quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O desapego e a busca pelo bem maior


Abandonar a vida de busca de interesse egoísta é vital para se ganhar o tesouro do Reino de Deus.
Por Dom José Alberto Moura*

Em geral, não gostamos de deixar algo atraente, a não ser para trocarmos por outro mais chamativo e de mais valor. Para isso, é preciso conhecermos a preciosidade do que vamos assumir como novo. Exige maturidade para a nova escolha. Às vezes ficamos perplexos por querermos algo conceitualmente melhor e sermos como que arrastados por aquilo que é apetitoso para os instintos. Estes nos atraem até de modo inconsciente. Paulo lembra essa situação, em que reconhece um valor, aceita-o e se sente atraído pelo de menos valia.
No entanto, a ascese ou exercitação para a prática do bem maior, nos faz fortificar a vontade para não sucumbirmos às tentações dos vícios e dos prazeres efêmeros, em detrimento da busca de valores maiores, como a consecução de um ideal na vida. Para isso, não podemos deixar passar as oportunidades que Deus nos dá de sabermos abandonar o que não convém e nos deixarmos atrair e até arrastar pelo atrativo de seu amor. Isso é chamado por Jeremias de “sedução de Deus”: “Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Jeremias 20,7).
Mudar de vida muitas vezes nos custa, também pelas críticas e comentários de pessoas acostumadas ao nosso comportamento anterior de descompromisso com a ética, a verdade e a prática das virtudes. A conversão verdadeira exige força de vontade e uso da convicção de que achamos o tesouro da vida de sentido. Não o trocamos por valores menores. O mesmo Jeremias fala bem disso quando teve a tentação de voltar atrás de sua conversão para o Senhor (Cf. Jeremias 20,8-9). Mas Deus deu-lhe a força necessária para não ser derrotado em sua conversão.
Paulo nos lembra a necessidade de transformação e renovação para a prática do bem, fortificando a vontade para realizarmos o projeto de Deus (Cf. Romanos 12,1-2). Para isso, precisamos usar os meios naturais e sobrenaturais para conseguirmos ficar em pé sem cair, como fizeram e fazem tantas pessoas de fidelidade a Deus. Deste modo, são como colunas firmes, que sustentam o edifício da construção da sociedade e dão suporte a um convívio de promoção do bem e da justiça. Trabalham com afinco e exemplo na ordem familiar, eclesial, política e social para ajudarem a implantar nova ordem justa e fraterna.
Jesus vem implantar nova mentalidade e prática de vida, que exige conversão e mudança, abandonando-se o egocentrismo exagerado e os interesses mesquinhos de pessoas e grupos. Trata-se de cada um dar de si pelo bem outro: “Quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mateus 16, 26). Abandonar a vida de busca de interesse egoísta e viver na oblatividade por amor e promoção do semelhante é vital para se ganhar o tesouro do Reino de Deus.
CNBB, 27-08-2014.
*Dom José Alberto Moura é arcebispo de Montes Claros (MG).

Em entrevista, bispo auxiliar de BH fala sobre vocação


Para Dom João Justino, o chamado da vocação é o momento de se colocar diante de perguntas fundmentais.
Belo Horizonte  - "A missão da Igreja é continuar a missão de Jesus Cristo, evangelizar e congregar o povo de Deus na comunidade eclesial", de acordo com o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Dom João Justino de Medeiros, a respeito do mês das vocações, vivenciado este mês pela Igreja no Brasil.
Entrevistado pela agência Gaudium Press, o prelado destaca, entre as vocações, o chamado ao presbiterado, uma vez que "todo o laicato, que pelo batismo é chamado ao sacerdócio comum dos fiéis, conta com o serviço do sacerdócio ministerial para a vivência de sua Fé, sobretudo na dinâmica sacramental", sendo fundamental o exercício da profissão religiosa a serviço dos cristãos fiéis e leigos.
Para Dom Justino, "o mês das vocações é uma iniciativa muito interessante para o cultivo das vocações nas comunidades". "É preciso que toda comunidade eclesial compreenda a vocação como a fundamental experiência humana de colocar-se diante das perguntas: Minha vida para quê? Para quem?", explica.
O religioso afirma que nesses últimos anos, o Serviço de Animação Vocacional (SAV) ou a Pastoral Vocacional e ministérios tem ganhado cada vez mais força e abrangência em muitas comunidades, pois "Toda iniciativa que ajude, sobretudo, os jovens no discernimento vocacional, há de encontrar todo nosso apoio".

