terça-feira, 30 de setembro de 2014

Evitar “lamentação teatral” e rezar por quem sofre, pede Papa



homilia-franciscoO lamento também se torna oração nos momentos sombrios, mas é preciso se guardar das “lamentações de teatro”, disse o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 30, na Casa Santa Marta. Ao falar de sofrimento, o Santo Padre recordou aqueles que vivem grandes tragédias, como os cristãos expulsos de suas casas por causa da fé, e reiterou a necessidade de rezar por eles.
O Pontífice concentrou sua homilia na Primeira Leitura, que mostra Jó amaldiçoando sua vida por ter perdido tudo. Diante dessa situação, Jó diz algumas palavras duras, que expressam a verdade do que ele está sentindo no momento. Essas lamentações podem parecer uma blasfêmia, mas, segundo o Papa, também constituem uma forma de oração.
“Jesus, quando se lamenta – ‘Pai, por que me abandonastes!’ – é uma blasfêmia? O mistério é este. Tantas vezes eu ouvi pessoas que estão vivendo situações difíceis, dolorosas, que perderam tanto ou se sentem sozinhas e abandonadas, e vêm se lamentar e fazem esta pergunta: ‘Por quê?’ Rebelam-se contra Deus. E eu digo: ‘Continue a rezar assim, porque também esta é uma oração’. Era uma oração quando Jesus disse ao seu Pai: ‘Por que me abandonastes!’”.
Da mesma forma, é uma oração a lamentação de Jó na Primeira Leitura, explicou o Papa Francisco, porque rezar é se tornar verdade diante de Deus. Jó rezou com a realidade, a verdadeira oração vem do coração, do momento que a pessoa vive, enfatizou. Esta é uma oração que surge nos momentos sombrios da vida, nos quais não há esperança.
“E tanta gente hoje está na situação de Jó. Tanta gente boa, como Jó, não entende o que aconteceu com elas, porque é assim. Tantos irmãos e irmãs que não têm esperança. Pensemos nas tragédias, nas grandes tragédias, por exemplo nestes nossos irmãos que, por serem cristãos, são expulsos de suas casas e ficam sem nada: ‘Mas, Senhor, eu acreditei em Ti. Por quê? Acreditar em Ti é uma maldição, Senhor?’”.
O Santo Padre também citou como exemplo os idosos deixados de lado, os doentes e pessoas sozinhas nos hospitais, lembrando que a Igreja toma para si esta dor e reza por eles. E muitas pessoas que não estão doentes, não passam fome nem têm necessidades importantes, quando passam por algum momento difícil, acreditam que são mártires e deixam de rezar.
Ainda há aqueles, segundo o Santo Padre, que ficam irritados com Deus e deixam de ir à Missa, e quando se pergunta o motivo de tal atitude, vê-se que é algo pequeno. Francisco mencionou o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que, nos últimos dias de sua vida, ouvia dentro de si uma voz que lhe dizia que o “nada” a esperava. Mas ela não deixava de rezar.
“Tantas vezes passamos por esta situação, vivemos esta situação. E tanta gente que somente pensa em terminar no nada. E ela, Santa Teresinha, rezava e pedia força para seguir adiante, na escuridão. Isso se chama entrar em paciência. A nossa vida é muito fácil, as nossas lamentações são lamentações de teatro diante dessas [lamentações] de tanta gente, de tantos irmãos e irmãs que estão na escuridão, que quase perderam a esperança, que vivem aquele exílio de si mesmos, são nada! E Jesus fez este caminho: da noite no Monte das Oliveiras até a última palavra da Cruz: ‘Pai, por que me abandonastes!’”.
Sua Santidade indicou duas coisas que podem servir para nos auxiliar nos momentos de lamentação. A primeira é preparar-nos para esses momentos, preparar o coração. A segunda é rezar, como o faz a Igreja, pelos irmãos que sofrem com o exílio de si mesmos, no sofrimento e sem esperança. “É a oração da Igreja por estes ‘Jesus sofredores’ que estão em todos os lugares”.
Fonte: Canção Nova

