quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Evangelho do dia

Ano C - 20 de novembro de 2013

Lucas 19,11-28

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu vos escolhi a fim de que deis, no meio do mundo, um fruto que dure (Jo 15,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
19 11 Ouviam-no falar. E como estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola:
12 "Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar.
13 Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: ‘Negociai até eu voltar’.
14 Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: ‘Não queremos que ele reine sobre nós’.
15 Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado.
16 Veio o primeiro: ‘Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas’.
17 Ele lhe disse: ‘Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades’.
18 Veio o segundo: ‘Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas’.
19 Disse a este: ‘Sê também tu governador de cinco cidades’.
20 Veio também o outro: ‘Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; 21 pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste’.
22 Replicou-lhe ele: ‘Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei.
23 Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros’.
24 E disse aos que estavam presentes: ‘Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas’.
25 Replicaram-lhe: ‘Senhor, este já tem dez minas!
26 Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem.
27 Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença’".
28 Depois destas palavras, Jesus os foi precedendo no caminho que sobe a Jerusalém.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
OS TALENTOS MULTIPLICADOS
A impaciência dos discípulos levava-os a acreditar que o fim dos tempos estava chegando, e o Reino ia se manifestar glorioso. Jesus advertiu-os a não se deixarem levar por esta falsa ilusão escatológica. O que haveriam de experimentar em Jerusalém ainda estava longe de ser o fim.
Servindo-se da parábola dos talentos, Jesus tentou incutir-lhes uma nova visão da história: antes de chegar o fim, os discípulos teriam pela frente uma longa estrada a percorrer: seria o tempo de fazer frutificar os dons recebidos de Deus, por meio da vivência da caridade. Só depois dar-se-ia o encontro com o Senhor.
Esta maneira de entender a história é altamente positiva. Leva o discípulo a engajar-se na prática do amor, sem se deixar impressionar pela escatologia. Cabe-lhe aplicar-se com todo o empenho, de forma a produzir o máximo possível de frutos, quando chegar o Senhor. Neste sentido, saberá aproveitar cada momento de sua existência para fazer o bem. E terá sensatez suficiente para não cruzar os braços, nem se deixar intimidar diante dos obstáculos que terá de enfrentar.
O discípulo prudente sabe que o Senhor não aceitará desculpas para justificar o comodismo e o medo. Quem deixar perder-se os talentos recebidos, receberá o merecido castigo.

Oração
Espírito de engajamento, que eu aplique cada momento de minha vida para fazer o bem, e assim, os dons que recebi do Senhor se multipliquem em gestos de misericórdia.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Leitura
2 Macabeus 7,1.20-31
Leitura do segundo livro dos Macabeus.
7 1 Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco. 20 Particularmente admirável e digna de elogios foi a mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia e o suportou com heroísmo, porque sua esperança repousava no Senhor.
21 Ela exortava a cada um no seu idioma materno e, cheia de nobres sentimentos, com uma coragem varonil, ela realçava seu temperamento de mulher.
22 "Ignoro", dizia-lhes ela, "como crescestes em meu seio, porque não fui eu quem vos deu nem a alma, nem a vida, e nem fui eu mesma quem ajuntou vossos membros.
23 Mas o criador do mundo, que formou o homem na sua origem e deu existência a todas as coisas, vos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerdes pouco caso de vós mesmos por amor às suas leis".
24 Receando, todavia, o desprezo e temendo o insulto, Antíoco solicitou em termos insistentes o mais jovem, que ainda restava, prometendo-lhe com juramento torná-lo rico e feliz, se abandonasse as tradições de seus antepassados, tratá-lo como amigo, e confiar-lhe cargos.
25 Como o jovem não deu importância alguma, o rei mandou que a mãe se aproximasse e o exortasse com seus conselhos, para que o adolescente salvasse sua vida;
26 como ele insistiu por muito tempo, ela consentiu em persuadir o filho.
27 Inclinou-se sobre ele e, zombando do cruel tirano, disse-lhe na língua materna: "Meu filho, compadece-te de tua mãe, que te trouxe nove meses no seio, que te amamentou durante três anos, que te nutriu, te conduziu e te educou até esta idade.
28 Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra; reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada, assim como todos os homens.
29 Não temas, pois, este algoz, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que no dia da misericórdia eu te encontre no meio deles".
30 Logo que ela acabou de falar, o jovem disse: "Que estais a esperar? Não atenderei às ordens do rei; eu obedeço àquele que deu a lei a nossos pais por intermédio de Moisés.
31 Mas tu, que és o inventor dessa perseguição contra os judeus, não escaparás à mão de Deus".
Palavra do Senhor.
Salmo 16/17
Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor!