Quando a redação pediu para que Dom Justino contasse como havia recebido seu chamado para o sacerdócio, o bispo auxiliar disse que tinha percebido sua vocação enquanto participava da vida pastoral de sua comunidade de origem. "Ali, desde os primeiros anos da catequese, como uma semente cultivada, iniciei um longo caminho que se tornou bem claro e decisivo quando estava já no seminário, concluindo a formação presbiteral inicial", relata.

Nos últimos anos do curso de teologia, o prelado, então, sentiu a liberdade para responder ao chamado de Deus, pedindo posteriormente ao bispo de sua localidade para que fosse admitido no seminário, para futuramente vir a tornar-se padre. "Vivia naquele momento uma alegria interior de ter dado um passo decisivo e definitivo em minha vida", completa.

Aproveitando o tema da reportagem, Dom Justino fez recomendações aos jovens e interessados em seguir a vida vocacional: "Cada jovem de Fé - moça ou rapaz - precisa se colocar na possibilidade de ser chamado a uma vida de consagração a Deus na Igreja. Colocada a pergunta, é preciso aprofundar o discernimento. Para isso, é fundamental a disposição para abrir-se ao diálogo com quem tem condições de escutar e colaborar no processo de discernimento que é sempre pessoal, custoso, profundo e libertador. Recomendo, pois, que não se tenha medo do discernimento. ‘Vocação acertada, futuro feliz!'. Se é assim, tonar-se mais importante ainda o empenho pelo discernimento vocacional."

Ao final da entrevista, o bispo auxiliar deixou uma mensagem dedicada aos jovens e todos aqueles religiosos vocacionados que sentiram o chamado de Nosso Senhor Jesus Cristo para a missão: "Queridos jovens, Jesus Cristo continua chamando. É preciso escutá-lo e entrar em diálogo com Ele sem ter medo de lhe colocar a pergunta: ‘Senhor, que queres que eu faça?'. A busca dessa resposta é o encontro com a vocação. Se Ele chama você para uma vocação de consagração na Igreja, Ele precisa de sua decisão para conduzir seus passos. Jovem, abra seu coração para a escuta de Jesus Cristo", concluiu.
SIR

Santa Mônica e Santo Agostinho


Santa Mônica é o exemplo da mulher forte. E a vida de Santo Agostinho é uma lição de busca pela verdade.
Por Dom Fernando Arêas Rifan*