Aprendendo a ler e a ouvir a Palavra de Deus


Sem a referência constante à Palavra de Deus, perdemos nossa referência religiosa principal.
Por Dom Odilo Pedro Scherer*

No Brasil, setembro é o mês da Bíblia. Há algumas décadas, este “mês temático” era ocasião para uma intensa animação bíblica nas comunidades: divulgação da Bíblia, cursos introdutórios à sua leitura compreensão, atividades com crianças e jovens para promover o amor à Palavra de Deus...
Tenho a impressão que esse entusiasmo anda em baixa contido atualmente. Será por não se perceber da mesma forma a importância da Bíblia para a Igreja? Em todo caso, não é isso que a Igreja entende. Tivemos em 2008 uma assembléia do Sínodo dos Bispos sobre “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, depois da qual o papa Bento XVI fez a extraordinária Exortação Apostólica Verbum Domini (“A Palavra do Senhor”). Vale a pena retomá-la e absorver melhor a riqueza de suas orientações.
Em novembro de 2013, o papa Francisco entregou à Igreja a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (“A Alegria do Evangelho”), na qual trata da alegria despertada em nós pelo encontro com Cristo e com Deus, sobretudo através da Sagrada Palavra. Essa alegria leva a partilhar com os outros a experiência realizada.
Sem a referência constante à Palavra de Deus, anunciada, acolhida, crida e vivida como uma experiência pessoal de encontro com Deus na Igreja, perdemos a nossa referência religiosa principal, que é a acolhida do dom de Deus e da salvação em Cristo Jesus; a Igreja precisa evitar sempre a tentação de ser referência última para si mesma: ela é discípula e servidora da Palavra de Deus e testemunha do amor de Deus “derramado em nossos corações”...
Falamos da necessidade de uma boa “iniciação à vida cristã”: penso que tenhamos aqui uma questão fundamental para a iniciação à vida cristã. Nossa fé - e se quisermos, nossa “religião” – tem seu fundamento e sua referência última na Palavra de Deus, e não em nós mesmos, nem em projetos humanos. Nossa fé é resposta à Palavra de Deus, que se manifestou e falou; é resposta a Deus, em última análise.
Daí a importância do primeiro anúncio, ou querigma, bem feito, para se confrontar com essa realidade. Se conseguirmos ajudar as pessoas a se colocarem em atitude de escuta atenta da Palavra de Deus, como sendo o próprio Deus que interpela e fala, então teremos conseguido algo importante. A resposta de fé será também resposta pessoal a um Deus pessoal, e não a uma verdade abstrata.
Após o querigma vem a iniciação à escuta e à acolhida constante da Palavra de Deus. Ninguém nasce conhecendo a Bíblia, nem seus métodos de leitura, nem a fé que a Igreja nutre em relação à Palavra de Deus. Tudo isso precisa ser apreendido com métodos adequados. É preciso haver uma iniciação à leitura bíblica, aos métodos de compreensão e acolhida de Palavra, à resposta que deve ser dada à Palavra.
Isso pode acontecer em qualquer momento e período da vida; mas na comunidade católica é importante que as crianças já sejam iniciadas à escuta e acolhida da Palavra de Deus. Elas aprendem a se colocar diante do “mistério da Palavra” e a se familiarizar com ela; da mesma forma, os adolescentes, jovens e também os adultos, que ainda não foram iniciados nessa prática.
Desnecessário é dizer que não se trata apenas de um exercício intelectual: muito mais que isso, trata-se de uma experiência de encontro pessoal, de uma “mistagogia” e de um exercício de fé orante.
Ao “ler a Palavra”, é preciso ter presente sempre que há um “tu” que fala através dela e da linguagem humana usada. Quem lê ou escuta, coloca-se diante de Deus que fala através da linguagem humana: “fala, Senhor, teu servo escuta”; e aprende a dar sua resposta, não ao leitor ou narrador da Palavra, mas a Deus que fala: Creio, Senhor! Glória a vós, Senhor!
CNBB, 29-09-2014.
*Dom Odilo Pedro Scherer é cardeal e arcebispo de São Paulo (SP).

