quinta-feira, 20 de março de 2014

A canonização do papa da bondade


Pense num papa extraordinário e, ao mesmo tempo, surpreendente. Eis o papa João XXIII.
Por Geovane Saraiva*

No dizer do papa Francisco, a "boa nova da salvação é uma pessoa: Jesus de Nazaré", que o papa João XXIII tinha na mente e no coração, ao assumir a mais elevada função da Igreja Católica, aos 28 de outubro de 1958, o qual logo veio com a grande e surpreendente inspiração, que indelevelmente marcou o Século XX, a de convocar em 1959 o Concílio Vaticano II. Sua realização se deu de (1962-1965). Foi um sopro do Espírito Santo de Deus a penetrar e ecoar, alegremente, no mundo inteiro.

Chegou numa hora certa e oportuna, porque a Igreja precisava, sem dúvida, perceber os sinais dos tempos, necessitava de uma renovação, de um rejuvenescimento, o “aggiornamento”, assim chamado pelo o povo italiano. Foi um acontecimento tão profundo, tão rico e precioso, desejando a Igreja, na feliz iniciativa do Romano Pontífice, esposa de Cristo, como era chamado, usar de novos meios e novos métodos – uma nova pedagogia: “O remédio do perdão e da misericórdia e não o da severidade”, no dizer do Papa.

Na mensagem aos padres conciliares (20/10/1962), o papa João XXIII, conhecido como o papa da “bondade”, anunciou: “Procuremos apresentar aos homens do nosso tempo, íntegra e pura, a verdade de Deus de tal maneira que eles a possam compreender (...)”. Pense num papa extraordinário e, ao mesmo tempo, surpreendente: amigo de todos e com um carinho todo particular para com as crianças, chegando a dizer aos padres conciliares: “Quando vocês voltarem para casa encontrarão crianças. Deem a elas um carinho e digam: este é o carinho do Papa”.

Ele morreu no dia 3 de junho de 1963, terminada a primeira sessão conciliar. Veio em seguida o Papa Paulo VI para continuar os trabalhos do “Papa bom”. No seu discurso de abertura da segunda sessão (29/9/1963), fez questão de reafirmar a finalidade pastoral do Concílio Vaticano II, com as mesmas palavras de seu predecessor. Depois de tudo concluído ele disse palavras belíssimas: “Para que foi celebrado um Concílio? Para despertar, para renovar, para modernizar, para intensificar, para dilatar a vida da Igreja (...). De fato nós observamos, felizmente, e disto damos graças a Deus de todo coração, que toda a Igreja está em fermentação” (Paulo VI, 7/9/1966).

O Concílio Vaticano II quis acentuar que a Igreja é ação, é acima de tudo obra do Espírito Santo, com uma energia divina profundamente trabalhada por dentro, passando de uma Igreja-Instituição, de uma Igreja Sociedade Perfeita, para uma Igreja Comunidade, inserida no mundo e a serviço do Reino de Deus; de uma Igreja poder para uma Igreja pobre, despojada, peregrina; de uma Igreja autoridade para uma Igreja serva, servidora e toda ministerial; de uma Igreja piramidal para uma Igreja-povo; de uma Igreja pura e sem mancha para uma Igreja santa e pecadora, sempre necessitada de conversão e de reforma; de uma Igreja cristandade para uma Igreja Comunhão e Missão, uma Igreja toda missionária (Cardeal Lorscheider).

O Concílio reafirmou evidentemente que a Igreja é Mãe e deseja com empenho cuidar da reforma geral da Sagrada Liturgia, a fim de que o povo cristão consiga perceber com mais segurança e graças abundantes, através do emprego da língua vernácula, hoje tão útil e imprescindível ao povo. Os fiéis são favorecidos com lugares e ambientes mais amplos, principalmente para as leituras e admoestações, também em algumas orações e cânticos... (cf. SC, 579). A criatura humana se abre para Deus e o reconhece como Pai, doador de todos os dons, favores e benefícios recebidos.

A liturgia é a fonte da vida da Igreja. É a celebração do sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, no altar, pelo ministério do sacerdote. É ação do povo e em favor do povo. Daí as iniciativas surgidas, muito a enriquecer a vida da Igreja. O grande avanço é incontestável, porque de fato, o Concílio Vaticano II renovou a liturgia da missa, modificando-a no sentido da simplificação e da participação dos fiéis e de todo povo de Deus.

