terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sem proximidade às pessoas, a pregação é vaidade, afirma Papa



missa_papa2“Podem-se fazer belas pregações, mas se você não está próximo às pessoas, se você não sofre com as pessoas e não dá esperança, essas pregações não servem, elas são vaidades”. Foi o que disse o Papa Francisco nesta terça-feira, 16, na Missa diária na Casa Santa Marta.
Na liturgia de hoje, a Igreja recorda o Papa São Cornélio e o bispo São Cipriano, mártires do século III.
O Evangelho desta terça-feira lembra o dia que Jesus se aproxima de um cortejo fúnebre: uma viúva de Naim perdeu seu único filho. O Senhor realiza o milagre de trazer à vida o jovem, mas faz muito mais, afirma Francisco: ele está próximo.
“Deus – dizem as pessoas – visitou o seu povo”. Quando Deus visita “há algo a mais, há algo de novo”, “quer dizer que a sua presença está especialmente ali”.
O Papa explicou que Deus está próximo e é capaz de entender o coração das pessoas, o coração do seu povo. “O Senhor vê aquele cortejo, e se aproxima. Deus visita o seu povo, em meio ao seu povo, e se aproxima. Proximidade: é o modo de Deus”.
O Santo Padre chamou a atenção para uma expressão, contida neste texto, que se repete na Bíblia muitas vezes: “‘O Senhor, movido de grande compaixão’. A mesma compaixão que, diz o Evangelho, teve quando viu tantas pessoas como ovelhas sem pastor. Quando Deus visita o seu povo, Ele está próximo, Ele se aproxima e sente compaixão: comove-se”.
Francisco lembrou também do episódio em que Jesus fica profundamente comovido diante do túmulo de Lázaro, assim como o pai do “filho pródigo” se comove ao vê-lo voltar para casa.
“Proximidade e compaixão: assim o Senhor visita o seu povo. E quando nós queremos anunciar o Evangelho, levar adiante a Palavra de Jesus, o caminho é esse”, indicou.
Segundo o Papa, o outro caminho é o dos mestres, dos pregadores do templo: os doutores da Lei, escribas e fariseus, que falavam e ensinavam bem, mas “afastados do povo”. “E isto não era um olhar do Senhor: era outra coisa. O povo não sentia isso como uma graça, porque faltava a proximidade, faltava a compaixão, isto é, sofrer com o povo.”
O Pontífice destacou que existe ainda outra palavra, própria de quando o Senhor visita o seu povo: ‘O morto se sentou e começou a falar, e ele [Jesus] o restituiu à sua mãe’”.
“Quando Deus visita o seu povo, restitui ao povo a esperança. Sempre. Pode-se pregar a Palavra de Deus brilhantemente: encontramos grandes pregadores na história. Mas se estes pregadores não conseguem semear a esperança, essa pregação não serve. É vaidade!”
Diante desse fato, no qual Jesus restituiu à mãe o filho vivo, o Papa afirmou que pode-se “entender o que significa uma visita de Deus a seu povo. E pedir a graça que nosso testemunho de cristãos seja testemunho portador da visita de Deus ao seu povo, isto é, da proximidade que semeia a esperança.”
Fonte: Canção Nova

Por onde caminhar em tempos de incerteza


Às vezes temos que mudar de caminho, de mentalidade para encontrar o rumo certo e olhar sempre para frente.
Por Dom Paulo Mendes Peixoto*

Seja cidadão comum, letrado ou não, rico ou pobre, político ou politiqueiro, o fim de todos é o mesmo: a morte. Não há como escapar, mesmo com o melhor "elixir da vida". Há, sim, critérios para dar sentido de esperança ao que chamamos de morte. A planta morre para nascer. A vida humana brota, cresce e faz história para terminar seu tempo envolvido numa dimensão de eternidade.
Não podemos reduzir o mistério da vida em futilidade. Por isto é preciso entender a frase bíblica: "Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos" (Mt 20,10). Tudo passa pelo caminho do comportamento e do perfil que a pessoa assume no relacionamento comunitário. A medida está no grau de justiça e caridade praticadas.
Ter muito poder ou privilégios econômicos não significa ser mais feliz ou o primeiro. Em muitos casos, os pobres são mais privilegiados, porque mais abertos para o verdadeiro sentido da vida. Não estão muito apegados a bens passageiros e nem a ganância por grandes lucros. Aí a sensibilidade humana é bem mais vivenciada.
A preocupação com recompensa dificulta o caminho da disponibilidade, por perder o senso da gratuidade e do voluntariado. Nos critérios humanos, quem trabalha mais tem que receber mais. É forma justa e normal da pessoa agir, mas a caridade ultrapassa os limites da justiça e olha as necessidades de quem trabalha.
Às vezes temos que mudar de caminho, de mentalidade para encontrar o rumo certo e olhar sempre para frente. Muita gente tem olhado para trás, escondendo o poder e a capacidade de construir o novo. Essas pessoas têm medo do desafio e ficam no que é mais cômodo, no estruturado e estático.
O Reino de Deus não está baseado no mérito e nem na recompensa econômica, mas no puro dom, no sentido da vida, que é dada gratuitamente por Deus. Vida que deve ser respeitada e valorizada na sua total dignidade. O dom ultrapassa todos os limites e fragilidades que impedem a realização plena da vida.
CNBB, 15-09-2014.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba (MG).