É preciso ler e estudar a Bíblia todos os dias


O papa Francisco insiste sempre em levarmos no bolso (e nos aplicativos) um exemplar do Evangelho.
Por Dom Orani João Tempesta*

No último domingo do mês de setembro, celebramos o Dia Nacional da Bíblia. A Igreja no Brasil dedica este mês à Bíblia. Neste ano aprofundamos o tema: “Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Mateus”, motivados pelo lema: “Ide fazer discípulos e ensinai”. A motivação deste mês temático vem do fato de a Igreja celebrar em 30 de setembro a memória do grande santo e doutor da Igreja, São Jerônimo, que, a pedido do Papa Dâmaso (366-384), preparou a tradução da Bíblia em latim, a partir das línguas originais. Foi um trabalho gigantesco, que demandou muitos anos e estudos. São Jerônimo dizia que quem não conhece os Evangelhos não conhece Cristo.

São Jerônimo (347-420), chamado de “Doutor Bíblico”, nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é um dos Padres da Igreja Latina; sabia o grego, o latim e o hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379, foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa São Dâmaso. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor à Igreja e à Sé de Pedro.

Conhecer a Palavra de Deus é fundamental para todo cristão. A Carta aos hebreus diz que “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12). Jesus conhecia profundamente o Antigo Testamento.  Isso é o suficiente para que todos nós façamos o mesmo. Na tentação do deserto, Ele venceu o demônio lançando em seu rosto, por três vezes, a santa Palavra.  Quando o tentador pediu que Ele transformasse as pedras em pães para provar Sua filiação divina, Jesus lhe disse: “O homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8,3c).

É preciso acolher, ler e estudar a Bíblia todos os dias! O papa Francisco insiste sempre em levarmos no bolso (e nos aplicativos) um exemplar do Evangelho para ler durante o dia onde quer que estejamos. Isso nos faz aquecer a alma com um trecho dela; e saber usá-la nos momentos de dor, dúvida, angústia, medo etc. Abra a Palavra, deixe Deus falar a seu coração. E fale com Deus; é a maneira mais fácil de rezar (Leitura, Meditação, Oração e Contemplação). O Espírito Santo nos ensina essa verdade pela boca do profeta Isaías; cuja boca tornou “semelhante a uma espada afiada” (Is 49,2): “Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à Palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão” (Is 55,10).

A Palavra de Deus é transformadora, santificante! São Paulo explica isso a seu jovem discípulo Timóteo, com toda convicção: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2Tm 3,16). Ela é, portanto, um instrumento indispensável para a nossa santificação. Não conseguiremos ter “os mesmos sentimentos de Cristo” (Fl 2,5) sem ouvir, ler, meditar, estudar e conhecer a sua santa Palavra. São Jerônimo dizia que “quem não conhece o Evangelho não conhece Jesus Cristo”. Jesus nos ensina que “a Escritura não pode ser desprezada” (Jo 10,34). São Paulo recomendava a Timóteo: “aplica-te à leitura da Palavra” (1Tm 4,13). Ela não é palavra humana, mas “palavra de Deus... que age eficazmente em vós” (1Ts 2,13).

