Jesus evocou antigas profecias, segundo as quais o Messias esperado faria os mudos falarem e os surdos ouvirem. Ele os reintegraria na convivência humana, tirando-os da exclusão social. Temendo conclusões apressadas, Jesus ordenou não tornarem público o sucedido. Sua ordem foi inútil. Quanto mais proibia, tanto mais proclamavam seu feito extraordinário. Jesus, porém, não se deixava levar pela vaidade humana. E não tinha dúvidas quanto à sorte que o esperava.

Oração
Senhor Jesus, abre meu coração e minha mente, para que eu possa realizar plenamente minha vocação de discípulo do Reino.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
1 Reis 11,29-32;12,19
Leitura do primeiro livro dos Reis.
11 29 E aconteceu que um dia, saindo Jeroboão de Jerusalém, encontrou-se em caminho com o profeta Aías de Silo, vestido com um manto novo. Estavam os dois sós no campo.
30 Então Aías, tomando o manto novo que trazia, rasgou-o em doze pedaços.
31 “Toma para ti dez pedaços, disse ele a Jeroboão, pois isto diz o Senhor, Deus de Israel: Vou arrancar o reino das mãos de Salomão, e dar-te-ei dez tribos.
32 Mas, em atenção ao meu servo Davi e à cidade de Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, ficar-lhe-á ainda uma tribo”.
12 19 Desse modo, separou-se Israel da casa de Davi até o dia de hoje.
Palavra do Senhor.
Salmo 80/81
Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

Em teu meio não exista um deus estranho
nem adores a um deus desconhecido!
Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor,
que da terra do Egito te arranquei.

Mas meu povo não ouviu a minha voz,
Israel não quis saber de obedecer-me.
Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos,
abondonei-os ao seu duro coração.

Quem me dera que meu povo me escutasse!
Que Israel andasse sempre em meus caminhos!
Seus inimigos, sem demora, humilharia
e voltaria minha mão contra o opressor.
Oração
Ó Deus, pelos dois irmãos Cirilo e Metódio, levastes a luz do Evangelho aos povos eslavos; daí-nos acolher no coração a vossa palavra e fazei de nós um povo unido na verdadeira fé e no fiel testemunho do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia Diária

Dia 14 de Fevereiro - Sexta-feira

SANTOS CIRILO E METÓDIO
Monge e Bispo
(Branco, Pref. Comum ou dos pastores – Ofício da memória)

Antífona da entrada: Minhas palavras que coloquei em tua boca, diz o Senhor, não se afastarão jamais de teus lábios; e tuas oferendas serão aceitas em meu altar (Is 59,21;56,7)
Oração do dia
Ó Deus, pelos dois irmãos Cirilo e Metódio, levastes a luz do Evangelho aos povos eslavos; daí-nos acolher no coração a vossa palavra e fazei de nós um povo unido na verdadeira fé e no fiel testemunho do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 Reis 11,29-32;12,19)
Leitura do primeiro livro dos Reis.
11 29 E aconteceu que um dia, saindo Jeroboão de Jerusalém, encontrou-se em caminho com o profeta Aías de Silo, vestido com um manto novo. Estavam os dois sós no campo.
30 Então Aías, tomando o manto novo que trazia, rasgou-o em doze pedaços.
31 “Toma para ti dez pedaços, disse ele a Jeroboão, pois isto diz o Senhor, Deus de Israel: Vou arrancar o reino das mãos de Salomão, e dar-te-ei dez tribos.
32 Mas, em atenção ao meu servo Davi e à cidade de Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, ficar-lhe-á ainda uma tribo”.
12 19 Desse modo, separou-se Israel da casa de Davi até o dia de hoje.
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 80/81
Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

Em teu meio não exista um deus estranho
nem adores a um deus desconhecido!
Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor,
que da terra do Egito te arranquei.

Mas meu povo não ouviu a minha voz,
Israel não quis saber de obedecer-me.
Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos,
abondonei-os ao seu duro coração.