Ó Senhor, ouvi a minha justa causa,
escutai-me e atende o meu clamor!
Inclinai o vosso ouvido à minha prece,
pois não este falsidade nos meus lábios!

Os meus passos eu firmei na vossa estrada,
e por isso os meus pés não vacilaram.
eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis,
inclinai o vosso ouvido e escutai-me.

Protegei-me qual dos olhos a pupila
e guardai-me á proteção de vossas asas.
E verei, justificado, a vossa face,
e, ao despertar, me saciará vossa presença.
Oração
Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

'Os anseios da juventude' ou 'A juventude e seus anseios'


Por Gilmar Passos*

No momento, quero tratar de uma questão bem significativa, oportuna e cautelosa. Na verdade, se trata de um pedido, um anseio, partindo de muitos jovens que entram em contato comigo. Pensei bastante, provoquei alguns para que fizessem comigo essa aventura literária em colocar em palavras escritas aquilo que se revela profundamente pela simplicidade da vida.

Após algumas provocações minhas, a jovem Roseli* aceitou ou cedeu às minhas provocações sugerindo um título ao assunto. Ele foi mais longe, indicou-me dois. Os títulos são os seguintes: “Os anseios da juventude” e “A juventude e seus anseios”.  Essas duas frases são bastante fortes e podem render uma escrita pesquisada, elaborada e publicada em forma de livro. Para o momento, preferi os dois temas para deixar o leitor livre para pensar.

Pois bem, naquela tarde de sexta-feira, viajávamos para o pequeno, simples e aconchegante lugarejo denominado "Bom Viver". Passávamos pela estrada sentindo o vento soprando lentamente, a poeira sendo levantada e sumindo ao longe, o sol brilhando e iluminando toda paisagem. Nessa aconchegante viagem conversávamos sobre a juventude e seus desafios.

Não estávamos sozinhos. Contávamos com a companhia da Secretária do Desenvolvimento do Município de santa Luzia do Itanhi/SE. Uma pessoa que tem uma linda experiência de fé e persistência na luta pela liberdade. Seu silencio naquele momento foi muito significativo, enriquecedor.

Eu me sentia feliz por estar em companhia de duas representações da das fases da vida humana. Um representava toda a dinamicidade e sonhos da juventude, a outra expressava a experiência de anos acreditando em novos tempos.

A conversa se iniciou após eu fazer algumas perguntas e Roseli fazer um momento profundo de silêncio. Um silêncio que transparecia iluminar a escuridão juvenil da humanidade. Mas o silencio foi rompido, quando timidamente Roseli soltou a voz e começou a descrever um breve e direto relato sobre os anseios e inquietações da juventude e as orientações recebidas.

Em silêncio, eu ouvia e processava pela minha inteligência para que pudesse reproduzir num momento posterior. Sei que a minha limitação humana deixou escapar muita coisa boa, mesmo assim me arrisco a reproduzir aquilo que minha inteligência conseguiu captar e transformar em discurso.