Jesus é a própria Palavra de Deus, o Verbo de Deus que se fez carne (Jo 1,1s). “No livro do Apocalipse, São João viu o Filho do homem”… “e de sua boca saía uma espada afiada, de dois gumes” (Ap 1,16). É o símbolo tradicional da irresistível penetração da Palavra de Deus. Além da leitura, é muito importante aprofundar o conhecimento das escrituras. Cada ano, no Brasil, no Mês da Bíblia somos convidados a aprofundar um dos livros bíblicos. É preciso estudar a Bíblia, fazer um curso bíblico ou outros tipos de aprofundamento para que não caiamos em fanatismos e fundamentalismos. Ela não é um livro de ciência, mas, sim, da revelação da vontade de Deus para nossa salvação.

É a Igreja quem tem o serviço de interpretar os textos bíblicos. E isso é feito de maneira especial através do Sagrado Magistério, dirigido pela cátedra de Pedro (o Papa), e da Sagrada Tradição Apostólica, que constitui o acervo sagrado da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo lhe revelou no passado e continua fazendo no presente. (Jo 14, 15.25; 16, 12-13).  Conduzidos pelo Espírito e alicerçados no Magistério poderemos caminhar com segurança, acolhendo a Palavra de Deus em nossas vidas: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13a).

Que a leitura orante (lectio divina) juntamente com o aprofundamento e conhecimento das Sagradas Escrituras neste mês temático nos ajude ainda mais a amar as Escrituras e encontrar, na revelação, Jesus Cristo Nosso Senhor, nossa vida e salvação. A Ele queremos seguir e anunciar aos irmãos e irmãs. Ele é a Palavra que se fez carne e veio habitar no meio de nós! N’Ele está a vida e a salvação!
A12, 28-09-2014.
*Dom Orani João Tempesta é cardeal e arcebispo do Rio de Janeiro (RJ).

´O pecado enfraquece a Igreja´, diz papa


Pontífice pontífice chama a atenção para a presença do mal ao lado dos que seguem o Evangelho
Por Giacomo Galeazzi

"A barca de Pedro é sacudida pelas ondas; rememos juntos”. Francisco chamou a atenção para os compromissos fáceis. A “barca de Pedro”, a Igreja, “pode ser sacudida hoje pelas ondas”, como o foi a Companhia de Jesus; “Não é de se admirar disto”. “Permaneçamos juntos, rememos todos, inclusive o papa rema na barca de Pedro”, disse durante o Te Deum.

O pontífice chamou a atenção para a presença do mal ao lado dos que seguem o Evangelho: “A noite e o poder das trevas sempre estão próximos. Reconhecer-se pecadores significa ter a atitude correta; devemos rezar muito, inclusive o papa”. De fato, “jamais nos salvamos recorrendo à esperteza ou a estratagemas”.

O papa, ao celebrar na Igreja do Gesù, em Roma, o 200º aniversário da restauração da Companhia de Jesus, percorreu a história da sua ordem religiosa e convidou para seguir o exemplo dos jesuítas, que, apesar de todas as tribulações, demonstraram obediência. Além disso, “jamais é a aparente tranquilidade que consola o nosso coração, mas a verdadeira paz que é dom de Deus. Não se deve jamais procurar o compromisso fácil, nem se devem praticar pacifismos fáceis”. “A Companhia de Jesus viveu tempos difíceis, de perseguição. Durante o generalato do Pe. Lorenzo Ricci – recordou o papa Bergoglio –, os inimigos da Igreja chegaram a obter a supressão da Companhia” da parte do meu predecessor Clemente XIV”.

“Em tempos de tribulação e de perturbação – observou Bergoglio – levanta-se sempre um acúmulo de dúvidas e de sofrimento, e não é fácil ir em frente, prosseguir na caminhada. Sobretudo nos tempos difíceis e de crises surgem tantas tentações: parar de discutir ideias, deixar-se levar pela desolação, concentrar-se no fato de ser perseguidos e não ver mais nada. Lendo as cartas do padre Ricci uma coisa me impressionou muito: sua capacidade de não se deixar deprimir por estas tentações e de propor aos jesuítas, em tempo de tribulação, uma visão das coisas que os enraizassem ainda mais na espiritualidade da Companhia”.