Quem me dera que meu povo me escutasse!
Que Israel andasse sempre em meus caminhos!
Seus inimigos, sem demora, humilharia
e voltaria minha mão contra o opressor.
Evangelho (Marcos 7,31-37)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Abri-nos, ó Senhor, o coração para ouvirmos a palavra de Jesus! (At 16,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
7 31 Jesus deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole.
32 Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão.
33 Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva.
34 E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: “Éfeta!”, que quer dizer “abre-te!”
35 No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente.
36 Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam.
37 E tanto mais se admiravam, dizendo: “Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!”
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
ABRE-TE!
A cura do surdo-mudo teve um valor emblemático no ministério de Jesus. Sua dupla deficiência o mantinha fechado em seu mundo e o impossibilitava de se comunicar e deixar transbordar a vida trazida dentro de si. Além disso, era vítima do preconceito que via na sua limitação física um castigo por causa de eventuais pecados do passado. A marginalização social, portanto, agravava ainda mais sua situação.
A ordem peremptória dada por Jesus - Abre-te - assumiu uma ampla dimensão. Ela possibilitou ao deficiente poder expressar-se e comunicar-se normalmente. Uma barreira era posta abaixo e sua riqueza interior podia agora ser partilhada. Porém, não foi menos importante terem caído as barreiras sociais e serem eliminados os preconceitos que padecia. Doravante, sua condição de ser humano podia se expressar de maneira plena.
Este milagre de Jesus evocou antigas profecias, segundo as quais o Messias esperado faria os mudos falarem e os surdos ouvirem. Ele os reintegraria na convivência humana, tirando-os da exclusão social. Temendo conclusões apressadas, Jesus ordenou não tornarem público o sucedido. Sua ordem foi inútil. Quanto mais proibia, tanto mais proclamavam seu feito extraordinário. Jesus, porém, não se deixava levar pela vaidade humana. E não tinha dúvidas quanto à sorte que o esperava.

Oração
Senhor Jesus, abre meu coração e minha mente, para que eu possa realizar plenamente minha vocação de discípulo do Reino.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Dignai-vos, ó Deus todo-poderoso, impregnar com as bênçãos celestes estas oferendas de vosso povo, que vos apresentamos na festa de são Cirilo e são Metódio. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: O Filho do homem veio dar a sua vida para a salvação de todos (Mc 10,45).
Depois da comunhão
Alegrando-nos na festa de são Cirilo e são Metódio, recebemos, ó Pai, o penhor da salvação; fazei que ele nos ajude na vida presente e nos conduza à vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTOS CIRILO E METÓDIO)
São Cirilo
Constantino nasceu em 826 na Tessalonica, atualmente Salonico,Grécia. Seu pai era Leão, um rico juiz grego, que teve sete filhos. Constantino o caçula e Miguel o mais velho, que mudaram o nome para Cirilo e Metódio respectivamente, ao abraçarem a vida religiosa.

Cirilo tinha catorze anos quando o pai faleceu. Um amigo da família, professor Fócio, que mais tarde ajudou seu irmão acusado de heresia, assumiu a educação dos órfãos em Constantinopla, capital do Império Bizantino. Cirilo aproveitou para aprender línguas, literatura, geometria, dialética e filosofia. De inteligência brilhante, se formou em tudo.

Rejeitando um casamento vantajoso, ingressou para a vida espiritual, fazendo votos particulares, se tornou bibliotecário do ex-patriarca. Em seguida foi cartorário e recebeu o diaconato. Mas sentiu necessidade de se afastar, indo para um mosteiro, em Bosforo. Seis meses depois foi descoberto e designado para lecionar filosofia. Em seguida, convocado como diplomata para a polemica questão sobre o culto das imagens junto ao ex-patriarca João VII, o Gramático. Depois foi resolver outra questão delicada junto aos árabes sarracenos que tratava da Santíssima Trindade. Obteve sucesso em ambas.

Seu irmão mais velho, que era o prefeito de Constantinopla, abandonou tudo para se dedicar à vida religiosa. Em 861, Cirilo foi se juntar a ele, numa missão evangelizadora, a pedido do imperador Miguel III, para atender o rei da Morávia. Este rei precisava de missionários que conhecessem a língua eslava, pois queria que o povo aprendesse corretamente a religião. Os irmãos foram para Querson aprender hebraico e samaritano.

Nesta ocasião, Cirilo encontrou um corpo boiando, que reconheceu ser o papa Clemente I, que tinha sido exilado de Roma e atirado ao mar. Conservaram as relíquias numa urna, que depois da missão foi entregue em Roma. Assim, Cirilo continuou estudando o idioma e criou um alfabeto, chamado "cirílico", hoje conhecido por "russo". Traduziu a Bíblia, os Livros Sagrados e os missais, para esse dialeto. Alfabetizou a equipe dos padres missionários, que começou a evangelizar, alfabetizar e celebrar as missas em eslavo.