De modo que precisamos sempre mais ter uma visão clara da grandeza incomensurável do Vaticano II e, ao mesmo tempo, deixar-nos guiar pelo Espírito do Senhor, para que deste modo, percebamos os sinais de Deus nesta iniciativa muito feliz e na qual dela emana até hoje. Que o nosso anseio maior seja o de conhecer sempre mais a vontade e os sinais de Deus no mundo.

Graças a Deus tivemos enormes avanços e a Igreja se empenhou fortemente em anunciar com grande esperança o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo aos homens e mulheres do nosso tempo, valorizando, as diversidades de dons, talentos e carismas, e aqui no nosso continente, com expressões, ações e gestos, indo ao encontro da nossa realidade cultural. Experimentamos e vivenciamos uma grande riqueza, a partir de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e a Conferência de Aparecida (2007). Que beleza! Que maravilha!

Daí nossa ação graças ao bom Deus pela decisão do Papa Francisco, que a exemplo do ‘papa da bondade’, quando surpreendeu o mundo, ao anunciar sua canonização juntamente com João Paulo II, no dia 27 de abril de 2014. As pessoas presentes, lá no Vaticano, irão ficar profundamente marcadas e fascinadas, pela excelsa cerimônia patrocinada pela Igreja, na sorte grandiosa em participar de um novo capítulo, na qual acumulará na sua história, através da vida destes dois homens, de importância inenarráveis, bem como na admiração que se nutre por eles, dentro do seio da Igreja e também os amigos de fora.

Temos, portanto, o grande e o maior desafio, que é acolher nos dias de hoje, o sopro do Espírito Santo de Deus, que quer de nós todos, uma convivência fraterna em relação ao mundo, a natureza e a própria humanidade, tendo diante dos nossos olhos aquele remédio que estava no coração de João XXIII, o remédio do perdão e da misericórdia.
* Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.

Secretários se reúnem para formação sobre Processo Matrimonial


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A Arquidiocese de Olinda e Recife promoveu nesta segunda-feira, 17, o 1º Encontro de Formação para os secretários (as) paroquiais de 2014. O evento foi realizado na Cúria Metropolitana no bairro das Graças, Zona Norte do Recife.
O chanceler da Cúria, padre Cícero Ferreira, ministrou a manhã de formação, que teve como tema “Processo Matrimonial”. O sacerdote apresentou por meio de slides as regras, impedimentos para a realização do processo matrimonial e tirou as dúvidas dos 68 participantes.
Clique no link para fazer o download dos slides apresentados no Encontro
Processo matrimonial religioso católico
DSC02698Padre Cícero ficou feliz pelo número de inscritos e pela participação com perguntas e exemplos práticos. “Foi importante para esclarecer a preparação do Processo de Habilitação Matrimonial ao mesmo tempo todos enriquecem com as dúvidas esclarecidas em conjunto. A Igreja tem normas a serem seguidas e quando fazemos de modo unificado facilita a vida das paróquias”, ressaltou o chanceler.
A secretária da Paróquia São José, no centro do Recife, Wilde Miguel, gostou do encontro. “Foi maravilhoso. Nós tiramos nossas dúvidas e também aprendemos com os questionamentos das outras pessoas. Queria que tivessem outros porque nós só temos a ganhar com isso”, disse Wilde.

Da Assessoria de Comunicação AOR

Papa Francisco acolhe a renúncia de Dom Genival e nomeia Bispo de Palmares


Dom genivalFoi
 comunicado na manhã desta quarta feira (19/03) no Boletim de Imprensa da Santa Sé, que o Papa Francisco acolheu o pedido de renúncia de Dom Genival Saraiva de França do ofício de Bispo da Diocese de Palmares, de acordo com os cânones 411 e 401 (Parágrafo 1o) do Código do Direito Canônico. Dom Genival completou 75 anos em abril de 2013, idade em que o bispo deve apresentar a sua renúncia.
Além de Bispo de Palmares, Dom Genival foi também Secretário do Regional Nordeste 2 e, atualmente, preside o Regional.
O Santo Padre nomeou Bispo da Diocese de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, até agora titular de Acúfida  e Bispo Auxiliar de Aracaju.
 