Dois santos admiráveis celebramos nessa semana: Santa Mônica (dia 27) e Santo Agostinho (dia 28), do século IV. Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, na Região de Cartago, na África, filho de Patrício, pagão, e Mônica, cristã fervorosa. Segundo narração dele próprio, Agostinho bebeu o amor de Jesus com o leite de sua mãe. Infelizmente, porém, como acontece muitas vezes, a influência do pai fez com que se retardasse o seu batismo, que ele acabou não recebendo na infância nem na juventude. Estudou literatura, filosofia, gramática e retórica, das quais foi professor. Afastou-se dos ensinamentos da mãe e, por causa de más companhias, entregou-se aos vícios. Cometeu maldades, viveu no pecado durante toda a juventude, teve uma amante e um filho, e, pior, caiu na heresia gnóstica dos maniqueus, para os quais trabalhou na tradução de livros.
Sua mãe, Santa Mônica, rezava e chorava por ele todos os dias. “Fica tranquila”, disse-lhe certa vez um bispo, “é impossível que pereça um filho de tantas lágrimas!” E foi sua oração e suas lágrimas que conseguiram a volta para Deus desse filho querido transviado.
Agostinho dizia-se um apaixonado pela verdade, que, de tanto buscar, acabou reencontrando na Igreja Católica: “ó beleza, sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te amei!”; “fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós!”: são frases comoventes escritas por ele nas suas célebres “Confissões”, onde relata a sua vida de pecador arrependido.
Transferiu-se com sua mãe para Milão, na Itália. Dotado de inteligência admirável, a retórica, da qual era professor, o fez se aproximar de Santo Ambrósio, Bispo de Milão, também mestre nessa disciplina. Levado pela mãe a ouvir os célebres sermões do santo bispo e nutrido com a leitura da Sagrada Escritura e da vida dos santos, Agostinho converteu-se realmente, recebeu o Batismo aos 33 anos e dedicou-se a uma vida de estudos e oração. Ordenado sacerdote e bispo, além de pastor dedicado e zeloso, foi intelectual brilhantíssimo, dos maiores gênios já produzidos em dois mil anos da História da Igreja. Escreveu numerosas obras de filosofia, teologia e espiritualidade, que ainda exercem enorme influência. Foi, por isso, proclamado Doutor da Igreja. De Santo Agostinho, disse o Papa Leão XIII: “É um gênio vigoroso que, dominando todas as ciências humanas e divinas, combateu todos os erros de seu tempo”. Sua vida demonstra o poder da graça de Deus que vence o pecado e sempre, como Pai, espera a volta do filho pródigo.
Sua mãe, Santa Mônica, é o exemplo da mulher forte, de oração poderosa, que rezou a vida toda pela conversão do seu filho, o que conseguiu de maneira admirável. Exemplo para todas as mães que, mesmo tendo ensinado o bom caminho aos seus filhos, os vêm desviados no caminho do mal. A oração e as lágrimas de uma mãe são eficazes diante de Deus. E a vida de Santo Agostinho é uma lição para nunca desesperarmos da conversão de ninguém, por mais pecador que seja, e para sempre estarmos sinceramente à procura da verdade e do bem.
CNBB, 27-08-2014.
*Dom Fernando Arêas Rifan é bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (RJ).

Estudo do Livro de Mateus

Aparoquia Nossa Senhora das Candeias convida os paroquianos a participar no período de 03 a 05 de setembro às 19:30hs do ESTUDO LIVRO DE MATEUS.

Liturgia Diária

DIA 28 DE AGOSTO - QUINTA-FEIRA

SANTO AGOSTINHO
BISPO E DOUTOR 
(BRANCO, PREFÁCIO COMUM OU DOS PASTORES – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona da entrada: No meio da Igreja, o Senhor colocou a palavra nos seus lábios; deu-lhe o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu de glória (Eclo 15,5).
Oração do dia
Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 Coríntios 1,1-9)
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.
1 1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por chamamento e vontade de Deus, e o irmão Sóstenes,
2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Jesus Cristo, chamados à santidade, juntamente com todos os que, em qualquer lugar que estejam, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso;
3 a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!
4 Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela graça divina que vos foi dada em Jesus Cristo.
5 Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons, com os da palavra e os da ciência,
6 tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo.
7 Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum.
8 Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
9 Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.

 
Salmo responsorial 144/145
Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!

Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir sua grandeza.

Uma idade conta à outra vossas obras
e publica os vossos feitos poderosos;
proclamam todos o esplendor de vossa glória
e divulgam vossas obras portentosas!

Narram todos vossas obras poderosas,
e de vossa imensidade todos falam.
Eles recordam vosso amor tão grandioso
e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.
 
Evangelho (Mateus 24,42-51)
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir (Mt 24,42.44). 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 24 42 disse Jesus: “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.
43 Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.
44 Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?
46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!
47 Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.
48 Mas, se é um mau servo que imagina consigo:
49 - Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,
50 o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,
51 e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes”.
Palavra da Salvação.
 
