sábado, 18 de abril de 2015

Qual o significado do padre partir a Hóstia ao meio?



hostia

O padre parte a Hóstia para significar o que Jesus fez: partiu o Pão e distribuiu aos discipulos. O pedacinho que ele coloca no vinho consagrado é sinal de unidade da Igreja; significa a Eucaristia que antigamente o bispo celebrava e enviava para a outras comunidades onde não havia Missa.

Prof. Felipe Aquino

A missa

explicação da missa e o sentido de cada parte

Texto de autoria de Roberto, Brasília/DF, publicado no site Emaús Nacional


Para que a Santa Eucaristia não se constitua em um mero rito mecânico, onde as pessoas só "copiam" o que as outras fazem (gestos, sinal da cruz, genuflexão, etc.) sem entender exatamente o que está acontecendo, é bom que cada fiel católico entenda melhor a Santa Missa, pois só amamos aquilo que conhecemos. A missa é igual para toda a Assembléia mas a maneira de cada um participar pode ser diferente pois depende da fé que as pessoas têm e também do grau de formação na religião. As vezes vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê. Para participar da missa com fé e alegria, além da sua formação catequética básica, o fiel deve conhecer todas as etapas da liturgia da missa pois ninguém ama o que não conhece.

A palavra MISSA vem do latim missio, que significa despedida ou envio. E, quando os catecúmenos saíam antes do início da Liturgia Eucarística o celebrante os despedia. Desta forma, toda a Celebração Eucarística acabou por ser denominada missa.

A missa é dividida em quatro partes principais: Ritos Iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos Finais.

I  RITOS INICIAIS
1. Monição Ambiental

Ao entrar e sair de uma igreja com um sacrário, procedemos à genuflexão %uFFFD um gesto de adoração a Jesus Eucarístico.
Feita pelo comentarista, ao lado do altar. Um convite à Assembléia para participar da Celebração, criando um clima de oração e fé. Solicita que todos, de pé, recebam o celebrante.

2. Canto de Entrada e Sinal da Cruz

Durante o canto, o padre, os ministros e/ou acólitos dirigem-se ao altar. O padre faz uma inclinação profunda e deposita o beijo no altar, endereçado a Cristo.
Em seguida, o padre faz o sinal da cruz e o povo faz com ele (não precisa beijar a mão após o sinal), mas sem dizer nada. Ao final, todos respondem o "Amém".
A expressão "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" quer dizer a pessoa, não apenas o "nome". Iniciamos a Missa colocando nossa vida e toda a nossa ação invocando a Santíssima Trindade.

3. Acolhida e Saudação

É o "bom dia" de inspiração divina dado pelo Presidente à Assembléia. Em uma das formas litúrgicas, o padre saúda o povo com as palavras de São Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13):
- A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!
Independente da forma utilizada, todos respondem:
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

4. Ato Penitencial

"Se estás diante do altar para apresentar a tua oferta e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa tua oferta lá diante do altar. Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, depois volta para apresentares tua oferta." (Mt 5,23-24)

Convite para cada um olhar para si (reconhecer os próprios pecados e não os dos outros), buscando um arrependimento sincero.
Precisamos pedir que Jesus purifique nosso coração para termos parte com ele.
A absolvição geral que o padre dá no Ato Penitencial é uma purificação das faltas leves, e realmente nos purificam para participarmos da Ceia do Senhor. Os pecados graves necessitam de uma confissão sacramental.

5. Hino de Louvor (Glória)

É um cântico solene, uma das mais perfeitas formas de louvor à Santíssima Trindade, porque se dirige ao Pai e a Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Vem logo após o Ato Penitencial, porque o perdão de Deus nos faz felizes e agradecidos.
Inspirado no canto dos anjos que louvaram a Deus no nascimento de Jesus: "Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade." (Lc 2,14)
O Glória não é cantado (nem recitado) na Quaresma e no Advento, tempos que não são próprios para se expressar alegria.

6. Coleta

Do latim "collígere", que quer dizer reunir, recolher, coletar. Tem o sentido de reunir, numa só oração, todas as orações da Assembléia.
Por isso, começa com o "Oremos" %uFFFD um convite aos presentes para que se ponham em oração %uFFFD seguido de uma pausa, para que cada um faça mentalmente a sua oração pessoal. A seguir, o padre eleva as mãos %uFFFD assumindo as intenções dos fiéis e elevando-as a Deus %uFFFD e profere a oração em nome de toda a Igreja.
Por fim, todos dizem "Amém" para dizer que a oração do padre também é sua.
É uma oração presidencial, feita apenas pelo padre, como representante de Cristo. Todas as orações presidenciais são compostas por: invocação, pedido e conclusão. As orações são dirigidas ao Pai, em nome de Jesus %uFFFD nosso mediador %uFFFD, na unidade do Espírito Santo.

II %uFFFD LITURGIA DA PALAVRA
Após o "Amém" da Coleta, a comunidade senta-se, aguardando, antes, o Presidente dirigir-se à sua cadeira.
A Eucaristia é o "mistério de nossa fé" e a fé vem pela Palavra de Deus (cf. Rm 10,14). Daí a importância da pregação, abrangida pela Liturgia da Palavra. "Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus." (Mt 4,4)
A Palavra de Deus não é para ser apenas "lida", mas "proclamada" solenemente. "A fé entra pelo ouvido."

As leituras das missas dominicais variam a cada ano, repetindo-se a cada três anos. São os chamados ANOS A, B e C. Em cada ano meditamos o Evangelho segundo Mateus, Marcos e Lucas respectivamente. O Evangelho segundo João intercala-se durante o ano em momentos fortes.
Os 3 primeiros Evangelhos fazem como que uma sinopse dos fatos acerca da vida de Jesus %uFFFD são, por isso, chamados de "sinóticos". O Evangelho escrito por São João focaliza outros fatos e palavras de Jesus, destacando Sua divindade e penetrando mais o Mistério do Filho de Deus.
A Liturgia da Palavra é tão importante quanto a Liturgia Eucarística e deve ter um lugar reservado para a proclamação a MESA DA PALAVRA.

1. Primeira Leitura

A Primeira Leitura, em geral, é tirada no Antigo Testamento, onde se encontra o passado remoto da História da Salvação. Em alguns tempos litúrgicos também são tiradas de outros livros do Novo Testamento que não sejam os Evangelhos.

2. Salmo Responsorial

É uma resposta cantada ou recitada à mensagem proclamada. Ou ainda, uma "oração" da Leitura, ajudando o povo a rezar e a meditar na Palavra de Deus que acabou de ser proclamada. Não pode ser substituída por outros cânticos que não sejam inspirados no salmo previsto.

3. Segunda Leitura

Em geral, é uma carta, retirada do Novo Testamento. Só é proclamada em missas dominicais ou de dias festivos, não nas missas feriais (no meio da semana).

Assim, a Liturgia da Palavra, no decorrer das missas do ano, nos dá uma visão de toda a História da Salvação, recordando quase toda a Bíblia.

4. Canto de Aclamação ao Evangelho

Jesus Cristo é a Palavra de Deus. Ele se torna presente na proclamação do Evangelho. Aclamar é aplaudir com alegria, então o canto de Aclamação ao Evangelho é uma espécie de "aplausos" para o Senhor que vai nos falar. Para expressar essa alegria podemos bater palmas, expressando a fé e a alegria em ouvi-lo.