A juventude é uma fase da vida do ser humano que flui como uma força inexplicável. Tudo o que se refere a vigor, a força, a coragem, a garra, ao desejo, as emoções, ficam caracterizadas pela juventude. É ao jovem que é reservado caricatura das inquietudes, dos sonhos, dos desejos. O jovem é um eterno insatisfeito, insaciável pelas novidades.

Acontece que toda a riqueza da juventude quando é bem vivida e aproveitada produz uma passagem saudável para uma nova etapa. A gravidade da situação se encontra em instituições sociais e religiosas, quando distorcem o jeito coerente de apontar os caminhos a seguir e acabam direcionando o jovem para tomar uma decisão pré-determinada e pré-estabelecida por elas.

Significa que muitas instituições ou pessoas não se tornam facilitadores para que o jovem descubra a beleza da vida, simplesmente elas agem condicionando a decisão. Ao mesmo tempo, há outro agravante, é quando tais instituições não aceitam uma decisão ou uma ação que seja diferente da condicionada por elas. Neste caso, elas passam a condenar as atitudes dos jovens, empurrando-os para crise de sentido. Esse é um dos problemas dos jovens com tudo aquilo que tem cara de instituição.

Há várias maneiras de encarar a instituição em casos como o apresentado, uma delas é a distância a tudo o que se apresenta como tal. Outra atitude é encarar as coisas com olhar crítico. Neste caso o jovem vive na instituição, contribuindo para o seu crescimento, ao mesmo tempo em que aponta onde deve ser melhorado. Infelizmente poucos jovens fazem a segunda atitude, aliás, pouco ser humano faz isso.

A falta de orientação holística e sem condicionamento gera insatisfação na juventude, deixando-a fragilizado. Essa fragilização facilita a sua entrada no mundo sombrio das ilusões, tornando-o escravo e vivendo sem sentido. O apoio ou esperança se inverte e as “anestesias” ganham espaços, por isso temos uma juventude predominantemente alheia a tudo o que é profundamente da vida humana e presa a lógica dos esquemas doentios de mortes gerados das drogas civilmente lícitas e ilícitas.

O esperançoso nisso tudo é a presença sutil de muitos jovens de fé, alguns que ficam anônimos na sociedade. Pessoas que se dedicam diariamente no comprometimento em viver os desafios da vida e se empenham na luta incansável para despertar outros jovens da paralisia provocada pela cultura melancólica e degradante, infiltrada na humanidade.

*Roseli Moreira dos santos, 24 anos, é funcionária pública do município de Santa Luzia do Itanhi (SE). Quando não está desempenhando suas funções laborais, dedica- se ao trabalho com jovens da sua comunidade, coordenadora do Ministério de música "Livre Sou". Juntamente com o Ministério realiza missões em missas e eventos da sua paróquia e em outras paróquias da Diocese de Estância (SE).
* Gilmar Passos é escritor, teólogo, poeta e padre da Igreja Católica Apostólica Romana na cidade de Santa Luzia do Itanhi (SE). Contanto: gilmpasssos@hotmail.com.

Diálogo entre religiões: um caminho possível e necessário

Representantes das três grandes religiões monoteístas falam da necessidade da convivência pacífica entre os credos.

Papa conversa com embaixador árabe: diálogo pela paz.
Por Alexandre Vaz
Redação Dom Total

Em oito meses de pontificado, o papa Francisco vem conseguindo romper a barreira entre as religiões, inspirando pessoas dos mais diferentes credos com suas palavras e gestos de solidariedade, fé e busca pelo diálogo. Reiteradamente, o pontífice vem afirmando a necessidade de se promover a “cultura do encontro” entre as tradições religiosas. "É importante que todos trabalhemos pelos demais, sem egoísmo, segundo os valores da fé. Cada religião tem sua crença, sua fé", afirmou recentemente.

Para muitos, a atitude de Francisco encontra acolhida não apenas entre católicos, como também protestantes, evangélicos, judeus, muçulmanos, budistas, entre outros credos, chegando inclusive até os não crentes, porque falam de princípios básicos para a convivência em sociedade e que, muitas vezes, são esquecidos pelas pessoas na busca pelo poder e pelo dinheiro.

Em entrevista ao Dom Total, representantes das três grandes religiões monoteístas – cristianismo, judaísmo e islamismo – são unânimes em dizer que a aceitação religiosa é fundamental para a construção de um mundo melhor e que atos de discriminação religiosa, praticados em nome de seu próprio Deus, não passam de deturpações dos ensinamentos primários.

Cristianismo

“A condição principal para o diálogo advém de três convicções profundas. Primeira, Deus salvador, infinito, faz-se presente em todas as religiões. Segunda, nós, os humanos, compreendemos de maneira limitada as manifestações de Deus. Não podemos nem devemos absolutizar nossa compreensão como se fosse perfeita, completa e única. Assim, no diálogo entre as religiões, todas elas têm condição de melhorar a própria interpretação de Deus.

Em terceiro lugar, pelo diálogo, caminhamos para o sonho de Jesus de que haja um só rebanho e um só pastor, não necessariamente sob o aspecto institucional, mas na perspectiva da fé de que o único e verdadeiro Deus seja o grande pastor de todos nós, como único rebanho. Na terra, ainda de maneira imperfeita. Na eternidade do amor de Deus, entenderemos o sentido profundo e último do desejo de Jesus.

Essa visão teológica ampla permite que olhemos para o miúdo de cada religião e o interpretemos à luz da salvação, seja para criticar quando nos afasta dela, seja para valorizar quando nos aproxima. A presença de Deus mostra-se sempre salvífica, onde ela esteja. Tal certeza funda todo diálogo e convivência entre as religiões. Elas existem como caminhos de salvação e não como instituições de poder. Aí está o ponto central do diálogo”.

João Batista Libânio, teólogo jesuíta

Judaísmo

“Idealmente, dever-se-ia criar um cultura de pluralismo religioso, onde o fiel acredita que a sua religião é a melhor para ele, mas não para todos, que outras religiões podem ter pelo menos uma parte da verdade ou que existe salvação mesmo para aqueles que não adotaram a sua religião. O judaísmo desenvolveu a crença de que existe salvação para todos os seres humanos que cumpram as sete leis básicas de Noé. Não existe necessidade de ser judeu para se salvar e, por isso, não existe proselitismo judaico atualmente.

Religiões que acreditam que só através delas chega-se à salvação, que existe necessidade de converter para salvar os demais ou que não respeitam os direitos humanos básicos, serão apenas mais uma fonte de conflitos e não poderão conviver pacificamente com as demais.

As tradições religiosas podem contribuir para um mundo mais pacífico através da criação de uma cultura de solidariedade irrestrita, independente de credo ou etnia. Devemos treinar nossos fiéis para ver no próximo a semelhança humana fundamental que existe dentro dele mesmo”.

Leonardo Alanati, rabino

Islamismo

“Todas as religiões vêm de uma mesma fonte, que é Deus. E Deus não faria uma mensagem para cada uma das correntes religiosas. Na realidade, o que impede a convivência pacífica são os interesses dos homens, que deturpam a mensagem de fé em nome da busca pelo poder.

As três religiões vem de uma mesma raiz, a raiz Abraâmica.  Cada povo recebeu um profeta, trazendo a palavra de Deus e seus mandamentos. Para o islamismo, todos os profetas que passaram pela Terra e que se dedicaram a divulgar a palavra de Deus – Abraão, Jesus, Muhammad, entre tantos - são, por principio, profetas muçulmanos.  E todos professaram as mesmas ideias, como solidariedade uns com os outros, amor ao próximo, respeito ao meio ambiente, justiça no comércio, entre outros ensinamentos.

A mensagem de diálogo e aceitação religiosas está no Alcorão para ser ensinada não apenas aos árabes, mas a todos os homens. Esse é um dos princípios básicos do islamismo”.

Daniel Yussuf, membro da Comunidade Islâmica de Belo Horizonte
Redação Dom Total

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Mensagem do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes para o Dia Mundial da Pesca


Cidade do Vaticano (RV) - O Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes recorda que no próximo dia 21, celebra-se o Dia Mundial da Pesca.

A iniciativa pretende lembrar a situação precária em que vivem muitas comunidades de pescadores do mundo e a importância de preservar os recursos oferecidos pelo mar.

A nota, assinada pelo Presidente desse organismo vaticano, Cardeal Antonio Maria Vegliò, e pelo Secretário, Dom Joseph Kalathiparambil, ressalta que "nos últimos anos, o sistema de pesca foi desenvolvido de acordo com a lógica do lucro: encher as redes no menor tempo possível e muitas vezes com pouca consideração aos peixes e ao tempo necessário para se regenerarem".

"O princípio do lucro que influencia o mundo da pesca industrial e artesanal, naturalmente leva os pescadores a trabalhar em condições climáticas adversas e por longas horas, com um excesso de cansaço que muitas vezes causam acidentes até mesmo mortais. Geralmente, em casos de acidentes no trabalho, a proteção social para o pescador e sua família é reduzida ao mínimo ou é inexistente", ressalta a mensagem.

O documento sublinha ainda que "na pesca industrial os contratos são irregulares, o salário é inadequado e a bordo faltam os requisitos mínimos de segurança. Na pesca artesanal a poluição das costas e a destruição do habitat ao longo dos litorais obrigam os pescadores a irem mais longe com embarcações inadequadas, colocando em risco suas vidas".

"As relações familiares dos pescadores são colocadas à prova por causa dos tempos prolongados no mar e por causa da breve presença na família. A esposa do pescador enfrenta as dificuldades causadas pela ausência do marido, assumindo o duplo papel de pai e mãe, com sérias implicações no processo evolutivo e na educação dos filhos."

"O ritmo de trabalho e de vida dura, às vezes associada com a falta de instrução, tornam os pescadores homens sem voz na sociedade, impotentes para fazer valer os seus direitos, marginalizados e isolados", ressalta ainda a nota do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes.

"A globalização da pesca e a falta de trabalho criaram um fenômeno novo: a exploração dos trabalhadores migrantes que por causa da pobreza e da miséria podem ser cair nas garras de agências de recrutamento que os obrigam a formas de trabalho forçado, e eles se tornam vítimas do tráfico de pessoas a bordo das embarcações."

"O Apostolado do Mar quer mais uma vez ser voz de quem não tem voz e denunciar os problemas e situações difíceis de trabalho e da vida dos pescadores e suas famílias", sublinha o documento.

"Renovamos o nosso apelo a todos aos Governos a fim de que ratifiquem o mais rápido possível a Convenção sobre o Trabalho na Pesca de 2007 a fim de garantir aos pescadores a segurança no trabalho, assistência médica contínua, horas suficientes de descanso, proteção de um contrato de trabalho e a mesma proteção social", conclui o comunicado. (MJ)





Texto proveniente da página 
do site da Rádio Vaticano 

http://pt.radiovaticana.va/news/2013/11/18/mensagem_do_pontif%C3%ADcio_conselho_da_pastoral_para_os_migrantes_e_os/bra-747843

"Avós, tesouro para a sociedade": a homilia do Papa




Cidade do Vaticano (RV) – “Um povo que não respeita os avós é um povo sem memória e consequentemente, sem futuro”. Este foi o ensinamento proposto pelo Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de terça-feira, 19, na Casa Santa Marta.

O Papa comentou o episódio bíblico de Eleazar, o idoso que optou pelo martírio em coerência com sua fé em Deus e para dar um testemunho de retidão aos jovens. Diante da escolha entre a apostasia e a fidelidade, não teve dúvidas e pensou que seu gesto de coragem poderia ser um exemplo para os mais jovens:

Vivemos numa época em que os idosos não contam. É triste admitir, mas nós os ‘descartamos’ porque incomodam. Os idosos nos trazem a história, nos transmitem a doutrina, nos mostram a fé e a deixam como herança. Como um bom vinho envelhecido, têm uma força interior que nos propicia uma nobre herança”.

Papa Francisco contou aos presentes que quando era pequeno ouviu a história de uma família de pai, mãe, filhos e um avô, que quanto tomava sopa, se sujava. Incomodado, o pai comprou uma mesinha para que o idoso passasse a comer sozinho. Ao voltar a casa, à noite, este pai encontrou seu filho construindo uma mesinha de madeira. O menino lhe explicou que ela serviria ao pai, para quando envelhecesse como o avô.

Esta história sempre me fez tão bem, toda a vida. Os avós são um tesouro. A memória de nossos antepassados leva à imitação da fé. A velhice às vezes é feia por causa das doenças e de todo o resto, mas a sabedoria de nossos avós é a herança que recebemos. Um povo que não resguarda e não os respeita os avós não tem futuro porque perde a memória”.

Enfim, o Papa Francisco recomendou que pensemos nos idosos e idosas que moram em casas de repouso e também nos muitos anciãos que foram abandonados por suas famílias. “Eles são um tesouro para nossa sociedade”, frisou, pedindo:

Rezemos por nossos avós e avôs que muitas vezes tiveram um papel heróico na transmissão da fé em tempos de perseguição. Quando nossos pais não estavam em casa, ou tinham idéias estranhas como as que a política ensinava naquela época, foram as avós a nos transmitir a fé. O quarto mandamento, lembrou o Papa, é o único que promete algo em troca: é o mandamento da piedade. Peçamos hoje aos velhos Santos Simão, Ana, Policarpo e Eleazar a graça de proteger, escutar e venerar os nossos antepassados, nossos avós”.
(CM)



Texto proveniente da página 
do site da Rádio Vaticano

http://pt.radiovaticana.va/news/2013/11/19/av%C3%B3s,_tesouro_para_a_sociedade:_a_homilia_do_papa/bra-747927
 

Paróquia de Candeias realiza Semana Missionária até o dia 24



Inspirada pela Campanha da Fraternidade deste ano, a Paróquia de Nossa Senhora das Candeias iniciou neste domingo, 17, a Semana Missionária. Tendo como foco a evangelização da juventude, o evento que segue até o próximo dia 24, visitará além das famílias, as escolas públicas e privadas da região. A área pastoral contemplada será a de Barra da Jangada, que inclui as comunidades de Novo Horizonte e Nossa Senhora das Graças.
De acordo com o pároco, Paulo Sérgio Vieira, a programação da Semana Missionária contará com atividades variadas. Além das celebrações eucarísticas, celebração da palavra e das visitas aos enfermos, acontecerá a recitação do terço missionário e a realização do cooper missionário.
A Semana Missionária de Candeias começou com a celebração da Santa Missa,  na Capela de Santo Antônio. Depois da solenidade, padre Paulo Sérgio enviou os leigos para as visitas.
“Realizamos a Semana Missionária como forma de comemorar o dia do laicato, que a Igreja celebra no dia 24 de novembro. Na verdade, é nossa maneira de mostrar o quanto os leigos são importantes para a missão de levar o Evangelho”, afirmou o sacerdote.
Da Assessoria de Comunicação AOR

Propostas para um mundo em crise


Que respostas a Igreja oferece aos homens e às mulheres que procuram uma saída para seus desafios?


A solidariedade entre as pessoas princípio básico para a construção de um mundo melhor. (Foto: Arquivo)
Por Dom Murilo S.R. Krieger*
Há sinais de inquietação em nosso mundo. Notícias pessimistas vão e vêm, deixando o cidadão comum sem entender o que se passa. Um dia, é o dólar que sobe muito; noutro, a preocupação porque desceu mais do que se esperava; numa manhã, os economistas estão preocupados porque a Bolsa de Tóquio fechou em baixa; ao meio-dia, dão entrevistas por causa da alta taxa de desemprego nos países europeus; no noticiário noturno, é antecipada a informação do aumento de alguns impostos – e por aí vai.  Aos poucos, cresce a convicção de que há algo de errado nas estruturas sobre as quais está assentado o nosso mundo.

Como a Igreja se posiciona  diante disso? Que respostas ela oferece aos homens e às mulheres que procuram uma saída para seus desafios? O Evangelho tem alguma proposta para a superação dos problemas econômico-sociais?

Desde 1891, quando Leão XIII escreveu a encíclica "Rerum Novarum” (Das coisas novas), tem-se estruturado e desenvolvido o que se convencionou chamar de Doutrina Social da Igreja, baseada, naturalmente, no Evangelho. Não se trata de uma “doutrina econômica” e, muito menos, de uma proposta mágica para a humanidade resolver seus problemas nesse campo. Trata-se, sim, de orientações que podem e devem estar na base de todos os relacionamentos, e não só entre os países: podem ser aplicadas às famílias, às pequenas e grandes empresas, às associações de classe, às instituições governamentais e às não governamentais. Enfim, são princípios colocados à disposição das pessoas de boa vontade.

Apresento, em seis pontos, uma síntese da Doutrina Social da Igreja:

1 - A dignidade da pessoa. Essa dignidade funda-se no fato de que o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. Como são seres racionais, conscientes e livres, ninguém pode ser excluído ou menosprezado na sociedade, devido à   cor de sua pele,  à sua raça, ao  credo religioso que professa, ao partido político que escolheu ou à sua condição social.

2 - A primazia do bem comum. Dada a sua filiação divina, os homens e as mulheres são irmãos, chamados a viver em sociedade, na qual  devem buscar sua realização. Tudo o que o Estado fizer precisa ser feito em vista do bem comum. O bem comum significa o conjunto daquelas condições da vida social que permite aos grupos e a cada um de seus membros atingir, de maneira completa e desembaraçada, a própria perfeição.

3 - A destinação universal dos bens. Esse princípio fundamenta-se na certeza de que Deus destinou a terra, com tudo o que ela contém, para o uso de todos os seres humanos, e não apenas para uma minoria privilegiada.

4 - Primazia do trabalho sobre o capital. O trabalho é toda a atividade pela qual o homem e a mulher, no exercício de suas forças físicas e mentais, direta ou indiretamente transformam a natureza para colocá-la a seu serviço. Qualquer trabalho humano se reveste de dignidade, por se tratar de uma atividade própria de um ser que tem inteligência e é livre. O trabalho, além de fazer do ser humano um colaborador de Deus na obra da criação, realiza o próprio trabalhador.

5 - A subsidiariedade. Nenhuma instância superior deve executar uma ação que uma inferior possa desempenhar. A esfera federal não deve fazer aquilo que a estadual pode fazer, e esta não deve fazer o que a municipal tenha condições de realizar. Em nenhum caso o Estado deve executar uma ação que o setor privado possa desempenhar melhor.

6 - A solidariedade. É a capacidade que o homem e a mulher têm de fazer o bem a seu semelhante, mesmo com sacrifício pessoal, de forma fraterna e gratuita. A solidariedade entre todos os seres humanos é a única forma de se chegar à uma civilização marcada pela justiça e pelo amor.

Síntese da síntese: a economia foi feita para o homem e não o homem para a economia; a crise do nosso mundo não é econômica, mas de valores éticos. Por isso mesmo, o Evangelho continua sendo a melhor resposta para os desencontros e desafios de nosso tempo.
A12, 19-11-2013.
*Dom Murilo S.R. Krieger é arcebispo de São Salvador (BA) e arcebispo primaz do Brasil.