terça-feira, 7 de janeiro de 2014

2014, um novo ano se descortina a nossa frente

Por Dom Eduardo Pinheiro da Silva*

No final de 2013, de 11 a 15 de dezembro, como encerramento do Ano da Juventude e abertura de um novo tempo, realizamos um significativo e histórico encontro nacional em vista daRevitalização da Pastoral Juvenil no Brasil. Foram quatro dias intensos, com palestras, reuniões de grupo, convivência e celebrações. Éramos mais de 350 pessoas representando 160 dioceses e diversas expressões juvenis ligadas às Pastorais da Juventude (67 pessoas), aos Movimentos Eclesiais (50 pessoas), às Novas Comunidades (40 pessoas), às Congregações Religiosas (38 pessoas). Lideranças adultas e jovens se debruçaram para celebrar os acontecimentos juvenis de 2013 e escutar a voz de Deus para os novos rumos aos quais Ele convida a nos voltarmos. O espírito de unidade e o desejo de acertar foram abençoados por Deus que nos concedeu sérias reflexões e crescimento no ardor pastoral.

O eixo pelo qual caminhamos no encontro foi o Documento 85, Evangelização da Juventude: Desafios e Perspectivas Pastorais, lançado em 2007 e que tem sido a base principal das atividades pastorais de todos aqueles e aquelas que acreditam na Igreja jovem e nos jovens de nossa Igreja e da sociedade. Mais especificamente, nos apoiamos nas 8 Linhas de Ação, apresentadas no terceiro capítulo do referido documento, e ali enriquecemos os grandes sonhos com as novidades que o Espírito Santo tem nos provocado nos últimos tempos.

E aqui faço um forte apelo a todos os que apostam sua vida, seu ministério, sua consagração, seus sonhos na juventude: leiam, conheçam, estudem, divulguem e busquem aplicar as conclusões a que chegamos, juntos, neste Encontro de Revitalização! A metodologia dos trabalhos do encontro nos conduziu a três grandes momentos decisivos à luz das 8 Linhas de Ação. Primeiramente, foram definidas, em espírito de comunhão, as pistas de ação que valham para todas as expressões juvenis, Dioceses e Regionais do Brasil. Depois, a partir delas, tanto os Regionais da CNBB quanto os quatro grandes grupos (Novas Comunidades, Congregações Religiosas, Movimentos Eclesiais, Pastorais da Juventude) se dedicaram em destacar suas prioridades para os próximos anos (conferir Anexos). Riqueza adquirida que não pode ser escondida, muito menos, perdida no encontro do mês passado!

A síntese dos trabalhos e o rico material utilizado durante todo o encontro, inclusive com vários eslaides que poderão servir para o trabalho pastoral local, encontram-se disponibilizados no site www.jovensconectados.org.br . Acessem e divulguem esta fonte que iluminará os seus trabalhos destes próximos anos. Infelizmente, nem todos os líderes adultos e juvenis pertencentes às Dioceses, Congregações Religiosas, Movimentos Eclesiais, Pastorais da Juventude, Novas Comunidades, puderam participar. Seria uma pena se alguém que aceitou assumir com coragem e disponibilidade o trabalho de evangelização da juventude em nosso país não conhecesse nem se esforçasse em aplicar o que, juntos, sonhamos e elaboramos a favor dos jovens do Brasil! Vale a pena também iluminar-se pelo texto recém-publicado pela Seção Juventude do CELAM:“Civilização do Amor: Projeto e Missão”. Uma vez lançado na versão portuguesa durante o encontro de dezembro, pode ser adquirido pelo site das Edições CNBB.

Alegres por constatar tantas coisas bonitas que já vêm sendo realizadas em prol da juventude, ousamos dar mais alguns passos em conjunto. O reconhecimento do valor da diversidade de nossas expressões e a força da unidade, purificarão nossos projetos, fortalecerão nossos ideais, preencherão nossos sentimentos, provocarão ainda mais nossa vocação de discípulos missionários de Jesus Cristo. Ele nos chama, nos consagra, nos envia, caminha conosco e nos desafia, no interno de nossas organizações e na sociedade a qual somos enviados, a sermos, com os jovens, profetas da paz e promotores de vida em abundância.

