terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Evangelho do Dia

Ano A - 30 de dezembro de 2014

Lucas 2,36-40

Aleluia, aleluia, aleluia.
Um dia sagrado brilhou para nós: nações, vinde todas adorar o Senhor: pois hoje desceu grande luz sobre a terra!


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 36 havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.
37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
38 Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
UMA PLÊIADE DE JUSTOSA profetisa Ana completa a plêiade dos justos envolvidos nos eventos em torno do nascimento do Messias Jesus. De Zacarias e Isabel afirmou-se que eram “justos diante de Deus e caminhavam irrepreensíveis em todos os mandamentos e ordens do Senhor”. Isabel, “cheia do Espírito Santo”, proclamou as glórias da mãe do Salvador. João Batista, “desde o ventre materno”, esteve cheio do Espírito Santo, destinado a ser “profeta do Altíssimo”, cujos caminhos haveria de preparar. Maria reconheceu-se “humilde serva do Senhor”, disposta a cumprir em tudo a sua santa palavra. Fala-se pouco de José, sendo sublinhada somente sua prontidão em cumprir as leis civis (vai com Maria até Belém para alistar-se no recenseamento), bem como, as leis religiosas (no prazo previsto, vai com sua esposa e seu filho ao templo de Jerusalém realizar os ritos da purificação). Simeão é apresentado como um homem “justo e piedoso”, que esperava a realização das promessas divinas feitas a Israel. O Espírito revelou-lhe que não haveria de morrer “sem ver o Cristo do Senhor”. O mesmo Espírito conduziu-o ao templo para o encontro com o Messias.
Ana, por sua vez, é apresentada como uma mulher fiel e temente a Deus. A maior parte de sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor, no templo, com jejuns e orações. Sua piedade foi recompensada com a graça de reconhecer no menino Jesus a realização das esperanças de Israel.

OraçãoPai, dá-me a graça de ser piedoso e justo como as pessoas envolvidas no mistério da encarnação de teu Filho Jesus. Sejam elas para mim fonte de perene inspiração.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
1 João 2,12-17
Leitura da primeira carta de são João.
2 12 Filhinhos, eu vos escrevo, porque vossos pecados vos foram perdoados pelo seu nome.
13 Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno.
14 Crianças, eu vos escrevo, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno.
15 Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.
16 Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo.
17 O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.
Palavra do Senhor.
Salmo 95/96
O céu se rejubile e exulte a terra!

Ó família das nações, daí ao Senhor,
ó nações, daí ao Senhor poder e glória,
dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!

Oferecei um sacrifício nos seus átrios,
adorai-o no esplendor da santidade,
terra inteira, estremecei diante dele!

Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”
Ele firmou o universo inabalável,
e os povos ele julga com justiça.
Oração
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que o novo nascimento de vosso Filho como homem nos liberte da antiga escravidão do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia Diária

DIA 30 DE DEZEMBRO - TERÇA-FEIRA

OITAVA DO NATAL 
(BRANCO, GLÓRIA, PREFÁCIO DO NATAL – OFÍCIO DO DIA)

Antífona de entrada:
Enquanto um profundo silêncio envolvia o universo e a noite ia no meio do seu curso, desceu do céu, ó Deus, do seu trono real, a vossa palavra onipotente (Sb 18,14s).
Oração do dia
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que o novo nascimento de vosso Filho como homem nos liberte da antiga escravidão do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 João 2,12-17)
Leitura da primeira carta de são João. 
2 12 Filhinhos, eu vos escrevo, porque vossos pecados vos foram perdoados pelo seu nome. 
13 Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno. 
14 Crianças, eu vos escrevo, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno. 
15 Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 
16 Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. 
17 O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 95/96
O céu se rejubile e exulte a terra!

Ó família das nações, daí ao Senhor, 
ó nações, daí ao Senhor poder e glória,
dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!

Oferecei um sacrifício nos seus átrios,
adorai-o no esplendor da santidade,
terra inteira, estremecei diante dele!

Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”
Ele firmou o universo inabalável, 
e os povos ele julga com justiça.
Evangelho (Lucas 2,36-40)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Um dia sagrado brilhou para nós: nações, vinde todas adorar o Senhor: pois hoje desceu grande luz sobre a terra!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 36 havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.
37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
38 Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
UMA PLÊIADE DE JUSTOS
A profetisa Ana completa a plêiade dos justos envolvidos nos eventos em torno do nascimento do Messias Jesus. De Zacarias e Isabel afirmou-se que eram “justos diante de Deus e caminhavam irrepreensíveis em todos os mandamentos e ordens do Senhor”. Isabel, “cheia do Espírito Santo”, proclamou as glórias da mãe do Salvador. João Batista, “desde o ventre materno”, esteve cheio do Espírito Santo, destinado a ser “profeta do Altíssimo”, cujos caminhos haveria de preparar. Maria reconheceu-se “humilde serva do Senhor”, disposta a cumprir em tudo a sua santa palavra. Fala-se pouco de José, sendo sublinhada somente sua prontidão em cumprir as leis civis (vai com Maria até Belém para alistar-se no recenseamento), bem como, as leis religiosas (no prazo previsto, vai com sua esposa e seu filho ao templo de Jerusalém realizar os ritos da purificação). Simeão é apresentado como um homem “justo e piedoso”, que esperava a realização das promessas divinas feitas a Israel. O Espírito revelou-lhe que não haveria de morrer “sem ver o Cristo do Senhor”. O mesmo Espírito conduziu-o ao templo para o encontro com o Messias.
Ana, por sua vez, é apresentada como uma mulher fiel e temente a Deus. A maior parte de sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor, no templo, com jejuns e orações. Sua piedade foi recompensada com a graça de reconhecer no menino Jesus a realização das esperanças de Israel.

Oração
Pai, dá-me a graça de ser piedoso e justo como as pessoas envolvidas no mistério da encarnação de teu Filho Jesus. Sejam elas para mim fonte de perene inspiração.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, as oferendas do vosso povo, para que alcancemos nos celestes sacramentos o que professamos por nossa fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão:
Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça (Jo 1,16).
Depois da comunhão
Ó Deus, que, pela nossa participação neste sacramento, entrais em comunhão conosco, fazei que sua graça frutifique em nós e possamos conformar nossa vida aos dons que recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

Papa: qualidade de vida é termo mentiroso


O papa Francisco afirmou nesta terça-feira (30) que é uma "grande mentira" o que a sociedade diz ser uma vida perfeita e plena.
O mensagem dita pelo papa foi no dia dos enfermos
Segundo o Pontífice, aquilo "que fica oculto atrás de certas expressões, que insistem na qualidade de vida, fazem com que se acredite que aqueles que estão gravemente doentes não têm vidas dignas de serem vividas". A afirmação foi feita em uma mensagem que será enviada no dia 11 de fevereiro, quando é celebrado o Dia Mundial dos Enfermos.

O líder da Igreja Católica ainda elogiou a postura das pessoas que abrem mão de tudo para cuidar de alguém enfermo. De acordo com ele, "as pessoas que estão imersas no mistério do sofrimento e de dor, acolhidos pela fé, podem se transformar em testemunhos vivos de uma fé que permite habitar o mesmo sofrimento de maneira que o homem, com sua própria inteligência, não seja capaz de compreender isso até o fim".

Jorge Bergoglio ainda condenou que faz essa ajuda "para converter" outra pessoa na fé e disse que a verdadeira caridade "não faz julgamentos ou tenta a conversão". Ele ainda lembrou seu tema mais recorrente em 2014 e combateu a "cultura do descarte" da sociedade moderna.

"O nosso mundo esquece, às vezes, o valor especial do tempo passado deitado em um leito de doente porque ele é atormentado pela pressa, pelo frenesi de fazer, produzir. Assim, esquece o tamanho da gratuidade, de cuidar e de assumir o controle do outro", finalizou Bergoglio.
 
Ansa

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Santos Inocentes


Artigo de Cardeal Orani Tempesta

Anualmente, dentro da Oitava de Natal, celebramos várias festas que nos fazem refletir sobre as consequências do Mistério da Encarnação. Uma delas nos ajuda a nos comprometermos com a dignidade da vida humana: trata-se da festa dos Santos Inocentes, instituída pelo Papa São Pio V. Esta festa encontra o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. Quando os Magos chegaram a Belém, guiados pela estrela, “encontraram o Menino com Maria e, prostrando-se, adoraram-No e, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes – ouro, incenso e mirra. E, tendo recebido aviso em sonhos para não retornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: ‘Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para matá-lo’. E ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito. E lá esteve até a morte de Herodes, cumprindo-se, desse modo, o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: ‘Do Egito chamei o meu filho’. Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e arredores, de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Então cumpriu-se o que estava predito pelo profeta Jeremias: ‘Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem'” (Mt 2,11-20).
Na Idade Média, nas dioceses que possuía escola de meninos de coro, a festa dos Inocentes ficou sendo deles. Eles assumiam os cânticos solenes no lugar dos Cônegos do cabido nesse dia.

