segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Meu Dia com Deus

DIA 16 DE FEVEREIRO - SEGUNDA-FEIRA

Ouça: 
Evangelho do Dia: (Marcos 8,11-13)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14,6).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 8 11 vieram os fariseus e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova.
12 Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: "Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal".
13 Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.
Palavra da Salvação.
 
Meditando o Evangelho
O PEDIDO RECUSADO
            Jesus recusou-se terminantemente a fazer exibição de seu poder taumatúrgico, para satisfazer a curiosidade alheia ou para provar, a quem se recusava aceitá-lo, sua condição messiânica. Os fariseus tentaram, sem sucesso, arrancar um milagre de Jesus nestas condições. Jesus não caiu nesta armadilha.
            São vários os motivos da recusa de Jesus. Os milagres não têm, por si mesmos, o poder de convencer ninguém e levá-lo à fé. Fazer um milagre diante dos fariseus seria perda de tempo e poderia ter o efeito de fazê-los odiar Jesus ainda mais. Os milagres pressupõem a fé e os fariseus representavam uma categoria de pessoas refratárias a Jesus e incapazes de perceber o verdadeiro significado de seu gesto. Os milagres têm como objetivo levar a salvação do Reino a quem é privado de sua saúde ou tem a vida ameaçada. Esse não era o caso dos fariseus que não estavam dispostos a abrir mão de seus preconceitos contra Jesus.
            Recusando atender o pedido dos fariseus, Jesus manifestou uma atitude de firmeza diante da tentação de um messianismo espetacular e exibicionista que mantém as pessoas cativas de seu egoísmo, sem sensibilizá-las para o amor e a misericórdia. Igualmente, a tentação de um messianismo humanamente gratificante, pelo sucesso e pelos aplausos. Jesus estava certo de que isto não correspondia ao querer do Pai.
 
Oração
Senhor Jesus, que eu jamais caia na tentação do exibicionismo e da busca do reconhecimento humano fácil, pois não é este o caminho do Pai.

Informativo Litúrgico - PNSC. 2015 ANO B

CF 2015: uma Igreja solidária, servidora e missionária 
    
A Campanha da Fraternidade está em sua 52ª edição. Os cristãos adultos, em sua maioria, sempre viveram, durante o tempo da Quaresma, este programa forte de evangelização e transformação provocado pela Campanha. Uma vez que a CF não tem como objetivo atingir apenas os cristãos, mas a toda a sociedade, podemos dizer que o nosso país, de alto a baixo, traz, em sua evolução, a marca de uma Igreja que provoca, a cada ano, uma reflexão corajosa sobre um tema social, um assunto polêmico, uma ameaça à vida, um ponto que carece de conversão. Podemos dizer que o rosto social do Brasil não seria o mesmo se não houvesse uma Igreja assim comprometida. É um fato que suscita admiração das Igrejas de outros países, e que já serviu de modelo para muitas Conferências Episcopais.
Não se pode negar, no entanto, que a Campanha da Fraternidade, nos últimos anos, tem se enfraquecido. Não porque os problemas sociais se tornaram menos graves. Houve, sim, arrefecimento de muitos grupos dedicados à pastoral social. Houve certa fadiga de lideranças que não encontraram quem as substituísse, houve o crescimento de um cristianismo de perfil emotivo e individual, em detrimento do espírito solidário e comprometido.

Salve-nos o Papa Francisco que, em oportuna hora, nos veio convidar a uma retomada da Evangelização com alegria, porém fortemente comprometida com a vida, com a justiça, com o espírito de serviço e com a paixão missionária. Seus gestos e seu pedido de uma “Igreja pobre, a serviço dos pobres” chocam e encantam o mundo a cada dia.  Retrata-o o cartaz da CF, de mão no chão, beijando um pé desnudo, retrato do próprio Cristo servidor.

Uma CF diferente das outras

A Campanha deste ano não retrata um problema social, não escolhe um segmento da sociedade, não tem objetivo de refletir sobre um assunto polêmico. É, antes, um olhar dos cristãos sobre a própria Igreja e um convite à sociedade para que conheça a Igreja e sua missão. Muito oportuno este olhar, pois estamos no ano cinquentenário do encerramento do Concílio Vaticano II, que colocou a Igreja de frente para o mundo, estabeleceu um diálogo franco com a sociedade, preparou a Igreja para enfrentar um dos períodos mais turbulentos de sua história, e avisou a todos que a Igreja queria ir além das sacristias e dos templos, queria sair em missão, sair em serviço, sair corajosamente enfrentando o cansaço, as feridas e, se preciso, o martírio para se envolver com a defesa da vida. É a Igreja “em saída” do Papa Francisco, que realiza o desejo expresso pelo Concílio, 50 anos atrás, só agora em condições de pegar estrada.