Com estima e orações, desejo a todos e todas um Feliz Ano Novo de muitas boas colheitas! As bênçãos que Deus derramou em nosso chão brasileiro nos últimos anos a favor da juventude continuem encontrando corações abertos para o favorecimento da beleza e da força destas sagradas sementes! Sementes que vieram para dar frutos, pois “caíram em terra boa” e, por isso, devem render “cem, sessenta e trinta frutos por um. Quem tiver ouvidos, ouça!” (Mt 13, 8-9)
CNBB, 06-01-2014.
*Dom Eduardo Pinheiro da Silva é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB.

Onde há fraternidade, há paz


Cada um de nós é responsável pela construção da fraternidade e de seu cultivo.


Por vocação, a família deveria contagiar o mundo com o seu amor, diz Francisco. (Foto: Arquivo)
Por Dom Nelson Westrupp*
Em sua Mensagem para a celebração do 47º Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro de 2014, o papa Francisco desenvolveu o tema da "Fraternidade, fundamento e caminho para a paz".

É próprio do ser humano aspirar a viver em paz e na fraternidade. Na verdade, Deus sonhou e quis uma humanidade pacífica e feliz, no seio da qual fosse possível uma convivência fraterna, feita de bondade, humildade e mansidão. Aliás, fomos criados para viver em comunhão com Deus, amando-nos como irmãos e irmãs. Sem esta consciência, é inimaginável a construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Segundo o pensar do papa Francisco, "a família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primeiro para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor" (Mensagem, n. 1).

Abalada nos seus alicerces mais legítimos e sagrados, a família hoje encontra barreiras e resistências quase intransponíveis para realizar sua vocação e concretizar seus valores essenciais, quais sejam, o ensino das virtudes humanas, cristãs, éticas, morais e sociais.

Sendo a família a garantia de uma sociedade feita de cidadãos e cidadãs que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros, vale a pena investir na restauração e na reconstrução da família desejada pelo Criador. De fato, esta família querida por Deus não pode perder a sua identidade, sob pena de se tornar irrecuperável, o que seria um desastre para a humanidade.

Por conseguinte, o apelo do papa Francisco é que sejamos protagonistas ativos na construção de uma nova sociedade, cujas características essenciais sejam a justiça, a paz, a solidariedade, a fraternidade e o amor.

A humanidade traz inscrita em si mesma a vocação à fraternidade. Interrompida bruscamente pelos próprios seres humanos, a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A partir desta regeneração, “é fácil compreender que a fraternidade é fundamento e caminho para a paz” (ibidem, n. 4).

Ao concluir sua Mensagem, o Santo Padre insiste em que “há necessidade de que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade” (ibidem, n. 10).

Cada um de nós, cada família, cada grupo, cada comunidade, cada nação é responsável pela construção da fraternidade e de seu cultivo.

Amemos e abracemos todo ser humano como irmão e irmã, contemplando em cada pessoa a imagem do próprio Deus. Assim, seremos capazes de levar a paz e a fraternidade a todas e a todos que encontrarmos pelas estradas da vida.
CNBB, 02-01-2014.
*Dom Nelson Westrupp é bispo diocesano de Santo André (SP).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Papa: ser pequenas estrelas que refletem a luz


Cidade do Vaticano (RV) - “A Virgem Maria nos ajude a sermos todos discípulos-missionários, pequenas estrelas que refletem a sua luz”. Esta a invocação do Papa Francisco na alocução que precedeu a Oração mariana do Angelus ao meio-dia desta segunda-feira, dirigida a uma Praça São Pedro repleta de fiéis. “Rezemos – exortou o Santo Padre - para que os corações se abram para acolher o anúncio, e todos os homens cheguem “a serem partícipes da promessa por meio do Evangelho”.

Celebramos hoje a Epifania, a “manifestação” do Senhor, continuou o Papa (no Brasil a Igreja celebrou ontem, domingo). Esta solenidade se encontra na passagem bíblica da vinda dos magos do Oriente a Belém para prestar honras ao Rei dos Judeus: um episódio, disse Francisco, que o Papa Bento comentou magnificamente em seu livro sobre a infância de Jesus. Aquela foi a primeira “manifestação” de Cristo aos gentios.