Pode ser antecedido por um breve comentário (não é uma homilia, que não deve antecipar o que vai ser dito no Evangelho), convidando e motivando a Assembléia para ouvir o Evangelho. Na Quaresma e no Advento, o canto não tem "Aleluia".

5. Proclamação do Evangelho

Antes da proclamação do Evangelho, pode-se fazer uma procissão com a Bíblia ou Lecionário e as velas. Para se dar mais destaque ao anúncio da Palavra de Jesus, dois ministros ou acólitos podem segurar uma vela em cada lado do ambão.
O diácono, e na falta deste o padre, proclama em um lugar mais elevado, para ser visto e ouvido por toda a Assembléia, que deve estar em pé, numa atitude de expectativa para ouvir a Mensagem. É como se o próprio Jesus se colocasse diante de nós para nos falar do que mais nos interessa.
O diácono/padre saúda a Assembléia:
- O Senhor esteja convosco!
- Todos: Ele está no meio de nós!
- Diácono/Padre: Evangelho de Jesus Cristo, escrito por ...
- Todos: Glória a vós, Senhor!
E, ao final do Evangelho:
- Diácono/Padre: Palavra da Salvação! (E beija a Bíblia)
- Todos: Glória a vós, Senhor!

"Bem-aventurado os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática." (Lc 11,28)

6. Homilia (Pregação)

É a interpretação de uma profecia ou a explicação dos textos bíblicos das leituras proclamadas.

Os próprios Apóstolos, depois de ouvirem as parábolas, pediam a Jesus que lhes explicasse o que elas queriam dizer. Assim também é o Povo de Deus, que precisa de alguém que lhes explique as Escrituras, do mesmo modo que Filipe explicou ao ministro da Rainha Candace, da Etiópia, uma passagem do AT:
"Ouvindo que lia o profeta Isaías, disse-lhe: "Porventura entendes o que lês?" Ele respondeu: "Como é que vou entender se ninguém me explicar?"." (At 8,30b-31a)

As Escrituras não são de simples compreensão e não estão sujeitas a interpretações particulares, mas tão somente da Igreja que Cristo fundou, sob o Primado de Pedro:
"Pois, antes de tudo, deveis saber que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal, porque jamais uma profecia se proferiu por vontade humana, mas foi pelo impulso do Espírito Santo que homens falaram da parte de Deus." (2Pd 1,20-21)

"É o que ele faz em todas as epístolas em que vem a tratar do assunto. Nelas há alguns pontos de difícil inteligência, que homens ignorantes e sem firmeza deturpam, não menos que as demais Escrituras, para sua própria perdição." (2Pd 3,16)

Além do que, a Bíblia não é a única fonte de doutrina para o cristão, mas, inclusive, a Tradição (Oral e Escrita) e o Magistério da Igreja fundada por Jesus:
"Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever." (Jo 21,25)

"Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras seja por carta." (2Ts 2,15)

7. Creio (Profissão de Fé)

Crer em Deus é confiar nele! Com o Creio, a comunidade afirma que crê na Palavra de Deus que foi proclamada e está pronta para pô-la em prática. É como um juramento público.
Há dois textos diferentes para a Profissão de Fé: o Símbolo Apostólico e o Símbolo Niceno- Constantinopolitano.
O primeiro vem do tempo dos Apóstolos. É um resumo das verdades de fé professada pelos primeiros cristãos. É também mais curto e mais recitado nas missas no Brasil.
O Símbolo Niceno-Constantinopolitano surgiu no séc. IV, a partir da heresia de Ário, que, em sua heresia (negação de verdades de fé), disse que Jesus era apenas homem, não Deus (como hoje o fazem os espíritas e os "Testemunhas de Jeová"). Então a Igreja, no Concílio de Nicéia (ano 325), colocou no "Creio" algumas palavras a mais, acentuando a divindade de Jesus:
"Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro..."
Alguns anos depois, Macedônio, outro herege, negou a divindade do Espírito Santo. A Igreja reafirmou essa divindade, a partir do Concílio de Constantinopla (ano 381):
"Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; ele que falou pelos profetas."
Assim se formou esse Símbolo, surgido após os Concílios de Nicéia e Constantinopla. É uma síntese das verdades fundamentais da fé, para manter os cristãos unidos, à medida que iam se espalhando pelo mundo.
No Brasil, o Símbolo Niceno-Constantinopolitano é recitado apenas em alguns domingos, geralmente quando se fala de Jesus como Messias, o Filho de Deus. Eis o símbolo completo:
"Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra; de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus: e se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém!".

8. Oração dos Fiéis (Oração Universal)

No início da missa existe a Oração Coleta %uFFFD uma oração presidencial breve, a fim de colocar a Assembléia em clima de fé para ouvir a Palavra de Deus. A Oração dos Fiéis é um espaço mais abrangente para que os fiéis coloquem publicamente suas intenções.
Após ouvirmos a Palavra de Deus e de professarmos nossa fé nessa Palavra, nós colocamos em Suas mãos as nossas preces de modo oficial e coletivo.
Nessa oração, o povo exerce sua função sacerdotal, suplicando por todos os homens, incluindo as seguintes intenções:
- pelas necessidades da Igreja e do papa;
- pelos governantes, legisladores e magistrados; (pois eles têm um poder temporal, e devem servir ao povo)
- pelos que sofrem qualquer necessidade, especialmente pelos doentes; e
- pelas necessidades da comunidade local.
A Equipe de Liturgia deve tomar a iniciativa de ver as intenções da comunidade incluídas na oração, possibilitando que a fé expresse algo mais concreto e vivencial.
O que não se pode fazer na missa são as orações particulares, como leitura de livros piedosos, novenas e o terço.
Na Oração dos Fiéis, a introdução e a conclusão são feitas pelo Presidente. As outras preces são feitas pelos fiéis, em voz alta, expressando a fé viva e alegria de toda a comunidade, unidade num só coração e numa só alma.
Durante a Oração dos Fiéis, todos ficam de pé %uFFFD a posição própria do orante e como rezavam os primeiros cristãos.

III %uFFFD LITURGIA EUCARÍSTICA
Onde o mesmo pão é repartido entre muitos... O Sacrifício redentor de Cristo é universal. Destina-se a toda a humanidade. Seu valor é espiritual, infinito para todos.

A Eucaristia, como Sacramento, renova a Ceia Pascal; como Sacrifício, renova a ato redentor de Cristo na Cruz.
Todos os gestos, palavras, preces e cantos da Liturgia da Palavra devem levar a Assembléia a participar da Ceia que o Senhor desejou "ardentemente" celebrar com seus discípulos.

