terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Evangelho do dia

Ano C - Dia: 05/02/2013



Jesus cura mulher e ressuscita a menina!
Leitura Orante


Mc 5,21-43

Jesus [...]estava à beira-mar. Veio um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Vendo Jesus, caiu-lhe aos pés e suplicava-lhe: "Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe as mãos sobre ela para que fique curada e viva!" Jesus foi com ele. Uma grande multidão o acompanhava e o apertava de todos os lados. Estava aí uma mulher que havia doze anos sofria de hemorragias [...], aproximou-se, na multidão, por detrás e tocou-lhe no manto. Ela dizia: "Se eu conseguir tocar na roupa dele, ficarei curada". Imediatamente a hemorragia estancou. [...] Jesus percebeu que uma força tinha saído dele e, voltando-se para a multidão, perguntou: "Quem tocou?" Os discípulos disseram: "Tu vês a multidão que te aperta, e ainda perguntas: 'Quem me tocou?'" [...] A mulher [...] caiu-lhe aos pés e contou a verdade. Jesus disse à mulher: "Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e fica livre da tua doença". [...] Chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga dizendo: "Tua filha morreu. [...] Jesus disse ao chefe da sinagoga: "Não tenhas medo, somente crê". [...]. Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus [...] perguntou: "Por que [...]chorais? A menina não morreu, ela dorme". [...] Afastando a multidão,[...]entrou onde estava a menina. Pegou a menina pela mão e disse-lhe: "Talitá cum!" (que quer dizer: "Menina, eu te digo, levanta-te"). A menina se levantou e começou a andar - já tinha doze anos de idade. Ficaram extasiados de tanta admiração. Jesus recomendou com insistência que ninguém soubesse do caso e falou para que dessem de comer à menina.
Leitura Orante
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre, que dissestes:
"Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome,
eu aí estarei no meio deles",
ficai conosco,
aqui reunidos (pela grande rede da internet),
para melhor meditar
e comungar com a vossa Palavra.
Sois o Mestre e a Verdade:
iluminai-nos, para que melhor compreendamos
as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho:
fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida:
transformai nosso coração em terra boa,
onde a Palavra de Deus produza frutos
abundantes de santidade e missão. (Bv. Alberione)

1. Leitura (Verdade)
- O que a Palavra diz?
Preparando-me para a Leitura Orante, invoco o Espírito Santo:
A Vós, Espírito de Verdade, consagro a mente,
a fantasia e a memória: iluminai-me.
Fazei-me conhecer Jesus Cristo
e compreender o seu Evangelho
e a doutrina da Santa Igreja.
(Bem-aventurado Alberione)

Leio o texto do Evangelho de hoje, na minha Bíblia: Mc 5,21-43
Procuro entender melhor o texto:
Jairo era chefe da sinagoga. Devia interpretar a lei, conduzir a oração na sinagoga, ler as Escrituras. Era alguém influente em sua comunidade.
Quando Jesus chegou e a multidão o acolheu, ainda na praia, Jairo, foi também a ele, em busca de socorro para sua filha que estava à morte. A menina, de 12 anos, sofria de algo muito grave. Jesus acompanhava Jairo quando uma mulher que, há doze anos, sofria de uma hemorragia, o tocou e ficou curada. A atenção ao chefe da sinagoga não distraiu Jesus da atenção para com os milhões de pobres e excluídos, representados naquela mulher anônima.
Na casa do chefe da sinagoga, contra toda esperança de vida, Jesus tomou a menina pela mão, ordenou que se levantasse e ela se levantou, e pediu que dessem de comer à menina - sinal de que estava viva!
Duas mulheres, numa cultura em que a mulher não era considerada. Nos dois casos Jesus devolveu a vida e a alegria. E à mulher que sentia medo ao ser flagrada por tocar-lhe a capa, Jesus disse: "Você sarou porque teve fé". O mesmo disse a Jairo: "Não tenha medo, tenha fé!"