Bispo Henrique Soares da Costa
 
dom_henrique_3Bispo Soares da Costa, que nasceu 11 abril de 1963, na cidade de Penedo (Alagoas). Estudou Filosofia na Universidade Federal de Alagoas (1981-1983) e de teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, obtendo a licenciatura em Teologia Dogmática (1990-1994).
Em 15 de agosto de 1992, foi ordenado sacerdote e foi incardinado na Arquidiocese de Maceió, onde ele foi, então, os seguintes cargos: Seminário Arquidiocesano instrutor, professor de teologia em vários seminários e institutos, capelão do Mosteiro da Santíssima Trindade das Irmãs Servas da Santíssima Trindade de Rovigo, Vigário Episcopal para os Leigos da Arquidiocese de Maceió, Reitor da Igreja de Nossa Senhora do Livramento , em Maceió, a Canon do subsolo Catedral capítulo; Membro Suplente do Conselho de Cultura do Estado de Alagoas, Membro do Conselho Presbiteral, Chefe para os diáconos permanentes e diaconal Colégio Arquidiocesano, Coordenador da Comissão Arquidiocesana para a Educação Política.

Em 1 de abril de 2009, ele foi nomeado Bispo titular de Acúfida e bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju. Recebeu a sua consagração episcopal em 19 de junho do mesmo ano.
Fonte: CNBB NE 2

Campanha da Fraternidade será lançada na Assembleia Legislativa de Pernambuco


campanhadafraternidade2014_p_pkNesta quinta-feira (20) o legislativo pernambucano terá a oportunidade de debater a Campanha da Fraternidade de 2014, com o tema Fraternidade e Tráfico Humano e o lema É para a liberdade que Cristo nos libertou. O evento é aberto para quaisquer interessados.
O Grande Expediente Especial, de iniciativa das deputadas estaduais Teresa Leitão (PT) e Terezinha Nunes (PSDB) será às 10h, no Plenário da Assembleia Legislativa, em Recife.
O arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, estará presente na cerimônia, na qual também será divulgada mensagem do papa Francisco para a Campanha da Fraternidade e haverá uma palestra sobre o tema. Também está confirmada a presença de representantes do judiciário, das várias esferas de governo e de entidades dos direitos humanos.
O objetivo geral da Campanha da Fraternidade é identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-l como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal.
Grande Expediente Especial sobre a Campanha da Fraternidade 2014
Dia: 20 de março
Horário: 10h
Local: Plenário da Assembleia Legislativa
Rua da Aurora, s/n, Boa Vista, Recife-PE
Informações: (81) 3183.2442
Aberto ao público

Fonte: Assessoria de Comunicação da deputada Teresa Leitão

O que é a verdade e como alcançá-la na vida


Agir de forma autêntica supõe sempre mudança de mentalidade, uma nova relação com o próximo.
Por Dom Paulo Mendes Peixoto*
No dicionário, podemos encontrar que a verdade significa “estar de acordo com os fatos ou com a realidade”. Pode ser também fidelidade às origens ou a um determinado padrão. Ela aparece dentro de um sistema de valores, que não admite nenhuma mentira e tem a certeza com o critério de sua própria e real identidade.

Dizemos que Deus é a verdade absoluta e, com isso, nos damos certeza na realização de seus planos, conduzindo-nos para a chamada "terra prometida". São planos de vida verdadeira, contra a exploração e as atitudes que levam à morte. Planos de libertação e não de opressão e condenação. Construir a verdade é conquistar um mundo novo, sem mentiras e nem exploração.

A verdade é diferente de legalismo, porque não dificulta a aproximação e nem o diálogo, proporcionando possibilidades de vida comunitária. Podemos dizer que a pessoa justa é também verdadeira e, com isso, consegue amar com mais profundidade, provocando em todas as pessoas um mundo de mais esperança para o futuro.

Para se ter uma vida saudável, é necessário superar todos os tipos de escravidão, vivendo em processo de libertação constante. Acima de tudo deve estar a verdade, a identidade do cristão e do cidadão. Sabemos que não é fácil ser verdadeiro numa cultura marcada pela força da mentira, que causa desânimo nos que querem ser verdadeiros.

O itinerário da vida, com honestidade, pode causar insegurança, perigo, cansaço, tensão, mas não podemos perder a resistência e o ânimo na caminhada. Chegamos até a dizer de uma "utopia da verdade", mas deve ser sempre uma conquista. Somente a certeza da presença de Deus será capaz de nos garantir a vida assentada na verdade.