1. Preparação das Oferendas (Ofertório)

i) Canto e Procissão das Oferendas

Durante e preparação das oferendas, canta-se o Canto do Ofertório. As principais ofertas são o pão e o vinho. Podem-se trazer outras coisas, como ramos de trigo, cachos de uva, água, flores.
O ato de levar ao altar as ofertas significa que o pão e o vinho estão saindo das mãos do homem que trabalha. As outras oferendas representam também a vida do povo: a flor, símbolo de amor e gratidão; a coleta em dinheiro, fruto do trabalho e da generosidade dos fiéis.
O dinheiro para o ofertório é a nossa oferta para a conservação e manutenção da casa de Deus. Não é uma "esmola", pois Deus não é mendigo, mas o Senhor de nossa vida. Outra condição para Deus aceitar a nossa oferta é que estejamos em paz como nossos irmãos. A fé pede nossa comunhão com Deus e com os irmãos (cf. Mt 5,23-24).
A procissão é opcional. Quando houver, deve haver alguma colocação do comentarista, explicando o sentido das ofertas, sobretudo quando se leva algo que não seja o pão e o vinho. As ofertas devem ter um significado e ajudar a participação da comunidade na Liturgia.
As pessoas que trazem as oferendas em procissão não as trazem apenas em seu nome, mas representando toda a comunidade.
No início da Missa, o Presidente e seus Ministros ficam nas cadeiras em frente ao altar. Eles não vão para o altar, porque este representa a mesa da Ceia, que começa na Liturgia Eucarística.
Ao fim da Oração dos Fiéis, o Presidente e os Ministros vão para o altar para preparar as oferendas: corporal estendido no centro (como uma toalha), missal aberto, o cálice e a patena com a hóstia grande do sacerdote (que pode vir junto com as hóstias dos fiéis, na âmbula %uFFFD sentido de unidade do Presidente com a Assembléia).

ii) Apresentação do Pão e do Vinho

Na Missa, oferecemos a Deus o pão e vinho que, pelo poder do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e no Sangue do Senhor. Deus aceita nossa oferta e a transforma numa dádiva de valor infinito %uFFFD a própria Divindade!
O Presidente recebe as ofertas da comunidade e, por sua vez, oferece o pão a Deus, dizendo:
"Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar pão da vida!"
E a Assembléia responde:
"Bendito seja Deus para sempre!"
Então o padre coloca a hóstia (de trigo puro, não fermentado) sobre o corporal e prepara o vinho para oferecê-lo do mesmo modo. Antes, ele põe um pouco de água no vinho e diz: "Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade de vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade."
A mistura da água no vinho (puro, de uva) simboliza a união da natureza humana com a divina. Nós (água), na Missa, nos unimos a Cristo (vinho) para formar um só Corpo com Ele. Em seguida, o Presidente eleva o cálice e diz:
"Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar vinho da salvação!"
E a Assembléia bendiz a Deus:
"Bendito seja Deus para sempre!"
Abençoar é bendizer! Bendizemos a Deus nessa hora porque o pão comum que oferecemos vai se tornar para nós o "Pão da Vida" e o vinho, o "Vinho da Salvação". E porque recebemos muito mais do que oferecemos.
O cálice com o vinho e a âmbula com as hóstias para a comunidade ficam sobre o corporal, no centro do altar, junto da hóstia grande do Presidente, que é colocada sobre a patena.

iii) Presidente lava as mãos

A oração seguinte fala que nosso sacrifício é aceito por Deus quando temos um coração purificado e humilde.
Após colocar o cálice sobre o corporal, o padre inclina-se diante do altar e reza em voz baixa:
"De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vós; e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus!"
Essa oração é tirada do Livro de Daniel. Deportado para a Babilônia, o Povo de Israel estava longe do Templo e não podia oferecer a Deus os sacrifícios de cordeiros e bois. Então Azarias fez essa bela oração, oferecendo a Deus o seu sacrifício espiritual.

Quando a missa é festiva, costuma-se incensar o altar, o Presidente da Celebração e a Assembléia. O incenso significa que aquele sacrifício deve subir até Deus, como a fumaça.
Antigamente a comunidade levava para o altar ofertas como alimentos e outros objetos que poderiam sujar as mãos do padre, que, por isso, lavava as mãos. Hoje, além da purificação das mãos, há também o sentido da purificação espiritual. Ao lavar as mãos, o padre reza em voz baixa:
"Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado." (Sl 50,4)
Essa oração lembra Davi pedindo perdão de seu pecado.

iv) Orai, irmãos!

O sacerdote intercede por toda a Assembléia, que deve responder ativamente.
Assim, o padre se volta ao povo e pede:
"Orai, irmãos, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai Todo-Poderoso!"
Ao que a Assembléia responde:
"Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória de seu nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja."
Em primeiro lugar, a glória de Deus!

v) Oração sobre as Oferendas

Tem por fim colocar nas mãos de Deus os dons que trouxemos para o sacrifício.
É um modo de insistir a mesma coisa diante de Deus, como nas parábola que Jesus contou (cf. Lc 11,5-8 e 18,1-8).

2. Oração Eucarística ou Anáfora

Inicia o centro, o "coração" da Celebração %uFFFD o Mistério da presença real de Jesus no pão e vinho consagrados. Não é "mais uma oração" da missa %uFFFD é a própria Missa.
Para os judeus, santo era todo o lugar onde Deus se manifestava. De modo especial, o Templo era santo. Dentro do Templo, havia uma parte santíssima %uFFFD o "santo dos santos", uma sala que continha a Arca da Aliança ou Tabernáculo. Lá só o sumo sacerdote entrava, e uma vez por ano apenas, para o sacrifício expiatório. Só depois de se purificar é que o sacerdote podia entrar ali.
Hoje, em termos de presença de Deus, o mais simples templo católico é mais importante que o Templo de Jerusalém, porque tem dentro de si mais que a Arca da Aliança: o próprio Cristo, Deus Vivo, no sacrário, com a luz acesa ao lado. Ele é o verdadeiro "Santo dos Santos".
Antes do Concílio Vaticano II, havia uma só forma de Oração Eucarística. Atualmente, para que cada povo possa participar mais e utilizarem sua própria cultura existem várias fórmulas que são aprovadas pela Igreja. No Brasil existem 14 formas.

i) Prefácio e "Santo"

O Prefácio é um hino de "abertura", que nos introduz no Mistério Eucarístico. Nele, o padre convida o povo a elevar seus corações a Deus e proclamar a santidade de Deus, dando-lhe graças.
No Prefácio, o Presidente sempre reza de braços abertos. Ele inicia com o diálogo:
Padre: O Senhor esteja convosco!
Povo: Ele está no meio de nós.
Padre: Corações ao alto!
Povo: O nosso coração está em Deus.
Padre: Demos graças ao Senhor nosso Deus!
Povo: É nosso dever e nossa salvação.
O trecho seguinte do Prefácio compreende algumas palavras próprias, dependendo do Tempo Litúrgico ou da festa que se celebra.
O final do Prefácio é sempre igual. Termina com o cântico:
"Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!"
O "Santo" é tirado de Is 6,3. A repetição, dizendo 3 vezes "Santo" significa o máximo de santidade, "Santíssimo".
Às vezes, quando o "Santo" é cantado, mudam-se algumas palavras, mas o sentido deve ser o mesmo. O Santo deveria ser sempre cantado.

ii) Invocação do Espírito Santo

Momentos antes da Consagração, o padre estende as mãos sobre o pão e o vinho e pede ao Pai que os santifique, enviando sobre eles o Espírito Santo. Toda invocação do Espírito Santo é feita de pé.