Isto gerou uma grande divergência no meio eclesiástico, pois os ritos eram realizados em grego ou latim, apenas. Iniciando o cisma da Igreja, que foi combatido pelo então patriarca Fócio com o reforço de seu irmão. Os dois foram chamados por Roma, onde o papa Adriano II, solenemente recebeu as relíquias de São Clemente, que eles transportavam. Conseguiram o apoio do Sumo Pontífice, que aprovava a evangelização e tiveram os Livros traduzidos abençoados.

Mas, Cirilo que estava doente, piorou. Pressentido sua morte, tomou o hábito definitivo de monge e o nome de Cirilo, cinqüenta dias depois, faleceu em Roma no dia 14 de fevereiro de 868. A celebração fúnebre foi rezada na língua eslava, pelo papa Adriano II, sendo sepultado com grande solenidade na igreja de São Clemente. Cirilo e Metódio foram declarados pela Igreja como "apóstolos dos eslavos". O papa João Paulo II, em 1980, os proclamou junto com São Bento de "Patronos da Europa".

São Metódio
Miguel, primogênito dos sete filhos do juiz grego Leão, nasceu em 814 na Tessalonica, atual Salonico, Grécia. Tinha vinte e seis anos e era prefeito de Constantinopla, capital do Império Bizantino, quando seu pai morreu. Irmão de Constantino, foi aluno de Fócio, que assumiu a educação dos órfãos. Miguel e Constantino mudaram o nome para Metódio e Cirilo, ao se consagrarem sacerdotes.

Com a morte do pai, em 840, abandonou tudo e se recolheu no convento de Policron, no monte Olímpio, e se fez monge. Foi o imperador Miguel III quem o convocou para a missão evangelizadora da Morávia, da qual participou também seu irmão. Depois os dois foram para Roma, onde Cirilo, doente, acabou falecendo.

Metódio foi ordenado sacerdote pelo papa AdrianoII em 868 e, depois da cerimônia do sepultamento do irmão, foi nomeado delegado apostólico, consagrado bispo, e estabelecido como arcebispo para a Iugoslávia e Morávia. Uma carta, que o credenciava junto aos principados eslavos, continha a aprovação sem reservas para a liturgia na língua eslava.

Os acontecimentos políticos impediram que Metódio retornasse a Morávia. Ficou, então nos domínios do principado iugoslavo, que tinham sido evangelizados até Áustria. Alí foram inevitáveis os desencontros entre o clero latino e o novo clero eslavo. Inclusive, Metódio foi preso, traído diante do concílio de Ratisbona e condenado ao exílio na Suécia.
O então papa João VIII, em 878, interveio energicamente e ele foi solto, mas reprovou as suas novidades lingüísticas na liturgia. Porém, Metódio, estava fortalecido pela aprovação do papa anterior, podendo dar continuidade à evangelização iniciada. Depois de um ano de tranqüilidade, novos protestos se elevaram contra ele, sendo acusado de heresia.

Convocado a se apresentar em Roma pelo papa João VIII, não só se justificou como o convenceu a lhe dar seu apoio. Com uma carta oficial da Santa Sé, ele foi confirmado nas funções, e autorizado a usar o eslavo na liturgia, mas pedindo que o Evangelho fosse lido em latim antes que em eslavo. Porém o imperador germânico preferia outro bispo, que celebrava a liturgia em latim. A confusão estava formada. Tudo se complicou quando surgiu uma falsa carta do papa, que dizia o oposto da anterior apresentada por Metódio.

Em 881 a Santa Sé, negou formalmente a falsa carta. Mas isto não pôs fim à dificuldade, o clero alemão continuou sua oposição. Nesta época, Metódio, foi para Constantinopla a convite do imperador, para se juntar ao então patriarca Fócio, seu antigo professor e amigo da família. Assim, continuou com seus discípulos o seu apostolado e a tradução da Bíblia e dos Livros Litúrgicos a quem precisasse.

Morreu em 6 de abril de 885 em Velehrad, Tchecoslováquia, onde foi sepultado na igreja da Catedral. Atualmente se ignora o local exato onde foram colocadas suas relíquias. Metódio e Cirilo são considerados pela Igreja como "apóstolos dos eslavos" e venerados no dia 14 de fevereiro, dia da morte de Cirilo. Em 1980, o papa João Paulo II os proclamou "Patronos da Europa" ao lado de São Bento.