Agir de forma verdadeira e autêntica supõe sempre total mudança de mentalidade, de entrar em uma nova relação com o próximo, derrubando barreiras e diferenças e se deixando guiar pelo Espírito da verdade. Nesse contexto, a esperança não nos decepciona, porque firma os nossos passos e não nos deixa na confusão e nem desapontados, perdidos na história da vida.

CNBB, 19-03-2014.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba (MG).

segunda-feira, 10 de março de 2014

“Não dialoguemos com Satanás mas defendamo-nos com a Palavra de Deus”: Papa Francisco durante o Angelus




Hoje, primeiro domingo da Quaresma, o Papa recordou no Angelus, que o Evangelho deste dia apresenta a tentação de Jesus, quando, depois do baptismo no Rio Jordão, o Espírito Santo desceu sobre Ele, levando-O a enfrentar Satanás no deserto ao longo de quarenta dias, antes de iniciar a sua missão pública…


O tentador procura distrair Jesus do projecto do Pai, ou seja a via do sacrifício, do amor que se oferece em expiação , para o levar a empreender um caminho fácil, de sucesso, de potencia.

O Papa frisou depois que no duelo entre Jesus e Satanás nota-se o estilo espectacular e miraculístico com que Satanás tenta afastar Jesus da via da Cruz, falando-lhe de falsas promessas messiânicas, indicando-lhe vias breves de poder e domínio, em troca de uma adoração a ele. São os três grupos de tentações que nós também conhecemos disse o Papa acrescentando que Jesus não cede a essas tentações…

Jesus recusa decididamente todas essas tentações e volta a sublinhar a sua firme vontade de seguir a via estabelecida pelo Pai, sem nenhum compromisso com o pecado e com a lógica do mundo.”

O Papa fez ainda notar que contrariamente a Eva, Jesus não entra em diálogo com Satanás...

“Ele não dialoga com Satanás como fizera Eva no paraíso terrestre. Jesus sabe bem que com Satanás não se pode dialogar, porque é muito astuto. Por isso Jesus, em vez de dialogar como tinha feito Eva, prefere refugiar-se na Palavra de Deus e responder com a força dessa Palavra. Recordemo-nos disto no momento das nossas tentações: nada de argumentações com Satanás, mas sempre defendidos pela Palavra de Deus e isto nos salvará”.

Nas suas respostas – prosseguiu o Papa Francisco perante os milhares de fiéis que o escutavam na Praça de São Pedro – o Senhor recorda-nos antes de mais que não só de pão vive o homem, mas sim da Palavra de Deus que nos dá força e nos apoia na luta contra a mentalidade mundana que abaixa o homem a nível das suas necessidades primárias, desviando-o do que é belo, da fome de Deus, do amor.

E o Papa concluiu recomendando que façamos da Quaresma um tempo de conversão….

Caros irmãos, o tempo de Quaresma é uma ocasião propícia para todos nós percorrermos o caminho da conversão, confrontando-nos sinceramente com esta página do Evangelho. Renovamos as promessas do nosso Baptismo: renunciamos a Satanás e a todas as suas obras de sedução, para caminharmos nas sendas de Deus e “chegarmos à Páscoa na Alegria do Espírito”.

*

Depois da oração mariana do Angelus, o Papa saudou diversos grupos da Itália e Espanha e chamou atenção para a campanha da Caritas sobre a fome no mundo.

Durante esta Quaresma queremos recordar o convite da Caritas Iternationalis na sua campanha contra a fome no mundo”.

O Papa concluiu pedindo orações para ele e os colaboradores da Cúria Romana que neste domingo à noite iniciam a semana de Exercícios espirituais…

Desejo a todos que o caminho quaresmal há pouco iniciado seja rico de frutos; e peço orações para mim e para os colaboradores da Cúria Romana pois que esta noite iniciaremos a semana dos Exercícios espirituais. Obrigada. Bom domingo e bom prazo. Até à próxima”


Com efeito, neste domingo 9 de Março, às 18 horas, tem inicio na Casa do Divino Mestre em Arricia, arredores de Roma, os Exercícios espirituais da Cúria Romana, nas quais participam o próprio Papa. As meditações serão propostas por D. Ângelo de Donatis, Pároco na Igreja de São Marcos Evangelista junto ao Capitólio de Roma. Os Exercícios prolongam-se até 14 deste mês.
O Papa partirá de camioneta às 16 horas juntamente com 83 pessoas – referiu o porta-voz da Santa Sé, P. Federico Lombardi.