E a Campanha da Fraternidade nos coloca nessa estrada. O texto-base nos convida a olhar para o passado: como foi a presença da Igreja na sociedade, nos cinco séculos, desde os anos 1500, passando pelo Brasil Colônia, Império, República; o período da repressão militar, e a redemocratização. Considera as crises econômicas, a pobreza, a violência, o laicismo do Estado, a corrupção, os desafios e as esperanças de hoje. Uma viagem rápida pela linha do tempo, além de um olhar para a Igreja, à luz da Palavra de Deus e do Magistério recente, especialmente a Igreja do Concílio até Aparecida, nos fará entender o que quer o Papa Francisco na sua Exortação Evangelii Gaudium: uma Igreja solidária, missionária, aberta ao diálogo com o mundo, sem medo de mostrar os valores do Evangelho como caminho para a sua própria conversão e para a salvação do mundo.

Igreja e Sociedade: “Vim para servir”

O tema “Igreja e Sociedade”, embora diferente das campanhas passadas, não destoa, nem enfraquece a Campanha da Fraternidade. Não focaliza um problema social, mas vai ao encontro de todos eles, ao ter como lema a palavra de Cristo “Vim para Servir” (Mc 10,45). Que serviço é esse que todas as Igrejas têm a obrigação de realizar? Não será apenas o serviço litúrgico, as bênçãos e as novenas. Não será apenas o convívio dos almoços e jantares em festas de padroeiro ou associações e grupos que cuidam de si mesmos. Esse sonoro lema “Vim para servir” deverá colocar nossa consciência na balança, para ver, no calendário da paróquia, onde se gasta o maior esforço: na manutenção de si própria, ou na ação missionária. Vamos examinar as atas do Conselho Paroquial: os assuntos mais frequentes são de manutenção da estrutura interna ou são de busca e de serviço aos que não participam. Vamos verificar se os movimentos e associações gastam o seu tempo, e seus recursos, com os necessitados e na ação social, ou investem só em si mesmos. Conferir se, entre as inúmeras tarefas do padre, o tempo maior é reservado para o serviço misericordioso de sair em busca dos caídos, dos que necessitam da Palavra, do encorajamento, do sentido da vida.

 A identidade da Igreja de Jesus Cristo

O tema “Igreja e Sociedade” deverá clarear para todos nós, clero e leigos, a identidade própria da Igreja como presença de Cristo Servidor em meio aos homens. Essa identidade não está suficientemente clara para a sociedade, que coloca a nossa Igreja no mesmo pacote dos grupos fanáticos, ou no rentável grupo das empresas de negócios religiosos, e cujo interesse se limita aos escândalos e aos casos exóticos. Mas também não está clara a identidade da Igreja para muitos, dentro da própria Igreja, fechados em interesses pequenos de favores divinos individuais, ou de pequenos grupos que se fazem independentes e se bastam em cultivar a sua espiritualidade própria e suas atividades internas, sem ligar para uma pastoral de conjunto, nem para uma ação missionária comum, e muito menos para o cuidado daqueles cujos direitos e dignidade são negados. Uma Campanha com esse tema não pode ficar restrita ao tempo da Quaresma, mas pode ser iniciada ali sob o signo da conversão, estendendo-se por todo o ano na reflexão e aprofundamento do tema, nas diversas ocasiões de formação permanente, como preocupação dos Conselhos Regionais e Paroquiais, dos encontros de grupos e associações,  movimentos e pastorais. Quanto a isso, tomo a liberdade de sugerir alguns pontos práticos que nos possibilitem colher bons frutos dessa Campanha da Fraternidade, além de outras propostas que estão no texto-base.

1.As Paróquias tenham um grupo escolhido – como Equipe de Animação da Campanha da Fraternidade, encarregado de estudar o tema, acompanhar as iniciativas em relação à Campanha, avaliar e aproveitar os dados colhidos para fazer crescer a CF a cada ano. Esse grupo se encarregará de estender por todo o ano o estudo e reflexão do tema proposto pela CF. O encontro promovido pela diocese, sobre o tema da CF, em 31 de janeiro, pode ser reproduzido em encontros de formação, especialmente dirigidos aos Ministros, aos Catequistas, às Equipes de Liturgia, aos conselhos das comunidades e demais lideranças, motivando ações e iniciativas nas comunidades. O presente texto, publicado no BIO, poderá servir de motivação para a reflexão e formação das lideranças.

2.Que o texto base da CF/2015 seja conhecido e estudado– Junto com esse texto, a Palavra de Deus e os Documentos do Concílio podem ser úteis.  Ampliar os temas, trazê-los para o contexto das paróquias e comunidades, envolver as lideranças no estudo do tema “Igreja e Sociedade”, durante todo o ano, tudo isso fará um grande bem para os fiéis que participam de nossas paróquias.

3.A CF deve ser levada para fora da Igreja – As diversas paróquias do mesmo município podem se unir e solicitar à Câmara de Vereadores uma sessão pública extraordinária sobre o tema da Campanha. Pode preparar alguns leigos (ministros, catequistas, professores, advogados…) que tenham habilidade de proferir palestras nas escolas, nas universidades, nas entidades de classe, sobre o tema. Pode procurar espaço nos meios de comunicação locais para publicar materias e divulgar o que a comunidade realiza em benefício da sociedade.

4.É oportuno planejar e fazer valer a presença dos leigos católicos – nos conselhos municipais, no apoio às políticas públicas que tragam real benefício ao povo, nos movimentos sociais e de cidadania. É bom saber que a Igreja está ainda empenhada na coleta de assinaturas em favor da Reforma Política Democrática conforme divulgado pela CNBB.

5.Fazer um retrospecto  – de como os temas das CFs anteriores foram acolhidos nas comunidades. O que resultou depois de cada campanha? Cresceu ou diminuiu o zelo pelos pobres, pelos marginalizados? Quais os temas que deixaram uma marca positiva de consciência e de ação evangelizadora na comunidade?

6.Fazer um levantamento claro e honesto – das ações de natureza social realizadas pela Igreja local. Quais permanecem vivas, quais estão perecendo? Quais merecem ser mais motivadas? Há renovação das lideranças? A ação é aberta para a participação da comunidade, ou fechada num grupo ou movimento? Quem são aqueles de quem lavamos os pés, e quem são aqueles dos quais ainda não nos aproximamos, e podemos eleger como rostos de Cristo sofredor?

7.Os pequenos grupos de rua, grupos de reflexão e vivência – tenham em mãos o livreto sugerido pela diocese, com o CD da Leitura Orante e o texto para a Via Sacra, em número suficiente para tornar o tema da Campanha bem próximo da realidade e da vida dos cristãos. Esses grupos cresceram na Novena de Natal, muito bem acolhida, e podem crescer ainda mais na Quaresma, e depois, no Tempo Comum, com o livreto correspondente.

8.A Coleta da Solidariedade- seja bem motivada no dia 29 de março de 2015, gesto concreto da Campanha, que deve ser direcionado a projetos sociais das Paróquias e da Diocese, sob os cuidados da Caritas diocesana. A Caritas precisa ser abraçada por toda a diocese para se tornar o que ela é: o rosto social da Igreja diocesana.

9.Os religiosos e religiosas – que vivem especialmente este ano de 2015 como Ano da Vida Consagrada deverão também avaliar se o seu testemunho e seu profetismo estão sendo compreendidos pela sociedade. Suas atividades e presença na sociedade são a “comissão de frente” de uma Igreja comprometida, ousada e missionária?

10.A Campanha da Fraternidade – em si mesma pode ser repensada, neste ano, à luz do tema “Igreja e Sociedade”. Muitos começaram a questionar se vale a pena continuar com a Campanha. Para alguns, esse programa afasta os cristãos dos temas próprios da Quaresma. Para outros, esse formato já não corresponde às necessidades dos dias atuais. Em muitas igrejas, a Campanha se resumiu à exposição do cartaz e, quando muito, no ensaio do Hino da Campanha. Não estaria na hora de repensar, em nível diocesano, de que forma abraçar com mais vigor os objetivos da CF a cada ano?

Meus caros, o tema e a oportunidade da Campanha da Fraternidade, deste ano de 2015 são de excepcional atualidade. Não se trata de “mais um documento” para ser estudado e, depois, esquecido. Aliás, este período fértil que a Igreja vem vivendo, com grandes reflexões como a de Aparecida, a Evangelii Gaudium, o Documento 100, As novas Diretrizes Gerais, o documento dos Leigos, tudo isso à luz dos textos do Concílio, não retrata uma situação de confusão e tiroteio para todas as direções. Esses inúmeros efeitos motivadores são complementares. Todos eles apontam para a única direção que devemos seguir, como Igreja, nos dias de hoje. Todos apontam para Jesus Cristo servo e humilde, profético e misericordioso, que a nossa Igreja deve sempre mais encarnar. Desejo a todos uma grande e corajosa conversão quaresmal. Sobre todos invoco as bênçãos de Deus.

Por Dom João Bosco, ofm, Bispo Diocesano de Osasco


      Pastoral liturgica pnsc 2015  ano  B -     Informativo Liturgico

Evangelho do Dia

Ano B - 16 de fevereiro de 2015

Marcos 8,11-13

Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14,6).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 8 11 vieram os fariseus e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova.
12 Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: "Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal".
13 Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
O PEDIDO RECUSADO
            Jesus recusou-se terminantemente a fazer exibição de seu poder taumatúrgico, para satisfazer a curiosidade alheia ou para provar, a quem se recusava aceitá-lo, sua condição messiânica. Os fariseus tentaram, sem sucesso, arrancar um milagre de Jesus nestas condições. Jesus não caiu nesta armadilha.
            São vários os motivos da recusa de Jesus. Os milagres não têm, por si mesmos, o poder de convencer ninguém e levá-lo à fé. Fazer um milagre diante dos fariseus seria perda de tempo e poderia ter o efeito de fazê-los odiar Jesus ainda mais. Os milagres pressupõem a fé e os fariseus representavam uma categoria de pessoas refratárias a Jesus e incapazes de perceber o verdadeiro significado de seu gesto. Os milagres têm como objetivo levar a salvação do Reino a quem é privado de sua saúde ou tem a vida ameaçada. Esse não era o caso dos fariseus que não estavam dispostos a abrir mão de seus preconceitos contra Jesus.
            Recusando atender o pedido dos fariseus, Jesus manifestou uma atitude de firmeza diante da tentação de um messianismo espetacular e exibicionista que mantém as pessoas cativas de seu egoísmo, sem sensibilizá-las para o amor e a misericórdia. Igualmente, a tentação de um messianismo humanamente gratificante, pelo sucesso e pelos aplausos. Jesus estava certo de que isto não correspondia ao querer do Pai.
 
Leitura
Gênesis 4,1-15.25
Leitura do livro do Gênesis
4 1 Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Possuí um homem com a ajuda do Senhor.” 2 E deu em seguida à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor e Caim lavrador.
3 Passado algum tempo, ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor. 4 Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação, 5 mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. 6 O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? 7 Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.” 8 Caim disse então a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo.” Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu irmão e matou-o. 9 O senhor disse a Caim: “Onde está seu irmão Abel?" – Caim respondeu: “Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?” 10 O Senhor disse-lhe: “Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra.
11 De ora em diante, serás maldito e expulso da terra, que abriu sua boca para beber de tua mão o sangue do teu irmão. 12 Quando a cultivares, ela te negará os seus frutos. E tu serás peregrino e errante sobre a terra.” 13 Caim disse ao Senhor: “Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar. 14 Eis que me expulsais agora deste lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa face, tornando-me um peregrino errante sobre a terra. O primeiro que me encontrar, matar-me-á.” 15 E o Senhor respondeu-lhe: “Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes.” O Senhor pôs em Caim um sinal, para que, se alguém o encontrasse, não o matasse.
25 Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo: “Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou.”
Palavra do Senhor.
 
Salmo 49/50
Imola a Deus um sacrifício de louvor!

Falou o Senhor Deus, chamou a terra,
do sol nascente ao sol poente a convocou.
Eu não venho censurar teus sacrifícios,
pois sempre estão perante mim teus holocaustos.

“Como ousas repetir os meus preceitos
e trazer minha aliança em tua boca?
Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos
e deste as costas às palavras dos meus lábios!

Assentado, difamavas teu irmão
e ao filho de tua mãe injuriavas.
Diante disso que fizeste, eu calarei?
Acaso pensas que eu sou igual a ti?
É disso que te acuso e repreendo
e manifesto essas coisas aos teus olhos”
 
Oração
Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Liturgia Diária

DIA 16 DE FEVEREIRO - SEGUNDA-FEIRA

VI SEMANA DO TEMPO COMUM
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)

Antífona de entrada:
Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3s).
Oração do dia
Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Gênesis 4,1-15.25)
Leitura do livro do Gênesis
4 1 Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Possuí um homem com a ajuda do Senhor.” 2 E deu em seguida à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor e Caim lavrador.
3 Passado algum tempo, ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor. 4 Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação, 5 mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. 6 O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? 7 Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.” 8 Caim disse então a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo.” Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu irmão e matou-o. 9 O senhor disse a Caim: “Onde está seu irmão Abel?" – Caim respondeu: “Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?” 10 O Senhor disse-lhe: “Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra.
11 De ora em diante, serás maldito e expulso da terra, que abriu sua boca para beber de tua mão o sangue do teu irmão. 12 Quando a cultivares, ela te negará os seus frutos. E tu serás peregrino e errante sobre a terra.” 13 Caim disse ao Senhor: “Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar. 14 Eis que me expulsais agora deste lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa face, tornando-me um peregrino errante sobre a terra. O primeiro que me encontrar, matar-me-á.” 15 E o Senhor respondeu-lhe: “Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes.” O Senhor pôs em Caim um sinal, para que, se alguém o encontrasse, não o matasse.
25 Adão conheceu outra vez sua mulher, e esta deu à luz um filho, ao qual pôs o nome de Set, dizendo: “Deus deu-me uma posteridade para substituir Abel, que Caim matou.”
Palavra do Senhor.
 
Salmo responsorial 49/50
Imola a Deus um sacrifício de louvor!

Falou o Senhor Deus, chamou a terra,
do sol nascente ao sol poente a convocou.
Eu não venho censurar teus sacrifícios,
pois sempre estão perante mim teus holocaustos.

“Como ousas repetir os meus preceitos
e trazer minha aliança em tua boca?
Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos
e deste as costas às palavras dos meus lábios!

Assentado, difamavas teu irmão
e ao filho de tua mãe injuriavas.
Diante disso que fizeste, eu calarei?
Acaso pensas que eu sou igual a ti?
É disso que te acuso e repreendo
e manifesto essas coisas aos teus olhos”
 
Evangelho (Marcos 8,11-13)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim (Jo 14,6).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 8 11 vieram os fariseus e puseram-se a disputar com ele e pediram-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova.
12 Jesus, porém, suspirando no seu coração, disse: "Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: jamais lhe será dado um sinal".
13 Deixou-os e seguiu de barca para a outra margem.
Palavra da Salvação.
 
Comentário ao Evangelho
O PEDIDO RECUSADO
            Jesus recusou-se terminantemente a fazer exibição de seu poder taumatúrgico, para satisfazer a curiosidade alheia ou para provar, a quem se recusava aceitá-lo, sua condição messiânica. Os fariseus tentaram, sem sucesso, arrancar um milagre de Jesus nestas condições. Jesus não caiu nesta armadilha.
            São vários os motivos da recusa de Jesus. Os milagres não têm, por si mesmos, o poder de convencer ninguém e levá-lo à fé. Fazer um milagre diante dos fariseus seria perda de tempo e poderia ter o efeito de fazê-los odiar Jesus ainda mais. Os milagres pressupõem a fé e os fariseus representavam uma categoria de pessoas refratárias a Jesus e incapazes de perceber o verdadeiro significado de seu gesto. Os milagres têm como objetivo levar a salvação do Reino a quem é privado de sua saúde ou tem a vida ameaçada. Esse não era o caso dos fariseus que não estavam dispostos a abrir mão de seus preconceitos contra Jesus.
            Recusando atender o pedido dos fariseus, Jesus manifestou uma atitude de firmeza diante da tentação de um messianismo espetacular e exibicionista que mantém as pessoas cativas de seu egoísmo, sem sensibilizá-las para o amor e a misericórdia. Igualmente, a tentação de um messianismo humanamente gratificante, pelo sucesso e pelos aplausos. Jesus estava certo de que isto não correspondia ao querer do Pai.
 

Oração
Senhor Jesus, que eu jamais caia na tentação do exibicionismo e da busca do reconhecimento humano fácil, pois não é este o caminho do Pai.
 

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
 
Sobre as oferendas
Ó Deus, que este sacrifício nos purifique e renove e seja fonte de eterna recompensa para os que fazem a vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão:
Eles comeram e beberam à vontade; o Senhor satisfizera os seus desejos (Sl 77,29s)
Depois da comunhão
Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Meu Dia com Deus

DIA 15 DE FEVEREIRO - DOMINGO

Ouça: 
Evangelho do Dia: (Marcos 1,40-45)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Um grande profeta surgiu, surgiu e entre nós se mostrou; é Deus que se povo visita, seu povo, meu Deus visitou (Lc 7,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
1 40 Aproximou-se de Jesus um leproso, suplicando-lhe de joelhos: "Se queres, podes limpar-me."
41 Jesus compadeceu-se dele, estendeu a mão, tocou-o e lhe disse: "Eu quero, sê curado."
42 E imediatamente desapareceu dele a lepra e foi purificado.
43 Jesus o despediu imediatamente com esta severa admoestação:
44 "Vê que não o digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para lhe servir de testemunho."
45 Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade. Conservava-se fora, nos lugares despovoados; e de toda parte vinham ter com ele.
Palavra da Salvação.
 
Meditando o Evangelho
A LIBERDADE DE CURAR
            A cura do leproso sublinha um aspecto importante do ministério taumatúrgico de Jesus. O homem dirigiu-se a Jesus fazendo-lhe um pedido, de maneira indireta. Sua cura foi submetida ao querer de Jesus. Se fosse da vontade do Senhor, haveria de ser curado. E Jesus o curou porque queria ver aquele homem limpo de sua enfermidade.
            Curando segundo sua vontade, Jesus não era levado a agir sob pressão de quem se dirige a ele. Evitava perder o controle da situação e atuar de maneira automática. Conservava o sentido de seus milagres, enquanto indicadores da presença do Reino na história humana. Tinha possibilidade de beneficiar a quem, de fato, carecia de sua ajuda.
            A moção da vontade, porém, não diminuia o afeto de Jesus. Seu coração se compadecia diante de quem realmente precisava ser ajudado por ele. A vontade de Jesus, neste caso, era mais movida pelo coração do que pela razão. O coração cheio de misericórdia selecionava os beneficiários de seu poder de operar milagres. A esses, ele sentia vontade de curar. Quanto mais alguém era vítima da exclusão e da marginalização, mais o coração de Jesus se inclinava para ele.
            A vontade de Jesus, portanto, deixava-se sensibilizar por quem efetivamente dependia dele, não tendo a quem recorrer. Seu querer era movido apenas pelo amor.
 
Oração
Senhor Jesus, mova meu coração para fazer o bem a quem carece de misericórdia. Seja eu tua presença amorosa junto deles.
 

Roteiro Homilético

15 de fevereiro / 2015 – 6º Domingo do Tempo Comum /B

O PODER SOBRE A EXCLUSÃO SOCIAL

 1ª leitura: (Lv 13,1-2.44-46) Os leprosos: marginalizados – As leis de Israel concernentes à lepra são severas. Mesmo sem que se saiba a natureza da doença, quem demonstra seus sintomas deve ser afastado da comunidade, e seus objetos, destruídos. Estas medidas parecem inspiradas pela higiene, mas não deixam de sugerir a presença de uma força maligna nos infelizes. Trata-se de um verdadeiro tabu e discriminação social. * Cf. Dt 24,8-9; Nm 12,10-15.

2ª leitura: (1Cor 10,31–11,1) Fazer tudo para a glória de Deus – Ao fim da discussão sobre os banquetes idolátricos (1Cor 8–10; cf. dom. passado), Paulo tira as conclusões práticas. Que se compre carne destes banquetes no mercado, sem ninguém o saber, não tem importância (10,25). Se, porém, alguém o sabe e se escandaliza, então não se deve comer desta carne, por amor ao fraco na fé (10,28-29), pois não seria possível comê-la agradecendo a Deus (10,30). Daí, a atitude geral: fazer tudo de sorte que seja um agradecimento a Deus, o que acontece quando é para o bem dos outros. Por final, Paulo atreve-se a colocar-se como exemplo, sendo que Cristo é o exemplo dele. * 10,31-32 cf. Cl 3,17; 1Pd 4,11; 1Cor 9,20-22. Rm 15,2 * 10,33–11,1 cf. 1Cor 4,16; Fl 3,17.

Evangelho: (Mc 1,40-45) Jesus cura um leproso – Sempre no exercício da “autoridade” divina sobre as forças do mal e, ao mesmo tempo, levado por uma compaixão humana que não deixa de ser divina também, Jesus quebra o tabu da lepra, toca o leproso e faz desaparecer a lepra. Depois, manda o homem oferecer o sacrifício prescrito, selando assim sua reintegração na comunidade. Jesus lhe proíbe publicar o ocorrido, porque a publicidade não dá acesso à verdadeira personalidade de Jesus (que não apenas cura, mas também assume o sofrimento humano). Mas o homem não é capaz de silenciar o fato... * cf. Mt 8,2-4; Lc 5,12-16; Lv 14,1-32 (1ª leitura). 
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 A lepra era um sofrimento duplamente cruel, em Israel, por causa da doença em si e por causa da exclusão prevista pela Lei (1ª leitura, Lv 13; mas Lv 14 traz prescrições para curar os leprosos e reintegrá-los). Na opinião do povo, a lepra devia ser obra de algum espírito muito ruim. Os leprosos eram intocáveis, tabu! Jesus quebra este tabu (evangelho). O leproso reconhece em Jesus sua misteriosa “autoridade”, seu poder sobre os espíritos maus. “Se quiseres, tens o poder de me purificar” (Mc 6,40). Jesus não pensa nas severas restrições da Lei, mas em compaixão, aquela qualidade divina que ele encarna. Toca no leproso, apesar da proibição. Diz: “Eu quero, sê purificado”, e acontece. Como aos exorcizados, Jesus proíbe ao ex-leproso publicar o que o “poder” nele operou. Mas quem poderia esconder tanta felicidade? O homem, até então marginalizado, encontrou a reintegração e aproveitou-a para contar o que lhe acontecera. Mais: Jesus foi ocupar o lugar do leproso, nos “lugares desertos” (1,45).
Como as narrações precedentes, também esta é concebida como uma revelação velada da personalidade de Jesus. Poder e compaixão: duas qualidades de Deus, dificilmente compatíveis no homem, são as feições que se deixam entrever no agir de Jesus. E também: a superioridade em relação à Lei. Pois a Lei é para o bem das pessoas; se se pode curar alguém pelo “poder”, não é preciso primeiro consultar os guardiães da Lei. Basta que, depois do benefício de Deus, o leproso ofereça o sacrifício de agradecimento a Deus, conforme o rito costumeiro.
Chegamos aqui a um ponto central na atuação de Jesus, e que provocará a crescente e mortal oposição das autoridades religiosas: Jesus sabe melhor que a Lei (na interpretação dos escribas) o que é o bem do homem. Reintegra, por “autoridade” própria, o homem que a letra da Lei marginalizava. Restaura a comunhão com o excomungado (a aclamação ao evangelho é tirada, precisamente, de um dos salmos de reintegração dos excomungados), passando para trás os que tinham o monopólio da reintegração. Aceitar este Jesus significa aceitar alguém que supera as mais altas autoridades religiosas. Neste sentido, a cura da lepra funciona como um sinal: significa que, de fato, Jesus está acima das prescrições legais e pode prescindir delas. Este é o ponto central da revelação velada que se expressa neste milagre.
Este tema convida a uma catequese sobre a reintegração dos que são marginalizados (não necessariamente por causa de lepra). Uma pista: a reintegração baseia-se na “autoridade” que Jesus demonstra; autoridade que neutraliza, por assim dizer, as prescrições da Lei. Em Jesus, temos uma autoridade superior. Para que nós, operando como membros do Cristo, possamos realmente vencer a marginalização, será preciso desenvolver um poder que esteja acima das convenções constrangedoras do sistema em que vivemos. Precisamos demonstrar tal poder, exatamente como Jesus. Precisamos de uma encarnação operante da compaixão reintegradora; precisamos de uma força que neutralize os mecanismos de marginalização. Uma força de origem divina: a força da verdadeira solidariedade, baseada no amor.
A 2ª leitura tira das “questões particulares” dos coríntios uma regra de vida que vale para todas as circunstâncias. Paulo chega ao termo de suas considerações com relação ao participar dos banquetes religiosos pagãos (que eram, ao mesmo tempo, festas civis) (1Cor 8) e com relação ao comer carne sacrificada aos ídolos e depois vendida no mercado (10,23-30). Acha que não convém usar de seu direito em coisas tão secundárias, se isso causa confusão nos “fracos na fé”, que não sabem distinguir o que é idolátrico e o que não o é. Inclusive, as refeições se fazem sob ação de graça; ora, como render graças se o irmão fica na confusão pelo que estou fazendo (10,30)? Daí a regra geral, adaptável a muitas circunstâncias: fazer tudo, comer, beber e tudo o mais, de modo que se possa dar graças e louvor a Deus (10,31). Paulo se coloca a si mesmo como exemplo (cf. dom. passado): o pregador deve ser a ilustração daquilo que ele prega. Paulo quer agradar a todos, não para lograr sucesso pessoal, mas para o bem da maioria, a fim de que todos se deixem atrair por Cristo. Este texto é uma das mais lindas exortações que a Bíblia contém.

Deus e os excluídos
 A exclusão social virou princípio de organização socioeconômica: a lei do mercado, da competitividade. Quem não consegue competir, desapareça. Quem não consegue consumir, deve sumir. Escondemos favelas por trás de paredões ou placares de publicidade para que feios, aleijados, idosos e doentes não poluam os nossos cartões postais!
Em tempos idos, a exclusão muitas vezes provinha da impotência ou da superstição. Assim a exclusão dos cegos e coxos do templo de Jerusalém. Ou a marginalização dos leprosos, ilustrada abundantemente em Lv 13–14 (cf. 1ª leitura). Enquanto não se tivesse constatado a cura por um complicado ritual, o leproso era considerado impuro, intocável. Jesus, porém, toca no leproso – e o cura (evangelho). É um sinal do Reino de Deus. Jesus torna o mundo mais conforme ao sonho de Deus. Pois Deus não deseja sofrimento nem discriminação. O Antigo Testamento pode não ter encontrado outra solução para esses doentes contagiosos que a marginalização; mas Jesus mostra que um novo tempo começou.
Começou, mas não terminou. Reintegrar os marginalizados não foi uma fase passageira no projeto de Deus, como os benefícios que os políticos realizam nas vésperas das eleições. O plano messiânico continua através do povo messiânico, como se concebe a Igreja. Devemos continuar inventando, quando pudermos, soluções contra toda e qualquer marginalização. Pois somos todos irmãos e irmãs.
Seremos impotentes para excluir a exclusão, como os antigos israelitas em relação à lepra? Que fazer com os criminosos perigosos, viciados no crime? Será nosso mundo tão bom que possa reintegrar tais pessoas, sem que se enrosquem de novo? O fato de ter de marginalizar alguém é um reconhecimento da não-perfeição de nossa sociedade. Toda forma de marginalização é uma denúncia contra nossa sociedade, e ao mesmo tempo um desafio. Isso é muito mais ainda o caso em se tratando de pessoas inocentes. A marginalização é sinal de que não está acontecendo o que Deus deseja.
Onde existe marginalização, o Reino de Deus ainda não chegou, pelo menos não completamente. E aonde chega o Reino de Deus, a marginalização não deve mais existir. Por isso, Jesus reintegra os marginalizados, como é o caso do leproso, dos pecadores, publicanos, prostitutas… Essa reintegração está baseada no poder-autoridade que Jesus detém como enviado de Deus: “Se quiseres, tens o poder de me purificar” (Mc 1,40). Jesus passa por cima das prescrições levíticas, toca no leproso e “purifica”-o por sua palavra em virtude da autoridade que lhe é conferida como “Filho do Homem” (= “executivo” de Deus, cf. Mc 2,10.28).
Há quem pense que os mecanismos auto reguladores do mercado são o fim da história e a realização completa da racionalidade humana. E os que são (e sempre serão) excluídos por esse processo, onde ficam? Não será esse raciocínio o de um varejista que se imagina ser o criador do universo? A liturgia de hoje nos mostra outro caminho, o de Jesus: solidarizar-se com os marginalizados, os excluídos, tocar naqueles que a “lei” proíbe tocar, para reintegrá-los, obrigando a sociedade a se abrir e a criar estruturas mais acolhedoras. Mais messiânicas.
 (Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB  e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. 

O Carnaval e os valores cristãos


Está faltando para os cristãos a vivência e a prática de uma espiritualidade da alegria.
Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz*

Com a chegada do Carnaval, fica sempre para o fiel cristão o desafio e as possibilidades diante deste evento tão marcante para a cultura brasileira. Uns se preparam para um momento de recolhimento nos chamados retiros de Carnaval ou Rebanhões, aprofundarão a oração e através do louvor e da intercessão renovarão a sua vida espiritual.

Outros menos avisados entrarão de cheio na mística de diversão, pensando que no Carnaval há férias para tudo, e como estava escrito nas cartografias da Renascença não existe pecado debaixo do Trópico. Assim seria lícito cometer toda espécie de exageros e desvios contra a vida e a família. Parece que não haveria outra opção para bem viver o Carnaval como tempo de alegria e festa, embora muito contaminada pelo hedonismo e os apelos para uma sexualidade desenfreada. É pena termos esquecido a origem desta palavra: " a carne vale", para expressar que este tempo que antecipava a Quaresma não era preciso fazer abstinência de comer carne, e todo o povo participava celebrando a paixão e a alegria de viver, valores profundamente evangélicos.

O homem e a mulher bíblica tinham uma dimensão marcadamente festiva como prova a festa do Purim, que celebrava a salvação do povo pela atuação da Rainha Éster. Hoje também é possível como o Rei Davi e João Batista no ventre materno pular com alegria, testemunhando o rosto amável, luminoso e belo do Bom Deus que nos chama a plenitude e a viver com inteireza a condição de filhos amados e sempre acompanhados por sua Presença.

Está faltando às vezes para os cristãos a vivência e a prática de uma verdadeira espiritualidade da alegria, que condiga desvelar e mostrar em quem acreditamos: o Deus da Paz e da Alegria. Uma espiritualidade capaz de apontar no Carnaval onde se encontram a beleza, a completude e a verdadeira festa, partilhando com os carnavalescos, a ginga, os enredos que enobrecem o ser humano, e a espontaneidade generosa e solidária de quem se diverte não prejudicando a saúde nem a felicidade do irmão, mas busca plenificar estes instantes com esperança e desejo da Festa sem fim. Deus seja louvado!
CNBB, 09-02-2015.
*Dom Roberto Francisco Ferreria Paz é bispo de Campos (RJ).