“Por isso a Epifania coloca em destaque a abertura universal da salvação trazida por Jesus. A Liturgia deste dia aclama: ”Adoram-te, Senhor, todos os povos da terra”. Porque Jesus veio para todos os povos".
Para o Papa “esta festa nos faz ver um duplo movimento: de uma parte o movimento de Deus em direção do mundo, em direção da humanidade, toda a história da salvação, que culmina em Jesus; e da outra parte o movimento dos homens em direção de Deus; pensemos nas religiões, explicou, na busca da verdade, no caminho dos povos para a paz, a paz interior, para a justiça, para a liberdade”.

"E esse movimento duplo é movido por uma atração recíproca. Da parte de Deus, o que nos atrai, é o amor por nós: somos seus filhos, Ele nos ama, e quer nos livrar do mal, das doenças, da morte, e nos levar para sua casa, no seu Reino. “Deus, por pura graça nos atrai para nos unirmos a Ele” (Exortação Ap. Evangelii gaudium, 112). E também da nossa parte existe um amor, um desejo: o bem sempre nos atrai, a verdade nos atrai, a vida nos atrai, a felicidade, a beleza... Jesus é o ponto de encontro desta atração recíproca e deste duplo movimento". 
No movimento, todavia, sublinhou Francisco, “a iniciativa é de Deus. O amor de Deus vem antes do nosso”. A iniciativa é sempre d’Ele. Jesus é Deus que se fez homem, e encarnou, nasceu para nós. A Igreja está toda dentro deste movimento, a sua alegria é o Evangelho, é refletir a luz de Cristo.

“Gostaria de dizer, sinceramente, àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, dizer respeitosamente, àqueles que são temerosos e indiferentes: o Senhor também chama vocês para fazer parte de seu povo e o faz com grande respeito e amor!”. O Senhor chama vocês, procura vocês".
A nova estrela que apareceu aos Magos era o sinal do nascimento de Cristo. Se não tivessem visto a estrela, aqueles homens não teriam partido. A luz nos precede, a verdade nos precede, a beleza nos precede. Deus nos precede, é graça; e esta graça apareceu em Jesus. Ele é a Epifania, a manifestação do amor de Deus.

O Papa Francisco concluiu pedindo a Deus, por toda a Igreja, a alegria de evangelizar, porque “foi enviada por Cristo para revelar e comunicar a caridade de Deus a todos os povos. “O profeta Isaías – explicou falando de improviso – dizia “Deus é como a flor de amendoeira, porque naquela terra essa flor é a primeira a florescer, e Deus sempre precede, floresce por primeiro, ele dá o primeiro passo”.

Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Antes de se despedir dos fiéis reunidos na Praça São Pedro o Papa dirigiu a sua saudação aos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais que nesta terça-feira celebrarão o Santo Natal.

“A paz que Deus deu à humanidade com o nascimento de Jesus, Verbo encarnado, reforce em todos a fé, a esperança e a caridade, e conforte as comunidades cristãs, as Igrejas, que se encontram na provação”.
Recordou ainda o Dia da Infância Missionária, proposta pela Pontifícia Obra da Santa Infância. Muitas crianças, nas paróquias, são protagonistas de gestos de solidariedade para com seus coetâneos, e assim alargam os horizontes de sua fraternidade. Caras crianças e adolescentes, - disse -, com a sua oração e empenho vocês colaboram para a missão da Igreja. Agradeço-lhes por isso e os abençôo!

Saudou na conclusão do encontro todos os presentes famílias, grupos paroquiais e associações. (SP)



Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano 

Papa Francisco: no percurso dos Magos está simbolizado o destino de cada homem


Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja em muitos países celebra nesta segunda-feira, 06, a Solenidade da Epifania, que no Brasil celebramos neste domingo. A Epifania é a manifestação do Senhor ao mundo inteiro. Os Reis Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus.