A Igreja recorda hoje, portanto, os Santos Inocentes Mártires, as crianças mortas pelo rei Herodes, quando, após ouvir dos reis Magos que procuravam pelo “Rei dos Judeus”, buscou eliminar Jesus.

A violência de Herodes não consistiu somente na matança de inocentes inermes, mas também na execração de arrancá-los, ainda infantes, do colo de suas mães que, apavoradas, seguramente se esforçaram com a intrepidez própria dos desesperados por defendê-los e salvá-los. Os melhores artistas, ao longo dos séculos, pintaram em telas eloquentíssimas esse terror.

Muitos parecem pensar que nos dias de hoje não é possível que existam personagens sinistras como Herodes, pelo menos no que diz respeito a alguns âmbitos da realidade. Por outro lado, embora aceitem como uma evidência todo o progresso cultural, científico e tecnológico não admitem como executável uma intensificação ou um aprofundamento do maquiavelismo, nem que este se possa refinar nos seus métodos. Porém, atualmente, inúmeras são as violências contra os menores em todo o mundo: abusos sexuais, exploração nas guerras, no trabalho, mortes por causa de transplantes de órgãos, além da barbárie do aborto.

Qualquer mulher que sabe que está grávida não pode deixar de conhecer que traz um filho no seu seio. Para abortá-lo, normalmente inicia um processo mental de desumanização do filho, de modo a poder dar esse terrível passo. Por isso, um nominalismo atravessa os documentos como interrupção da gravidez, dizendo que tudo não passa de um “amontoado” de células. Mas a verdade é que, segundo o testemunho de gente agora convertida que antes trabalhou durante anos nesses centros de morte, muitas vezes as primeiras palavras que a mãe que abortou diz, quando na sala de recobro, são: “Ah meu Deus, acabei de matar o meu filho”!

A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de “pequenos inocentes”: crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Quantas são enviadas para as guerras! Muitas morrem nos bombardeios das cidades. Milhares se encontram em campos de refugiados. Olhemos ao nosso redor, nossas ruas e praças: quantas crianças abandonadas sem famílias e sem teto! Muitas comunidades e organizações trabalham nessa direção e viram verdadeiros milagres acontecerem.

Que o nosso empenho pela vida plena das crianças seja o nosso desafio para dar esperança de tempos melhores para nossa sociedade em busca da paz! Somos anunciadores de esperança e construtores da Paz com Cristo.  Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós, cristãos, aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

Santos Inocentes, roguem por nós!
SIR

O valor da vida humana


Lembro as palavras de Jesus Cristo: 'Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância'.
Por Dom Gil Antônio Moreira*

Ao chegar o tempo do Natal, naturalmente recordamos o valor da vida humana. Deus quis também se tornar homem enviando seu Filho amado que nasceu do seio de Maria Virgem. Tal fato dignifica e sacraliza a vida humana.

Vem à tona, por outro lado, as questões da bioética.

Esse termo surgiu por volta dos anos 70, nos Estados Unidos, após o aparecimento de tantos dados novos relacionados à vida graças ao amplo progresso da ciência médica. Trata-se de estabelecer princípios éticos na manipulação de dados relacionados com a vida, sobretudo com a vida humana. A descoberta da composição das células, realizada pelo Monge católico Mendel, da ordem agostiniana, em meados do século XIX, possibilitou um enorme avanço da ciência, pois suas pesquisas revelaram como se transmitem os caracteres humanos de pais para filhos, através dos genes. Viu Mendel que os primeiros minutos da existência de um novo ser humano, a partir do momento da concepção, já são determinantes para toda a sua vida. O avanço da ciência é algo maravilhoso que constituiu uma verdadeira bênção de Deus para a humanidade.