O papa convidou a seguir o exemplo do padre geral Ricci, “que escrevia aos jesuítas de então vendo as nuvens se adensarem no horizonte, os fortificava em seu pertencimento ao corpo da Companhia e à sua missão. Num tempo de confusão e perturbação fez discernimento. Não perdeu tempo em discutir ideias e lamentar-se, mas se conscientizou da vocação da Companhia. Ele tinha que protegê-la. E esta atitude – observou Bergoglio – levou os jesuítas a fazer a experiência da morte e ressurreição do Senhor. Diante da perda de tudo, até de sua identidade pública, não opuseram resistência à vontade de Deus, não resistiram ao conflito procurando salvar a si mesmos”. “A Companhia – e isto é belo – viveu o conflito até o fundo, sem reduzi-lo: viveu a humilhação com Cristo humilhado, obedeceu. Nós jamais nos salvamos do conflito com a esperteza e com os estratagemas para resistir”.

O papa falou sobre as tribulações da vida e encorajou para nunca desistir. "Às vezes, o caminho que conduz à vida é estreito e apertado, mas a tribulação, se vivida à luz da misericórdia, nos purifica como o fogo, nos dá tanta consolação e inflama o nosso coração afeiçoando-o à oração. Os nossos irmãos jesuítas na supressão foram fervorosos no espírito e no serviço do Senhor, alegres na esperança, constantes na tribulação, perseverantes na oração. E isto honrou a Companhia, não certamente os encômios dos seus méritos. Será sempre assim”.

"A Companhia, restaurada por meu predecessor Pio VII, era feita de homens corajosos e humildes em seu testemunho de esperança, de amor e de criatividade apostólica, aquela do Espírito. Que a Companhia permaneça unida num só corpo!”, disse o Papa, que recordou a preciosa obra desempenhada pelos jesuítas para benefício dos últimos e mais necessitados. “Hoje, a Companhia – disse Francisco – enfrenta com inteligência e operosidade também o trágico problema dos refugiados e dos prófugos; e se esforça com discernimento no sentido de integrar o serviço da fé e a promoção da justiça, em conformidade com o Evangelho”.

O pontífice argentino citou as palavras pronunciadas por Paulo VI na 32ª Congregação Geral: “Na Igreja, inclusive nos campos mais difíceis e de ponta, nas encruzilhadas das ideologias, nas trincheiras sociais, existiu e existe o confronto entre as exigências candentes do homem e a perene mensagem do Evangelho, lá estiveram e estão os jesuítas”. O pontífice destacou qual deve ser a missão da Igreja: “em saída, em missão”, e descreveu a “identidade do jesuíta”, que “é a de um homem que adora só a Deus e ama e ser os seus irmãos, mostrando, através do exemplo, não só aquilo no que crê, mas também o que espera e quem é aquele em quem pôs sua confiança. O jesuíta quer ser um companheiro de Jesus, alguém que tenha os mesmos sentimentos de Jesus”.
Vatican Insider, 27-09-2014.
*A tradução é de André Langer.

Existir seria a maior maravilha da vida?


Por que perdemos o gosto pelas surpresas diante da realidade?
Por Corrado Paolucci

Qual seria a primeira maravilha? Acordar cedo, abrir os olhos e se alegrar apenas pelo fato de existir. É preciso pouco para se dar conta disso, mas também pouco para se esquecer. Por quê? Por qual motivo constantemente perdemos o gosto de nos surpreender diante da realidade? Como recuperá-lo?

Sensação de bem-estar

A maravilha enquanto reação, ou estado emocional, foi objeto de alguns estudos: reduziria o stress e traria uma sensação de bem-estar e de plenitude em nossas vidas. Recentemente, segundo o Huffington Post (23 de setembro), os pesquisadores começaram a dar atenção ao fato. Numa pesquisa em 2003, com o título “Approaching Awe, A Moral, Spiritual And Aesthetic Emotion”, os psicólogos Dacher Keltner da UC Berkeley e Jonathan Haidt da New York University, escreveram exatamente como a maravilha funciona e quais efeitos possui sobre nós. “Dois elementos fundamentais: perceber a ‘amplitude’ (algo que imaginamos que seja maior que nós), buscar trazê-la para nossa mente e assimilá-la”.

O que pode estimular uma maravilha? O que ajuda a nossa mente e o nosso coração a se estender e a desfrutar da realidade que temos diante de nós?

Um elenco traçado pelo Huffington Post nos fornece cinco coisas a saber sobre a maravilha, que vale a pena examinar para entender se maravilhar-se é uma sorte de poucos, ou um “trabalho” que pode ajudar a todos.

1. A maravilha muda a nossa relação com o tempo

Segundo um estudo de 2012 da Stanford University, após uma experiência extraordinária, as pessoas sentem que são “enriquecidas” pelo tempo. Os pesquisadores mostraram aos participantes, por meio de experimentos, algumas propagandas de TV, que são pensadas para despertar maravilha: as imagens mostravam cascatas, animais, paisagens de tirar o fôlego. Após assisti-las, as mesmas pessoas estavam muito propensas a dar razão e a afirmavam coisas como: “Sinto que tenho muito tempo à disposição para poder terminar algumas coisas” e “O tempo se dilatou”.

Não é a mesma perplexidade que encontramos diante da beleza da criação?

2. Mais se maravilha, mais se torna criativo

A maravilha aumenta a criatividade, torna a mente mais flexível e nos faz ver as coisas sob uma luz diferente. Segundo um estudo de 2012 da universidade de Tel Aviv, o “pensamento expansivo” aumenta a criatividade: isso porque nos leva a pensar “fora”, ao invés de “dentro”. Quanto mais a nossa mente vaga distante, mais nos tornamos criativos. Se estamos no trabalho e buscamos desesperadamente uma ideia, podemos tentar olhar uma bela foto, ou um quadro que nunca tínhamos visto. Isso nos ajudará a sermos mais criativos.

Pensemos em um artista visionário como Leonardo Da Vinci, que se nutriu da beleza para conceber obras de arte e invenções.

3. A maravilha nos ajuda a reencontrar a esperança e a apreciar de novo a vida

“Acredito na maravilha. A maravilha da vida, de existir, não tem limites. Não importa o que perdemos, do que temos medo, ou o que duvidamos, ela está sempre aqui. Está aqui nos nossos piores momentos, no desespero, na vida e na morte. Nos momentos mais escuros, é opaca, mas é sempre acessível”. Assim o psicólogo Kirk Schneider escreveu em um post no seu blog “Psychology Today”. A sua intenção era tornar real a ideia do quanto esteja “presente”, em nossas vidas, a maravilha. Quando nos sentimos desanimados, pode ser a maneira certa para recuperar a confiança e reanimar.

4. Maravilha para com a natureza

Passar um tempo na natureza traz muitos benefícios: acalma, ajuda a mente a se concentrar, reduz o estresse, pode ser uma ótima maneira para nos maravilharmos. Podemos nos perder olhando as montanhas, uma paisagem que não esperaríamos ver, podemos sentir o perfume e beneficiarmo-nos do silêncio: tudo isso pode nos fazer sentir a maravilha daquilo que nos circunda, lembra-nos do quanto somos pequenos em relação à majestosa natureza.

Na primeira missa do Papa Francisco, ele falou sobre o Criador e Seu cuidado com a natureza: “Gostaria de pedir, por favor, a todos aqueles que ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e as mulheres de boa vontade: sejamos ‘guardiões’ da criação, do projeto de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e de morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas para ‘cuidar’ devemos também cuidar de nós mesmos!”.

5. A maravilha que experimentamos cada dia pode transformar as nossas vidas

É a maravilha que experimentamos em poucas doses a cada dia que nos transforma verdadeiramente. Segundo uma teoria de 1964, diariamente algumas experiências levam consigo um pouco de maravilhas e são estas que nos tocam e nos mudam. Mas como reconhecê-las? Podemos ser tocados pelos gestos mais simples, por um momento de amor vivido intensamente, por uma palavra ou algo especial que tenhamos visto. Ou simplesmente pelo fato de agradecer porque nesse momento somos amados e existimos, mesmo sem merecer.
SIR/Aleteia, 29-09-2014

Dia Mundial da Comunicação abordará a família


O evento acontece em 17 de maio de 2015.
O Vaticano anunciou nessa segunda-feira (29) que o papa Francisco escolheu a família como tema do 49ª Dia Mundial das Comunicações Sociais que será celebrado em 17 de maio de 2015. "Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor", foi o tema escolhido pelo papa e divulgado pela sala de imprensa vaticana.

Por sua vez, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais destacou que este tema dá continuidade com o abordado no ano passado e "ao mesmo tempo sugere uma contextualização com o tema central dos próximos Sínodos que é a família".

A mensagem de Pontífice para a Dia Mundial das Comunicações Sociais é publicada tradicionalmente em 24 de janeiro, dia de São Francisco Sales, patrono das comunicações sociais.
SIR/ANSA

Liturgia Diária

DIA 30 DE SETEMBRO - TERÇA-FEIRA

SÃO JERÔNIMO
PRESBÍTERO E DOUTOR 
(BRANCO, PREFÁCIO COMUM OU DOS PASTORES – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona da entrada: Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e noite, te esforces para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida (Js 1,8).
Oração do dia
Ó Deus, que destes ao presbítero são Jerônimo profundo amor pela Sagrada Escritura, concedei ao vosso povo alimentar-se cada vez mais da vossa palavra e nela encontrar a fonte da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Jó 3,1-3.11-17.20-23)
Leitura do livro de Jó.
3 1 Então Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia de seu nascimento.
2 Jó falou nestes termos:
3 “Pereça o dia em que nasci e a noite em que foi dito: uma criança masculina foi concebida!
11 Por que não morri no seio materno, por que não pereci saindo de suas entranhas?
12 Por que dois joelhos para me acolherem, por que dois seios para me amamentarem?
13 Estaria agora deitado e em paz, dormiria e teria o repouso
14 com os reis, árbitros da terra, que constroem para si mausoléus;
15 com os príncipes que possuíam o ouro, e enchiam de dinheiro as suas casas.
16 Ou então, como o aborto escondido, eu não teria existido, como as crianças que não viram o dia.
17 Ali, os maus cessam os seus furores, ali, repousam os exaustos de forças,
20 Por que conceder a luz aos infelizes, e a vida àqueles cuja alma está desconsolada,
21 que esperam a morte, sem que ela venha, e a procuram mais ardentemente do que um tesouro,
22 que são felizes até ficarem transportados de alegria, quando encontrarem o sepulcro?
23 Ao homem cujo caminho é escondido e que Deus cerca de todos os lados?”
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 87/88
Chegue a minha oração até a vossa presença.
A vós clamo, Senhor, sem cessar, todo o dia,
e de noite se eleva até vós meu gemido.
Chegue a minha oração até a vossa presença,
inclinai vosso ouvido a meu triste clamor!

Saturada de males se encontra a minha alma,
minha vida chegou junto às portas da morte.
Sou contado entre aqueles que descem à cova,
toda gente me vê como um caso perdido!

O meu leito já tenho no reino dos mortos,
como um homem caído que jaz no sepulcro,
de quem mesmo o Senhor se esqueceu para sempre
e excluiu por completo da sua atenção.