Liturgia Diária

DIA 16 DE SETEMBRO - TERÇA-FEIRA

SANTOS CORNÉLIO E CIPRIANO
PAPA E BISPO MÁRTIRES 
(VERMELHO, PREFÁCIO COMUM OU DOS MÁRTIRES – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Antífona da entrada: Alegrem-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.
Oração do dia
Ó Deus, que em são Cornélio e são Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 Coríntios 12,12-14.27-31)
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.
12 12 Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo.
13 Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito.
14 Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos.
27 Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.
28 Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas.
29 São todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores?
30 Fazem todos milagres? Têm todos a graça de curar? Falam todos em diversas línguas? Interpretam todos?
31 Aspirai aos dons superiores. E agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos.
Palavra do Senhor.
 
Salmo responsorial 99/100
Nós somos o seu povo e seu rebanho.

Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a ele, cantando jubilosos!

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,
ele mesmo nos fez, e somos seus,
nós somos seu povo e seu rebanho.

Entrai por suas portas dando graças
e em seus átrios com hinos de louvor;
dai-lhe graças, seu nome bendizei!

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,
sua bondade perdura para sempre,
seu amor é fiel eternamente!

 
Evangelho (Lucas 7,11-17)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo (Lc 7,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 7 11 dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.
12 Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.
13 Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: “Não chores!”
14 E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: “Moço, eu te ordeno, levanta-te”.
15 Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.
16 Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo”.
17 A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
Palavra da Salvação.
 
Comentário ao Evangelho
MOVIDO DE COMPAIXÃO
            Jesus era altamente sensível ao sofrimento humano. Não lhe passava despercebida nenhuma só situação de dor e angústia. Sua sensibilidade era ainda mais aguçada quando se tratava de pessoas cuja condição social as tornava vulneráveis, vítimas da exploração e da marginalização.
            Todo o seu ministério foi pontilhado de experiências de compaixão. O episódio às portas da cidadezinha de Naim é um bom exemplo disto. Aí ele se deparou com uma cena dramática: o enterro do filho único de uma viúva. A situação daquela mulher era de total desamparo: viúva e sem outros filhos para ampará-la. Via-se abandonada à própria sorte. Seu futuro, pois, era incerto.
            Sem esperar ser solicitado, Jesus tomou a iniciativa de devolver a esperança ao coração daquela mulher, pois teve compaixão dela. Não se limitou, porém, a simples palavras de consolação. Ressuscitou-lhe o filho que era levado para a sepultura.
            Assim, ela, bem como seu filho, passaram por um processo de revivificação. Marcada pela morte do esposo e do filho único, sem dúvida, ela já não tinha mais motivos para viver. Sua vida teria sido uma contínua espera da morte. O gesto misericordioso de Jesus reacendeu-lhe a chama da vida. Valia a pena continuar viver!

Oração 
            Senhor Jesus, que eu seja sensível à angústia e aos sofrimentos do meu próximo, e ajuda-me a devolver-lhe a alegria de viver.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

 
Sobre as oferendas
Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo, ao celebrarmos a paixão dos mártires Cornélio e Cipriano, para que a eucaristia nos torne firmes na adversidade como os fez corajosos na perseguição. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Fostes vós que permanecestes comigo nas minhas tribulações. E eu disponho do reino para vós, diz o Senhor. No meu reino coreis e bebereis à minha mesa (Lc 22,28ss).
Depois da comunhão
Ó Deus, que por esta eucaristia que recebemos e pelos exemplos de são Cornélio e são Cipriano, sejamos fortalecidos pelo vosso Espírito, para dar testemunho do Evangelho. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTOS CORNÉLIO E CIPRIANO)
Cornélio
Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.