Mais recentemente se descobriu a ação das células-tronco. O uso de tais células no tratamento de várias doenças representará a solução para inumeráveis casos tidos antes como insolúveis. Isso é maravilhoso! Porém há um grande problema: a busca de células-tronco em embriões humanos. Para aproveitá-las, deve-se matar o embrião. Isto é imoral, pois o embrião é uma verdadeira pessoa desde o momento de sua concepção, segundo ensina a própria ciência. A coisa se torna ainda mais grave quando se sabe que a criação de embriões humanos em bancos de reserva genética é um negócio imensamente lucrativo, embora escandalosamente desonesto.

Contudo, podem-se obter estas células em tecidos adultos, inclusive com melhor comportamento terapêutico que as embrionárias, uma vez que estas últimas são muito ativas, destinadas a construir o organismo todo e quando transferidas acabam gerando tumores em lugar de curar doenças. Não haveria, portanto, nenhuma razão para se optar pelas células embrionárias. Infelizmente no Brasil, muito desacertadamente, se aprovou há alguns anos a lei da biossegurança, página inconveniente de nossa história.

O problema está relacionado com a gravíssima questão do aborto, que será sempre um crime e um grave pecado. Tramitam no Congresso brasileiro projetos de lei que pretendem descriminalizar o aborto. Descriminalizar significa declarar que não será mais crime cometer aborto voluntário, ou seja, deixaria de ser crime matar as crianças antes de seu nascimento. Por mais argumentos que arranjem os abortistas e os aborteiros, nunca terão condição de negar esta verdade: aborto é a eliminação violenta de uma ou mais vidas humanas. Com o emprego de eufemismos tais como interrupção da gravidez, descriminalização, ou despenalização do aborto, gravidez assistida, direito da mulher sobre o seu corpo e outros, vai se tentando no Brasil legalizar a prática hedionda do abortamento de seres humanos.

Leve-se em conta que a criança gerada no seio materno não é parte do corpo da mãe, mas é outro ser humano distinto dela. Nenhuma mulher tem direito de assassinar ou causar a morte de seu filho. Se a mãe matasse um filho de três meses depois de nascido, seria certamente considerada um monstro. Mas, como aceitar que se possa matar sua criança três, seis ou nove meses antes de nascer?!

Tratando-se de bioética, outros temas são hoje objeto de estudo e de preocupações, como a eutanásia, o abortamento de anencéfalos, a fecundação in vitro e outros, mas ficam para uma próxima oportunidade. Concluo esta parte, lembrando a palavra de Jesus Cristo que nos pode iluminar em toda as questões: Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância. (Jo 10,10)

Que neste Natal você possa celebrar vitórias da vida.
CNBB, 16-12-2014.

A comunicação do Evangelho


A formação do povo de Deus exige mais dos evangelizadores. Estamos mal de pregação. É necessário mais conteúdo.
Por Luiz Carlos de Oliveira*

O enriquecimento da comunicação atual trouxe para dentro de nossa casa o mundo que era distante.  Pregamos o mesmo evangelho pregado pelos apóstolos com os meios atuais.

O papa Francisco alerta para alguns riscos: “algumas questões fundamentais que fazem parte da doutrina moral da Igreja e ficam fora do contexto que lhes dá sentido. Pior quando os aspectos secundários por si só não manifestam o núcleo da mensagem de Cristo” (EG 34).

A velocidade da comunicação pode não favorecer chegar ao mais importante do Evangelho ficando somente em aspectos secundários. O anúncio deve ir ao conteúdo que é a transformação da pessoa em uma nova criatura.

Não basta apresentar somente frases bonitas de autoajuda, slogans, imagens que comovem, mas não movem.  Tudo é muito bom, mas não é completo. O que mais assusta é o desconhecimento de pontos básicos e fundamentais da doutrina da Igreja.

O povo não foi bem catequizado. Por isso mesmo não se pode exigir um conhecimento que não receberam nem dar por suposto o conhecimento da doutrina. Urge então ir ao coração do Evangelho que é a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo, morto e ressuscitado (EG 16).

As verdades da fé e da moral estão unidas e conduzem ao essencial. Jesus resume todo seu ensinamento no amor. Não é uma conversa mole para amaciar o coração, mas tem em Jesus e em sua entrega na cruz o ponto central que dá sentido a tudo mais.

É bom saber de cor (significa coração) a doutrina, mas é necessário levá-la ao coração. S. Paulo insiste no fundamental que é “a fé que age pelo amor” (Gl 5,6). A fé e o amor estão intimamente unidos, se complementam e se explicam.

