quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Evangelho do Dia

B - 20 de agosto de 2015

Mateus 22,1-14

Aleluia, aleluia, aleluia.
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 22 1 Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:
2 "O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.
3 Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir.
4 Enviou outros ainda, dizendo-lhes: ´Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!´
5 Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio.
6 Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.
7 O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
8 Disse depois a seus servos: ´O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos. 9 Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes´.
10 Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.
11 O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.
12 Perguntou-lhe: ´Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial?´ O homem não proferiu palavra alguma.
13 Disse então o rei aos servos: ´Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes´.
14 Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
A INGRATIDÃO CASTIGADA 
A parábola evangélica resulta numa releitura da história de Israel e da Igreja. O convite para participar do banquete preparado pelo rei, por ocasião do matrimônio de seu filho, expressa o amor de Deus por seu povo. O povo eleito era o convidado especial para participar do lauto banquete. Nada mais natural do que responder afirmativamente, pois ter sido objeto da deferência de um rei é algo de extrema relevância.
Os convidados, porém, recusam-se a comparecer, apesar da insistência do rei que, por duas vezes, enviou seus emissários para convencê-los a vir. Estes não fizeram caso. Cada um foi para os seus afazeres. Pior ainda, pegaram os servos, maltrataram-nos, e os mataram. Simbolicamente aqui está retratada a atitude insensata do povo de Israel que se recusou a ouvir os apelos à conversão, que lhe foram dirigidos através dos séculos, por meio dos profetas. Por isso, foi castigado com a destruição, pelas mãos dos romanos.
Estando pronto o banquete e tendo os primeiros convidados sido indignos de participarem dele, o rei mandou seus emissários pelos caminhos para reunirem maus e bons, de forma que a sala do banquete ficou repleta. Em outras palavras, tendo Israel recusado o convite divino, este foi dirigido aos pagãos que o acolheram, de maneira a formar o verdadeiro povo de Deus, a Igreja.

 
Leitura
Juízes 11,29-39
Leitura do livro dos Juízes.
Naquele tempo, 11 29 o Espírito do Senhor desceu sobre Jefté, e ele, atravessando Galaad e Manassés, passou dali até Masfa de Galaad, de onde marchou contra os amonitas.
30 Jetfé fez ao Senhor este voto:
31 "Se me entregardes nas mãos os amonitas, aquele que sair das portas de minha casa ao meu encontro, quando eu voltar vitorioso dos filhos de Amon, será consagrado ao Senhor, e eu o oferecerei em holocausto".
32 Jefté marchou contra os amonitas, e o Senhor lhos entregou.
33 Ele os derrotou desde Aroer até as proximidades de Menit, e até Abel-Queramim, tomando-lhes vinte aldeias. E os amonitas, com este terrível golpe, foram humilhados perante Israel.
34 Ora, voltando Jefté para a sua casa em Masfa, eis que sua filha saiu-lhe ao encontro com tamborins e danças. Era a sua única filha, porque, afora ela, não tinha filho nem filha.
35 Quando a viu, rasgou as suas vestes: "Ah, minha filha, exclamou ele, tu me acabrunhas de dor, e estás no número daqueles que causam a minha infelicidade! Fiz ao Senhor um voto que não posso revogar".
36 "Meu pai", disse ela, "se fizeste um voto ao Senhor, trata-me segundo o que prometeste, agora que o Senhor te vingou de teus inimigos, os amonitas".
37 E ajuntou: "Concede-me somente isto: Deixa-me que vá sobre as colinas durante dois meses, para chorar a minha virgindade com as minhas amigas".
38 "Vai", disse-lhe ele. E deu-lhe dois meses de liberdade. Ela foi com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade sobre as colinas.
39 Passado o prazo, voltou para seu pai, e ele cumpriu o voto que tinha feito. Ela não tinha conhecido varão.
Palavra do Senhor.

 
Salmo 39/40
Eis que venho fazer, com prazer,
a vossa vontade, Senhor! 

