sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Informação

A Paróquia Nossa Senhora das Candeias informa que o

Encontro de Noivos aqui na Matriz será neste sábado, dia 

25, por motivo das eleições do 2º Turno. Portanto  o 

encontro começará a partir das 14 horas do sábado dia 25 

de outubro, até às 21 horas.

Identidade e missão dos cristãos leigos


'Eles são homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja'.
Por Dom Aloísio A. Dilli*

Caros diocesanos. Continuamos no mês de outubro, mês das missões, e desejamos prosseguir com nossa reflexão, destacando hoje a identidade e a missão dos leigos na Igreja e no mundo. A 52ª Assembléia Geral da CNBB estudou, em 2014, o tema prioritário: Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade. Por enquanto, este é texto de estudo e aguarda futura aprovação e publicação oficial.

O Concílio Vaticano II, através da Constituição Dogmática Lumen Gentium (LG), nos lembra: "Um é o povo eleito de Deus: ‘um só Senhor, uma só fé, um só batismo’ (Ef 4, 5). Comum a dignidade dos membros pela regeneração em Cristo. Comum a graça de filhos. Comum a vocação à perfeição. (LG 32. Cf. tb. o Cap. V, nn. 39ss). Com estas palavras conciliares a Igreja afirma a beleza e a importância de todas as vocações, convidadas a participarem da vida divina, da santidade de Deus (LG 40). A fonte dessa identidade cristã é o dom do santo batismo, pois este sacramento nos incorpora em Jesus Cristo, recebendo a dignidade de membros do Povo de Deus. Afirma o documento Christifideles Laici (1988): “Só no interior do mistério da Igreja como mistério de comunhão se revela a identidade dos fiéis leigos, a sua original dignidade. E só no interior dessa dignidade se podem definir a sua vocação e a sua missão na Igreja e no mundo” (CfL 8).

A comum dignidade e a comum vocação à santidade assumem, no leigo, modalidade própria, a qual o distingue, sem separá-lo dos outros estados de vida. O Concílio Vaticano II usa a expressão: “índole secular” (cf. CfL 15 e LG 31) para denominar esta distinção, fundamentada na própria encarnação de Cristo: “O próprio Verbo encarnado quis participar da vida social dos homens... quis levar a vida como um operário de seu tempo e da sua terra” ( GS 32). Portanto, o mundo é o lugar específico onde é dirigido o chamado de Deus aos leigos: “São chamados por Deus para que aí, exercendo o seu próprio ofício, inspirados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação de sua fé, esperança e caridade” (LG 31). Esse testemunho acontece onde os fiéis se encontram: na família, na comunidade, no exercício da profissão, nas relações de vizinhança e de lazer, nos ambientes da caminhada cidadã e eclesial.

Segundo o Documento de Aparecida, os cristãos leigos devem, por missão, atuar no mundo, sendo “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (DAp 209). As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015 da CNBB insistem para que nos diversos níveis e instituições incentive-se a participação social e política dos cristãos leigos. Cabe a eles empenhar-se na busca de políticas públicas que ofereçam condições necessárias ao bem-estar de pessoas, famílias e povos. Tarefa de grande importância é a formação de pensadores e pessoas que estejam em níveis de decisão, evangelizando os novos areópagos (DAp 491): mundo universitário, da comunicação, dos empresários, dos políticos, dos formadores de opinião, do trabalho, dos dirigentes sindicais e comunitários e nos ambientes de cultura (DGAE 115-117).

O papa Francisco diz que cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja e há maior participação nos ministérios laicais, mas acrescenta: “Este compromisso não se reflete na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e econômico; limita-se muitas vezes às tarefas no seio da Igreja, sem um empenho real pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade” (EG 102).
CNBB, 22-10-2014.
*Dom Aloísio Alberto Dilli é bispo de Uruguaiana (RS).

Liturgia Diária

DIA 24 DE OUTUBRO - SEXTA-FEIRA

XXIX SEMANA DO TEMPO COMUM *
(VERDE – OFÍCIO DO DIA)

Antífona da entrada: Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me (Sl 16,6.8).
Oração do dia
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Efésios 4,1-6)
Leitura da carta de são Paulo aos Efésios.
 4 1 Exorto-vos, pois, - prisioneiro que sou pela causa do Senhor -, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, 2 com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade.3 Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. 4 Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. 5 Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. 6 Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 23/24
É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.
Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
porque ele a tornou firme sobre os mares
e, sobre as águas, a mantém inabalável.

“Quem subirá até o monte do Senhor,
quem ficará em sua santa habitação?”
 “Quem tem mãos puras e inocente coração,
quem não dirige sua mente para o crime.

 “Sobre este desce a bênção do Senhor
 e a recompensa de seu Deus e salvador”.
 “É assim a geração dos que o procuram
e do Deus de Israel buscam a face”.
Evangelho (Lucas 12,54-59)
Aleluia, aleluia, aleluia.Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 12 54 Jesus ainda dizia ao povo: “Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Aí vem chuva’. E assim sucede. 55 Quando vedes soprar o vento do sul, dizeis: ‘Haverá calor’. E assim acontece. 56 Hipócritas! Sabeis distinguir os aspectos do céu e da terra; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente? 57 Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo? 58 Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele te não arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. 59 Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
O DISCERNIMENTO URGENTEA sabedoria cristã aconselha os discípulos do Reino a se colocarem numa situação de discernimento urgente e contínuo. E mais: a tirar dele conseqüências práticas. Certo de que o Senhor vem, o cristão jamais se deixará levar pela loucura de entregar-se a um projeto de vida mundano, que lhe oferece prazeres efêmeros. Antes, será perseverante no caminho do amor, seguro do fim que lhe espera.A exigência de discernimento indica que o Senhor não aceitará falsas desculpas de quem for excluído do Reino. Quem não se decide seriamente, não terá como se justificar diante do Senhor. É sempre possível saber o que é justo e corresponde ao projeto do Reino. Basta que o cristão, com a graça de Deus, se empenhe.A parábola da reconciliação, antes do processo, alude à urgência do discernimento e da decisão. Se não se chega a um acordo, enquanto os adversários estão a caminho do tribunal, o culpado será punido na certa. O bom senso recomenda não perder a chance. O discípulo de Jesus vê-se como se estivesse sempre diante da última oportunidade de aderir integralmente ao Reino e conformar sua vida com ele. Adiar esta decisão pode ser fatal. O tempo urge e o cristão não pode se dar ao luxo de agir como se tivesse um longo tempo pela frente. A prudência recomenda decidir-se já.

OraçãoSenhor Jesus, faze-me viver consciente de que urge entregar-me integralmente ao Reino e conformar minha vida com ele.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Dai-nos, ó Deus, usar os vossos dons servindo-vos com liberdade, para que, purificados pela vossa graça, sejamos renovados pelos mistérios que celebramos em vossa honra. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: O Filho do Homem veio dar a sua vida para a salvação dos homens (Mc 10,45).
Depois da comunhão
Dai-nos, ó Deus, colher os frutos da nossa participação na eucaristia para que, auxiliados pelos bens terrenos, possamos conhecer os valores eternos. Por Cristo, nosso Senhor.


MEMÓRIA FACULTATIVA

SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET
(BRANCO – OFÍCIO DA MEMÓRIA)

