segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Liturgia Diária

DIA 25 DE AGOSTO - SEGUNDA-FEIRA

XX SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro (Sl 85,1ss).
Oração do dia
Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (2 Tessalonicenses 1,1-5.11-12)
Leitura da segunda carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
1 1 Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo.
2 A vós, graça e paz da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo!
3 Sentimo-nos na obrigação de incessantemente dar graças a Deus a respeito de vós, irmãos. Aliás, com muita razão, visto que a vossa fé vai progredindo sempre mais e desenvolvendo-se a caridade que tendes uns para com os outros.
4 De sorte que nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, pela vossa constância e fidelidade no meio de todas as perseguições e tribulações que sofreis.
5 Elas constituem um indício do justo juízo de Deus e de que sereis considerados dignos do Reino de Deus, pelo qual padeceis.
11 Nesta esperança suplicamos incessantemente por vós, para que nosso Deus vos faça dignos da vossa vocação e que leve eficazmente a bom termo todo o vosso zelo pelo bem e a atividade de vossa fé.
12 Para que seja glorificado o nome de nosso Senhor Jesus em vós, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.
 
Salmo responsorial 95/96
Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações! 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
Cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!
Cantai e bendizei seu santo nome!

Dia após dia anunciai sua salvação,
Manifestai a sua glória entre as nações
E, entre os povos do universo, seus prodígios!

Pois Deus é grande e muito digno de louvor,
É mais terrível e maior que os outros deuses;
Porque um nada são os deuses dos pagãos.
Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus.
 
Evangelho (Mateus 23,13-22)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27). 


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo disse Jesus: 23 13 “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar.
14 15 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos.
16 Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo templo, isto não é nada; mas se jura pelo tesouro do templo, é obrigado pelo seu juramento’.
17 Insensatos, cegos! Qual é o maior: o ouro ou o templo que santifica o ouro?
18 E dizeis ainda: ‘Se alguém jura pelo altar, não é nada; mas se jura pela oferta que está sobre ele, é obrigado’.
19 Cegos! Qual é o maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
20 Aquele que jura pelo altar, jura ao mesmo tempo por tudo o que está sobre ele.
21 Aquele que jura pelo templo, jura ao mesmo tempo por aquele que nele habita.
22 E aquele que jura pelo céu, jura ao mesmo tempo pelo trono de Deus, e por aquele que nele está sentado”.
Palavra da Salvação.
 
Comentário ao Evangelho
GUIAS CEGOS!
No intuito de precaver os seus discípulos, Jesus alertava-os quanto ao modo de viver incoerente dos mestres da Lei e dos fariseus. Estes, na ilusão de estarem vivendo uma vida modelar, comportavam-se como cegos que querem ser guias dos outros cegos. A incompatibilidade da pretensão deles manifesta-se de muitas maneiras.
Pensando ser os autênticos intérpretes da Palavra de Deus, acabavam por desencaminhar as pessoas, impedindo-as de entrar no Reino dos Céus. Insistiam nos detalhes da Lei, mas descuravam o fundamental. Preocupados com a exterioridade, não permitiam que a vontade de Deus penetrasse, realmente, em seus corações.
Resultado: ao invés de serem portadores de salvação, acabavam sendo motivo de condenação tanto para os judeus quanto para os pagãos, convertidos ao judaísmo por sua ação proselitista. O fanatismo dos convertidos tornava-os merecedores de duplo castigo.
Outra atitude equivocada dos mestres da Lei e dos fariseus consistia em confundir as pessoas, por meio de uma casuística estéril, levando-as a se afastarem da vontade de Deus. É pura perda de tempo fazer distinções capciosas em torno do mandamento divino se, no fundo do coração, a pessoa não tem a intenção de pautar sua vida por ele. Este tipo de casuísmo é resultado de uma cegueira insensata.

Oração
Espírito de clarividência, sê meu guia seguro no caminho da fidelidade ao Reino, precavendo-me contra quem, indevidamente, quer arvorar-se em líder.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês
)
 
Sobre as oferendas
Ó Deus, que, pelo sacrifício da cruz, oferecido uma só vez, conquistastes para vós um povo, concedei à vossa Igreja a paz e a unidade. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Com vossos frutos saciais a terra inteira: fazeis a terra produzir o nosso pão e o vinho que alegra o coração (Sl 103,13ss).
Depois da comunhão
Ó Deus, fazei agir plenamente em nós o sacramento do vosso amor e transformai-nos de tal modo pela vossa graça, que em tudo possamos agradar-vos. Por Cristo, nosso Senhor.