Comentário ao Evangelho
O SERVO FIEL
A vida cristã é toda ela uma preparação para o encontro definitivo com o Senhor. O dia e a hora deste encontro não o sabemos. Por isso, Jesus insistia para que os discípulos se mantivessem sempre vigilantes. A espera deveria mantê-los ativos, pois cada minuto da existência poderia ser ocasião de se prepararem cada vez melhor.
O encontro com o Senhor prepara-se por meio da prática do amor e da justiça, não simplesmente por meio de determinados atos de piedade realizados mecanicamente. Quem o Senhor encontrar amando o próximo e lutando pela justiça, será convidado para participar da alegria de seu Reino.
Certos discípulos, pensando que o Senhor tardaria muito a voltar e que, por isso, teriam tempo suficiente para se preparar, não ficavam atentos, descambando para uma vida de impiedade. Dada a incerteza da hora, é imprudente agir assim. Quando menos esperam, serão chamados para prestar contas de sua existência,  recebendo o castigo dos servos maus.
O verdadeiro discípulo não se descuida. Pelo contrário, transforma cada circunstância da vida em ocasião de manifestar seu desejo de ser acolhido pelo Senhor. E na acolhida do outro, de modo especial, dos mais pobres,  mostra como ele próprio quer ser acolhido pelo Pai.

Oração
            Senhor Jesus, que eu me prepare para o encontro contigo, amando meu próximo e lutando para construir um mundo mais justo e fraterno.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
 
Sobre as oferendas
Celebrando o memorial da nossa salvação, nós vos pedimos, ó Deus de misericórdia, que este sacramento do vosso amor seja para nós sinal de unidade e vínculo de caridade. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Não tendes senão um mestre, o Cristo; sois todos irmãos, diz o Senhor (Mt 23,10.8).
Depois da comunhão
Santificai-nos, ó Deus, pela participação na mesa do Cristo, a fim de que, membros do seu corpo, sejamos transformados naquele que recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTO AGOSTINHO)
Aurélio Agostinho nasceu, no dia 13 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, hoje região da Argélia, na África. Era o primogênito de Patrício, um pequeno proprietário de terras, pagão. Sua mãe, ao contrário, era uma devota cristã, que agora celebramos, como santa Mônica, no dia 27 de agosto. Mônica procurou criar o filho no seguimento de Cristo. Não foi uma tarefa fácil. Aliás, ela até adiou o seu batismo, receando que ele o profanasse. Mas a exemplo do provérbio que diz que "a luz não pode ficar oculta", ela entendeu que Agostinho era essa luz.

Aos dezesseis anos de idade, na exuberância da adolescência, foi estudar fora de casa. Na oportunidade, envolveu-se com a heresia maniqueísta e também passou a conviver com uma moça cartaginense, que lhe deu, em 372, um filho, Adeodato. Assim era Agostinho, um rapaz inquieto, sempre envolvido em paixões e atitudes contrárias aos ensinamentos da mãe e dos cristãos. Possuidor de uma inteligência rara, depois da fase de desmandos da juventude centrou-se nos estudos e formou-se, brilhantemente, em retórica. Excelente escritor, dedicava-se à poesia e à filosofia.

Procurando maior sucesso, Agostinho foi para Roma, onde abriu uma escola de retórica. Foi convidado para ser professor dessa matéria e de gramática em Milão. O motivo que o levou a aceitar o trabalho em Milão era poder estar perto do agora santo bispo Ambrósio, poeta e orador, por quem Agostinho tinha enorme admiração. Assim, passou a assistir aos seus sermões. Primeiro, seu interesse era só pelo conteúdo literário da pregação; depois, pelo conteúdo filosófico e doutrinário. Aos poucos, a pregação de Ambrósio tocou seu coração e ele se converteu, passando a combater a heresia maniqueísta e outras que surgiram. Foi batizado, junto com o filho Adeodato, pelo próprio bispo Ambrósio, na Páscoa do ano de 387. Portanto, com trinta e três e quinze anos de idade, respectivamente.