Liturgia Diária

Dia 10 de Março - Segunda-feira

I SEMANA DA QUARESMA
(Roxo – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Como os olhos dos servos estão voltados para as mãos de seu Senhor, assim os nossos para o Senhor nosso Deus, até que se compadeça de nós. Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós! (Sl 122,2s)
Oração do dia
Convertei-nos, ó Deus, nosso salvador, e, para que a celebração da Quaresma nos seja útil, iluminai-nos com a doutrina celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Levítico 19,1-2.11-18)
Leitura do livro do Levítico.
19 1 O Senhor disse a Moisés:
2 “Dirás a toda a assembléia de Israel o seguinte: sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.
11 Não furtareis, não usareis de embustes nem de mentiras uns para com os outros.
12 Não jurareis falso em meu nome, porque profanaríeis o nome de vosso Deus. Eu sou o Senhor.
13 Não oprimirás o teu próximo, e não o despojarás. O salário do teu operário não ficará contigo até o dia seguinte.
14 Não amaldiçoarás um surdo; não porás algo como tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.
15 Não sereis injustos em vossos juízos: não favorecerás o pobre nem terás complacência com o grande; mas segundo a justiça julgarás o teu próximo.
16 Não semearás a difamação no meio de teu povo, nem te apresentarás como testemunha contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor.
17 Não odiarás o teu irmão no teu coração. Repreenderás o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa.
18 Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos de teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 18/19
Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida!

A lei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.

Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz.

É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.

Que vos agrade o cantar dos meus lábios
e a voz da minha alma;
que ela chegue até vós, ó Senhor,
meu rochedo e redentor!
Evangelho (Mateus 25,31-46)
Salve Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
Eis o tempo de conversão; eis o dia da salvação (2Cor 6,2).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 25 31 "Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.
32 Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
33 Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
34 Então o Rei dirá aos que estão à direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo,
35 porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes;
36 nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim’.
37 Perguntar-lhe-ão os justos: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?
38 Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
39 Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’
40 Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes’.
41 Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42 Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43 era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes’.
44 Também estes lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?’
45 E ele responderá: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’
46 E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna".
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A MIM O FIZESTES!
Dentre os muitos desafios apresentados por Jesus aos seus discípulos, está o de identificá-lo com os sofredores deste mundo. Os famintos, os sedentos, os forasteiros, os carentes, os doentes e os encarcerados foram constituídos como mediadores do encontro com o Senhor. Que motivos teve Jesus para constituí-los em sinal de sua presença na história humana?
O ponto alto da encarnação de Jesus aconteceu, exatamente, quando ele desceu ao mais profundo do sofrimento humano. Quando, na paixão, Jesus sofreu os horrores da fome, da sede, da nudez, do encarceramento, sem contar os ultrajes e as humilhações de seus inimigos, a negação, a traição e o abandono de seus amigos, ele expressou, em grau eminente, sua condição de Filho de Deus, fiel até a morte. Por isso, escolheu a todos quantos se encontram em situação semelhante, para interpelarem os cristãos, exigindo deles uma resposta concreta de amor. Aquilo que os cristãos não fizeram pelo Senhor, quando padeceu as agruras da paixão, podem fazê-lo agora, servindo ao irmão sofredor. O próprio Jesus garante que quem serve ao sofredor está servindo a ele mesmo. O Evangelho não aponta outro caminho de servir a Jesus, pois o Senhor quis identificar-se com quem padece o que ele mesmo padeceu.
Confrontar-se com o irmão sofredor é confrontar-se com o próprio Jesus que sofre e nos desafia a sermos solidários com ele, em sua paixão.

Oração

Espírito de amor, ensina-me a descobrir, no irmão sofredor, o apelo de Jesus a quem devo servir.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Acolhei, ó Deus, esta oferenda, sinal de nossa dedicação. Fazei que ela santifique a nossa vida e obtenha para nós vosso favor. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Em verdade eu vos digo, tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes, diz o Senhor. Vinde, benditos do meu Pai: tomai posse do reino preparado para vós desde o princípio do mundo (Mt 25,40.34).
Depois da comunhão
Ó Deus, pela recepção deste sacramento, experimentamos vosso auxílio na alma e no corpo e assim, salvos em todo o nosso ser, nos alegremos com a plenitude da redenção. Por Cristo, nosso Senhor.