iii) Narrativa da Ceia e Consagração do Pão e do Vinho

Neste momento a Assembléia se ajoelha, ou mesmo de pé (normalmente aqueles que por algum problema não podem ajoelhar-se) porém em posição de adoração (cabeça baixa, em posição de reverência). A Ceia Eucarística celebrada por Jesus com os Apóstolos teve origem na Ceia Pascal Hebraica, que também não é celebrada como uma simples recordação, mas como um acontecimento que se faz presente.
Dentro da missa, esta é a hora da transformação do pão e do vinho, que se tornam o Corpo e o Sangue do Senhor.
Por ordem de Cristo, o Presidente recorda o que Jesus fez na Última Ceia. Ele pega o pão, o apresenta ao povo e pronuncia as palavras de Consagração:
"Tomai, todos, e comei, isto é o meu corpo que será entregue por vós." (Lc 22,17ss)
Após a consagração do pão, o padre levanta a hóstia à vista da Assembléia. A seguir, genuflecte para adorar Jesus presente no Santíssimo Sacramento.
A mesma coisa faz o padre com o cálice de vinho. Ele recorda que Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o deu a seus discípulos, dizendo:
"Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim."
Novamente, o padre genuflecte para adorar o Cristo presente após a consagração do vinho.
Na Consagração do pão e do vinho o povo deve ajoelhar-se ou ainda fazer uma profunda inclinação de cabeça no momento em que o padre eleva a hóstia e o cálice.
Durante as palavras de Consagração é que há a transubstanciação % uFFFD a transformação das espécies no Corpo Eucarístico. Nessa hora, o silêncio deve ser total %uFFFD não deve haver nem mesmo fundo musical.
Lembremos que na missa o padre age "in persona Christi", ou seja, em lugar da pessoa de Cristo. É como se Jesus estivesse pessoalmente presidindo a Celebração.
A Igreja celebra a Missa para cumprir a vontade de Jesus, que mandou celebrar a Ceia:
"Fazei isto em memória de mim!"
No início das comunidades cristãs, eles não falavam "missa", mas "fração do pão" (cf. At 2,42). São Paulo também fala de missas celebradas em algumas comunidades (cf 1Cor 11,17-34), inclusive celebradas por ele (cf. At 20,7-11).
A Eucaristia não é simplesmente uma das coisas que Jesus fez por nós: é a grande surpresa que Ele nos preparou durante toda a sua vida. Ele já havia prometido nos dar "pão vivo descido do céu" e que esse pão seria a sua carne "para a nossa salvação" (cf. Jo 6,35-69).

iv) "Eis o Mistério da Fé!"

Terminada a Consagração, o Presidente proclama solenemente, mostrando o Sacramento:
"Eis o Mistério de nossa fé!"

v) Lembrança da Morte e Ressurreição de Jesus

A Assembléia, levanta-se no mesmo momento em que o padre (logo depois da consagração do vinho ele genuflectiu e se levantou) e responde:
"Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!"
Há outras formas de resposta. O que é importante é que todos respondam com fé! O Mistério só é aceito por quem crê! Assim, as palavras do celebrante soam como que um "desafio à fé": "Eis o Mistério da fé!" No Emaús temos o costume de cantar o Maranatha que é perfeitamente litúrgico para o momento, é um clamor ao Jesus que vem!

vi) Orações pela Igreja

A Igreja é o "Corpo Místico de Cristo". Nela circula a vida da Graça. É o que chamamos de Comunhão dos Santos, dita no "Creio". Entre todos os membros da Igreja, no céu ou na terra, existe a intercomunicação da Graça. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmãos, membros da grande Família de Deus.
Assim, na Missa, dentre as orações pela Igreja, a primeira é pelo Papa e pelo Bispo Diocesano, pelas suas grandes responsabilidades. Pedimos também pelos evangelizadores e evangelizados, pela conversão dos pagãos e pela perseverança dos cristãos.
Oramos também pelos falecidos % uFFFD um ato de caridade. Na Bíblia há um elogio a Judas Macabeu pela sua intercessão e oferecimento de um "sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado" (2Mac 12,45-46).
Finalmente pedimos por nós como "povo santo e pecador", para que estejamos um dia reunidos com a Virgem Maria, os Apóstolos e todos os bem- aventurados no céu, para louvarmos e bendizermos a Deus. A oração termina "por Jesus Cristo nosso Senhor", que nos disse:
"Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, ele vos dará. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis." (Jo 16,23-24)

vii) Louvor Final ("Por Cristo...")

É dito pelo sacerdote e somente por ele. Esse é o verdadeiro ofertório, pois é o próprio Cristo que oferece e é oferecido. É por meio de Jesus que damos graças e louvores ao Pai. Ele é o nosso Pontífice, isto é, a nossa "ponte" entre o céu e a terra, como Ele disse:
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim." (Jo 14,6)
Por isso, encerra-se a Oração Eucarística proclamando:
Padre: "Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós, Deus Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre!"
Depois disso a Assembléia responde o chamado GRANDE AMÉM, que é o principal de toda a missa! Devia ser festivamente dito ou cantado com uma profunda devoção pois é o Amém Síntese da Missa.
Esse até de louvor é dito de pé, sendo que o Presidente levanta a hóstia e o cálice.

3. Rito da Comunhão

i) Pai-Nosso e Oração Seguinte

Começa a preparação para a Comunhão Eucarística. É a síntese do Evangelho. Para bem rezá-lo, precisamos entrar no pensamento de Jesus e na vontade do Pai. É uma oração de sentido comunitário que, mesmo rezada só, deve-se proferi-la em intenção de todos.
Para comungar o Corpo do Senhor na Eucaristia, preciso estar em comunhão com meus irmãos %uFFFD membros do Corpo Místico de Cristo.
A oração do Pai Nosso é rezada da seguinte forma:
"Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal."
O primeiro céus aparece no plural na versão em português do Pai-Nosso por significar TODO LUGAR e um estado de espírito, de alegria de VIDA. O segundo céu aparece no singular em oposição a terra, significando realmente o céu no sentido da Vida Eterna. Dizemos perdoai-NOS com a partícula NOS pois pedimos que Deus perdoe a NÓS e não as nossas ofensas, assim como perdoamos AQUELES que nos ofenderam e não os pecados deles.

Dentro da missa, o Pai Nosso não tem o AMÉM final. A oração do Pai Nosso se estende até o final da oração que o sacerdote reza a seguir, pedindo a Deus que nos livre de todos os males. Porque só quando estamos libertos do mal é que podemos experimentar a paz e dar a paz. Assim como só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em comunhão com Deus é que pode comunicar a seus irmãos a paz.
Sac.: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo salvador.
O "Amém" do Pai Nosso, dentro da missa é substituído pela oração: "Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!", que é dito logo após a oração anterior.

ii) Saudação da Paz

A paz é um dom de Deus, que só ele pode dar:
"Deixo-vos a paz. Dou-vos a minha paz. Não a dou como o mundo a dá." (Jo 14,27)
Antes de o Presidente convidar a Assembléia para que se saúdem mutuamente no amor de Cristo, ele recorda as palavras de Jesus, fazendo este diálogo com o povo:
Padre: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; dai-lhe segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Povo: Amém!
Padre: A paz do Senhor esteja sempre convosco!
Povo: O amor de Cristo nos uniu.

iii) Fração do Pão

Ao fim da saudação entre os fiéis, o celebrante parte a hóstia grande e coloca um pedacinho dela dentro do cálice com vinho consagrado. Esse ato tem o sinal da fraternidade, da repartição do pão, como Jesus o fez para seus discípulos na Ceia, além do reconhecimento de Cristo, por parte dos discípulos de Emaús, ao partir o pão em sua casa.

iv) Cordeiro de Deus

Logo após, o Presidente põe um pedaço da Hóstia no cálice e reza em voz baixa:
"Esta união do Corpo e do Sangue de Jesus, o Cristo e Senhor, que vamos receber, nos sirva para a vida eterna!"
Ao mesmo tempo, a Assembléia canta o "Cordeiro de Deus".
Embora no Ato Penitencial todos já se tenham purificado, ao aproximar-se do momento da Comunhão os fiéis sentem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais uma vez, dizendo:
"Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz!"
Enquanto isso, o padre se inclina diante do Santíssimo Sacramento e pede a Jesus que aquela comunhão seja para a sua salvação. Ninguém se atreva a receber o Corpo do Senhor indignamente!
No AT e no NT Jesus é apresentado como o "Cordeiro de Deus". Sete séculos antes de Cristo, o profeta Isaías predisse que o Messias seria levado à morte, "sem abrir a boca, como um cordeiro conduzido ao matadouro" (cf. Is 53,7). João Batista, ao ver Jesus passando, disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). São Paulo disse: "Cristo, nossa Páscoa, foi imolado" (1Cor 5,7b).
E, de fato, na hora em que Jesus morria na cruz, era imolado no Templo o cordeiro pascal para os judeus comemorarem a Páscoa. São Pedro também disse que não fomos resgatados pelo preço vil de ouro ou de prata, mas "pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha" (cf. 1Pd 1,18-19).

v) Felizes os Convidados!