Nessa época, Agostinho passou por uma grande provação: seu filho morreu. Era um menino muito inteligente, a quem dedicava muita atenção e afeto. Decidiu, pois, voltar com a mãe para sua terra natal, a África, mas Mônica também veio a falecer, no porto de Óstia, não muito distante de Roma. Depois do sepultamento da mãe, Agostinho prosseguiu a viagem, chegando a Tagaste em 388. Lá, decidiu-se pela vida religiosa e, ao lado de alguns amigos, fundou uma comunidade monástica, cujas Regras escritas por ele deram, depois, origem a várias Ordens, femininas e masculinas. Porém o então bispo de Hipona decidiu que "a luz não devia ficar oculta" e convidou Agostinho para acompanhá-lo em suas pregações, pois já estava velho e doente. Para tanto ele consagrou Agostinho sacerdote e, logo após a sua morte, em 397, Agostinho foi aclamado pelo povo como novo bispo de Hipona.

Por trinta e quatro anos Agostinho foi bispo daquela diocese, considerado o pai dos pobres, um homem de alta espiritualidade e um grande defensor da doutrina de Cristo. Na verdade, foi definido como o mais profundo e importante filósofo e teólogo do seu tempo. Sua obra iluminou quase todos os pensadores dos séculos seguintes. Escreveu livros importantíssimos, entre eles sua autobiografia, "Confissões", e "Cidade de Deus".

Depois de uma grave enfermidade, morreu amargurado, aos setenta e seis anos de idade, em 28 de agosto de 430, pois os bárbaros haviam invadido sua cidade episcopal. Em 725, o seu corpo foi transladado para Pavia, Itália, sendo guardado na igreja São Pedro do Céu de Ouro, próximo do local de sua conversão. Santo Agostinho recebeu o honroso título de doutor da Igreja e é celebrado no dia de sua morte.

Evangelho do Dia

Ano A - 28 de agosto de 2014

Mateus 24,42-51

Aleluia, aleluia, aleluia. 
Vigiai, diz Jesus, vigiai, pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir (Mt24,42.44). 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 24 42 disse Jesus: “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.
43 Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.
44 Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno?
46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!
47 Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens.
48 Mas, se é um mau servo que imagina consigo:
49 - Meu senhor tarda a vir, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e a beber com os ébrios,
50 o senhor desse servo virá no dia em que ele não o espera e na hora em que ele não sabe,
51 e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes”.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
O SERVO FIEL
A vida cristã é toda ela uma preparação para o encontro definitivo com o Senhor. O dia e a hora deste encontro não o sabemos. Por isso, Jesus insistia para que os discípulos se mantivessem sempre vigilantes. A espera deveria mantê-los ativos, pois cada minuto da existência poderia ser ocasião de se prepararem cada vez melhor.
O encontro com o Senhor prepara-se por meio da prática do amor e da justiça, não simplesmente por meio de determinados atos de piedade realizados mecanicamente. Quem o Senhor encontrar amando o próximo e lutando pela justiça, será convidado para participar da alegria de seu Reino.
Certos discípulos, pensando que o Senhor tardaria muito a voltar e que, por isso, teriam tempo suficiente para se preparar, não ficavam atentos, descambando para uma vida de impiedade. Dada a incerteza da hora, é imprudente agir assim. Quando menos esperam, serão chamados para prestar contas de sua existência,  recebendo o castigo dos servos maus.
O verdadeiro discípulo não se descuida. Pelo contrário, transforma cada circunstância da vida em ocasião de manifestar seu desejo de ser acolhido pelo Senhor. E na acolhida do outro, de modo especial, dos mais pobres,  mostra como ele próprio quer ser acolhido pelo Pai.

Oração
            Senhor Jesus, que eu me prepare para o encontro contigo, amando meu próximo e lutando para construir um mundo mais justo e fraterno.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
 
Leitura
1 Coríntios 1,1-9
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.
1 1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por chamamento e vontade de Deus, e o irmão Sóstenes,
2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Jesus Cristo, chamados à santidade, juntamente com todos os que, em qualquer lugar que estejam, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso;
3 a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!
4 Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela graça divina que vos foi dada em Jesus Cristo.
5 Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons, com os da palavra e os da ciência,
6 tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo.
7 Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum.
8 Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
9 Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.

 
Salmo 144/145
Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!

Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir sua grandeza.

