domingo, 27 de julho de 2014

A serviço do Reino já presente entre nós


Mateus parece dizer aos cristãos do seu tempo, que o Cristo ressuscitado é seu tesouro mais precioso
Mateus, hoje, novamente, nos oferece três parábolas para falar sobre o Reino. Em cada parábola nos é dito o essencial do Reino: o Cristo ressuscitado, centro da nossa vida cristã, razão de ser da Igreja. Ele é o tesouro escondido no campo do Reino, que se deixa encontrar. Ele é a pérola preciosa que nos faz procurar sem cessar. Ele é a rede da Igreja que é lançada ao mar, ao mundo e que recolhe todo tipo de peixe, uma multidão de pessoas, sem nenhuma discriminação.
A reflexão é de Raymond Gravel, padre da Diocese de Joliette, Canadá, comentando as leituras do 17º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A do Ano Litúrgico (27 de julho de 2014).
Referências bíblicas:
Primeira Leitura: 1Rs 3,5-12
Evangelho: Mt 13,44-52
Eis o texto.
Mateus, hoje, novamente, nos oferece três parábolas para falar sobre o Reino que acontece e que já está no meio de nós: “O Reino dos céus é comparável a... um tesouro” (Mt 13,44), “a uma pérola preciosa” (Mt 13,45-46) e “a uma rede” (Mt 13,47-48). Em cada parábola nos é dito o essencial do Reino: o Cristo ressuscitado, centro da nossa vida cristã, razão de ser da Igreja. Ele é o tesouro escondido no campo do Reino, que se deixa encontrar. Ele é a pérola preciosa que nos faz procurar sem cessar. Ele é a rede da Igreja que é lançada ao mar, ao mundo e que recolhe todo tipo de peixe, uma multidão de pessoas, sem nenhuma discriminação. Mais uma vez, trata-se de parábolas, de comparações, para nos ajudar a compreender o Reino e seus mistérios.
1. A parábola do tesouro escondido (Mt 13,44)
Esta parábola nos diz algo de importante sobre o Cristo ressuscitado. Por que o homem que descobre o tesouro simplesmente não o pega, em vez de enterrá-lo novamente e comprar o campo onde está enterrado? Há duas razões para isso:
1) O tesouro não pertence à pessoa; é o Cristo e o Cristo não pode ser apropriado.
2) Um tesouro de grande valor requer que invistamos tudo o que possuímos para adquirir o campo no qual está enterrado. E adquirir o campo é tornar-se discípulo daquele a quem pertence o campo, portanto, de Deus.
A imagem utilizada por Mateus, de esconder o tesouro, era compreendida na sua época, porque não havia banco ou lugar seguro para proteger um tesouro. Era preciso enterrá-lo novamente para protegê-lo e que não seja roubado.
Mateus parece dizer aos cristãos do seu tempo, que o Cristo ressuscitado é seu tesouro mais precioso, que se deixa encontrar e que os convida a renunciar a tudo para descobrir e viver desse tesouro... porque aí onde está o tesouro, está o coração, e o coração de um cristão deve bater no ritmo do Cristo Pascal.
2. A parábola da pérola preciosa (Mt 13,45-46)
Desta vez, o negociante a procura e uma vez que a encontrou, é capaz de tudo para adquiri-la. Mais uma vez, esta pérola preciosa é o Cristo ressuscitado que não se deixa apenas encontrar como um tesouro, mas que devemos procurar sem cessar como uma pérola preciosa. O mesmo acontece com o Reino e o Reino de Deus inaugurado pelo Cristo Pascal.
Orígenes, Padre da Igreja, dizia que a esta parábola da pérola preciosa se aplicam as parábolas seguintes: “Procurai e achareis; batei e ser-vos-á aberto” (Mt 7,7-8). É preciso estar disposto a perder tudo para encontrar o Cristo. São Paulo disse: “Por causa dele perdi tudo, a fim de ganhar o Cristo” (Fl 3,8).
3. A parábola da rede (Mt 13,47-48)