É feliz quem a Deus se confia;
quem não segue os que adoram os ídolos
e se perdem por falsos caminhos.

Sacrifício e oblação não quisestes,
mas abristes, Senhor, meus ouvidos;
não pedistes ofertas nem vítimas,
holocaustos por nossos pecados.
Então eu vos disse: “Eis que venho!”

Sobre mim está escrito no livro:
“Com prazer faço a vossa vontade,
guardo em meu coração vossa lei!”

Boas novas de vossa justiça
anunciei numa grande assembléia;
vós sabeis: não fechei os meus lábios!
 
Oração
Ó Deus, que fizestes do abade são Bernardo, inflamado de elo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos, pó sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia Diária

DIA 20 DE AGOSTO - QUINTA-FEIRA

SÃO BERNARDO
ABADE E DOUTOR 
(BRANCO, PREFÁCIO COMUM OU DOS SANTOS – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona de entrada:
O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz no coração a lei de seu Deus (Sl 36,30s).
Oração do dia
Ó Deus, que fizestes do abade são Bernardo, inflamado de elo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos, pó sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Juízes 11,29-39)
Leitura do livro dos Juízes.
Naquele tempo, 11 29 o Espírito do Senhor desceu sobre Jefté, e ele, atravessando Galaad e Manassés, passou dali até Masfa de Galaad, de onde marchou contra os amonitas.
30 Jetfé fez ao Senhor este voto:
31 "Se me entregardes nas mãos os amonitas, aquele que sair das portas de minha casa ao meu encontro, quando eu voltar vitorioso dos filhos de Amon, será consagrado ao Senhor, e eu o oferecerei em holocausto".
32 Jefté marchou contra os amonitas, e o Senhor lhos entregou.
33 Ele os derrotou desde Aroer até as proximidades de Menit, e até Abel-Queramim, tomando-lhes vinte aldeias. E os amonitas, com este terrível golpe, foram humilhados perante Israel.
34 Ora, voltando Jefté para a sua casa em Masfa, eis que sua filha saiu-lhe ao encontro com tamborins e danças. Era a sua única filha, porque, afora ela, não tinha filho nem filha.
35 Quando a viu, rasgou as suas vestes: "Ah, minha filha, exclamou ele, tu me acabrunhas de dor, e estás no número daqueles que causam a minha infelicidade! Fiz ao Senhor um voto que não posso revogar".
36 "Meu pai", disse ela, "se fizeste um voto ao Senhor, trata-me segundo o que prometeste, agora que o Senhor te vingou de teus inimigos, os amonitas".
37 E ajuntou: "Concede-me somente isto: Deixa-me que vá sobre as colinas durante dois meses, para chorar a minha virgindade com as minhas amigas".
38 "Vai", disse-lhe ele. E deu-lhe dois meses de liberdade. Ela foi com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade sobre as colinas.
39 Passado o prazo, voltou para seu pai, e ele cumpriu o voto que tinha feito. Ela não tinha conhecido varão.
Palavra do Senhor.

 
Salmo responsorial 39/40
Eis que venho fazer, com prazer,
a vossa vontade, Senhor! 

É feliz quem a Deus se confia;
quem não segue os que adoram os ídolos
e se perdem por falsos caminhos.

Sacrifício e oblação não quisestes,
mas abristes, Senhor, meus ouvidos;
não pedistes ofertas nem vítimas,
holocaustos por nossos pecados.
Então eu vos disse: “Eis que venho!”

Sobre mim está escrito no livro:
“Com prazer faço a vossa vontade,
guardo em meu coração vossa lei!”

Boas novas de vossa justiça
anunciei numa grande assembléia;
vós sabeis: não fechei os meus lábios!
 