A Igreja debatia, internamente, para tentar uma solução definitiva quanto à conduta a ser adotada em relação a um dos seus maiores problemas da época, referente aos "lapsos", nome dado aos sacerdotes e fiéis que renegavam a fé e separavam-se da Igreja durante as perseguições que se impunham aos cristãos.

Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Mas a toda essa oposição contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago, Argélia, norte da África.

Entretanto o imperador Décio morreu em combate, sendo sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Cività-Vecchia, em Roma.

No exílio, o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Onde encontrava um pouco de alegria era nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo.

Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calixto. A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

Cipriano
Cipriano era filho de uma nobre e rica família africana de Cartago, capital romana na no norte da África. Foi considerado um dos personagens mais empolgantes e importantes do século III. Primeiro pelo destaque alcançado como advogado, quando ainda era pagão. Depois por ser considerado um mestre da retórica e defensor irrestrito da unidade da Igreja. Mas o fator principal foi sua conversão ao cristianismo, já na maturidade, entre os trinta e cinco e quarenta anos de idade, causando um grande alvoroço e espanto na sociedade da época.

Cipriano não deixou apenas sua vida de pagão, mas também distribuiu quase toda a sua fortuna entre os pobres, renunciando à ciência profana da qual se alimentara até então. Com muito pouco tempo, foi ordenado sacerdote e, por eleição direta do clero e do povo, imediatamente substituiu o bispo de Cartago logo após sua morte. Cipriano o fez contrariando seu próprio desejo, mas em obediência à Igreja.

Nos anos de 249 a 258, durante o episcopado de Cipriano, a Igreja africana passou por sérios problemas. Os imperadores Valeriano e Décio empreenderam uma perseguição sem tréguas aos cristãos. Além disso, uma grande e terrível peste atacou o norte da África, causando muitas mortes e sofrimento. Como se não bastasse, a Igreja ainda se agitava com problemas doutrinários, internamente.

Durante a perseguição do imperador Décio, em 249, grande número de fiéis e sacerdotes, até mesmo bispos, fraquejaram perante as torturas e renunciaram à fé cristã. Por esses atos ficaram conhecidos como "cristãos lapsos".

A Igreja, então, mergulhou, definitivamente, na polêmica do "lapso", criando o seu primeiro grande cisma, isto é, uma divisão entre o clero. Não se sabia que atitude tomar contra os fiéis que abandonavam a fé e depois desejavam voltar para o seguimento de Cristo.

Em Roma, fora eleito o papa Cornélio, com amplo apoio dos bispos liderados por Cipriano, que apreciava muito a conduta de seu colega bispo, com o qual trocava muita correspondência.

Mas havia Novaciano, em Roma, que se elegeu antipapa e começou uma forte corrente a favor da não-reconciliação dos desertores. Já na África, um certo Felicíssimo era completamente contra tal atitude, rogando pela clemência e reintegração do rebanho desgarrado. Assim, liderados, novamente, pelo bispo Cipriano, Novaciano foi perdendo força.

Uma outra controvérsia, que assolava a Igreja na época, era a validade ou não dos batismos realizados por hereges. Essa era a única divergência que existia entre o papa Cornélio e o bispo Cipriano. O papa, seguindo a tradição da doutrina, considerava válidos os batismos, já o bispo dizia que "não se pode dar a fé a quem não a tem". Assim, a questão permaneceu sem solução.

Em 258, ainda com a perseguição contra a Igreja, Cipriano foi denunciado e sentenciado à morte por decapitação. As atas escritas revelam que nesse dia, quando o pró-cônsul determinou a sentença, as únicas palavras proferidas por Cipriano foram "Graças a Deus!" Foi executado no dia 14 de setembro de 258.

São Cipriano deixou-nos inúmeros escritos, entre os quais oitenta e uma cartas que se tornaram uma fonte de informação preciosa da vida eclesiástica daquele tempo. A Igreja declarou-o padroeiro da África do Norte e da Argélia, sendo sua festa litúrgica marcada para o dia 16 de setembro, quando se comemora a festa do santo papa Cornélio, o amigo de fé que ele tanto defendeu.

Evangelho do Dia

Ano A - 16 de setembro de 2014

Lucas 7,11-17

Aleluia, aleluia, aleluia.
Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo (Lc 7,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 7 11 dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo.
12 Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade.
13 Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: “Não chores!”
14 E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: “Moço, eu te ordeno, levanta-te”.
15 Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.
16 Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo”.
17 A notícia deste fato correu por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
MOVIDO DE COMPAIXÃO
            Jesus era altamente sensível ao sofrimento humano. Não lhe passava despercebida nenhuma só situação de dor e angústia. Sua sensibilidade era ainda mais aguçada quando se tratava de pessoas cuja condição social as tornava vulneráveis, vítimas da exploração e da marginalização.
            Todo o seu ministério foi pontilhado de experiências de compaixão. O episódio às portas da cidadezinha de Naim é um bom exemplo disto. Aí ele se deparou com uma cena dramática: o enterro do filho único de uma viúva. A situação daquela mulher era de total desamparo: viúva e sem outros filhos para ampará-la. Via-se abandonada à própria sorte. Seu futuro, pois, era incerto.
            Sem esperar ser solicitado, Jesus tomou a iniciativa de devolver a esperança ao coração daquela mulher, pois teve compaixão dela. Não se limitou, porém, a simples palavras de consolação. Ressuscitou-lhe o filho que era levado para a sepultura.
            Assim, ela, bem como seu filho, passaram por um processo de revivificação. Marcada pela morte do esposo e do filho único, sem dúvida, ela já não tinha mais motivos para viver. Sua vida teria sido uma contínua espera da morte. O gesto misericordioso de Jesus reacendeu-lhe a chama da vida. Valia a pena continuar viver!

Oração 
            Senhor Jesus, que eu seja sensível à angústia e aos sofrimentos do meu próximo, e ajuda-me a devolver-lhe a alegria de viver.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

 
Leitura
1 Coríntios 12,12-14.27-31
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.
12 12 Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo.
13 Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito.
14 Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos.
27 Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.
28 Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas.
29 São todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores?
30 Fazem todos milagres? Têm todos a graça de curar? Falam todos em diversas línguas? Interpretam todos?
31 Aspirai aos dons superiores. E agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos.
Palavra do Senhor.
 
Salmo 99/100
Nós somos o seu povo e seu rebanho.

Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a ele, cantando jubilosos!

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,
ele mesmo nos fez, e somos seus,
nós somos seu povo e seu rebanho.

Entrai por suas portas dando graças
e em seus átrios com hinos de louvor;
dai-lhe graças, seu nome bendizei!

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,
sua bondade perdura para sempre,
seu amor é fiel eternamente!

 
Oração
Ó Deus, que em são Cornélio e são Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Debate da CNBB com presidenciáveis é destaque


Debate com candidatos, que acontece nesta terça-feira (16), será transmitido pela TV Aparecida.
Aparecida  - Nesta terça-feira (16), os candidatos à Presidência da República estarão frente a frente em Aparecida (SP) para participarem do debate da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). A sabatina com os candidatos à Presidência da República é organizada pela TV Aparecida, com transmissão das demais emissoras de TV, rádio e portais de inspiração católica. O debate já teve grande repercussão na mídia nacional, foram centenas de menções em diversos sites, blogs e portais.

Grandes portais de notícias do Brasil como UOL, Folha de São Paulo, G1, Carta Capital noticiaram o debate da CNBB. O debate já ocupa grande espaço nas demais TVs de inspiração católicas, blogs, sites de igrejas e dioceses, além da divulgação feita pelo site oficial do Vaticano. Mais de noventa profissionais de imprensa de diferentes veículos de comunicação de todo o Brasil já se credenciaram para acompanhar o encontro.

Essa repercussão reafirma a importância do debate com os candidatos à Presidência da República, promovido pela CNBB e realizado pela TV de Nossa Senhora. O encontro dos presidenciáveis em Aparecida é também citado nas redes sociais. Apenas nos últimos 30 dias, foi possível mensurar centenas de ‘tweets’ mencionando o debate na TV Aparecida.
 
Cobertura

Além dos centenas de jornalistas e profissionais de comunicação de todas as partes do Brasil já credenciados para o debate, a TV Aparecida e os seus profissionais estarão empenhados na cobertura de todos os detalhes do encontro.

Boletins, reportagens e entrevistas serão realizados pelas equipes da emissora para levar ao telespectador tudo o que acontecerá no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, local do debate. Além disso, o internauta poderá acompanhar todos os detalhes do debate através da cobertura que será realizada nas Redes Socais da TV Aparecida e Portal A12.com. Na cobertura realizada pela TV Aparecida e Portal A12 serão utilizadas as Hashtags #DebateAparecida e #DebateCNBB.
SIR/CNBB

sábado, 13 de setembro de 2014

Exaltação da Santa Cruz


Levantar os olhos para a cruz é fazer um ato de fé no Cristo levantado, refeito e glorioso.
É curioso ler a expressão "Cruz gloriosa" sem despertar qualquer surpresa. E esta, no entanto, é uma fórmula quase escandalosa. É como se disséssemos "alegre cadafalso" ou "feliz guilhotina". A cruz é hedionda, é suja, é repugnante. Mas a Cruz do Cristo é gloriosa, por causa do amor que O levou a querer participar do nosso maior sofrimento, a tomar o lugar de todos os que punimos, perseguimos e eliminamos da comunidade dos homens.