Esta parábola da rede nos diz que a Igreja está a serviço do Reino e não é sua proprietária. Isso supõe a não exclusão, o não julgamento e a não discriminação da sua parte. A Igreja tem a responsabilidade de lançar a rede (o Cristo) ao mar, para recolher todo tipo de peixe. Como na parábola do trigo e do joio, não lhe cabe a tarefa de separar o que é bom do mau, menos ainda de decidir o que é bom e o que é mau. É bem má aquela pessoa que o faz e que se dá o direito de fazê-lo. O Evangelho precisa: “Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos” (Mt 13,49). Nossa missão cristã consiste, pois, em oferecer a todas e todos, sem exceção, a Boa Nova do Reino. O papel da Igreja é acolher todas aquelas pessoas que entram nas suas redes. Então, por que julgamos algumas pessoas que acolhem o Cristo e que querem vivê-lo? Será que existem diversas maneiras de acolher o Cristo e diversas maneiras de vivê-lo?
4. “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13,52)
Vemos muito bem neste final das parábolas do Reino que Mateus fala de si mesmo. Como judeu convertido ao cristianismo, Mateus nos recorda que na nossa vida de fé é preciso continuamente construir o novo, conservando sempre o melhor do velho... o que significa que não devemos rejeitar o passado; devemos renová-lo, tendo em presente a realidade e projetando seu olhar para o futuro. Isso me faz pensar na bela frase do filósofo Kierkegaard (1813-1855), que dizia: “Só podemos compreender a vida olhando para trás. Só podemos vivê-la olhando para frente”.
Na Igreja de hoje, como se poderia traduzir este convite de Mateus? Extrair o novo do velho hoje é, sem dúvida, não ignorar os valores das nossas sociedades contemporâneas: a igualdade entre o homem e a mulher, a liberdade de consciência e de religião, a dignidade de todas as pessoas, independente de seu estatuto social, sua situação de vida, sua orientação sexual. Não ter em conta esses valores ambiciosos é necessariamente discriminar e é seguramente contrário às mensagens evangélicas.
É por isso que, na nossa Igreja, temos necessidade da Sabedoria; aquela que o primeiro Livro dos Reis atribui a Salomão: “Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal” (1Rs 3,9). E a aplicação desta sabedoria do rei Salomão, que encontramos nos versículos seguintes, quando duas mulheres se apresentam diante do rei com uma criança que ambas dizem ser sua; Salomão, para fazer justiça, ordena que se corte o menino em duas partes para dar uma parte a cada mãe. Uma das duas mulheres se opõe firmemente, dizendo: “Entreguem o menino vivo a essa mulher, porque ela é a sua verdadeira mãe...” (1Rs 16-27). O autor bíblico acrescenta: “Todo o Israel ficou sabendo da sentença que o rei tinha dado. E o respeitavam, pois viram que ele possuía sabedoria divina para fazer justiça” (1Rs 3,28).
Terminando, penso que necessitamos, em nossa Igreja, desta sabedoria divina se queremos fazer justiça às mulheres e aos homens de hoje e fazer nascer a esperança no coração do nosso mundo. Nas últimas três semanas, através das parábolas de Mateus, o Evangelho nos diz que o Reino de Deus não nos pertence, que nós estamos ao seu serviço, que devemos ser pacientes, tolerantes para com todos os sujeitos do Reino e que devemos procurá-lo como a um tesouro ou uma pérola preciosa. E eu acrescentaria que nós devemos ser corajosos, para não deixar enferrujar esse tesouro enterrado na terra. Uma coisa é certa: a colheita será boa, porque Deus é responsável por ela, através do Cristo Pascal que dá a Vida em abundância.
Réflexions de Raymond Gravel