2. Meditação (Caminho)
- O que a Palavra diz para mim?
Será que, às vezes, o meu medo não é maior que a minha fé? Prefiro ficar como estou e não busco ajuda de Deus que é maior do que tudo!Será que meus problemas são maiores que a minha fé? E a batalha da vida, não parece, às vezes, tomar dimensões maiores que a minha fé?
Admito que a minha fé está um tanto anêmica e precisa de um tratamento, um toque na capa de Jesus. Nestes casos, o melhor restaurador é a oração. De preferência, a oração da Palavra, um encontro profundo com Jesus Mestre. Disseram os bispos, em Aparecida: "Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor, ao nos chamar e nos eleger, nos confiou. Com os olhos iluminados pela luz de Jesus Cristo ressuscitado podemos e queremos contemplar o mundo, a história..." (DAp 18).

3. Oração (Vida)
- O que a Palavra me leva a dizer a Deus?
Como Jairo, prostro-me aos pés de Jesus e suplico-lhe:
Senhor Jesus, Mestre, Verdade, Caminho e Vida,
vem até a minha casa, a minha família, ao meu trabalho, ao meu mundo.
Ilumina os cantos escuros da minha vida com a tua Verdade.
Mostra-me o Caminho certo que devo seguir.
Dá-me tua mão. Levanta-me da morte de meus ideais, de meus projetos.
Restaura-me as forças com a tua Vida.

4. Contemplação (Vida/Missão)
- Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar será de fé, na certeza de que Deus vem ao meu encontro sempre.
Um olhar de fé que me permite tocar o Senhor que passa por mim a cada instante no meio das pessoas.
Um olhar de fé me faz levantar mesmo quando as pessoas me vêem sem coragem, sem forças, sem vida!

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Santo do dia

5 de fevereiro

Venerável Mestra Tecla Merlo

Lançamento do Blog Mestra Tecla Merlo
A idéia da mulher como líder na ação da Igreja começou a tomar vulto e foi se estruturando até chegar a ser uma Congregação religiosa: Irmãs Paulinas.

Desde o início, Tiago Alberione percebeu qua a mulher deveria estar na linha de frente nesta cruzada pelo Reino de Deus, e esse seu pensamento logo se transformou em ação. Foi assim que a idéia da mulher como líder na ação da Igreja começou a tomar vulto e foi se estruturando até chegar a ser uma congregação religiosa: a Pia Sociedade Filhas de São Paulo, mais conhecida como Irmãs Paulinas.

A Congregação dos Padres Paulinos - primeira congregação fundada pelo Padre Tiago Alberione - já estava dando os seus primeiros passos. Agora, era necessário encontrar uma jovem para iniciar o ramo feminino. Deus, que estava por trás de tudo, não tardou em possibilitar o encontro de Alberione com a jovem Tecla Merlo.

Desde o início, Teresa sentiu a força de Deus e, na pobreza absoluta, apenas com a bagagem da fé, da confiança e da humildade, ela começou, orientada por Alberione, a Congregação que veria florescer no mundo inteiro, a Congregação das Irmãs Paulinas, as mensageiras de Deus, ou andarilhas de Deus, como o fundador gostava de chamá-las.

UM IDEAL: Viver como São Paulo, o apóstolo das nações: com espírito universal, na caridade que se faz "tudo para todos".

UMA PAIXÃO: Revelar a todos o Senhor Jesus, Caminho, Verdade e Vida.

UMA INTUIÇÃO: Trabalhar na evangelização com os meios modernos de comunicação: imprensa, cinema, rádio, televisão, discos, cassetes, vídeo, CR-ROM, internet...

UM PROGRAMA DE VIDA: A caridade da verdade.

Teresa Merlo nasceu a 20 de fevereiro de 1894, em Castagnito d'Alba, ao norte da Itália. Única mulher entre os quatro filhos do casal Heitor e Vincenza Rolando Merlo. De saúde frágil, dedicou-se, desde adolescente, à arte da costura, num pequeno atelier da família. Sua sensibilidade religiosa chamou a atenção de Padre Tiago Alberione, que a convidou para coordenar um grupo de jovens que se preparavam para trabalhar com a imprensa. Era o dia 15 de junho de 1915.