Terminado o "Cordeiro de Deus", o Presidente levanta a Hóstia consagrada e a apresenta à Assembléia, dizendo:
"Felizes os convidados para a Ceia do Senhor! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! "
Pelo sangue de Cristo fomos salvos. Jesus é o nosso Libertador. Dele nos aproximamos com alegria. Daí o Presidente nos convidar à comunhão, dizendo "Felizes os convidados".
Ao que o povo responde:
"Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo."
Essa resposta é tirada da resposta do oficial romano, o centurião, dada a Jesus (cf. Mt 8,8). Na verdade, ninguém é digno de comungar. É por bondade de Jesus que Ele vem a nós. Por isso, nos aproximamos da Comunhão com fé e humildade.
A comunhão eucarística não é um "prêmio" para os justos que já se libertaram de todos os pecados, mas um Alimento que fortalece os pecadores na sua caminhada em busca da libertação de todo o mal.

vi) Distribuição da Comunhão

Comungar é receber Jesus Cristo, Rei dos reis, para alimento de vida eterna. Quem comunga deve meditar um pouco nesse Mistério da presença real do Senhor em sua vida. E não comungar e já ir saindo da Igreja, ou ficar conversando e se distraindo. Não convém nem mesmo ir rezar diante de alguma imagem, pois Jesus deve ser o centro da atenção e piedade nessa hora. Ele é o Hóspede divino que acaba de ser recebido.
Após dizer "Felizes os convidados...", com a resposta da comunidade, o padre reza em voz baixa:
"Que o Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna."
Em seguida, comunga o Corpo e o Sangue do Senhor. Depois o padre e os ministros dão a comunhão para os fiéis. Mostrando a Hóstia a cada um, diz:
"O Corpo de Cristo!"
E quem comunga responde: "Amém!"
Quanto ao modo de receber a comunhão, na boca ou na mão, é de competência do Bispo. Quem comunga, recebendo a Hóstia na mão, deve elevar a mão esquerda aberta, para o padre colocar a comunhão na palma da mão. O comungante, imediatamente, pega a Hóstia com a mão direita e comunga ali mesmo, na frente do padre. Não pode sair com a Hóstia na mão e comungar andando.
Para comungar é preciso estar na Graça de Deus (sem pecado grave) e em jejum (uma hora antes da comunhão).
Por uma questão prática, normalmente se dá apenas a Hóstia e não o Vinho Consagrado. Porém, na Hóstia está o Cristo inteiro e vivo, com seu corpo, sangue, alma e divindade.

vii) Canto de Ação de Graças

Após a Comunhão do povo, convém haver alguns momentos de silêncio para interiorização da Palavra de Deus e ação de graças. Pode-se também recitar algum salmo ou cantar algum canto de ação de graças. Não é o momento de dar avisos ou prestar homenagens a alguém. A Ação de Graças é de toda a Assembléia e não apenas dos cantores ou de algum solista.

viii) Oração após a Comunhão

Apenas após terminada esta oração, que é presidencial, podem-se dar avisos e fazer convites. Se for algo breve, a Assembléia pode ouvir de pé, caso contrário, pode sentar-se.

IV %uFFFD RITOS FINAIS
1. Comunicados e Convites

2. Bênção Final

Solene, dada pelo Presidente. Antes da bênção, o Presidente da Celebração saúda a Assembléia, dizendo: "O Senhor esteja convosco!" E todos respondem: "Ele está no meio de nós."
Nesta hora, se a comunidade estiver sentada, deve levantar-se. Aí vem a bênção, que pode ser com uma fórmula simples ou solene. Por exemplo, uma fórmula é: "Abençoe-vos Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo!" E todos respondem "Amém!"
Ao dar a bênção, o padre traça uma cruz sobre a Assembléia e todos devem inclinar a cabeça.
É muito importante a bênção de Deus dada solenemente na Missa! Essa bênção é para cada pessoa presente! É preciso valorizar mais e receber com fé a bênção solene dada no final da Missa.
A Missa termina com a bênção! Em seguida, vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa.

3. Despedida

Todos devem esperar o sacerdote sair do altar para depois se retirarem.


Bibliografia:
A Missa Parte por Parte -Pe. Luiz Cechinato, 18ª ed., Ed. Vozes, 1992
Celebrar a Vida Cristã - Ed. Vozes
Catecismo da Igreja Católica
Riquezas da Mensagem Cristã - Ed. Lumen Christi

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Meu Dia com Deus

DIA 16 DE ABRIL - QUINTA-FEIRA

Ouça: 
Evangelho do Dia: (João 3,31-36)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que crêem sem ter visto (Jo 20,29).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
3 31 "Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos.
32 Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu testemunho.
33 Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro.
34 Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas.
35 O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas.
36 Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus".
Palavra da Salvação.
 
Meditando o Evangelho
JESUS E SUA MISSÃO
            O diálogo com Nicodemos constituiu uma oportunidade para Jesus explicitar sua origem e missão. Ele veio do alto, do Pai. Portanto, seu horizonte existencial superava os limites da história humana e lançava raízes no próprio Deus. Foi assim que Jesus declarou sua divindade. Sua origem celeste e sua superioridade em relação a todos fazia-o tão próximo de Deus a ponto de revesti-lo dos atributos próprios da divindade.
            Sua missão consistiu em dar testemunho do que aprendeu junto do Pai. Neste, suas palavras tinham sua origem. E seu testemunho era rigorosamente verdadeiro. Não aceitá-lo corresponderia a rebelar-se contra o próprio Deus. Afinal, Jesus recebera do Pai um mandato específico. Rejeitá-lo significaria rejeitar quem o enviou.
            Toda a vida de Jesus teve como pano de fundo o amor que o Pai lhe dedicou. E este amor foi tão intenso que o Pai não hesitou em colocar nas mãos do Filho, inclusive o poder de julgar a vida de quem se negar a crer nele.
            A contemplação do Ressuscitado coloca-nos diante de uma opção intransferível: aceitar, como veraz, o testemunho de Jesus e, com isso, obter a salvação; ou rejeitá-lo, e ser fadado à condenação eterna. Quem é prudente, opta pela salvação.
 
Oração
            Espírito de decisão, leva-me sempre a escolher o caminho da fé e da salvação, indicados pelo Filho, como o único capaz de me levar à reconciliação com o Pai.
 