Por esta ocasião, na manhã de hoje o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica Vaticana. Na sua homilia o Santo Padre iniciou recordando a expressão “Lumen requirunt lumine”, um hino litúrgico da Epifania que se refere à experiência dos Magos: seguindo uma luz nela buscam a Luz.

“A estrela surgida no céu, - continuou o Papa - acende nas suas mentes e nos seus corações uma luz que os move na busca da grande Luz do Cristo. Os Magos seguiram fielmente aquela luz que os penetrou interiormente, e encontraram o Senhor.

“Neste percurso dos Magos do Oriente está simbolizado o destino de cada homem: nossa vida é um caminhar, iluminados pelas luzes que clareiam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós cristãos reconhecemos em Jesus, Luz do mundo”. 
E cada homem, como os Magos, - continuou o Papa - tem à disposição dois grandes “livros” onde estão os sinais para se orientar na peregrinação: o livro da criação e o livro das Sagradas Escrituras.

O importante é estar atentos, vigiar, escutar Deus que nos fala. Como diz o Salmo, referindo-se à Lei do Senhor: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, / luz para o meu caminho”. Especialmente escutar o Evangelho, lê-lo, meditá-lo e fazê-lo nosso alimento espiritual nos permite encontrar Jesus vivo, experimentá-Lo e o Seu amor.

O Papa Francisco recordou em seguida o apelo de Deus a Jerusalém através da boca do Profeta Isaías: “Põe-te em pé, resplandece!”. Jerusalém é chamada a ser cidade da luz, que reflete sobre o mundo a luz de Deus e ajuda os homens a caminhar em seus caminhos. Esta é a vocação e a missão do Povo de Deus no mundo.

Mas Jerusalém também pode não responder a este chamado do Senhor. Diz-nos o Evangelho que os Magos, quando chegaram a Jerusalém, perderam por pouco tempo a vista da estrela. De modo particular, sua luz está ausente no palácio do rei Herodes: aquela habitação é tenebrosa, reino a escuridão, a desconfiança, o medo. Herodes, de fato, se mostra desconfiado e preocupado pelo nascimento de um frágil Menino que ele sente como um rival.

“Todo um mundo construído sob o domínio, sob o sucesso e sob o ter, é colocado em crise por um Menino! E Herodes finalmente chega a matar os meninos: “Matas o corpo das crianças porque o medo matou o teu coração” – escreve São Quodvultdeus (Sermo 2 Symbolo:PL 40,655).

Os Magos souberam superar esse perigoso momento de escuridão de Herodes, porque creram nas Escrituras, na palavra dos profetas que indicavam Belém como lugar do nascimento do Messias.

Um aspecto da luz que nos guia no caminho da fé é também a santa “astúcia”, destacou Francisco. Trata-se daquela esperteza espiritual que nos permite reconhecer os perigos e evitá-los. Os Magos souberam usar esta luz da “astúcia” quando, no caminho de volta, decidiram não passar pelo palácio tenebroso de Herdes. Mas andar por outro caminho.
I
Estes sábios vindos do Oriente nos ensinam como não cair nas insídias das trevas e como nos defendermos da escuridão que procura envolver nossa vida. Eles com esta Santa astúcia preservaram a fé, preservaram da escuridão.
É preciso acolher em nosso coração a luz de Deus e, ao mesmo tempo, cultivar aquela esperteza espiritual que sabe aliar simplicidade e astúcia, como pede Jesus aos discípulos: “Sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10, 16).

Na festa da Epifania, - disse ainda o Papa - na qual recordamos a manifestação de Jesus à humanidade no rosto de um Menino, sintamos ao nosso lado os Magos, como sábios companheiros de caminho. O exemplo deles ajuda a levanta o olhar para a estrela e seguir os grandes desejos do nosso coração:

Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, "sem grandes vooa", mas a nos fascinarmos sempre por aquilo que é bom, verdadeiro, belo... de Deus, que tudo isto o é no modo sempre maior! E nos ensinam a não nos deixarmos enganar pelas aparências, daquilo que para o mundo é grande, sábio, poderoso. Não precisa parar aí. Precisamos preservar a fé neste tempo, quanto é importante preservar a fé. Não precisa se contentar com a aparência, com a fachada. Precisa andar também, para Belém, lá onde, na simplicidade de uma casa de periferia, entre uma mãe e um pai cheios de amor e de fé, resplandece o Sol vindo do alto, o Rei do universo”. (SP)




Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano 

Evangelho do dia

Ano C - 07 de janeiro de 2014

Marcos 6,34-44

Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4,18).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 6 34 ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
35 A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: "Este lugar é deserto, e já é tarde.
36 Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum alimento".
37 Mas ele respondeu-lhes: "Dai-lhes vós mesmos de comer". Replicaram-lhe: "Iremos comprar duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?"
38 Ele perguntou-lhes: "Quantos pães tendes? Ide ver". Depois de se terem informado, disseram: "Cinco, e dois peixes".
39 Ordenou-lhes que mandassem todos sentar-se, em grupos, na relva verde.
40 E assentaram-se em grupos de cem e de cinqüenta.
41 Então tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes.
42 Todos comeram e ficaram fartos.
43 Recolheram do que sobrou doze cestos cheios de pedaços, e os restos dos peixes.
44 Foram cinco mil os homens que haviam comido daqueles pães.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
A PARTILHA SEM LIMITES
Um dos temas centrais da pregação e da vida de Jesus foi o da partilha. Sua vida definiu-se como partilha contínua da palavra e do poder que lhe fora confiado pelo Pai. Seu ensinamento consistia em comunicar aos ouvintes um tesouro de sabedoria, levando-os a superar uma visão estreita e deturpada da Palavra de Deus. E, ao operar milagres, partilha de vida, condividia, com as multidões, a força vivificadora recebida do Pai.
O milagre realizado em benefício de uma multidão faminta que o escutava, numa região deserta, foi uma lição de partilha. Os cinco pães e dois peixes eram uma porção insignificante de alimento para uma quantidade tão grande de gente. Quem os possuía, foi desafiado a colocá-los à disposição dos demais. Sem este gesto inicial de partilha, não teria havido milagre. O grupo dos discípulos de Jesus também foi desafiado a superar sua carência pessoal de alimento. E, assim, cada pessoa recebeu um pedaço de pão. Se algum pedaço de pão tivesse caído em mãos egoístas, aí o milagre deixaria de acontecer. O fato de serem cerca de cinco mil homens os que comeram e de ter sobrado doze cestos cheios de pedaços de pão e restos de peixe sublinha a infinita capacidade de partilha daquele grupo. Não importa a quantidade de alimento disponível, quando a capacidade de partilha é ilimitada. Problema é quando os bens deste mundo caem em mãos que não sabem partilhar.

Oração Senhor, abre meu coração diante da fome de milhares de irmãos e irmãs necessitados, e dá-me a capacidade de partilhar do meu pouco.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
Leitura
1 João 4,7-10
Leitura da primeira carta de João.
4 7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
8 Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
9 Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele.
10 Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.
Palavra do Senhor.
Salmo 71/72
Os reis de toda a terra
hão de adorar-vos, ó Senhor!


Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus,
vossa justiça ao descendente da realeza!
Com justiça ele governe o vosso povo,
com eqüidade ele julgue os vossos pobres.

Das montanhas venha a paz a todo o povo,
e desça das colinas a justiça!
Este rei defenderá os que são pobres,
os filhos dos humildes salvará.

Nos seus dias, a justiça florirá
e grande paz, até que a lua perca o brilho!
De mar a mar estenderá o seu domínio,
e desde o rio até os confins de toda a terra!
Oração
Ó Deus, cujo Filho unigênito se manifestou na realidade da nossa carne, concedei que, reconhecendo sua humanidade semelhante à nossa, sejamos interiormente transformados por ele. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Papa abole título de Monsenhor para padres abaixo de 65 anos

Por Gerard O´Connell

Mais um movimento para reformar o clero e eliminar o carreirismo na Igreja católica. O papa Francisco aboliu o título honorífico pontifício de "Monsenhor" para os padres seculares com idade inferior a 65 anos. De agora em diante, o único título honorífico pontificio que será concedido aos padres seculares (isto é, padres de uma diocese que não são monges ou frades, ou seja religiosos) é o de Capelão de Sua Santidade. O título será concedido eventualmente aos padres com mais de 65 anos.