Oração do dia: Ó Deus, que fortalecestes o bispo santo Antônio Maria Claret com caridade e paciência admirável para propagar o evangelho entre os povos, dai que, por sua intercessão, busquemos o que é vosso e nos apliquemos com todo empenho em conquista nossos irmãos para Cristo. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas: Recebei, ó Pai, na festa de santo Antônio Maria Claret, as oferendas de vosso povo para que nos façam sentir, como esperamos, vossa paternal proteção. Por Cristo, nosso Senhor.
Depois da comunhão: Alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo, nós vos pedimos, ó Deus, que desabroche em plena redenção a ação que praticamos na fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET):
O quinto dos onze filhos de Antônio Claret e Josefa Clara nasceu em 23 de dezembro de 1807, no povoado de Sallent, diocese de Vic, Barcelona, Espanha. Foi batizado no dia de Natal e recebeu o nome de Antônio Claret y Clara. Na família, aprendeu o caminho do seguimento de Cristo, a devoção a Maria e o profundo amor à eucaristia. Cedo aprendeu a profissão do pai e depois a de tipógrafo. Na adolescência, ouviu o chamado para servir a Deus. Assim, acrescentou o nome de "Maria" ao seu, para dar testemunho de que a ela dedicaria sua vida de religioso. E foi uma vida extraordinária dedicada ao próximo. Antônio Maria Claret trabalhou com o pai numa fábrica de tecidos e, aos vinte e um anos, depois de ter recusado empregos bem vantajosos, ingressou no Seminário de Vic, pois queria ser monge cartuxo. Mas lá percebeu sua vocação de padre missionário. Em 1835, recebeu a ordenação sacerdotal e foi nomeado pároco de sua cidade natal. Quatro anos depois, foi para Roma e dirigiu-se à Propaganda Fides, onde se apresentou para ser missionário apostólico. Foram anos de trabalho árduo e totalmente dedicado ao ministério pastoral na Espanha, que muitos frutos trouxeram para a Igreja. Em 1948, foi enviado para a difícil região das Ilhas Canárias. No entanto ansiava por uma obra mais ampla e assim, em 1849, na companhia de outros cinco jovens sacerdotes, fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, ou Padres Claretianos. Entretanto, nessa ocasião, a Igreja vivia um momento de grande dificuldade na distante diocese de Cuba, que estava vaga havia quatorze anos. No mesmo ano, o fundador foi nomeado arcebispo de lá. E mais uma vez pôde constatar que Maria jamais o abandonava. Era uma vítima constante de todo tipo de pressão das lojas maçônicas, que faziam oposição violenta contra o clero, além dos muitos atentados que sofreu contra a sua vida. Incendiaram uma casa que se hospedava, colocaram veneno em sua comida e bebida, assaltaram-no à mão armada e o feriram várias vezes. Mas monsenhor Claret sempre escapou ileso e continuou seu trabalho, sem nunca recuar. Restaurou o antigo seminário cubano, deu apoio aos negros e índios, escravos Em 1855, junto com madre Antônia Paris, fundou outra congregação religiosa, a das Irmãs de Ensino Maria Imaculada, ou Irmãs Claretianas. Fez visitas pastorais a todas as dioceses, levando nova força e ânimo, para o chamado ao trabalho cada vez mais difícil e cada vez mais necessário. Quando voltou a Madri em 1857, deixou a Igreja de Cuba mais unida, mais forte e resistente. Voltou à Espanha porque a rainha Isabel II o chamou para ser seu confessor. Mesmo contrariado, aceitou. Nesse período, sua obra escrita cresceu muito, enriquecida com seus inúmeros sermões. Em 1868, solidário com a soberana, seguiu-a no exílio na França, onde permaneceu ao lado da família real. Contudo não parou seu trabalho de apostolado e de escritor por excelência. Encontrou, ainda, tempo e forças para fundar uma academia para os artistas, que colocou sob a proteção de são Miguel. Morreu com sessenta e três anos, no dia 24 de outubro de 1870, no Mosteiro de Fontfroide, França, deixando-nos uma importante e numerosa obra escrita. Beatificado pelo papa Pio XI, que o chamou de "precursor da Ação Católica do mundo moderno", foi canonizado em 1950 por Pio XII. Santo Antônio Maria Claret é festejando no dia de sua morte.

Evangelho do Dia

Ano A - 24 de outubro de 2014

Lucas 12,54-59

Aleluia, aleluia, aleluia.Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 12 54 Jesus ainda dizia ao povo: “Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Aí vem chuva’. E assim sucede. 55 Quando vedes soprar o vento do sul, dizeis: ‘Haverá calor’. E assim acontece. 56Hipócritas! Sabeis distinguir os aspectos do céu e da terra; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente? 57 Por que também não julgais por vós mesmos o que é justo? 58 Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele te não arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. 59 Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
O DISCERNIMENTO URGENTEA sabedoria cristã aconselha os discípulos do Reino a se colocarem numa situação de discernimento urgente e contínuo. E mais: a tirar dele conseqüências práticas. Certo de que o Senhor vem, o cristão jamais se deixará levar pela loucura de entregar-se a um projeto de vida mundano, que lhe oferece prazeres efêmeros. Antes, será perseverante no caminho do amor, seguro do fim que lhe espera.A exigência de discernimento indica que o Senhor não aceitará falsas desculpas de quem for excluído do Reino. Quem não se decide seriamente, não terá como se justificar diante do Senhor. É sempre possível saber o que é justo e corresponde ao projeto do Reino. Basta que o cristão, com a graça de Deus, se empenhe.A parábola da reconciliação, antes do processo, alude à urgência do discernimento e da decisão. Se não se chega a um acordo, enquanto os adversários estão a caminho do tribunal, o culpado será punido na certa. O bom senso recomenda não perder a chance. O discípulo de Jesus vê-se como se estivesse sempre diante da última oportunidade de aderir integralmente ao Reino e conformar sua vida com ele. Adiar esta decisão pode ser fatal. O tempo urge e o cristão não pode se dar ao luxo de agir como se tivesse um longo tempo pela frente. A prudência recomenda decidir-se já.

OraçãoSenhor Jesus, faze-me viver consciente de que urge entregar-me integralmente ao Reino e conformar minha vida com ele.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Leitura
Efésios 4,1-6
Leitura da carta de são Paulo aos Efésios.
 4 1 Exorto-vos, pois, - prisioneiro que sou pela causa do Senhor -, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, 2 com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. 3 Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. 4 Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. 5 Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. 6 Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Palavra do Senhor.
Salmo 23/24
É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.
Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,
o mundo inteiro com os seres que o povoam;
porque ele a tornou firme sobre os mares
e, sobre as águas, a mantém inabalável.

“Quem subirá até o monte do Senhor,
quem ficará em sua santa habitação?”
 “Quem tem mãos puras e inocente coração,
quem não dirige sua mente para o crime.

 “Sobre este desce a bênção do Senhor
 e a recompensa de seu Deus e salvador”.
 “É assim a geração dos que o procuram
e do Deus de Israel buscam a face”.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

João Paulo II ensina ´educação do amor´


Em artigo, pontífice mostrou as condições indispensáveis para o matrimônio.
Por Roberta Sciamplicotti

O ponto de partida e ao mesmo tempo para onde tendem todos os assuntos relativos ao casamento é a educação do amor. Quem afirmou foi Karol Wojtyla, no artigo intitulado "Educação do amor", publicado em "Educar e amar. Escritos sobre matrimônio e família", que possui onze artigos escritos por ele entre os anos 1952 -1962.

Da educação do amor, explica o futuro papa João Paulo II, "tudo inicia; a afirmação 'matrimônio por amor' não significa outra coisa". Da mesma maneira, “o matrimônio representa sempre uma certa prova de que o amor tem que acontecer, tem que ser confirmado".

No momento das núpcias o amor é aquilo que os dois cônjuges “conhecem” melhor, “e ao mesmo tempo é a maior incógnita que os aguarda num futuro comum”, “uma incógnita para certos versos ainda maiores do que espera o destino deles”, porque o amor é algo de “muito mais profundo, traz em si a capacidade interior de determinar o próprio destino do casal”.

“Mesmo que tudo concorra para determinar o destino, como a prosperidade e a felicidade terrena levassem a um êxito decepcionante, mas se o amor permanece, a vida do casal terá alcançado a vitória. Onde, se ao contrário, o amor pudesse desiludir, a vida sofreria uma derrota, mesmo se acompanhada por um destino favorável".

Celebrando o matrimônio sacramental, afirmava Wojtyla, a mulher e o homem se aproximam de Deus e ao mesmo tempo contam com seu compromisso a favor da sua comunidade. "Em outras palavras, eles contam com a sua graça e a sua ajuda que, de maneira puramente interior, mas não menos real, moldará toda a vida deles em comum. Portanto, eles colocam diante Dele a união deles e a confirmam com juramento; assim o matrimônio adquire uma força particular que os envolve completamente”.

O problema assim definido, acrescentava, pede que o amor entre os dois seja "interiormente maduro e definitivo", coisa que não pode ser "desde o seu nascimento", podendo se tornar "só gradualmente". Esse "tornar-se" necessita ser orientado, e por isso se pode falar de educação do amor.

Para quem crê, ressalta o futuro pontífice, educar-se ao amor significa "colaborar com a graça", conceito que pode parecer "abstrato e inatingível", mas somente se "se aceita que o amor se reduz apenas a reações e expressões afetivo-sexuais instintivas".

Para Wojtyla, "são apenas as vias da graça que permitem a cada amor humano continuar a unir até o fim". "Como é indiscutível que a educação do amor é a condição indispensável onde se basear o matrimônio, assim é preciso adicionar que o matrimônio-sacramento corresponde somente àquela educação do amor que se desenvolve sobre a base da verdade que 'Deus é amor' e 'o amor vem de Deus'". "Realizar estas verdades significa colaborar com a graça do amor".

Pelos esposos, concluía o futuro João Paulo II, aqui se realiza a maior "colaboração com a graça do sacramento do matrimônio”, colaboração que inclui “tudo aquilo que faz parte do caminho em direção aos valores humanos do matrimônio, não evitando nada”.
SIR/Aleteia, 23-10-14.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ser médico hoje


Diante de sua vocação e missão, o médico é chamado a conjugar três verbos: lembrar, reconhecer e agradecer.
Para o médico, cada pessoa deve ser única.
Por Dom Murilo S. R. Krieger*

Tendo em vista a festa de seu padroeiro – São Lucas, no dia 18 de outubro –, os médicos da Associação Bahiana de Medicina me convidaram para lhes dar uma palestra sobre "As possibilidades e os desafios do médico hoje". Não tenho condições de transcrever neste espaço tudo o que lhes falei; posso, sim, recordar algumas ideias que traduzirão minha gratidão por sua presença e missão na sociedade e em minha vida.

São Lucas é padroeiro dos médicos porque ele próprio foi um médico. Quem testemunhou isso foi o apóstolo S. Paulo que, no final de sua carta aos Colossenses (de Colossas, cidade da Ásia Menor – hoje, Turquia), escreveu: “Saúdam-vos, enfim, Lucas, o querido médico, e Demas” (Cl 4,14).

Há médicos porque existem doenças e existe a dor: "A enfermidade e o sofrimento sempre estiveram entre os problemas mais graves da vida humana. Na doença, o homem experimenta sua impotência, seus limites e sua finitude. (...) A enfermidade pode levar a pessoa à angústia, a fechar-se sobre si mesma e, às vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Também pode, no entanto, tornar a pessoa mais madura, ajudá-la a discernir em sua vida o que não é essencial, para voltar-se àquilo que é essencial. Não raro, a doença provoca a busca de Deus, um retorno a Ele”. (CIC, 1500-1501).

Jesus Cristo, ao longo de sua vida, demonstrou compaixão para com os doentes, e os curou. Com essa sua atitude, deixava claro que, para Deus, o ser humano ideal é o saudável. De quem é a “culpa” pela doença e pelo sofrimento? A fé nos responde que a causa do sofrimento é o pecado. O Papa emérito Bento XVI lembrou que “... o sofrimento faz parte da existência humana. Este deriva, por um lado, da nossa finitude e, por outro, do volume de culpa que se acumulou ao longo da história e, mesmo atualmente, cresce de modo irreprimível. Certamente, é preciso fazer tudo o que for possível para diminuir o sofrimento... mas eliminá-lo completamente do mundo não entra nas nossas possibilidades, simplesmente porque não podemos desfazer-nos da nossa finitude e porque nenhum de nós é capaz de eliminar o poder do mal, da culpa que – como constatamos - é fonte contínua de sofrimento” (Bento XVI, Spes salvi, 36).

As atividades que os médicos realizam todos os dias são um nobre serviço em benefício da vida. Sua missão os coloca diariamente em contato com a misteriosa e maravilhosa realidade da vida humana, impelindo-os a se ocuparem dos sofrimentos e das esperanças de inúmeros irmãos e irmãs. O doente deve ser ajudado a reencontrar o bem-estar não só físico, mas também psicológico e moral; isso supõe do médico, além de competência profissional, uma atitude de solicitude amorosa, inspirada na imagem evangélica do bom Samaritano.

Dentre os valores que devem guiar os trabalhos dos médicos merecem destaque o respeito à vida – que deve ser defendida e salva também quando no ventre materno ou em seu estágio final –, e o respeito pela unidade do ser humano, com suas dimensões corporal, afetiva, intelectual e espiritual.

Diante de sua vocação e missão, o médico é chamado a conjugar três verbos: lembrar, reconhecer e agradecer. (1º) Lembrar que a saúde é um dom preciso. Muitas vezes a pessoa só percebe isso quando a saúde lhe falta ou parece fugir de suas mãos. (2º) Reconhecer que ele, médico, é limitado. Longe de ser um “deus” – apesar de todo valor que a sociedade lhe dá –, não terá resposta para muitas situações que enfrentará.

Cada pessoa é única e, portanto, cada doente tem direito de receber toda a sua atenção. Como médico, estará sempre diante de pessoas frágeis e fragilizadas, capazes de valorizar tanto a saúde que, em função dela, se disporão a desfazer-se de seus bens para pagar o tratamento. (3º) Agradecer a Deus pela importância de seu trabalho, feito em favor do próximo – imagem de Deus. Quanto mais frágil for uma pessoa, mais forte é a imagem divina nela impressa. Agradecer, enfim, o privilégio de viver em função de uma missão que ocupou um lugar privilegiado na vida de Jesus Cristo.
CNBB, 21-10-2014.
*Dom Murilo S. R. Krieger, scj, é arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil.

Consep: Cardeais apresentam assuntos abordados no Sínodo dos Bispos



“Estamos vivendo um processo sinodal, de amadurecimento, aprofundamento de todas as questões que envolvem a família no contexto da evangelização”, esclareceu o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, nesta terça-feira, 21, aos bispos do Conselho Permanente, reunidos em Brasília (DF).  O cardeal foi um dos três presidentes delegados da 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo, realizada de 5 a 19 de outubro, com o tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.
Segundo o arcebispo, uma novidade é que o Sínodo acontece em duas etapas. A primeira foi a Assembleia Extraordinária. Já a segunda, a 14ª Assembleia do Sínodo dos Bispos,  acontecerá, de 4 a 25 de outubro de 2015, com o tema “A vocação e a missão da família na Igreja, no mundo contemporâneo”.
Dom Damasceno disse que esta primeira fase do Sínodo foi marcada por intervenções e testemunhos sobre vários aspectos relacionados à família na atualidade. O cardeal apontou os temas mais abordados durante o evento como os desafios culturais e econômicos, divórcio, violência no ambiente familiar, a vida sacramental dos casais em segunda união, união civil de pessoas do mesmo sexo.
Para o arcebispo de São Paulo e um dos padres sinodais, cardeal Odilo Pedro Scherer, o Sínodo provocou o questionamento sobre os desafios pastorais da Igreja no contexto da evangelização. “Diante de todos esses desafios, o que a Igreja vai fazer? Como se posicionar e que atitudes tomar?”, disse serem estas as principais questões do Sínodo.  De acordo com dom Odilo, “o grande eixo é o da nova evangelização. Isso continua na assembleia do ano que vem, mas ampliando o horizonte. O tema será a vocação e a missão da família na Igreja, no mundo contemporâneo. No próximo ano, entrarão mais as questões doutrinais”, assinalou.
Dom Odilo explicou, ainda, que o Sínodo não toma decisões. “É um organismo consultivo. O papa convoca o Sínodo para ouvir a Igreja. O que é produzido não é uma decisão, mas proposta”,  acrescentou.
O arcebispo de São Paulo lembrou também que o Sínodo é fruto do Concílio Vaticano II e que “foi instituído por Paulo VI para dar continuidade às questões do Concílio e as que viriam depois”.
Além de dom Raymundo Damasceno Assis e de dom Odilo Pedro Scherer, representaram o Brasil na 3ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos os cardeais: João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. Também participaram da Assembleia o eparca da Eparquia Maronita de Nossa Senhora do Líbano (SP), dom Edgard Amine Madi, e o casal responsável pelas equipes de Nossa Senhora da super-região do Brasil, Arturo e Hermelinda Zamberline.
O evento reuniu 191 padres sinodais e 62 participantes entre especialistas, auditores e delegados fraternos.
Fonte: CNBB