Rubens Ricupero apresenta análise de conjuntura social na 53ª Assembleia Geral


analise conjuntura 53 AGOblato beneditino, ex-ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco (1992-1994), o jurista Rubens Ricupero, falou aos bispos no espaço da Assembleia Geral dedicado ao estudo da atual conjuntura social, política e econômica do Brasil. Ele agradeceu ao presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno, considerando uma honra se dirigir aos bispos daquela que ele assume como “sua igreja”. Ricupero lembrou que teve oportunidade, há 21 anos, de falar à Conferência, em Brasília, quando dom Luciano Mendes de Almeida era presidente.
O jurista disse ter aceitado o convite sem pretensão de revelar algo novo para os bispos que vivem em contato com o povo e com o dia-a-dia, considerando até que esses bispos podem saber mais do que ele sobre a realidade: “quero apenas oferecer uma ajuda ´pensando alto´ a respeito da realidade a partir da sensibilidade de um cristão”.
Ele considera que é muito difícil prever o movimento dos acontecimentos pela velocidade das mudanças. Como ilustração, disse que poderia dizer outra coisa um mês atrás, após manifestações populares e antes de um apoio mais explícito do governo federal ao Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a delegação ao vice-presidente, Michel Temer, para realizar a articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso.
“Precisamos do mínimo denominador comum que poderia nos unir a todos, todos os brasileiros de boa vontade, acima das visões divergentes: tudo fazer para que o Brasil não sofra nenhum retrocesso nas conquistas nos últimos 30 anos. Conquistas no plano político, institucional e, principalmente, no combate à pobreza”, disse. “Qualquer sociedade será julgada pela maneira como trata os mais pobres, os mais frágeis, os mais vulneráveis. Esse é o sentido principal da ação política”, acrescentou.
Realidade atual
Ricupero também pediu atenção especial para uma visão histórica dos últimos 30 anos. “Os militares deixaram o poder porque, na verdade, eles tinham fracassado, tinham destruído as instituições e se declaravam, no fundo, vencidos por duas crises econômicas que, apesar dos poderes que tinham, não conseguiram controlar: a hiperinflação e a dívida externa. O novo governo civil começou sobre piores auspícios. A morte do presidente eleito e o presidente Sarney teve de governar com dificuldade. Mas, esse período trouxe uma conquista muito importante: aprovar uma Constituição progressista, aberta”.
Na análise, Ricupero mostrou que é preciso atenção para algo fundamental da realidade atual: o país não somente não está crescendo, mas está recuando. O crescimento não é tudo, mas pode-se dizer que não sendo tudo, é quase tudo. Sem crescimento não há base para melhorar a vida social”. E lembrou que se o crescimento não for retomado em pouco tempo, as conquistas sociais estão ameaçadas. “As faixas da população que saíram da pobreza extrema fizeram isso graças ao crescimento. Se não voltarmos a crescer, essas conquistas já começam a mostrar corrosão. Desemprego cresce, perda do valor real dos salários. Quando fui ministro, em fins de março de 1994, a inflação estava em 55% ao mês. A inflação pesa, sobretudo, no bolso de quem depende de salários. Essas pessoas já começam a diminuir o consumo e a inflação pode trazer uma intensificação dos mecanismos distributivos que é o radicaliza a opinião público”, ponderou.
“Temos que rapidamente deter esse movimento. Precisamos de um ajuste que poupe os que são mais frágeis, que permita o equilíbrio da dívida pública e que atraia o investimento”, acrescentou. Segundo Ricupero o governo está consciente dessa realidade.  “Conheço os ministros da fazenda e do planejamento e creio que eles merecem apoio”, disse Ele acha que a popularidade do governo deve deixar de cair e que sejam criadas as condições para que o governo possa conduzir o processo. “É possível que o mandato atual seja turbulento, mas o valor da Constituição, da lei e da participação deve ser preservado”, reforçar.
Situação do Brasil
“Nós criamos uma democracia de massa. Na primeira eleição para o Congresso, em 2 de dezembro de 1945, que elegeu o Marechal Eurico Gaspar Dutra, votaram 35% da população adulta. Metade da população estava fora do jogo. Em 1930, apenas 10% da população adulta teve direito de votar. Nós melhoramos muito. O Brasil teve avanços consideráveis. Teve avanço na luta contra a pobreza e desigualdade, embora os resultados sejam frágeis porque partimos de muito baixo”, disse.
Uma leitura, em preparação para a análise que faria aos bispos, Ricupero leu a Bula Misericordiae Vultus do papa Francisco sobre o Ano Santo da Misericórdia. Nesse documento, o papa cita uma frase de Paulo VI, pronunciada no encerramento do Concílio Vaticano II, em 7 de dezembro de 1965: “em vez de diagnósticos desalentadores, se dessem remédios cheios de esperança; para que o Concílio falasse ao mundo atual não com presságios funestos mas com mensagens de esperança e palavras de confiança”. Para Ricupero, essa frase representa muito para os cristãos nesse momento social, político e econômico do Brasil. Ricupero concluiu com outra citação do papa Francisco em discurso feito no Brasil, em 2013: “Quando me pedem um conselho, minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo. Ou se aposta no diálogo e na cultura do encontro ou todos perdemos”.

Em coletiva à imprensa, bispos abordam Eleições, Diretrizes e Reforma Política



Coletiva 15 de abril 270x180O arcebispo de Campo Grande (MS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, acolheu os jornalistas que farão a cobertura da 53ª Assembleia Geral (AG) CNBB, nesta quarta-feira, 15, durante entrevista coletiva. Na ocasião, dom Dimas, que também é porta-voz da Assembleia, lembrou as palavras do papa Francisco ao dizer que o bom jornalismo se nutre de uma “sincera paixão pelo comum e pela verdade”.
Participaram da coletiva o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Jaime Spengler; o arcebispo de Vitória da Conquista (BA), dom Luís Gonzaga Pepeu; e o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Mol.
Na oportunidade, dom Jaime falou sobre a atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). “A cada quatro anos a Assembleia é convidada a rever as Diretrizes. Ano passado, foi manifestado, com relação às Diretrizes em vigor, o desejo de haver apenas uma atualização que considerasse o magistério mais recente da Igreja, do papa Francisco, e principalmente da Evangelii Gaudium”, recordou. As Diretrizes são tema central desta edição da AG.
Eleições
Os detalhes do processo eleitoral, outro aspecto importante desta Assembleia, que é eletiva, foi abordado por dom Luís Gonzaga Pepeu. O arcebispo de Vitória da Conquista explicou explicou que em meio a assuntos importantes como o Ano da Paz, o Ano da Vida Consagrada e os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, ocorrem também as eleições para a Presidência e as doze comissões da CNBB.
De acordo com dom Pepeu, as eleições devem ter início na próxima segunda-feira, 20, quando atingido o quórum de dois terços dos votos. “Todos os eleitos são para o serviço, assim como trabalha a Campanha da Fraternidade 2015, com o lema ‘Eu vim para servir’. Se eleito, o bispo é questionado se aceita esse serviço”, afirmou.
São eleitores e também candidatos à presidência e vice-presidência todos os bispos diocesanos, enquanto os bispos auxiliares e coadjutores podem disputar apenas a vaga de secretário geral. Caso os primeiros dois escrutínios não alcancem os dois terços necessários, o terceiro escrutínio pode decidir por maioria absoluta. Se a maioria absoluta também não for alcançada, o quarto e quinto escrutínios elegem os dois mais votados.
Reforma Política
O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para o Acompanhamento da Reforma Política, dom Joaquim Mol, ressaltou o importante papel da imprensa na formação e esclarecimento da sociedade civil. Em seguida, falou sobre a necessidade imediata da reforma política. “Temos frequentemente assistido manifestações das quais não constam na pauta a reforma política. É uma pena, pois só por meio dela podemos melhorar o quadro político do país, eliminando a corrupção, a barganha, e outras práticas ruins da política, responsáveis por deixar grande parte da população na miséria”, afirmou.
“É claro que a reforma política não resolve tudo, diante do grave quadro em que se encontra a política do país. Mas ela é um passo necessário e indispensável”, disse dom Mol. Em seguida, o bispo ressaltou que a Conferência não é filiada a nenhum partido político, mas integrante da sociedade civil organizada, e que tem o compromisso de contribuir para que o Brasil seja um país melhor.