Evangelho (Mateus 22,1-14)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 22 1 Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:
2 "O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.
3 Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir.
4 Enviou outros ainda, dizendo-lhes: ´Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!´
5 Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio.
6 Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram.
7 O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
8 Disse depois a seus servos: ´O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos. 9 Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes´.
10 Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.
11 O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.
12 Perguntou-lhe: ´Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial?´ O homem não proferiu palavra alguma.
13 Disse então o rei aos servos: ´Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes´.
14 Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.
Palavra da Salvação.
 
Comentário ao Evangelho
A INGRATIDÃO CASTIGADA 
A parábola evangélica resulta numa releitura da história de Israel e da Igreja. O convite para participar do banquete preparado pelo rei, por ocasião do matrimônio de seu filho, expressa o amor de Deus por seu povo. O povo eleito era o convidado especial para participar do lauto banquete. Nada mais natural do que responder afirmativamente, pois ter sido objeto da deferência de um rei é algo de extrema relevância.
Os convidados, porém, recusam-se a comparecer, apesar da insistência do rei que, por duas vezes, enviou seus emissários para convencê-los a vir. Estes não fizeram caso. Cada um foi para os seus afazeres. Pior ainda, pegaram os servos, maltrataram-nos, e os mataram. Simbolicamente aqui está retratada a atitude insensata do povo de Israel que se recusou a ouvir os apelos à conversão, que lhe foram dirigidos através dos séculos, por meio dos profetas. Por isso, foi castigado com a destruição, pelas mãos dos romanos.
Estando pronto o banquete e tendo os primeiros convidados sido indignos de participarem dele, o rei mandou seus emissários pelos caminhos para reunirem maus e bons, de forma que a sala do banquete ficou repleta. Em outras palavras, tendo Israel recusado o convite divino, este foi dirigido aos pagãos que o acolheram, de maneira a formar o verdadeiro povo de Deus, a Igreja.

 

Oração 
Espírito de presteza, que eu esteja sempre pronto para responder ao convite de Deus, para viver em comunhão com ele.



 

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Nós vos apresentamos, ó Deus todo-poderoso, o sacramento da unidade e da paz, neste dia em que festejamos o abade são Bernardo, que, por suas palavras e ações, procurou incansavelmente a concórdia da Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão:
Eis o servo fiel e prudente a quem o Senhor confiou sua casa, para dar a todos os pão de cada dia (Lc 12,42).
Depois da comunhão
Ó Deus, que esta comunhão, na festa de são Bernardo, produza em nós os seus frutos para que, encorajados por seus exemplos e guiados por seus conselhos, sejamos arrebatados pelo amor do Verbo que se fez carne. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO BERNARDO):
Bernardo nasceu na última década do século XI, no ano 1090, em Dijon, França. Era o terceiro dos sete filhos do cavaleiro Tecelim e de sua esposa Alícia. A sua família era cristã, rica, poderosa e nobre. Desde tenra idade, demonstrou uma inteligência aguçada. Tímido, tornou-se um jovem de boa aparência, educado, culto, piedoso e de caráter reto e piedoso. Mas chamava a atenção pela sabedoria, prudência, poder de persuasão e profunda modéstia.

Quando sua mãe morreu, seus irmãos quiseram seguir a carreira militar, enquanto ele preferiu a vida religiosa, ouvindo o chamado de Deus. Na ocasião, todos os familiares foram contra, principalmente seu pai. Porém, com uma determinação poucas vezes vista, além de convencê-los, trouxe consigo: o pai, os irmãos, primos e vários amigos. Ao todo, trinta pessoas seguiram seus passos, sua confiança na fé em Cristo, e ingressaram no Mosteiro da Ordem de Cister, recém-fundada.

A contribuição de Bernardo dentro da ordem foi de tão grande magnitude que ele passou a ser considerado o seu segundo fundador. No seu ingresso, em 1113, eram apenas vinte membros e um mosteiro. Dois anos depois, foi enviado para fundar outro na cidade de Claraval, do qual foi eleito abade, ficando na direção durante trinta e oito anos. Foi um período de abundante florescimento da Ordem, que passou a contar com cento e sessenta e cinco mosteiros. Bernardo sozinho fundou sessenta e oito e, em suas mãos, mais de setecentos religiosos professaram os votos.

Bernardo viveu uma época muito conturbada na Igreja. Muitas vezes teve de deixar a reclusão contemplativa do mosteiro para envolver-se em questões que agitavam a sociedade. Foi pregador, místico, escritor, fundador de mosteiros, abade, conselheiro de papas, reis, bispos e também polemista político e tenaz pacificador. Nada conseguia abater ou afetar sua fé, imprimindo sua marca na história da espiritualidade católica romana.

Ao lado dessas atividades, nesse mesmo período teve uma atividade literária muito expressiva, em quantidade de obras e qualidade de conteúdo. Tornou-se o maior escritor do seu tempo, apesar de sua saúde sempre estar comprometida. Isso porque Bernardo era um religioso de vida muito austera, dormia pouco, jejuava com freqüência e impunha-se severa penitência.

Em 1153, participando de uma missão em Lorena, adoeceu. Percebendo a gravidade do seu estado, pediu para ser conduzido para o seu Mosteiro de Claraval, onde pouco tempo depois morreu, no dia 20 de agosto do mesmo ano. Foi sepultado na igreja do mosteiro, mas teve suas relíquias dispersadas durante a Revolução Francesa. Depois, sua cabeça foi entregue para ser guardada na catedral de Troyes, França.

São Bernardo de Claraval, canonizado em 1174, recebeu, com toda honra e justiça, o título de doutor da Igreja em 1830.

Francisco: o céu inicia na comunhão com Jesus


Alimentar-se daquele "Pão da Vida" significa entrar em sintonia com o coração de Cristo.
Por Geovane Saraiva*
A Eucaristia é Jesus mesmo que se doa por inteiro a seu povo. Alimentar-se dele, mistério inefável,  quer dizer habitar nele mediante a comunhão eucarística, acolhida com muita fé. A partir do Filho de Deus, pão descido do céu, a vida das pessoas, evidentemente, se transforma em dom para Deus e para os irmãos. Alimentar-se daquele "Pão da Vida" significa entrar em sintonia com o coração de Cristo e colocar na mente e no coração seu projeto de amor para com a humanidade, nas palavras do Papa Francisco logo no início do seu pontificado (17/03/2013): "Sejam mais indulgentes e não tão apressados em condenar as falhas dos outros; um pouco de misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo". Isso significa verdadeiramente entrar em comunhão com Deus, como criaturas transformadas, alegres e felizes, homens e mulheres de paz,  perdão, reconciliação e partilha solidária, associados ao amor salvífico de Deus,  no exemplo do Salvador da humanidade.
Como é importante fixar na mente que, na celebração da missa, as espécies se conservam inalteradas. É o íntimo, é o interior humano que deve tornar-se outro, ser transformado. Só mesmo renovados pelo Corpo e Sangue de Cristo podemos rezar, a exemplo do Papa Francisco: "Como seria belo se cada um de vós pudesse ao fim do dia dizer: 'Hoje realizei um gesto de amor pelos outros!'" (30/04/2013). Nas celebrações eucarísticas, temos o procedimento, final do ofertório, de lavar as mãos, que é chamado, em latim, de "lavabo", indicando que as mãos dos sacerdotes são lavadas em sinal de purificação e inocência (cf. Sl 26, 6). O gesto do sacerdote, enquanto presidente da assembleia, é realizado também em nome dos fiéis presentes, a partir do nosso bom Deus, que nos ama de modo incondicional, convencendo-nos, na sua bondade e infinita graça, que somos criaturas novas e transformadas ou transubstanciadas, sobretudo a partir do nosso ser interior.
Dom Helder Câmara, em uma vida de profunda intimidade com o Pai, ensina-nos o verdadeiro sentido das celebrações eucarísticas: "Havia tanta emoção nas palavras da consagração que o vimos muitas vezes chorando ao celebrar a Missa. E sempre repetia com toda convicção que o verdadeiro celebrante da Missa é Nosso Senhor Jesus Cristo" (cf. Pe. João Carlos Ribeiro). O gesto de lavar as mãos expressa o desejo de purificação interior do sacerdote e da assembleia, povo de Deus, dizendo em silêncio: "Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado". Daí a purificação externa expressa uma profunda e forte simbologia de mudança, na qual, e é bom que fique claro, quer envolver e atingir o interior das pessoas que participam da celebração, pessoas novas e transubstanciadas no milagre eucarístico.
O Pão da Vida foi o tema da alocução do Papa Francisco (16/08/2015), que sempre precede a oração do Angelus,  tendo como palavra-chave:  "O céu começa com esta comunhão com Jesus, tornamo-nos como Jesus". Falou o Augusto Pontífice da importância do sim com adesão de fé, diante da pouca fé e da objeção em relação à Santa Missa: "Mas para que serve a Missa? Eu vou na Igreja quando sinto vontade, rezo melhor sozinho. Mas a Eucaristia não é uma oração privada ou uma bonita experiência espiritual, não é uma simples comemoração daquilo que Jesus fez na Última Ceia. Nós dizemos, para entender bem, que a Eucaristia é 'memorial', ou seja, um gesto que atualiza e torna presente o evento da morte e ressurreição de Jesus: o pão é realmente o seu Corpo oferecido por nós, o vinho é realmente o seu Sangue derramado por nós".
Diante do acima citado, agradeço ao bom Deus os  meus 27 anos de sacerdócio, pelas mãos de  Dom Aloísio Cardeal Lorscheider (14/08/1988), sem nunca esquecer o desejo de viver a sedução de Deus no profeta Jeremias: "Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr 20, 7), igualmente, a frase de São Francisco de Sales, grande místico e mestre na escola de espiritualidade da Igreja: "Fazer-se tudo para todos". Por onde passei, dentro das minhas limitações, pude contribuir, procurando animar os desanimados, na esperança de que somos peregrinos do absoluto, em meio às coisas passageiras, a caminho do definitivo, da glória futura, da vida junto de Deus, na lição persistente do Servo de Deus, Helder Câmara: "É graça divina começar bem, graça maior é persistir na caminhada, mas a graça das graças é não desistir nunca".
*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE – geovanesaraiva@gmail.com

FORMAÇÃO PARA SALMISTAS


“Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa” Sl97(98),5

Jaboatão dos Guararapes, 15 de agosto de 2015.

É com imensa alegria que o Vicariato Recife Sul 2, da Arquidiocese de Olinda e Recife, vem convidar todos os fiéis que desempenham o ministério do salmista nas paróquias, comunidades, oratórios e ordens religiosas do território vicarial para uma formação, estendendo o convite também aos demais interessados que tenham o intuito de exercer tal ministério.
A formação acontecerá no sábado, dia 05/09/2015,das 8h às 18h, no salão paroquial da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem (Pracinha), e será assessorada por Gílson Celerino(Comissão Arquidiocesana de Liturgia) e Wanderson Freitas(postulante da Ordem Carmelita). Serão abordados temas relevantes para uma boa execução do salmo responsorial na liturgia da palavra, como por exemplo: a espiritualidade dos salmos, as formas de salmodiar, o bom uso da voz, a escolha de melodias, etc.
As despesas com a assessoria e o material didático ficarão a cargo do próprio Vicariato, sendo necessário apenas o pagamento de uma taxa no valor de R$15,00(quinze reais) para a alimentação (lanche e almoço). Pede-se aos interessados que realizem a sua inscrição prévia, que pode ser feita de duas formas:
·         Através de e-mail para gilsoncelerino@yahoo.com.br .Favor informar NOME, CONTATO TELEFÔNICO e PARÓQUIA DE ORIGEM.
·         Através dos telefones: 3469 -3674(falar com Rozidete, secretária paroquial de Candeias) ou 998 372 900 (falar com Gílson; também é possível enviar WhatsApp).