Uma idade conta à outra vossas obras
e publica os vossos feitos poderosos;
proclamam todos o esplendor de vossa glória
e divulgam vossas obras portentosas!

Narram todos vossas obras poderosas,
e de vossa imensidade todos falam.
Eles recordam vosso amor tão grandioso
e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.
 
Oração
Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A vocação de todos


No Brasil, agosto é dedicado à especial oração pelas vocações aos ministérios, serviços e a vida consagrada na Igreja.
Por Cardeal Odilo Pedro Scherer*

Jesus recomendou que rezássemos intensamente ao “Senhor da messe”, para que envie operários à sua messe (cf Lc 10,2). A oração pelas vocações e para os serviços da missão da Igreja deve ser constante, e não apenas em algumas ocasiões.
Entretanto, aqui no Brasil, o mês de agosto é dedicado à especial oração pelas vocações aos ministérios, serviços e a vida consagrada na Igreja. A falta ou a escassez dessas vocações tornaria difícil a realização da missão da Igreja. Por aí entendemos a insistência de Jesus: “pedi ao Senhor da messe...”

Mas o Concílio Vaticano II nos lembra, de maneira oportuna, na Constituição Dogmática Lumen Gentium (cap. 5º), que todos os filhos da Igreja têm uma vocação em comum: a vocação à santidade. Esta vem do próprio batismo e da adesão de fé ao Evangelho. No final do sermão da montanha, tendo ensinado o caminho das bem-aventuranças e do verdadeiro culto que se deve prestar a Deus, Jesus recomenda: “sede, pois, perfeitos como também vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).
Deus nos chama “a sermos santos e imaculados diante dele no amor” (cf Ef 1,4). Esta santidade, mais do que uma conquista de nossos esforços, é um dom que já recebemos “de graça”, com o Batismo, quando nos tornamos “filhos de Deus”. A filiação divina e a comunhão com Deus são o “estado de santidade”, recebido graças à redenção realizada por Jesus Cristo.
Nós recebemos o Espírito Santo, ou “Espírito de santidade”, que nos capacita a levarmos vida santa; por isso os batizados, ajudados pela graça de Deus, devem cultivar a santidade recebida e crescer nela através das atitudes e comportamentos coerentes com esse dom. Devem viver “como convém a santos”, recomenda o Apóstolo (Ef 5,3). “Como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de carinhosa compaixão, bondade, humildade, mansidão, longanimidade” (Cl 3,12), para, assim, produzir os “frutos do Espírito para a santificação” (cf.Gál 5,22).
Santidade e pecado continuam marcando nossa vida, enquanto estamos neste mundo. Somos marcados por fraquezas e sujeitos ao pecado e temos a necessidade de recorrer continuamente à misericórdia divina, pedindo o perdão. Isso, porém, não impede que cresça em santidade quem se renova na graça de Deus. Só não progride quem se entrega conscientemente aos caminhos do pecado e não os abandona.
Todos os cristãos, de qualquer estado de vida, são chamados a progredir na caridade e na plenitude da vida cristã. E a santidade do povo de Deus expande-se no meio da comunidade humana, com abundantes frutos de virtude. O verdadeiro santo nunca beneficia apenas a si mesmo, mas à inteira comunidade humana na qual está inserido. Por aí entendemos bem a palavra de São João Paulo II, em Florianópolis: “o Brasil precisa de muitos santos!”
As vocações, na Igreja, não são para suprir a “mão de obra” para a realização da missão, nem podem ser escolhas para passar comodamente a vida: são caminhos especiais de santificação e para a realização da única e básica vocação de todos os batizados: a santidade. As vocações autênticas são, ao mesmo tempo, animadas pelo desejo e a disposição para viver a santidade.
No mês de agosto, rezemos para ter uma consciência sempre mais clara da nossa altíssima vocação: ser santos. Havendo maior desejo e busca da santidade entre todos os batizados, também haverá mais vocações sacerdotais, religiosas, laicais e consagradas de todos os carismas.
A12
Cardeal Odilo Pedro Scherer é arcebispo de São Paulo