MEMÓRIA FACULTATIVA

SÃO LUÍS DE FRANÇA
(BRANCO – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Oração do dia: Ó Deus, que transferistes são Luiz dos cuidados de um reino terrestre à glória do reino do céu, concedei-nos, por sua intercessão, desempenhar nossas tarefas de cada dia e trabalhar para a vinda do vosso reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Acolhei com bondade, ó Deus, as nossas preces e guardai-nos, pela intercessão dos vossos santos, para servir dignamente ao vosso altar. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Deus eterno e todo-poderoso, fonte de toda paz e consolação, concedei que a vossa família, reunida para vos louvar nesta festa dos santos, receba, pela participação nos mistérios do vosso Filho, o penhor da salvação eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO LUÍS DE FRANÇA):
Luís IX, rei da França, nasceu no dia 25 de abril de 1215, no castelo real de Poissy. Era filho de Luís VIII e de Branca de Castela, ambos piedosos e zelosos, que o cercaram de cuidados, especialmente após a morte do primogênito. Trataram pessoalmente da sua educação e formação religiosa. Foram tão bem sucedidos que Luís IX tornou-se um dos soberanos mais benevolentes da história, um fervoroso cristão e fiel da Igreja. Com a morte prematura do seu pai em 1226, a rainha, sua mãe, uma mulher caridosa, de grandes dotes morais, intelectuais e espirituais, tutelou o filho, que foi coroado rei Luís IX, pois ele era muito novo para dirigir uma Corte sozinho. Tomou as rédeas do poder e manteve o filho longe de uma vida de depravação e de pecado, tão comum das cortes. Mas Luís, já nessa idade, possuía as virtudes que o levaram à santidade - a piedade e a humildade -, e que o fizeram o modelo de "rei católico". Em 1235, casou-se com Margarida de Provença, uma jovem princesa, que, assim como ele, cultivava grandes virtudes. O marido reinou com justiça e solidariedade. Possuía um elevado senso de piedade, incomum aos nobres e poderosos de sua época. Tinha coração e espírito sempre voltados para as coisas de Deus, lia com freqüência a Sagrada Escritura e as obras dos santos Padres e aconselhava-as a todos os seus nobres da Corte. Com o auxilio da rainha, fundou igrejas, conventos, hospitais, abrigos para os pobres, órfãos, velhos e doentes. O casal real teve dez filhos, todos educados como eles e por eles. E o resultado dessa firme educação cristão foram reis e rainhas de muitas cortes, que governaram com sabedoria, prudência e caridade. Depois de ter adquirido de Balduíno II, imperador de Constantinopla, a coroa de espinhos de Cristo, que, segundo a tradição, era a mesma usada na cabeça de Jesus, ele mandou erguer uma belíssima igreja para abrigá-la numa redoma de cristal. Trata-se da belíssima Sainte-Chapelle, que pode ser visitada em Paris. Acometido de uma grave doença, em 1245 Luís IX quase morreu. Então, fez uma promessa: caso sobrevivesse, empreenderia uma cruzada contra os turcos muçulmanos que ocupavam a Terra Santa. Quando recuperou a saúde, em 1248, apesar das oposições da Corte, cumpriu o que havia prometido. Preparou um grande exército e, por várias vezes, comandou as cruzadas para a Terra Santa. Mas em nenhuma delas teve êxito. Primeiro, foi preso pelos muçulmanos, que o mantiveram no cativeiro durante seis anos. Depois, numa outra investida, quando se aproximava de Tunis, foi acometido pela peste e ali morreu, no dia 25 de agosto de 1270. Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297 o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte.

Evangelho do Dia

Ano A - 25 de agosto de 2014

Mateus 23,13-22

Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27). 