Teresa intuiu logo que a proposta de Padre Alberione correspondia aos seus anseios de consagrar-se a Deus. Aceitou o convite, trocando o atelier de costura pela tipografia.
De fato, em 1918, Teresa com algumas de suas companheiras, foi enviada pelo Fundador a Susa onde o bispo lhes confiou a produção e divulgação do jornal diocesano LA VALSUSA. Esse momento marcou uma etapa significativa na vida de Teresa, que passará a considerar a experiência de Susa como o início da missão das Filhas de São Paulo.

Apoiada na fé, mais do que em recursos materiais, Irmã Tecla assumiu sem medo os meios modernos de comunicação, e contando apenas com a força de Deus, encorajou, no mundo inteiro, iniciativas até então inexplora.

PENSAMENTOS DE TECLA
Se não podemos estar sempre alegres,
podemos sempre estar em paz.

Podemos ser sempre jovens e trabalhar com coragem.
Basta ter força de vontade. Procuremos ser sempre jovens.

Não nos deixemos abater pelas dificuldades.

Queria ter mil vidas para dedicá-las ao Evangelho.

Quando o coração estiver cheio do amor de Deus, esse amor
necessariamente se derramará sobre o mundo.

Emprestemos os pés ao Evangelho: que ele corra e se espalhe.

Precisa-se de apóstolos, mas verdadeiros apóstolos que tenham o coração cheio de amor de Deus.

ORAÇÃO À SANTÍSSIMA TRINDADE
por Tecla Merlo

Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo,
nós vos agradecemos pelos dons singulares de luz,
de graça e de virtude que concedestes
à Irmã Tecla Merlo, e por tê-la escolhido
e constituído como mãe prudente e guia seguro
das Filhas de São Paulo.
Concedei-nos, por sua intercessão,
a graça de viver amando o que ele amava:
Jesus Mestre Eucaristia, a Igreja, o Evangelho,
as pessoas procuradas e ajudadas mediante
a comunicação social, até ao completo sacrifício.
Senhor, realizai também aqui na terra,
para esta filha devotíssima de São Paulo,
a vossa divina promessa:
«Aquele que me serve, meu Pai o glorificará.»
Exaltai esta serva fiel, para a alegria da Igreja,
para o bem de muitos,
e concedei-nos, por sua intercessão,
o que nós vos pedimos.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espiríto Santo,
como era no princípio, agora e sempre.
Amém.

Mensagens




Parabéns!
Você existe e leva alegria por onde passa.
Viver é poder dizer todas as manhãs:
"Obrigado, Senhor, eu existo!"

Hoje, seus amigos e amigas, sua família e todos nós dizemos:"como é bom conviver com você!"

Celebramos a sua vida pensando na amizade. No jardim de sua existência, você semeou gestos de encanto para acolher frutos de amor!

Tudo o que vive e respira canta louvores ao Senhor da Vida. Nenhuma história humana é escrita sem uma presença amiga que lhe estende a mão.

Por isso, convido você a agradecer ao Autor da vida: Obrigado, meu Deus, por meus pais, irmãos, irmãs, amigos, amigas e por todos os que fazem parte de minha história.

Obrigado, meu Deus, por todas as pessoas que me ajudaram a crescer.
Que eu possa realizar meu ideal, colocando todos os meus dons a serviço da construção da vida e da esperança.

Por mais um ano que passou, cheio de vida e amor, experiências e lutas, rendo graças com todos os que me amam!
Parabéns por mais este ano, presente-surpresa, com votos de muitos outros cheios de vida e esperança.

Parabéns para você neste dia feliz!
Eu lhe dedico esta melodia e que ela acompanhe seus passos, para uma alegria sem fim.

Sonhe alto, sonhe forte, sonhos de paz e de harmonia. Que a vida lhe reserve as melhores surpresas e alegrias.
Parabéns! Mais um ano de vida!
Siga em frente, a caminho do infinito, tocando a sua estrela!

Que a Bênção de Deus esteja sempre com você!


Celina Helena Weschsfelder
Referência: Parabéns pela vida!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ecumenismo: Encontro entre Comunhão de Igrejas evangélicas e Vaticano



Viena, Áustria, 04 fev (SIR) – O tema da eclesiologia estará no centro do primeiro encontro de uma série de consultas entre a Comunhão das Igrejas protestantes europeias (Ccpe) e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, previsto de 7 a 10 deste mês de fevereiro em Viena, capital da Áustria.
“Não se trata de um diálogo oficial – explica mons. Matthias Türk, que para o dicastério vaticano segue o diálogo com as Igrejas evangélicas -, mas de uma série de conversas”. “O objetivo – acrescenta – é o de chegar a um texto comum sobre o que é a Igreja e estabelecemos um tempo de cinco anos”. As conversas serão animadas por um grupo de 16 peritos convidados pelas duas delegações.
A eclesiologia é entre os temas mais controversos no atual debate ecumênico e se começará pela análise de um documento preparado pelas Igrejas protestantes “Igreja de Jesus Cristo”. O grupo da Igreja católica será liderado por dom Karl-Heinz Wiesemann, bispo de Speyer (Alemanha). A delegação da Ccpe será coordenada pelo bispo Friedrich Weber. A Itália será representada por Fúlvio Ferrário, professor de teologia sistemática da Faculdade Valdense de Roma.
“O que de novo traz esta série de consultas – destacou Ferrário à agência Nev – é que pela primeira vez o Pontifício Conselho pela promoção da unidade dos cristãos assume como interlocutor não uma Igreja – como acontece nos diálogos bilaterais – mas uma Comunhão de Igreja como é a Ccpe”.

Lefebvrianos não podem mais celebrar nas igrejas católicas


Por Andrea Tornielli


Cidade do Vaticano, 04 fev (Vatican Insider / Tradução SIR) – É dele a decisão significativa e indicadora: o Bispo de Lousanne-Genebra-Fribugo, no oeste da Suíça, dom Charles Morerod - teólogo dominicano, ex-reitor do Angelicum e ex-secretário da Comissão teológica internacional bem como membro da delegação da Congregação para a Doutrina da Fé no diálogo com a Fraternidade São Pio X – publicou um decreto proibindo aos padres lefebvrianos de celebrar a missa nas igrejas e nas capelas de sua Diocese.
E destacou que os padres da Fraternidade estão suspensos «a divinis». O documento, assinado a 20 de janeiro último, diz respeito à «admissão das outras religiões, confissões ou grupos religiosos, como também da Fraternidade São Paio X e dos ‘teólogos independentes’ nas igrejas e nas capelas romano-católicas». Dom Morerod, um prelado que Ratzinger conhece bem, no documento explica que as comunidades pertencentes a religiões não cristãs receberão uma resposta negativa se pedirem a utilização de uma igreja católica.
Com relação, no entanto, às comunidades e confissões cristãs, como estabelece o «Diretório para a aplicação dos princípios e das normas sobre o ecumenismo» de 1993, o Bispo explica que a licença pode ser dada «por razões de necessidade pastoral». «Se esta necessidade pastoral se apresenta, as igrejas e as capelas podem ser colocadas à disposição só paras comunidade de fé católico-cristã, evangélico-reformada, ortodoxa e anglicana». Os sacerdotes da Fraternidade São Paio X, de acordo com aquilo que se lê no decreto, não entram nestas categorias.
Morerod, de fato, dedica três breves parágrafos aos lefebvrianos, lembrando, primeiramente que a excomunhão decretada pela Santa Sé a Lefebvre e aos bispos por ele ordenados em 1988 «foi tirada por decreto da Congregação dos Bispos a 21 de janeiro de 2009». Em seguida cita um trecho da carta de 10 de março de 2009 escrita por Bento XVI aos Bispos do mundo todo após a tempestade do caso Williamson: «O fato que a Fraternidade São Pio X não possua uma posição canônica na Igreja, não tem razões, afinal, disciplinares, mas doutrinárias. Até que a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, também seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja».
Morerod insiste, portanto, sobre a existência da suspensão «a divinis», isto é a proibição de celebrar. «Por estas razões – conclui o bispo suíço – é proibido aos padres da Fraternidade sacerdotal São Pio X o uso das igrejas e das capelas católicas para qualquer sérico sacerdotal e, em particular, para a administração dos sacramentos».