Liturgia Diária

Dia 28 de Julho - Segunda-feira

XVII SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde – Ofício do Dia)

Antífona da entrada: Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo (Sl 67,6s.36)
Oração do dia
Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Jeremias 13,1-13)
13 1Disse-me o Senhor: “Vai e compra um cinto de linho e coloca-o sobre os rins, sem contudo mergulhá-lo na água”.
2 Comprei-o, conforme ordenara o Senhor, e com ele me cingi.
3 Pela segunda vez, assim me falou o Senhor:
4 “Toma o cinto que compraste e que trazes contigo e encaminha-te para as margens do Eufrates. Lá ocultarás esse cinto na cavidade de um rochedo”.
5 Fui assim escondê-lo, junto do Eufrates, como me havia dito o Senhor.
6 Tempos depois, voltou o Senhor a dizer-me: “Põe-te a caminho em demanda das margens do Eufrates, a fim de buscar o cinto que, conforme minhas ordens, lá escondeste”.
7 Dirigi-me, então, ao rio e, tendo cavado, retirei o cinto do local onde o escondera. O cinto, porém, apodrecera, e para nada mais servia.
8 Então, nestes termos, foi-me dirigida a palavra do Senhor:
9 “Eis o que diz o Senhor: assim também destruirei a soberba de Judá, e o orgulho imenso de Jerusalém.
10 Esse povo perverso que recusa executar-me as ordens, que segue os pendores do coração empedernido, que corre aos deuses estranhos para render-lhes homenagens e prostrar-se ante eles, tornar-se-á semelhante a esse cinto sem mais serventia alguma.
11 À semelhança de um cinto que se prende aos rins de um homem, assim uni a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá - oráculo do Senhor -, a fim de que constituíssem meu povo, minha honra, glória e ufania. Elas, porém, não obedeceram”.
Palavra do Senhor.
 
Salmo responsorial Dt 32
Esqueceram o Deus que os gerou.

Da rocha que te deu à luz, te esqueceste,
Do Deus que te gerou, não te lembraste.
Vendo isso, o Senhor os desprezou,
Aborrecido com seus filhos e suas filhas.

E disse: Esconderei deles meu rosto
E verei, então, o fim que eles terão,
Pois tornaram-se um povo pervertido,
São filhos que não têm fidelidade.

Com deuses falsos provocaram minha ira,
Com ídolos vazios me irritaram;
Vou provocá-los por aqueles que nem povo são,
Através de gente louca hei de irritá-los.
 
Evangelho (Mateus 13,31-35)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas! (Tg 1,18)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
13 31 Em seguida, propôs-lhes outra parábola: “O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo.
32 É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos”.
33 Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. “O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa”.
34 Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava,
35 para que se cumprisse a profecia: “Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação”.
Palavra da Salvação.
 
Comentário ao Evangelho
DA PEQUENEZ À GRANDEZA
A parábola do grão de mostarda semeado no campo, vindo a tornar-se uma árvore frondosa, revela um aspecto importante na dinâmica do Reino. Este aparece pequeno e frágil ao despontar na história humana. Entretanto, seu destino é tornar-se grande na sua definitiva manifestação. A precariedade e a imperfeição do momento presente são etapas necessárias de um processo mais amplo. Só na escatologia despontará o Reino em sua real grandeza.
O discípulo sabe conjugar pequenez e grandeza, sem se deixar iludir por imagens destorcidas do Reino. E não correrá o risco de se enganar, identificando com o Reino certas manifestações retumbantes de religiosidade, nem ficará iludido quando for incapaz de perceber o Reino lançando suas raízes, tamanha é sua pequenez. No primeiro caso, terá suficiente senso crítico para perceber a incompatibilidade de certos fenômenos com o projeto do Reino; no segundo, será capaz de detectar, ali onde parece que nada acontece, sinais evidentes do Reino, fermentando a existência humana.
Historicamente, o Reino tende a manifestar-se em sua fragilidade. Caso contrário, correria o risco de impor-se aos seres humanos, prescindindo de uma opção livre. Quem for capaz de reconhecer a presença ativa de Deus no que há de mais fraco e pequenino, terá compreendido por que caminhos o Reino atua na História.

Oração
            Espírito que se manifesta na pequenez e na fragilidade, dá-me inteligência para compreender os caminhos pelos quais o Reino se faz presente em nossa história.

(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
 
Sobre as oferendas
Acolhei, ó Pai, os dons que recebemos da vossa bondade e trazemos a este altar. Fazei que estes sagrados mistérios, pela força da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam à eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não esqueças nenhum de seus favores! (Sl 102,2)
Depois da comunhão
Recebemos, ó Deus, este sacramento, memorial permanente da paixão do vosso filho; fazei que o dom da vossa inefável caridade possa servir à nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

Evangelho do Dia

Ano A - 28 de julho de 2014

Mateus 13,31-35

Aleluia, aleluia, aleluia.
Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas! (Tg 1,18)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
13 31 Em seguida, propôs-lhes outra parábola: “O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo.
32 É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos”.
33 Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. “O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa”.
34 Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava,
35 para que se cumprisse a profecia: “Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação”.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
DA PEQUENEZ À GRANDEZA
A parábola do grão de mostarda semeado no campo, vindo a tornar-se uma árvore frondosa, revela um aspecto importante na dinâmica do Reino. Este aparece pequeno e frágil ao despontar na história humana. Entretanto, seu destino é tornar-se grande na sua definitiva manifestação. A precariedade e a imperfeição do momento presente são etapas necessárias de um processo mais amplo. Só na escatologia despontará o Reino em sua real grandeza.
O discípulo sabe conjugar pequenez e grandeza, sem se deixar iludir por imagens destorcidas do Reino. E não correrá o risco de se enganar, identificando com o Reino certas manifestações retumbantes de religiosidade, nem ficará iludido quando for incapaz de perceber o Reino lançando suas raízes, tamanha é sua pequenez. No primeiro caso, terá suficiente senso crítico para perceber a incompatibilidade de certos fenômenos com o projeto do Reino; no segundo, será capaz de detectar, ali onde parece que nada acontece, sinais evidentes do Reino, fermentando a existência humana.
Historicamente, o Reino tende a manifestar-se em sua fragilidade. Caso contrário, correria o risco de impor-se aos seres humanos, prescindindo de uma opção livre. Quem for capaz de reconhecer a presença ativa de Deus no que há de mais fraco e pequenino, terá compreendido por que caminhos o Reino atua na História.

Oração
            Espírito que se manifesta na pequenez e na fragilidade, dá-me inteligência para compreender os caminhos pelos quais o Reino se faz presente em nossa história.

(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)
 
Leitura
Jeremias 13,1-13
13 1Disse-me o Senhor: “Vai e compra um cinto de linho e coloca-o sobre os rins, sem contudo mergulhá-lo na água”.
2 Comprei-o, conforme ordenara o Senhor, e com ele me cingi.
3 Pela segunda vez, assim me falou o Senhor:
4 “Toma o cinto que compraste e que trazes contigo e encaminha-te para as margens do Eufrates. Lá ocultarás esse cinto na cavidade de um rochedo”.
5 Fui assim escondê-lo, junto do Eufrates, como me havia dito o Senhor.
6 Tempos depois, voltou o Senhor a dizer-me: “Põe-te a caminho em demanda das margens do Eufrates, a fim de buscar o cinto que, conforme minhas ordens, lá escondeste”.
7 Dirigi-me, então, ao rio e, tendo cavado, retirei o cinto do local onde o escondera. O cinto, porém, apodrecera, e para nada mais servia.
8 Então, nestes termos, foi-me dirigida a palavra do Senhor:
9 “Eis o que diz o Senhor: assim também destruirei a soberba de Judá, e o orgulho imenso de Jerusalém.
10 Esse povo perverso que recusa executar-me as ordens, que segue os pendores do coração empedernido, que corre aos deuses estranhos para render-lhes homenagens e prostrar-se ante eles, tornar-se-á semelhante a esse cinto sem mais serventia alguma.
11 À semelhança de um cinto que se prende aos rins de um homem, assim uni a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá - oráculo do Senhor -, a fim de que constituíssem meu povo, minha honra, glória e ufania. Elas, porém, não obedeceram”.
Palavra do Senhor.
 
Salmo Dt 32
Esqueceram o Deus que os gerou.

Da rocha que te deu à luz, te esqueceste,
Do Deus que te gerou, não te lembraste.
Vendo isso, o Senhor os desprezou,
Aborrecido com seus filhos e suas filhas.

E disse: Esconderei deles meu rosto
E verei, então, o fim que eles terão,
Pois tornaram-se um povo pervertido,
São filhos que não têm fidelidade.

Com deuses falsos provocaram minha ira,
Com ídolos vazios me irritaram;
Vou provocá-los por aqueles que nem povo são,
Através de gente louca hei de irritá-los.
 
Oração
Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Papa pede prioridade a Deus


Caserta, sul da Itália, 27 jul (SIR) - O papa Francisco afirmou neste sábado à noite, 26, diante de cerca de 200 mil pessoas na cidade de Caserta, que tem forte influência da máfia Camorra, que "esta linda terra precisa de coragem para dizer não a toda forma de corrupção e ilegalidade".

A região é assolada por uma crise social e econômica grave. Embora o Pontífice tenha evitado usar a palavra Camorra, ele disse enfaticamente que "é necessário colocar a pérola preciosa do Reino a frente de todos os outros bens da terra, é necessário colocar Deus em primeiro lugar em nossa vida, preferindo ele a tudo".

O Papa disse que "dar preferência a Deus significa ter a coragem de dizer não para o mal, para a violência, viver uma vida de serviço aos outros a favor da legalidade e do bem comum". A celebração acontece na data em que se comemora o dia de Santa Ana, padroeira da cidade.
 
SIR

Quem encontra o Reino de Deus, respeita o meio ambiente


Caserta, sul da Itália, 27 jul (SIR) – Na tarde deste sábado, 26, o Papa Francisco realizou uma visita pastoral à cidade italiana de Caserta. Partindo do Vaticano de helicóptero às 15 horas, o Pontífice aterrissou no Heliporto da Aeronáutica militar 45 minutos após, sendo recebido por autoridades civis e religiosas.

Após o encontro com os sacerdotes da diocese, Bergoglio passeou no meio da multidão a bordo do Jeep branco papal. Às 18 horas, presidiu a Missa na Praça diante da Régia da Calábria. No dia em que a Igreja festeja Santa Ana, padroeira de Caserta, o Papa desenvolveu sua homilia partindo das duas Parábolas propostas pelo Evangelho – que tem como protagonistas o trabalhador pobre e o rico mercador -, onde Jesus ensina “o que é o reino dos céus, como ele é encontrado e o que se deve fazer para possuí-lo”.

O Santo Padre, falou das mudanças de atitude que ocorrem com quem descobre o tesouro, que incluem atenção aos desfavorecidos, respeito pelo ambiente e a negação de diversas formal do mal. Ao falar sobre “o que é o reino dos céus”, Bergoglio explicou que Jesus o enuncia desde o início, dizendo “que está próximo”, nunca o fazendo ver diretamente, mas sempre usando parábolas e figuras, como o modo de agir de um patrão, de um rei, das dez virgens e preferindo mostrar seus efeitos, como “capaz de mudar o mundo, como o fermento escondido na massa; pequeno e humilde como uma semente”, e assim por diante.

“O Reino de Deus – observou o Papa – se faz presente na própria pessoa de Jesus”: “É Ele o tesouro escondido e a pérola de grande valor. Se compreende a alegria do agricultor e do mercador: a encontraram! É a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença de Jesus na nossa vida. Uma presença que transforma a existência e nos torna abertos às exigências dos irmãos; uma presença que nos convida a acolher cada outra presença, também aquela do estrangeiro e do migrante”.

Ao explicar sobre “como se encontra o reino de Deus”, Francisco diz que cada um de nós tem um caminho particular, o que nos recorda que “Deus se deixa encontrar, porque é Ele que nos busca e se deixa encontrar também por quem não o procura”: “Às vezes Ele se deixa encontrar em lugares insólitos e em tempos inesperados. Quando se encontra Jesus se fica fascinado, conquistado, e é uma alegria deixar o nosso modo de viver cotidiano, às vezes árido e apático, para abraçar o Evangelho, para deixar-se guiar pela lógica nova do amor e do serviço humilde e desinteressado”.

Refletindo sobre o terceiro ponto, “o que fazer para possuir o reino de Deus”, o Papa Bergoglio reitera a importância de se colocar “Deus em primeiro lugar na nossa vida”. E isto significa ter a coragem de dizer “não ao mal, à violência, à exploração, para viver uma vida de serviço aos outros e em favor da legalidade e do bem comum”. “Quando uma pessoa descobre o verdadeiro tesouro, abandona um estilo de vida egoísta e procura partilhar com os outros a caridade que vem de Deus”: “Quem se torna amigo de Deus, ama os irmãos, se empenha em salvaguardar a vida e a saúde deles, também respeitando o ambiente e a natureza. E isto é particularmente importante nesta vossa bela terra que exige ser tutelada e preservada, exige ter a coragem de se dizer não a toda forma de corrupção e ilegalidade, exige de todos serem servidores da verdade e de assumir em todas as situações o estilo de vida evangélico que se manifesta na atenção ao pobre e ao excluído”.

Por fim, o Papa Francisco encoraja a todos a viver a Festa da Padroeira Santa Ana – a quem gosta de chamar de “a avó de Jesus - livres de todos os condicionamentos, reforçando os vínculos de fraternidade e solidariedade. Após a conclusão da Missa às 19h45min, o Papa retornou à Roma.
SIR

'É a hora de terminar a guerra', suplicou o Papa


Cidade do Vaticano, 27 jul (SIR) - O Papa insistiu, mais uma vez, hoje que o “diálogo”, a “negociação” e a “força da reconciliação” são o caminho para a paz no Médio Oriente, no Iraque e na Ucrânia, três “áreas de crise” que Francisco apontou após a reza da oração mariana do Ângelus, diante de milhares de fiéis reunidos na praça de São Pedro, num domingo ensolarado e quente.

“Peço-vos para que continueis a unir-vos à minha oração para que o Senhor conceda à população e às autoridades daquelas áreas a sabedoria e a força necessária para avançar com determinação no caminho da paz, enfrentando todas as injúrias com a firmeza do diálogo e da negociação e com a força da reconciliação”, disse o Papa com voz pausada mais firme.

“Irmãos e irmãs, jamais a guerra, jamais a guerra”, pediu o Papa, pensando, sobretudo, nas crianças “a quem se destrói a esperança de uma vida digna no futuro”. “Terminai, por favor. Peço-vos com todo o coração. É a hora de terminar. Terminai, por favor”, insistiu o Papa visivelmente emocionado. Francisco sublinhou que “todas as decisões” têm de ser tomadas tendo em conta o “bem comum e o respeito por todas as pessoas” e não os “interesses particulares?”.

No encontro dominical com os peregrinos e turistas que se encontram em Roma, o Papa recordou também o centésimo aniversário do início da Primeira Guerra Mundial, um “massacre inútil”, que “causou milhões de vítimas e muita destruição” e que, após “quatro longos anos”, deixou uma “paz frágil”. “Recordando este trágico acontecimento, espero que não se repitam os erros do passado, mas se tenha presente a lição da história, fazendo sempre prevalecer as razões da paz através de um diálogo paciência e corajoso”, afirmou Francisco. O Papa destacou que esta segunda-feira, quando se assinala o aniversário do início do conflito, “será uma jornada de luto na recordação deste drama”.

Antes da oração mariana, Francisco comentou o Evangelho deste domingo, que narra duas parábolas onde o Reino de Deus é comparado a um tesouro escondido num campo e à procura de uma pérola preciosa. Para o Papa, cada um deve “procurar Jesus, encontrar Jesus” porque Ele é o “grande tesouro”. Francisco sublinhou que cada um deve andar com um dos livros dos Evangelhos e “ler uma página todos os dias”. “Lendo um passo, encontraremos Jesus”, destacou o Papa, este domingo, no Vaticano.
SIR

Dom Cláudio Hummes fala do amigo Francisco


Porto Alegre, 27 jul (Zero Hora) - Auri Afonso virou Cláudio aos 18 anos, ao ingressar na Ordem Franciscana dos Frades Menores, numa época em que a mudança de nome era obrigatória e simbolizava uma página virada.

Mas o rascunho da carreira religiosa do gaúcho, que chegaria a ser um dos favoritos à sucessão do papa João Paulo II, havia começado a ser escrito muito antes. Precocemente, aos nove anos, quando ele descobriu a vocação ao ser conquistado pelas vestes de um franciscano.

No ano passado, quando o mundo se surpreendeu com o anúncio do primeiro papa latino-americano, dom Cláudio Hummes apareceu sorrindo ao lado do argentino Jorge Bergoglio, um jesuíta que, inspirado pelo cardeal brasileiro, escolheu justamente se chamar Francisco. Arcebispo emérito de São Paulo, Hummes foi apontado como o principal articulador da eleição de Bergoglio.

Prestes a completar 80 anos, Hummes faz nesta entrevista uma avaliação positiva do pontificado de Francisco, com quem troca cartas e se reúne quando viaja a Roma. Fala sobre temas polêmicos como celibato, pedofilia e casamento gay e diz confiar que o Papa fará reformas necessárias na Igreja, mas pede paciência.

Que avaliação o senhor faz desses 16 meses de pontificado de Francisco?

Muito positivamente. Todos sabemos que ele foi um grande presente para a Igreja. É de uma vitalidade, de uma capacidade de sentir, de viver a realidade, de se aproximar das pessoas e de entrar na vida delas. Ele tem um carisma extraordinário e um grande amor aos pobres. Para ele, é fundamental que a Igreja consiga ir às periferias, ir até os que estão fora de todo o grande processo humano, que progride. Na escolha do nome, ele afirma isso, porque São Francisco de Assis é o homem dos pobres, da paz e da ecologia.

No conclave, o senhor estava sentado ao lado de Bergoglio. Quando ele obteve dois terços dos votos, foi um dos primeiros a cumprimentá-lo e disse a frase que inspirou a escolha do nome Francisco: "Não se esqueça dos pobres". O que passou pela sua cabeça naquele momento?

Não podia contar isso, porque é segredo do conclave, mas o Papa, uma vez eleito, não está mais sujeito ao segredo do conclave. Assim que ele teve os votos suficientes, houve aquele aplauso, eu o abracei — ele estava sentado à minha direita — e disse no ouvido dele isso que me veio na hora. Não tinha preparado nada. Sempre digo que foi o Espírito Santo que falou, porque não imaginava que tivesse tal repercussão dentro dele. Acho que, se queremos ser fiéis a Jesus Cristo, não podemos nos esquecer dos pobres. O Papa constantemente reza pela paz e, agora, está escrevendo uma encíclica sobre ecologia.
SIR