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo disse Jesus: 23 13 “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar.
14 15 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos.
16 Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo templo, isto não é nada; mas se jura pelo tesouro do templo, é obrigado pelo seu juramento’.
17 Insensatos, cegos! Qual é o maior: o ouro ou o templo que santifica o ouro?
18 E dizeis ainda: ‘Se alguém jura pelo altar, não é nada; mas se jura pela oferta que está sobre ele, é obrigado’.
19 Cegos! Qual é o maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
20 Aquele que jura pelo altar, jura ao mesmo tempo por tudo o que está sobre ele.
21 Aquele que jura pelo templo, jura ao mesmo tempo por aquele que nele habita.
22 E aquele que jura pelo céu, jura ao mesmo tempo pelo trono de Deus, e por aquele que nele está sentado”.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
GUIAS CEGOS!
No intuito de precaver os seus discípulos, Jesus alertava-os quanto ao modo de viver incoerente dos mestres da Lei e dos fariseus. Estes, na ilusão de estarem vivendo uma vida modelar, comportavam-se como cegos que querem ser guias dos outros cegos. A incompatibilidade da pretensão deles manifesta-se de muitas maneiras.
Pensando ser os autênticos intérpretes da Palavra de Deus, acabavam por desencaminhar as pessoas, impedindo-as de entrar no Reino dos Céus. Insistiam nos detalhes da Lei, mas descuravam o fundamental. Preocupados com a exterioridade, não permitiam que a vontade de Deus penetrasse, realmente, em seus corações.
Resultado: ao invés de serem portadores de salvação, acabavam sendo motivo de condenação tanto para os judeus quanto para os pagãos, convertidos ao judaísmo por sua ação proselitista. O fanatismo dos convertidos tornava-os merecedores de duplo castigo.
Outra atitude equivocada dos mestres da Lei e dos fariseus consistia em confundir as pessoas, por meio de uma casuística estéril, levando-as a se afastarem da vontade de Deus. É pura perda de tempo fazer distinções capciosas em torno do mandamento divino se, no fundo do coração, a pessoa não tem a intenção de pautar sua vida por ele. Este tipo de casuísmo é resultado de uma cegueira insensata.

Oração
Espírito de clarividência, sê meu guia seguro no caminho da fidelidade ao Reino, precavendo-me contra quem, indevidamente, quer arvorar-se em líder.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês
)
 
Leitura
2 Tessalonicenses 1,1-5.11-12
Leitura da segunda carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
1 1 Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo.
2 A vós, graça e paz da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo!
3 Sentimo-nos na obrigação de incessantemente dar graças a Deus a respeito de vós, irmãos. Aliás, com muita razão, visto que a vossa fé vai progredindo sempre mais e desenvolvendo-se a caridade que tendes uns para com os outros.
4 De sorte que nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, pela vossa constância e fidelidade no meio de todas as perseguições e tribulações que sofreis.
5 Elas constituem um indício do justo juízo de Deus e de que sereis considerados dignos do Reino de Deus, pelo qual padeceis.
11 Nesta esperança suplicamos incessantemente por vós, para que nosso Deus vos faça dignos da vossa vocação e que leve eficazmente a bom termo todo o vosso zelo pelo bem e a atividade de vossa fé.
12 Para que seja glorificado o nome de nosso Senhor Jesus em vós, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor.
 
Salmo 95/96
Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações! 

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
Cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!
Cantai e bendizei seu santo nome!

Dia após dia anunciai sua salvação,
Manifestai a sua glória entre as nações
E, entre os povos do universo, seus prodígios!

Pois Deus é grande e muito digno de louvor,
É mais terrível e maior que os outros deuses;
Porque um nada são os deuses dos pagãos.
Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus.
 
Oração
Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O significado da Assunção de Maria


Maria nos recorda que precisamos colocar nossos horizontes um pouco mais adiante, ao encontro de Deus.
Por Dom Eurico dos Santos Veloso*

A solenidade da Assunção apresenta, na leitura de Evangelho, com o texto do Magnificat. É o canto de Maria, ainda grávida de Jesus, que agradece a Deus pela graça recebida. É curioso e convém que prestemos atenção ao fato de a Igreja nos oferecer um texto evangélico de uma Maria jovem para nos explicar o que vai acontecer depois de sua morte. Diz o dogma que Maria subiu ao céu de corpo e alma. Que foi a primeira dentre todos nós. Sua assunção é sinal e promessa da nossa. Mas a assunção não foi apenas um fato que aconteceu apenas em um momento determinado. Maria subiu ao céu porque viveu com o olhar posto em Deus. O Magnificat – o canto de Maria, jovem ainda, grávida, que se encontra com a sua prima Isabel, igualmente grávida – não é apenas uma bela poesia. É um claro testemunho do estilo de vida de Maria.
Aquela jovenzinha de uma aldeia da Galileia tinha a alegria impregnada no corpo. Era uma alegria fruto da fé e confiança no Deus de seu povo. Para além das aparências, ela sabia ficar acima do cotidiano e olhar para a história com perspectiva. Por isso, Maria sabe que “sua misericórdia (a de Deus) chega a seus fieis de geração em geração” e que “auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia”.
Isso não significa dizer que Maria não tenha passado por momentos cinzentos em sua vida cotidiana. Não deveria ter muitas alegrias a vida naquelas aldeias das montanhas da Galileia. Lavar, cozinhar, limpar, ajudar nas tarefas do campo, todos os trabalhos de uma mulher, agravados pela pobreza em que vivia aquela gente, Naquela situação, a maioria das pessoas permanecia ao rés do chão. Não eram capazes de ver nada além do imediato, do que a vida tem de cinzento, dor, negatividade e morte.
Maria – e isto é importante – passou exatamente pelo mesmo, mas olhava para outros horizontes. Olhava para o céu e enxergava o rosto bondoso do Deus que havia sido sempre misericordioso com seu povo que lhe havia prometido a salvação. Por sua fé, Maria transformou sua vida de cinzenta em algo luminosa.
Sua luz continua iluminando a todos nesta festa. Nossa vida também costuma ficar cinza quando permitimos que nosso olhar fique no rés do chão. A festa da assunção nos recorda que precisamos levantar nosso olhar e colocar nossos horizontes um pouco mais adiante. Devemos olhar nossa vida e a de nossos irmãos com os olhos de Deus, com a perspectiva de Deus. Nós nos surpreenderemos ao descobrir a cor diferente que terá a vida. E aprenderemos a rezar o Magnificat com o prazer e a fé de Maria.
CNBB, 20-08-2014
*Dom Eurico dos Santos Veloso é arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Paróquia Nossa Senhora das Candeias em Festa 30 Anos Evangelizando










Comemoração dos 30 anos da Paróquia Nossa Senhora das Candeias


O poder pelo 'poder' e o poder pelo serviço


O exercício do poder exige sabedoria humana e divina. Por isto, a Palavra de Deus também deve ser referência.
Por Dom Paulo Mendes Peixoto*

A trajetória política, realizada por uma sociedade, tem marcas relevantes no cenário da vida comunitária. O termo "poder" é alvo perseguido, de forma digna ou desleal, durante a campanha em preparação para as eleições. Até digo, que num regime democrático capitalista, como no caso do Brasil, quase sempre tem poder quem gasta mais e consegue “comprar” a liberdade do eleitor.

No entendimento da mensagem cristã, poder significa serviço, doação, administração com responsabilidade e colocar-se à disposição para construir o bem comum. Essa é a missão do papa, dos bispos, dos padres e de todos aqueles que se colocam na prática da solidariedade. Não deveria ser diferente na gestão dos cargos públicos civis. Temos que eleger pessoas com esse perfil.

O poder-serviço é o oposto do poder pelo “poder”. Esta segunda categoria está muito presente na administração pública, dificultando o uso correto das riquezas que uma nação tem. Por isso, o momento das campanhas eleitorais é muito importante. Até lamentamos o acidente e morte de um dos candidatos, porque seria mais uma opção de escolha para presidente da República.

Um candidato eleito deve ser porta-voz do povo. Na Igreja, o escolhido é entendido como porta-voz da fé e da entidade por ele representada. Passa a ter as chaves das portas que permitem o acesso aos bens que favorecem sua dignidade. É uma tarefa ratificada por Deus, porque todo poder vem Dele.

A liderança comunitária não pode ser expressão de ambição pessoal. O voto, como vontade popular da maioria exigida, descredencia o eleito do poder de agir em função de favoritismos particulares, desconectados com a maioria. Ele deve ser visto, dentro do âmbito de seu poder, como “servo da unidade”, e não alguém que age com autoritarismo.

O exercício do poder exige sabedoria humana e divina. Por isto, a Palavra de Deus também deve ser referência para uma boa e honesta administração. As principais decisões, quando a comunidade é ouvida, o peso delas faz produzir efeitos muito mais férteis, favorecendo a maioria. Passam a ser ações abençoadas por Deus.
CNBB, 19-08-2014.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba (MG).

Construir a 'paz justa', o caminho da Igreja


A passagem da justiça da guerra para uma paz justa não esquece as sacrossantas razões da proteção dos indefesos.
Por Pierangelo Sequeri*

A evolução mental que atesta o lento deslocamento do debate mundial sobre o problema da guerra justa ao tema de uma paz justa deve certamente ao magistério papal dessas décadas um apoio e um impulso decisivo.
As aparições dessas intervenções podem imprimir na memória do público midiático a percepção de um caráter extemporâneo dos diversos pronunciamentos. Na realidade, a diversidade de perfil dos focos de conflito, todas as vezes, é enquadrado coerentemente na sua especificidade, justamente aos fins de um eficaz delineamento de uma nova estratégia mental de combate à fatalidade do recurso ao modelo da guerra, para remediar a violência.
A passagem certamente é cheia de dificuldades. Não deve apenas se afirmar diante de uma longuíssima inércia desse modelo, que tem a vantagem de traçar uma simplificação mental do conflito, e das razões do conflito, que ainda o fazem aparecer como uma competição à qual não se pode se subtrair e que concede a honra e a verdade ao vencedor.
A passagem também tem deve fazer as contas com muitos medos, não incompreensíveis, de permanecer inermes e sem proteção. E deve desvendar muitos equívocos, instrumentalizações e hipocrisias: que confundem as coisas com jogos interessados de palavras, em que os carnífices e as vítimas trocam de papéis em função das partes. Desse modo, acaba-se suspeitando também dos apelos à paz, assim como se suspeita da propaganda de guerra.
Apesar de todo esse emaranhado e de outras coisas ainda, a ideia da guerra justa, entendida como instrumento normal para afirmar legitimamente os próprios interesses (que, justificado pelas suas próprias razões, depois justifica tudo), perde campo inexoravelmente.
A história do século passado – a partir do "massacre inútil" da Primeira Guerra Mundial, frase de um papa também esta – tirou-lhe todas as razões. A história recente, além disso, está tirando razões também das chamadas formas não convencionais da guerra: estas, de fato, qualquer que seja a sua desesperada justificação, parecem tão fatalmente contíguas às formas do terrorismo, do genocídio, da morte indiscriminada dos indefesos que leva a pensar que o seu caráter não convencional significa, na realidade, uma passagem mundial à pura barbárie dos conflitos.
Sem falar do retorno à guerra como instrumento quase imediato de gestão de conflitos também locais, que os Estados nacionais não podem ou não querem conter. Um desvio semelhante varre todas as regras: a antiga da arte da guerra, assim como a da Convenção de Genebra.
Afinal, na própria cultura pré-cristã (Platão, Aristóteles, Cícero), como depois – e com mais razão e com maior obstinação de limitações – na elaboração da doutrina da "guerra" dentro do mundo civil-cristão, o tema ainda era o do estado de "exceção". E a discussão dizia respeito às muitas e graves limitações que deviam tornar aceitável uma forma da legítima defesa tão grave e tão dramática.
Não existe uma justificativa "de princípio" da guerra. Porém, o fato é que a inércia absolutória da fórmula, unida à homologação do conflito de interesses (bens e dinheiro) entre os argumentos dignos de todo sacrifício, acabou endossando a guerra como opção normal e de princípio.
Não há dúvida, porém, de que a inércia do modelo da guerra como figura da justiça afunda agora, aos olhos dos povos – mas, há alguns anos, já afunda explicitamente ao vivo e nas crônicas –, na negação mais do que comprovada da sua suposta relação entre meios e fins (uso da força para levar a melhor, em vista da resolução das contendas).
Quando João Paulo II proclamou o advento de uma nova época, com aquele seu grito profético "Nunca mais a guerra!" – porque a guerra não resolve nada, nem mesmo os problemas que a suscitaram –, ele inaugurou a séria determinação de um caminho irreversível.
Um caminho ao qual agora todas as culturas mundiais devem se aplicar, já que elas mesmas acumularam muitas e testadas razões para fazer isso. A passagem da justiça da guerra para uma paz justa não esquece as sacrossantas razões da proteção do indefeso e da proteção do inerme, que ontem permaneciam encistadas ambiguamente na interpretação incorreta da justificação da força em defesa do direito.
Por isso, não deve surpreender nem ser motivo de apreciação da seriedade da reflexão cristã que o próprio João Paulo II tenha introduzido o tema da defesa humanitária, que contempla o uso da força proporcional à contenção de uma injusta agressão exterminadora do inerme e à proteção do seu direito à sobrevivência e ao cuidado.
O apelo à constituição de um discernimento, de um juízo e de uma decisão internacional indica precisamente o caminho da formação de uma instância que deve barrar a estrada, nos limites humanos, para um julgamento unilateral, autorreferencial, arbitrário.
E, acima de tudo, uma instância que, diante de uma orientação precisa dos povos à defesa de uma humanidade na qual se enfurece o espírito de destruição, mostre-se comprometida a excluir o recurso ao modelo da guerra, mostrando persuasivamente a melhor eficácia das estratégias de defesa da paz. Das quais a intervenção contenedora da força é precisamente a condição totalmente necessária e, ao mesmo tempo, totalmente insuficiente.
As outras condições são justamente aquelas evidenciadas pela elaboração de um verdadeiro direito da cooperação eficaz e da solidariedade internacional dos povos, no horizonte de uma justiça não só distributiva, mas, em primeiro lugar, humana, cultural, amical.
Leiamos agora, palavra por palavra, a precisão milimétrica – filológica, eu diria – das frases com as quais a entrevista do Papa Francisco selou essa incrível aceleração do mais alto magistério cristão, que recupera a doutrina tradicional de legítima defesa no contexto de um impulso propositivo audaz, avançado, à frente do progressivo – mas ainda incerto – consenso internacional.
Não se trata apenas de trazer à tona o tema da legítima defesa do contêiner semântico obsoleto da guerra justa. Trata-se também de não deixar espaço a um pacifismo genérico e retórico do "ficar em paz". O horror da normalidade com que se pratica a crueldade ("Hoje, as crianças não contam!") e a tortura (sob o pretexto da segurança e da dissuasão) indica claramente que o limite foi superado.
E ninguém pode, sob nenhum pretexto, virar-se para o outro lado. O humanismo da paz justa não se isenta do compromisso de um difícil discernimento, da fadiga de uma vigilância incessante, do sacrifício generoso da presença e do testemunho para atestar a persuasividade e a eficácia da busca de meios alternativos à guerra.
No pano de fundo da evolução atual de uma vasta sensibilidade que deve ser mais resolutamente encorajada, as suas poucas frases são realmente o ícone de uma composição bastante precisa e astuta da síntese que o mundo está buscando, e que o cristianismo – com uma determinação crítica e também autocrítica que, enfim, deverá ser compartilhada – nos exorta a encontrar.
Naturalmente – mas a fé assume a responsabilidade por isso, sem ter que pedir a ninguém – o cristianismo não desiste de dar o seu testemunho especial, que nos guarda na humildade de todas as nossas presunções. E nos torna tenazes na esperança que resiste sempre de novo ao desespero. Nós acreditamos sem constrangimento na oração de proteção e na invocação a Deus pela iluminação das mentes e a vergonha dos corações. Nós acreditamos na eficácia de uma fé que se arrisca livremente na entrega de si mesma à prova do amor maior.
E assim nós honramos a todos os nossos irmãos e irmãs – e a todos aqueles que Deus ama, de qualquer a que pertençam – que se protegem uns aos outros do mal. E sentimos que devemos merecer esse testemunho, nós, habitantes de imerecidos confortos. Porque todas as vezes que um único ser humano se liberta do mal, graças a Deus, muitíssimos outros encontrarão a coragem de mantê-lo longe.
Avvenire, 20-08-2014.
*Pierangelo Sequeri é reitor da Facoltà Teologica dell'Italia Settentrionale. A tradução é de Moisés Sbardelotto.