Atenciosamente,
Padre Paulo Sérgio Vieira Leite (Vigário Episcopal, Vicariato Recife Sul 2).

sábado, 15 de agosto de 2015


Assunção de Nossa Senhora


"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" diz Isabel à sua prima Maria.
Por Marcel Domergue*
Referências bíblicas:
Missa da Vigília
1ª leitura: «A arca de Deus foi colocada no meio da tenda que Davi tinha armado» (1 Crônicas 15,3-4.15-16;16,1-2)
Salmo: Sl 131(132) Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi com vossa arca poderosa!
2ª leitura: «Ó morte, onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?» (1 Coríntios 15,54-57)
Evangelho: «Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram»
Missa do Dia
1ª leitura: «Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés» (Apocalipse 11,19;12,1-3-6,10)
Salmo: 44(45) - R/ À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
2ª leitura: «Em primeiro lugar, Cristo; depois, os que pertencem a Cristo» (1 Coríntios 15,20-27)
Evangelho: «O Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor... Ele elevou os humildes» (Lucas 1,39-56)
Uma mulher de exceção
Jesus não era imortal. Maria tampouco. Por isso as segundas leituras (Missas da Vigília e do Dia) falam da ressurreição, que não é a mesma coisa que a imortalidade. Assim, portanto, da mesma forma que seu filho, Maria também passou pela morte. Mas, então, o que significa a Assunção? Para compreender, é preciso colocar este "mistério" no conjunto das figuras e imagens produzidas pelos cristãos para afirmar a sua fé. Partiu-se de uma experiência universal: todo mundo, homens e mulheres, cada um de nós, somos afrontados com muita frequência pelas "potestades e dominações" de que nos fala São Paulo. Traduzindo: a vontade de dominar, o desejo de possuir tudo o que se pode possuir, mesmo se em detrimento dos outros. Em resumo, tomando-nos por deuses, buscamos receber honra e louvor. E como isto de certa forma nos afeta a todos, Santo Agostinho formulou uma teologia do "pecado original" que hoje está a merecer um debate maior. Este é um mal que atinge todos os homens? Não a Jesus. E este, exatamente, é um dos sentidos da cena das tentações que, nos sinóticos, abre o relato da sua "vida pública". Nem Maria é atingida, uma vez que não está mentindo quando se declara "serva" (Lucas 1,38 e 48). O evangelho de hoje é para ser lido todo ele sob este prisma. "Servo" é o contrário de senhor, de dominador. E, por aí, Maria se acha excluída de toda vontade de poder "original". Para os antigos teólogos, não poderia ser de outro modo, pois a sua humanidade é feita do mesmo tecido que a humanidade de Jesus.
Uma exceção redobrada
Alguns leitores irão dizer: "já está prestes a falar da Imaculada Conceição, ao invés da Assunção". Pois chegamos lá. Mas notemos que ambas estão intimamente ligadas. Se a Imaculada Conceição atém-se de alguma forma ao início da vida de Maria, a Assunção, que caracteriza o seu término, é somente uma consequência dela. Os homens pactuaram com o mal que respiram junto com os ares do tempo, por isso são submetidos ao julgamento. A teologia endureceu e esquematizou um pouco este tema do julgamento nas Escrituras, negligenciando todos os textos que falam em escapar dele: particularmente as palavras de Jesus que dizem ter ele vindo não para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Já se falou em "juízo particular", referente a cada pessoa na hora da sua morte, e em "juízo final", no fim dos tempos. Tudo isto pertence a uma teologia, dita "dos fins últimos", que mereceria reflexões mais aprofundadas. Neste contexto, é preciso dizer que, não tendo pactuado com o pecado do mundo, Maria não é passível de julgamento. Com a Assunção, está fora da lógica destes "fins últimos". E nos é apresentada como sendo assumida diretamente por Deus, pois soube assumir o Filho, fazendo-se permeável à Palavra. O que reter de tudo isto? Compreendamos primeiro que todas as crenças cristãs, expressas e solidificadas pelos dogmas, querem dizer alguma coisa, inclusive as teologias do juízo. Maria já ressuscitou, na ressurreição do seu filho.
Maria e nós
Maria foi de fato cabalmente julgada, no sentido bíblico de pôr-se à prova, de ser "testada", no julgamento que se realiza, para ela como para nós, ao longo dos acontecimentos da existência. E que, de certo modo, está fora do tempo, do outro lado da fronteira que separa o nosso tempo da eternidade. Nos caminhos que percorremos, e que podem se figurar por uma linha horizontal, temos de fazer escolhas. E, a cada vez, as nossas decisões têm como que um eco na verticalidade que nos ultrapassa e que chamamos de eternidade. Para Maria, houve um primeiro julgamento logo no começo, em sua escolha inicial. Na Anunciação, coube primeiro a ela julgar se a Palavra que lhe foi dirigida era acreditável ou não. Ao decidir pelo "acreditável", manifestou-se crente e, por aí, encontrou-se julgada, revelando-se aberta a esta Palavra fecundante. No outro extremo da sua vida e dos evangelhos, temos o juízo-prova final: a mãe está ao pé da cruz do filho. Ela não desertou. Em Lucas 2,34-35, Simeão bem lhe havia dito que a espada dos dois gumes da Palavra traspassaria a sua alma e que se revelariam os seus pensamentos mais íntimos (Hebreus 4,12-13). Estando junto a Jesus crucificado, estava com ele já também na Vida. Maria projeta diante de nós o percurso do nosso próprio itinerário. A Assunção é tudo isto. Conservemos a imagem de Maria arrebatada ao céu pelos anjos, mas sabendo que isto é apenas uma imagem: cabe a nós descobrir todos os seus significados.
Instituto Humanitas Unisinos
*Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês.