Ó Senhor, meu pusestes na cova mais funda,
nos locais tenebrosos da sobra da morte.
Sobre mim cai o peso do vosso furor,
vossas ondas enormes me cobrem, me afogam.
Evangelho (Lucas 9,51-56)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em regate por muito (Mc 10,45).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
9 51 Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém.
52 Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada.
53 Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém.
54 Vendo isto, Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma?”
55 Jesus voltou-se e repreendeu-os severamente.
56 O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las. Foram então para outra povoação.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Lucas inicia a narrativa da caminhada de Jesus da Galiléia a Jerusalém. Jesus toma a firme decisão de se dirigir ao centro do judaísmo, Jerusalém e o Templo, para ali fazer seu anúncio libertador, em um confronto direto com o estado teocrático judaico. Jesus sabia que com tal decisão arriscava sua própria vida. "Ia se completando o tempo para ser elevado ao céu": com esta afirmativa Lucas prepara sua própria e original narrativa da Ascensão que será feita no livro de Atos. Ao atravessarem a Samaria, os discípulos enviados a um povoado para preparar hospedagem devem ter cometido um equívoco. Com sua visão triunfalista tradicional devem ter falado de um Jesus glorioso, restaurador de Israel, o que suscitou a rejeição dos moradores, que eram discriminados pelos judeus. E, ainda, com espírito vingativo, estes discípulos queriam um fogo do céu para destruí-los. Jesus repreende-lhes esta sua ideologia. O problema não estava nos samaritanos, mas na cegueira dos discípulos enviados. O próprio Lucas, na parábola do samaritano, e, depois, João em seu evangelho destacam a acolhida dos samaritanos a Jesus.
Sobre as oferendas
Concedei, Senhor nosso Deus, que, à semelhança de são Jerônimo, meditando vossa palavra em nossos corações, sejamos mais solícitos em oferecer-vos o sacrifício que nos salva. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Vossas palavras foram encontradas e eu as devorei; elas se tornaram minha delícia e a alegria do meu coração; porque vosso nome, Senhor Deus, foi invocado sobre mim (Jr 15,16).
Depois da comunhão
Ó Deus, aos nos alegrarmos na festa de são Jerônimo, fazei que a comunhão na eucaristia desperte os corações dos vossos fiéis, para que, sempre atentos às Sagradas Escrituras, conheçamos o caminho a seguir e cheguemos por ele à vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SÃO JERÔNIMO)
É incontestável o grande débito que a cultura e os cristãos, de todos os tempos, têm com este santo de inteligência brilhante e temperamento intratável. Jerônimo nasceu em uma família muito rica na Dalmácia, hoje Croácia, no ano 347. Com a morte dos pais, herdou uma boa fortuna, que aplicou na realização de sua vocação para os estudos, pois tinha uma inteligência privilegiada. Viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e desfrutou a juventude com uma certa liberdade. Jerônimo estudou por toda a vida, viajando da Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor.

Ele foi batizado pelo papa Libério, já com 25 anos de idade. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo.

Voltou para Roma em 382, chamado pelo papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se "Vulgata" e tornou-se oficial no Concílo de Trento.

Romano de formação, Jerônimo era um enciclopédico. Sua obra literária revelou o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, em grego, em hebraico, escritor de estilo rico, puro e eloqüente ao mesmo tempo. Dono de personalidade e temperamento fortíssimo, sua passagem despertava polêmicas ou entusiasmos.

Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando, com um novo livro. Suas violências verbais não perdoavam ninguém. Teve palavras duras para Ambrósio, Basílio e para com o próprio Agostinho. Mas sempre amenizava as intemperanças do seu caráter para que prevalecesse o direito espiritual.

Jerônimo era fantástico, consciente de suas próprias culpas e de seus limites, tinha total clareza de seus merecimentos. Ao escrever o livro "Homens ilustres", concluiu-o com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu de velhice no ano 420, em 30 de setembro, em Belém. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos e é celebrado no dia de sua morte.