A redescoberta da sexualidade na senescência humana


(Primeira Parte)
A cultura tende a menosprezar a “novidade” que a terceira idade pode trazer para a vivência da humanização, da personalização e da socialização da sexualidade.


(Foto: )
Por Nilo Ribeiro Junior*
Desde que a reflexão do corpo voltou à baila graças aos últimos avanços, seja das ciências biológicas, da informática, seja das ciências humanas e da filosofia, temos sido surpreendidos pela redescoberta de algo fundamental a respeito da própria condição humana. A saber, estamos a ouvir vozes uníssonas a insistir de que o ser humano não “tem” um corpo, mas “é” seu corpo, isto é, ele é um ser-no-mundo-com-os-outros e sua inserção no mundo se expressa culturalmente na sua configuração “como” corpo e não “apesar” ou “contra” o corpo. E que, portanto, o corpo humano não se reduz a um objeto ou a um conjunto de órgãos ou à mera fisiologia. Antes, a corporeidade diz respeito à condição existencial, relacional, cultural, social, política, religiosa etc. do ser humano. Toda a experiência humana passa, portanto, pelo crivo do corpo e o corpo diz em profundidade quem é o ser humano na sua identidade feita de diversidade e pluralidade. Em suma, na corporeidade se inscreve a humanidade do ser humano na sua unicidade e integralidade aberta.
Nesse horizonte vemo-nos também interpelados a ter de ressignificar o sentido do sexo (humano) a partir do “gênero”. Afinal, se o ser humano é eminentemente corporeidade, seria inconcebível tratá-lo como alguém que apenas “tem” sexo. Ao contrário, o ser humano traz a marca da sexualidade em todos os poros de seu corpo e a narrativa de sua carnalidade condensa sua história sexuada, de modo que a sexualidade emerge como categoria de gênero genuinamente humanizante da condição do ser humano no mundo. Por isso, desde o fio de cabelo passando pela pele e descendo aos dedos dos pés, tudo no ser humano remete a uma dimensão eminentemente sexual porque o sexo não se refere a uma região do corpo e não poderá jamais ser identificado simplesmente com uma função ou uma pulsão, nem com a mera plasticidade genital. Ela remete à complexidade e ao enigma da pessoalidade do indivíduo que, por sua vez ultrapassa a materialidade do corpo/sexo de modo que graças à carnalidade humana se plasma a sexualidade de gênero na cultura, na história, na linguagem e na vida do corpo social.
É baseado, portanto, nessa visão filosófica que privilegia a abordagem do ser humano a partir da corporeidade e da sexualidade como gênero em detrimento da tradicional visão do ser humano como “animal racional” na qual se acostumou a separar corpo de alma ou a contrapor corpo e espírito – nova visão inaugurada pela Fenomenologia, escola filosófica que nasceu no início do século XX na Alemanha, com Edmund Husserl –, que se tem procurado repensar ou reinventar uma nova percepção da senescência ou do envelhecimento (do ser humano) que supere toda visão depreciativa, preconceituosa ou que tenda a considerar a sexualidade como algo já dado, pronto e acabado e, que por isso mesmo chegue a tratá-la como secundária e relativizada no contexto da experiência humana da denominada “terceira idade”.
Ora, as pessoas que se experimentam em plena senescência e cuja sexualidade é vivida a partir do gênero ou de sua corporeidade que não se restringe ao corpo biológico, deparam com certo “paradoxo” diante da nova cultura somática contemporânea. Essa cultura do corpo tem suas exigências que se impõem também às pessoas que estão em pleno envelhecimento. Nesse sentido a cultura tende a menosprezar a “novidade” que a terceira idade – idade existencial e não meramente biológica e cronológica de pessoa que envelhece – pode trazer para a vivência da humanização, da personalização e da socialização da sexualidade.
Por um lado, a cultura somática atual valoriza sobremaneira o corpo e a saúde a partir do ideal da bem estar físico, isto é, do acento exacerbado na performance em detrimento da construção da interioridade, do desenvolvimento da dimensão psíquico-espiritual da subjetividade e da tessitura relacional e social da sexualidade calcadas no “bem viver com os outros no mundo”.

Por outro, essa cultura não poucas vezes acaba por depreciar o corpo, sobretudo aquele que não corresponda aos novos padrões do avanço da biologia e da informática. Desse modo, tende a considerar obsoleto aquilo que não adeque ao “mito do corpo e do sexo perfeitos” retroalimentado, concomitantemente, pela visão cientificizante do sexo na sua aversão aos corpos envelhecidos. A cultura do corpo performático tende a menosprezar outras dimensões da corporeidade e da vida humana que só se revelam como tais no corpo senescente. Por vezes essa mentalidade acaba por lançar os indivíduos senescentes no afã de uma “moral do espetáculo” à medida que sem veem “obrigados” (moral) a ter de consumir e promover a todo custo o corpo e o sexo da recém-inaugurada “cultura do viagra”. Nesse caso, o envelhecimento e a fecundidade da experiência sexual das pessoas na terceira idade, ambas correm o risco de serem banalizadas ou renegadas naquilo que elas têm de mais significantes do ponto de vista existencial, a saber, o fato de que a corporeidade possui uma dimensão constitutivamente senescente como qualidade e não como defeito.
O autor é Professor e pesquisador lotado no curso de filosofia e no mestrado em Ciências da religião da Universidade Católica de Pernambuco.

Celebrações litúrgicas devem ser mais do que manifestações de emoção



Lisboa, Portugal, 04 fev (SIR/Ecclesia) – O subsecretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos disse à ECCLESIA que as celebrações das comunidades católicas têm de ser mais do que manifestações de “emoção” e deve levar a uma “transformação da vida”.
“Um cristão tem de emocionar-se na Liturgia, se a viver em profundidade, mas não pode ficar apenas pela emoção, porque esta é um fator humano. É preciso integrar outras dimensões do humano, a vontade, a racionalidade”, disse monsenhor Juan Miguel Ferrer Grenesche, que esteve em Portugal para falar da constituição ‘Sacrosanctum Concilium’ (1963), sobre a Liturgia, aprovada pelo Concílio Vaticano II.
O responsável da Santa Sé admite que alguns movimentos dentro da Igreja sublinham a dimensão da emotividade, esquecida por outros, convidando-os a aprender com a tradição “plurissecular” a “irradiação do ato de fé sobre a razão humana, o conhecimento, e sobre a vontade, a transformação da vida que se ordena para Deus”.
Num mundo de imagens, destaca monsenhor Grenesche, é preciso recuperar a dimensão da contemplação face à “sucessão de impressões” que marca as sociedades contemporâneas. “Os sentidos e a imagem são algo fundamental, mas desde uma perspectiva contemplativa. O mundo da imagem da cultura contemporânea ajuda-nos a não descurar o aspeto dos sinais sensíveis da Liturgia, mas esta convida o mundo a não deixar-se arrastar pela corrente de imagens”.
Quanto à ‘Sacrosanctum Concilium’, primeira constituição aprovada pelo Vaticano II (1962-1965), o especialista espanhol sublinha que os 50 anos que passaram sobre o Concílio são como “uma gota de água num grande mar” na vida da Igreja, sendo ainda necessário assimilar a novidade “teológica” que o encontro mundial de bispos trouxe à Liturgia. “O principal é pôr em evidência a ação de Deus, que se destina a que os homens entrem em diálogo com Ele”, explicou. Para que exista esse diálogo, acrescentou, é preciso “facilitar o acesso dos fiéis” ao que é celebrado, para que possam “expressar-se de modo mais completo, mais rico”.
As mudanças visíveis na língua e nos ritos, assume o subsecretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, desvalorizaram aos aspetos ligados à “formação” no campo litúrgico, conclui.