Meu Dia com Deus

DIA 15 DE AGOSTO - SÁBADO

Ouça: 
Evangelho do Dia: (Mateus 19,13-15)
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 19 13 foram, então, apresentadas a Jesus algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os discípulos, porém, as afastavam.
14 Disse-lhes Jesus: “Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham”.
15 E, depois de impor-lhes as mãos, continuou seu caminho.
Palavra da Salvação.
 
Meditando o Evangelho
VENHAM A MIM AS CRIANCINHAS
            Ao apresentar seus filhos para serem abençoados por Jesus, algumas mães estavam rompendo um sistema de marginalização das crianças. Os discípulos repeliam-nas, de acordo com a mentalidade reinante: as criancinhas eram tidas como seres sem valor algum para ficar importunando o Mestre. Jesus se posicionou contra esta visão distorcida.
            O Reino anunciado por ele fundava-se na igualdade das pessoas. Era um Reino de comunhão e fraternidade. Portanto, não podia admitir a exclusão de quem quer que fosse. Às criancinhas, o Mestre disse estar reservado um lugar especial no Reino, pois este pertenceria a quem se parecesse com elas. O modo de ser dos pequeninos devia servir de modelo de comportamento do discípulo do Reino. Se dele as crianças fossem excluídas, o Reino ficaria privado de um referencial muito importante. Não que o ideal do discípulo é ser ingênuo e infantil, como se acredita serem as crianças. E sim, ser capaz de confiar plenamente em Deus, não buscar segurança por si mesmo, não ter o coração corrompido pela maldade.
            Ao impor as mãos sobre as criancinhas, Jesus reconhecia sua cidadania, no contexto do Reino. Por conseguinte, nas comunidades cristãs, as crianças teriam sua dignidade respeitada e não seriam inferiorizadas pelos adultos.
            Esta foi a vontade de Jesus que, ao implantar o Reino na história humana, recuperou o projeto de Deus para a humanidade.

 
Oração
            Senhor Jesus, que na comunidade cristã se respeite a todos, a começar pelas criancinhas, que são um sinal de como devem ser os discípulos do Reino.