Assembleia da CNBB manifesta vivência fraterna e solicitude dos bispos para com a Igreja




assembleia
Tem início nesta quarta-feira, 15, em Aparecida (SP), a 53ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante a cerimônia de abertura, realizada logo pela manhã, o presidente da CNBB destacou aos mais de 400 bispos presentes a importância deste encontro anual para a vida da Igreja no Brasil e para a vivência da colegialidade do episcopado brasileiro.
“Esse acontecimento anual do qual participamos é uma vivência particularmente intensa do afeto colegial e de solicitude pela Igreja que se manifesta nessa porção do colégio episcopal”, assinalou.
Na mesa de abertura estavam presentes, além do Cardeal Raymundo Damasceno Assis, o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello, o arcebispo de São Luís e vice-presidente da CNBB, dom José Belisário da Silva, o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, o reitor do Santuário Nacional, Padre João Batista de Almeida e o prefeito de Aparecida, Márcio Siqueira.
Em sua palavra, o presidente da CNBB abriu um panorama geral do que será tratado nessa assembleia, enfatizando a proposta central. “O Tema Central dessa assembleia são as Diretrizes”, disse o presidente lembrando que na assembleia passada ficou decidido que as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE 2011-2015) seriam apenas atualizadas para mais um quadriênio.
A assembleia deste ano terá como base a Exortação Apostólica do Papa Francisco a ‘Alegria do Evangelho’, os discursos do pontífice ao episcopado brasileiro durante a Jornada Mundial da Juventude e os documentos recentes da CNBB.
Dom Raymundo assinalou ainda a importância da reflexão e contribuições dos bispos nesta assembleia para a elaboração de um documento que irá ajudar as dioceses brasileiras a “continuar a sua missão evangelizadora”.
Dom Giovanni D’Aniello ao se dirigir aos bispos agradeceu a oportunidade para participar da assembleia e manifestou a comunhão do Santo Padre com este encontro. O Núncio destacou o empenho da Igreja no Brasil no anúncio do Evangelho, ao destacar alguns eventos históricos que permeiam a vida da Igreja no mundo e que a influenciam positivamente, como a celebração dos 50 anos de conclusão do Concílio Vaticano II e o Sínodo dos Bispos. Dom Giovanni sublinhou ainda a viva participação dos leigos na vida da Igreja que está na agenda desta assembleia.
Abertura da Assembleia Geral da CNBB  (Credito-Thiago Leon) Para o reitor do Santuário Nacional, padre João Batista de Almeida (C.Ss.R.), a assembleia constitui um momento especial de comunhão da Igreja e de irmãos na fé. O reitor lembrou que a assembleia ocorre oportunamente no Tempo da Páscoa, quando a Igreja celebra a vitória da vida sobre a morte e espera o Espírito Paráclito que impulsionará os seguidores de Jesus a sair pelo mundo e a testemunhar que Cristo está vivo.
abertura_da_assembleia_geral_da_cnbb_credito_thiago_leon_8_001Essa realidade recorda os sentimentos dos apóstolos no tempo de Jesus, que juntos com Maria, viviam sua fé na oração e na fração do pão. Esse momento relaciona-se com a assembleia dos bispos que vivenciam de certa forma os mesmos sentimentos. “Há muitos anos, os bispos se reúnem em assembleia anual e, geralmente, no Tempo da Páscoa, também unidos pelo mesmos sentimentos que brotaram do coração dos apóstolos. Sentimentos esses que conduzem ao desejo de continuar a missão de Jesus, sobretudo, o anúncio da esperança e da vida para o povo brasileiro”, destacou.
O reitor citou ainda que no mesmo espírito de oração os bispos contam com o amparo maternal de Maria, não apenas em sua presença amorosa mas sua presença evangelizadora a partir de seu Santuário. “Permitam-me dizer que Nossa Senhora empresta a sua casa para que os seus filhos bispos recebam a soma do Espírito que fecundou o seio virgem de Nazaré e nele fez nascer o Redentor”, sublinhou. “Desde 2007, quando aqui se reuniram os bispos da América Latina e Caribe, Aparecida se tornou o útero materno e gerador de vida eclesial”, acrescentou.
A Assembleia Geral deste ano reúne aproximadamente 400 bispos vindos de todos os estados brasileiros para discutir diversos temas de interesse para a missão e a vida da Igreja no Brasil. De hoje, 15, até o dia 24 de abril acompanhe a cobertura completa da 53ª AG pelo A12.com no endereço: www.a12.com/cnbb.

Uma prévia da encíclica sobre o clima


Dado o longo alcance de sua influência, a revolução do papa Francisco promete acelerar.
Por Paul B. Farrell
Aqui está uma prévia da histórica "encíclica sobre as mudanças climáticas" do papa Francisco, a ser lançada brevemente, completada com pontos de discussão para o seu próximo discurso à sessão conjunta do Congresso dos EUA.
Os prováveis títulos da encíclica: "Cuidar da criação ... Nós somos os guardiães da Criação ... Se destruírmos a Criação ... a Criação vai nos destruir", uma advertência pública, muitas vezes, repetida pelo pontífice no ano passado, uma mensagem certa para intensificar a ira dos negadores da ciência climática pertencentes ao Partido Republicano dos EUA (também conhecido como GOP), petrolíferas internacionais, Koch Bros, Exxon Mobil e a maioria das empresas de combustíveis fósseis, bem como os seus bancos, investidores e capitalistas em todos os lugares. Eis o porquê:
A muito antecipada encíclica do papa Francisco será transmitida a todo o mundo para bilhões de pessoas, incluindo 5 mil bispos, 400 mil sacerdotes e 1,2 bilhão de membros da Igreja Católica Romana. Ela estará incentivando o seu exército de fiéis a tomar medidas firmes, a combater as alterações climáticas e as ameaças do aquecimento global ao meio ambiente.
A encíclica também será traduzida para centenas de línguas e difundida em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o papa Francisco irá pressionar os chefes de estado e aos líderes religiosos, inspirando milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, incentivando-as a aderir a essa revolução.
Essa histórica encíclica também irá definir o cenário para tudo o que o papa Francisco planejou para o resto de 2015. Ele é um homem com uma missão para salvar o mundo das aceleradas ameaças aos recursos naturais do planeta. De forma mais imediata, a encíclica terá os principais pontos de discussão para o seu discurso à sessão conjunta do Congresso em setembro, seu discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York e sua mensagem de dezembro para a histórica Conferência do Clima da ONU, em Paris. Muitos dos seus pontos sobre o ambiente já são bem conhecidos.
Quando o papa Francisco abordar o Congresso norte-americano, ele vai enfrentar um grupo hostil de 169 políticos de linha-dura do Partido Republicano, negadores da ciência climática, que descartam a ideia de que o aquecimento global é causado pelo homem, em parte porque, coletivamente, eles receberam mais de 52 milhões de dólares em contribuições de grandes empresas de petróleo, carvão e combustíveis fósseis, três vezes mais do que receberam os outros membros do Congresso, que concordam que a mudança climática é uma ameaçaà sobrevivência de nossa civilização.
Os negadores do GOP no Congresso incluem católicos como o presidente da Câmara, John Boehner, o senador da Flórida, Marco Rubio, considerado um provável candidato presidencial para 2016, assim como o ex-candidato a vice-presidente, Paul Ryan, presidente do Comitê da Câmara, os quais estarão ouvindo o Papa Francisco. Sentado com eles estará senador de Oklahoma, Jim Inhofe, presidente do Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas, autor de "The Greatest Hoax: How the Global Warming Conspiracy Threatens Your Future" ("O grande trote: como a conspiração do aquecimento global ameaça o seu futuro").
Quem também estará ouvindo o papa Francisco é o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, do Kentucky, que recentemente tentou "minar as negociações internacionais destinadas a combater a mudança climática" ao dizer publicamente para que os "outros países não confiem na promessa do presidente Obama de reduzir significativamente as emissões de carbono dos Estados Unidos".
E, em mais um ato desesperado, McConnell também enviou uma carta para os governadores de todos os 50 Estados incentivando-os a ignorar as leis federais que aplicam os regulamentos de ar limpo da Agência de Proteção Ambiental "destinados a reduzir as emissões de carbono das usinas de energia movidas a carvão". Seu estado é grande na mineração de carvão.
Pontos-chave na histórica encíclica do papa sobre as mudanças climáticas
O sempre sorridente e otimista Papa Francisco, um ex-boxeador, adora uma boa briga. Mas ele tem o seu alvo real apontado com um laser - incentivar a ação - convidando centenas de milhões de fiéis católicos, de fato, convidando todos os sete bilhões de pessoas em todo o mundo, para participar de uma revolução econômica global.
Aqui estão oito advertências públicas do papa, editadas pela organização Catholic Climate Covenant, a partir da sua "Exortação Apostólica", do jornal The Guardian e outras fontes de notícias, nos avisos sobre as aceleradas mudanças climáticas e os riscos do aquecimento global para o meio ambiente, além de nossa responsabilidade individual para "salvaguardar a Criação, pois somos os guardiões da Criação. Se destruírmos a Criação, a Criação vai nos destruir". Preste atenção aos avisos do papa:
Nossa perda da bússola moral: "Estamos vivendo um momento de crise; o vemos no meio ambiente, mas principalmente o vemos no homem. O ser humano está em jogo: aqui está a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é apenas uma questão de economia, mas de ética".
Acelerado colapso ambiental: A "ameaça para a paz surge da exploração gananciosa dos recursos ambientais. A monopolização de terras, o desmatamento, a apropriação da água, inadequados agrotóxicos são alguns dos males que tiram o homem da terra de seu nascimento. As alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que testemunhamos".
Exploração de recursos naturais: "O Gênesis nos diz que Deus criou o homem e a mulher, confiando-lhes a tarefa de habitar a terra e dominá-la, o que não significa explorá-la, mas nutri-la e protegê-la, cuidá-la com o uso do seu trabalho".
Falha em respeitar a natureza: "Essa tarefa, que nos foi confiada por Deus, o Criador, nos obriga a compreender o ritmo e a lógica da Criação. Mas muitas vezes somos impelidos pelo orgulho de dominação, de posse, de manipulação, de exploração; nós não nos importamos com a Criação, nós não a respeitamos".
Ricos e pobres são responsáveis: "Fortalecer e cuidar da Criação é um comando que Deus dá não só no início da história, mas para cada um de nós. É parte de seu plano; isso significa fazer com que o mundo cresça com responsabilidade, transformando-o de modo que ele possa ser um jardim, um lugar habitável para todos". Todos.
O dinheiro passa por cima da moralidade: Sem um código moral "já não é o homem que comanda, mas o dinheiro. É o dinheiro vivo que comanda. A ganância é a motivação ... Um sistema econômico centrado no deus do dinheiro precisa saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente". Em vez disso, o papa pede um "novo e radical sistema financeiro e econômico para evitar a desigualdade humana e a devastação ecológica".
Nós adoramos o dinheiro. "Criamos novos ídolos. A adoração do bezerro de ouro antigo voltou em um novo e cruel disfarce através da idolatria do dinheiro". O papa Francisco adverte que "a economia 'trickle-down' é uma teoria falida"... não podemos confiar na "mão invisível" do capitalismo ... o "consumismo excessivo está matando a nossa cultura, os valores e a ética" ... e "o ideal conservador do individualismo está minando o bem comum".
O capitalismo está matando o Planeta Terra: O papa Francisco avisa que o capitalismo é a "raíz" de todos os problemas do mundo: "Enquanto os problemas dos pobres não são radicalmente resolvidos, rejeitando a autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade, não será possível encontrar uma solução para os problemas do mundo, ou, nesse sentido, para todos os problemas", já que os danos ambientais atingem mais o mundo dos pobres.
A revolução está vindo: o papa está empenhado em mudar o mundo de forma rápida
Imaginem o papa Francisco abordando o Congresso hostil do GOP. O jornal The Guardian minimizou a animosidade de seus inimigos no GOP, petrolíferas internacionais, os negadores do clima e os governadores conservadores em sua manchete: "Edital do papa Francisco sobre as alterações climáticas irá enfurecer os negadores e as Igrejas dos Estados Unidos".
Enfurecer? Muito mais. O papa está incentivando uma rebelião aberta contra esses inimigos. Mas, sendo realista, ele sabe muito bem que não há chance de mudar as mentes dos políticos da direita como McConnell, Boehner, Inhofe, Ryan e outros republicanos que negam a ciência climática, altamente dependentes de doações políticas de combustível fóssil. Então, vai ser interessante vê-los se contorcendo, fingindo aplaudir ou apenas se sentando estoicamente, como fizeram antes, quando o presidente Obama falou em uma sessão conjunta. Mas ele está colocando claramente as bases para uma revolução econômica global, e seus inimigos sabem disso.
Ainda mais interessante vai ser observar o efeito cascata da "encíclica sobre as mudanças climáticas" depois que o papa Francisco falar à Assembleia Geral da ONU ... depois que a Conferência de Paris anunciar um novo tratado internacional aprovado pela China e centenas de nações em todo o planeta ... após a mensagem do papa ser traduzida para mais de mil línguas ... e transmitida para sete bilhões em todo o mundo, milhares de milhões que já estão enfrentando de forma direta a mudança climática e os "males que tiram o homem da terra de seu nascimento".
Dado o longo alcance de sua encíclica, a revolução do papa Francisco vai acelerar. Então é melhor que os 169 negadores do clima do GOP, do petrolíferas internacionais, do Império Koch e todos os conservadores de direita estejam preparados para uma reação poderosa em um futuro próximo. O grito de guerra do papa Francisco em 2015 é para uma revolução global, uma convocação para que bilhões de pessoas tenham de volta o seu planeta roubado por uma indústria de combustíveis fósseis que não tem bússola moral e é autodestrutiva.
Market Watch, 09-04-2015.
*Tradução de Claudia Sbardelotto.