Misericórdia é amor

Santo Tomás explica esse fundamento da fé: “O elemento principal da Nova Lei é a graça do Espírito Santo que se manifesta através da fé que opera pelo amor”.  O nome do amor é misericórdia. Ela é a maior das virtudes. Ela é o primeiro culto, pois é o que mais agrada a Deus, uma vez que garante o bem ao próximo (Idem).

Vivemos uma religião egoísta e intimista. Pensamos só em nós, quando o verdadeiro bem é pensar nos outros.  O Papa Francisco continua afirmando que esta é a atitude de quem é superior. Como estamos no lugar de Deus, o poder que nos foi dado é usar seu poder de misericórdia e não de dominação.

É poder de debruçar-se sobre os outros. Lembramos a parábola do bom samaritano: “Quem foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos bandidos? Aquele que usou de misericórdia (Lc 10,37). A conclusão da parábola é mais clara: “Vai, e faze o mesmo”.

Anúncio vivido 

A transmissão da Palavra exige uma proporção, isto é, percorrer os diversos temas da doutrina. A formação do povo de Deus exige mais dos evangelizadores. Estamos mal de pregação. É necessário mais conteúdo. Essa parte, reservada em particular aos padres e bispos, necessita de maior atenção. Há muitos que reclamam que não levam nada da celebração.

Também o pregador deve ser ouvinte da Palavra, não somente um transmissor. Somos os primeiros ouvintes da Palavra. O Papa encerra o texto: “Não podemos pregar ideologias, pois a mensagem correrá o risco de perder o seu frescor e já não ter o “perfume do Evangelho” (EG 39).

Há ideologias de esquerda e também de direita. Podemos ter certeza que conseguiremos anunciar quando acreditamos em Cristo com a fé de discípulo. Se anunciarmos o coração do Evangelho, poderemos garantir a força do anúncio vivido.
A12, 23-12-2014.
*Luiz Carlos de Oliveira é padre.

Esperança, uma mensagem ao Oriente Médio


'A todos quero oferecer uma palavra de consolação', afirmou o papa aos cristãos vítimas de perseguição.
Não é possível resignar-se à lógica do conflito e do terrorismo "que comete todos os tipos de abusos e práticas indignas do homem". Na vigília do Natal o papa Francisco volta a expressar proximidade e solidariedade para com os cristãos do Oriente Médio vítimas de violências que parecem não ter fim.

"A todos quero oferecer uma palavra de consolação", escreve Francisco numa carta, manifestando a esperança de "ter a graça de ir pessoalmente para vos visitar e confortar".

Ao denunciar o agravar-se constante das perseguições que atingem diversos grupos religiosos e étnicos - "sobretudo devido às ações de uma mais recente e preocupante organização terrorista de dimensões antes inimagináveis" - o pontífice convida a comunidade internacional a "ir ao encontro" das necessidades das populações. Em particular, pede um compromisso decisivo para promover a paz "mediante a negociação e o trabalho diplomático" e "para conter e deter quanto antes a violência que já causou muitos prejuízos".

Francisco reitera "a sua firme deprecação do tráfico de armas". E recorda: "temos sobretudo necessidade de projetos e iniciativas de paz, para promover uma solução global dos problemas da região". Nesta perspectiva deseja que "quem foi obrigado a deixar as próprias terras, possa voltar e viver em dignidade e segurança". Ao mesmo tempo, espera que "a assistência humanitária possa incrementar-se, pondo sempre no centro o bem da pessoa e de todos os países no respeito da sua própria identidade".

Dirigindo-se diretamente aos fiéis do Oriente Médio, o papa recomenda também que se incrementem as "boas relações" e a "colaboração" entre todos os crentes em Cristo. "Os sofrimentos padecidos pelos cristãos oferecem uma contribuição inestimável à causa da unidade" recorda, sublinhando que se trata de uma presença "preciosa" e significativa sobretudo "na terra onde nasceu e se difundiu o cristianismo". Além disso, o Pontífice realça de novo a necessidade do diálogo entre as religiões – em particular com o islão – indicando-o como "o melhor antídoto contra a tentação do fundamentalismo religioso". Francisco pede também "uma tomada de consciência clara e corajosa por parte de todos os responsáveis religiosos, para condenar de forma unânime e sem ambiguidade alguma" a violência praticada em nome da religião.
A12, 23-12-2014.