Muitos de nós clamamos por vingança, mas as nossas vinganças acabam, finalmente, voltando-se todas contra Deus; são a crucifixão do amor. Amor, isto é, Deus que, no entanto, ressurge sempre onde menos se espera. O fato de Jesus aceitar a cruz que erguemos para ele é o ato de amor insuperável, mais forte do que a morte; a morte que foi acolhida por ele. Por isso, para ele a cruz não será o sepultamento em baixo da terra, mas a exaltação no mais alto da terra. João vê na serpente de bronze da primeira leitura uma prefiguração do Cristo crucificado. As duas figuras se ligam: os Hebreus estavam interiormente destruídos pela dúvida que os obcecava: dúvida mortal que foi representada pelas serpentes venenosas.

O remédio será a figura destas serpentes que são também representações. O mal interior, escondido, será "levantado da terra" e se tornará visível na forma de uma serpente de bronze. Os que aceitarem olhar para ela, tomando consciência do que ela representa, serão curados. O Cristo crucificado afixa diante de nós seja a nossa maldade assassina seja o seu contrário, o amor que a supera.

A nossa morte é assumida na morte do Cristo

Deste modo, olhando o Cristo crucificado, podemos tomar consciência do nosso pecado e do amor que levou Jesus a fazer-se ostensivamente a sua vítima. Desposou assim todas as nossas fraquezas e Paulo não hesitou em escrever que ele fez-se pecado por nós (2 Coríntios 5,21). Aqui O temos, pois, feito um só conosco, totalmente «encarnado», inclusive no que há de pior. Como fez suas todas as nossas mortes e tudo o que as anuncia, que as prepara e as provoca, tudo o que temos de sofrer, mesmo por nossa culpa, torna-se a sua morte e encontra-se afixado na cruz gloriosa. Não vamos tentar nos eximir: somos solidários com tudo o que destrói, suprime, atropela, humilha as outras pessoas.

Vamos repetir, quando somos tentados pela ilusão de nossa inocência, lembremos que não sabemos o que teríamos sido nem o que teríamos feito se, em vez de nascer num ambiente protegido, tivéssemos 20 anos na Alemanha de Hitler ou se tivéssemos passado a nossa juventude nalguma dessas comunidades de periferia, dominadas por milícias ou pelo tráfico de drogas, um deserto de amor. Jesus dá a sua vida e a sua morte pelos carrascos e pelas vítimas. Então, o inverso torna-se verdade: uma vez que o Cristo esposou a nossa morte, as nossas mortes todas esposam a sua. Tudo o que a vida nos dá para suportar torna-se cruz gloriosa; não um desperdício. A nossa morte torna-se a sua morte, prometida à ressurreição. O amor não pode morrer.

A vitória da vida

Alguns vão achar que, aqui, estamos falando muito de morte, de sofrimento e de pecado. Será que esta é uma religião mórbida? Não seria melhor, sendo o Evangelho a "boa nova", falar de vida, de alegria, de ação de graças? Pois, na realidade, é exatamente o que fazemos: procuramos explicar que a vida, a alegria nascida da esperança, o reconhecimento não conhece nem tempos mortos nem lugares vazios. O mais baixo que possamos descer, no pior dos infernos, aí vamos encontrar o Cristo a nossa espera: "nem a morte nem a vida (…), nem o presente nem o futuro, nem a altura nem a profundidade, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus…", escreve Paulo em Romanos 8,38.

Se somos levados a falar sobre o mal e o pecado, não é por masoquismo, mas para não fecharmos os olhos e o coração diante de todos os sofrimentos e aberrações que afligem os cinco continentes. Ainda uma vez, somos solidários com tudo isso. A cruz é gloriosa porque por ela é que Deus, utilizando o mal que fazemos e o que sofremos, abre o caminho ao nascimento de uma vida nova. Que a morte seja condenada a produzir a vida, uma vida inalterável e destinada à alegria, esta é a maravilha que nos reergue quando fraquejamos. "Ópio do povo"? Certamente que não, pois esta espécie de sono irá permanecer impossível enquanto mantivermos os olhos fixados naquele a quem trespassamos.
Croire
*Marcel Domergue é sacerdote jesuíta francês. O texto é baseado na Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro de 2014). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.