A Secretaria de Estado comunicou esta notícias aos Núncios Apostólicos em todo mundo e pediu que eles informem a todos os bispos dos seus países. O Núncio Apostólico da Grã-Bretanha, o arcebispo Antonio Mennini, escreveu, por exemplo, a todos os bispos da Grã-Bretanha informando a decisão do papa. Uma decisão que, no entanto, não é retroativa: aqueles que têm o título de Monsenhor não o perderão.

Ao tomar tal decisão o papa se inspirou nas reformas introduzidas por Paulo VI, em 1968, na esteira do Concílio Vaticano II. Antes havia 14 ´graus´ de Monsenhor. Com Paulo VI eles foram reduzidos a três: Protonotário Apostólico, Prelado de Honra de Sua Santidade e Capelão de Sua Santidade. Três reconhecimentos que eram concedidos pelo papa aos padres cujos nomes eram propostos pelos bispos locais. Muitos bispos, porém, não propunham os nomes de padres que tinham desenvolvido um serviço particularmente importante para a Igreja, mas premiavam os que eram fieis à sua pessoa. Com a decisão de Francisco, as coisas mudam.
Vatican Insider, 04-01-2014.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Papa: "Como São Fabro, jesuítas devem despojar-se e preencher-se de Deus"


Roma (RV) – O Evangelho deve ser anunciado com doçura e não à força”. Foi o que recordou Francisco nesta sexta-feira, 03, a seus irmãos jesuítas, na homilia da missa celebrada na Igreja de Jesus, no centro de Roma. Da cerimônia participaram 350 membros da Ordem, a quem o Papa convidou a seguir o exemplo de São Pedro Fabro, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio e fundador da Companhia de Jesus.

Uma multidão recebeu Francisco em sua chegada à igreja. Descendo do carro, o Pontífice cumprimentou os fiéis retidos atrás de barreiras e entrou no templo. No dia em que a Igreja recorda o Santíssimo nome de Jesus, a celebração teve caráter de ação de graças pela inscrição no catálogo dos Santos, no dia 17 de dezembro passado, de Pedro Fabro, primeiro sacerdote jesuíta.

Pedro Fabro era completamente centrado em Deus e por isso, podia ir, em espírito de obediência e muitas vezes a pé, a qualquer lugar da Europa e dialogar com todos com doçura, anunciando o Evangelho”.

“Um dos maiores desejos de Fabro era ser ‘dilatado’ em Deus, ele tinha queria dedicar o centro de seu coração a Jesus, era devorado pelo anseio de comunicar o Senhor”. “E nós também – acrescentou Francisco – devemos deixar agir em nós o fascínio de Jesus”.

Ainda na homilia, o Pontífice lembrou os dizeres de São Paulo: “Tenham os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, que mesmo estando na mesma situação de Deus, não viu isto como um privilégio, mas despojou-se de tudo e assumiu a condição de servo”.

Nós jesuítas – frisou forte o Papa – queremos atuar sob a sua insígnia, e isto significa ter os mesmos sentimentos de Cristo. Significa pensar como Ele, querer bem como Ele, ver como Ele, caminhar como Ele. Significar fazer tudo o que Ele fez, com os sentimentos de seu coração”.

Continuando, o Papa disse que “se o Deus das surpresas não estiver no centro, a Companhia se desorienta”:

Por isso, ser jesuíta significa ser uma pessoa de pensamento incompleto, aberto, porque pensa sempre mirando no horizonte que é a glória de Deus, que nos surpreende sempre. É esta a inquietude de nossa profunda voragem. A santa e bela inquietude”, completou.

Francisco observou que é necessário “procurar Deus para encontrá-lo, e encontrá-lo para procurá-lo e achá-lo ainda e sempre”:

É esta inquietude que dá paz ao coração de um jesuíta, uma inquietude apostólica, que não nos deixa jamais cansar de anunciar o querigma, de evangelizar com coragem. Sem inquietude, somos estéreis”, concluiu.
(CM)



Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano