Dia 21 de Janeiro - Terça-feira
SANTA INÊS - VIRGEM E MÁRTIR
(Vermelho, Prefácio Comum ou dos Santos – Ofício da Memória)
Antífona da entrada: Esta é uma virgem sábia, do número das prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa.
Oração do dia
Deus eterno e todo-poderoso, que escolheis as criaturas mais
frágeis para confundir os poderosos, dai-nos, ao celebrar o martírio de
santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé. Por Nosso Senhor
Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (1 Samuel 16,1-13)
Leitura do primeiro livro de Samuel.
16 1 O Senhor disse-lhe: “Até quando
chorarás tu Saul, tendo-o eu rejeitado da realeza de Israel? Enche o teu
corno de óleo. Vai; envio-te a Isaí de Belém, porque escolhi um rei
entre os seus filhos”.
2 Samuel respondeu: “Como hei de ir? Se Saul souber,
matar-me-á”. O Senhor disse: “Levarás contigo uma novilha e dirás que
vais oferecer um sacrifício ao Senhor.
3 Convidarás Jessé ao sacrifício, e eu te mostrarei o que deverás fazer. Ungirás para mim aquele que eu mandar”.
4 Fez Samuel como o Senhor queria. Ao chegar a Belém, os
anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, inquietos: “É de paz a tua
vinda?”, perguntaram-lhe.
5 “Sim”, disse ele; “venho oferecer um sacrifício ao Senhor;
purificai-vos para a cerimônia”. Ele mesmo purificou Jessé e seus filhos
e os convidou ao sacrifício.
6 Logo que entraram, Samuel viu Eliab e pensou consigo: “Certamente é esse o ungido do Senhor”.
7 Mas o Senhor disse-lhe: “Não te deixes impressionar pelo
seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O
que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha
o coração”.
8 Jessé chamou Abinadab e fê-lo passar diante de Samuel. “Não é tampouco este”, pensou Samuel, “que o Senhor escolheu”.
9 Jessé fez passar Sama. Não é ainda este que escolheu o Senhor, pensou Samuel.
10 Jessé mandou vir assim os seus sete filhos diante do profeta, que lhe disse: “O Senhor não escolheu nenhum deles”.
11 E ajuntou: “Estão aqui todos os teus filhos?”
“Resta ainda o mais novo”, confessou Jessé, “que está pastoreando as
ovelhas”. Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos poremos à
mesa antes que ele esteja aqui”.
12 E Jessé mandou buscá-lo. Ele era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. O Senhor disse: “Vamos, unge-o: é ele”.
13 Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio
dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor
apoderou-se de Davi. Samuel, porém, retomou o caminho de Ramá.
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 88/89
Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.
Outrora vós falastes em visões a vossos santos:
“Coloquei uma coroa na cabeça de um herói
e do meio deste povo escolhi o meu eleito”.
Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor,
e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado.
Estará sempre com ele minha mão onipotente,
e meu braço poderoso há de ser a sua força.
Ele, então me invocará: `Ó Senhor, vós sois meu Pai,
sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontra a salvação!´
e por isso farei dele o meu filho primogênito,
sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo.
Evangelho (Marcos 2,23-28)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê do saber o Espírito; para que
conheçais a esperança, reservada para vós como herança! (Ef 1,17s)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
2 23 Num dia de sábado, o Senhor caminhava pelos campos e seus discípulos, andando, começaram a colher espigas.
24 Os fariseus observaram-lhe: "Vede! Por que fazem eles no sábado o que não é permitido?" Jesus respondeu-lhes:
25 "Nunca lestes o que fez Davi, quando se achou em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
26 Ele entrou na casa de Deus, sendo Abiatar
príncipe dos sacerdotes, e comeu os pães da proposição, dos quais só aos
sacerdotes era permitido comer, e os deu aos seus companheiros."
27 E dizia-lhes: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado;
28 e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado."
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A QUESTÃO DO SÁBADO
A guarda do sábado era um ponto fundamental na piedade judaica. A
tradição rabínica, porém, interpretou esta tradição de maneira tão
severa a ponto de transformar o descanso sabático num verdadeiro
tormento. Era preciso manter-se muito atento para não fazer, naquele
dia, atividades proibidas.
A prática de Jesus foi na contramão da mentalidade em voga. Ele se
mostrou perfeitamente livre diante do repouso sabático. Para Jesus, o
sábado não se definia por um rosário de não se pode fazer ou é proibido
fazer. O tempo sagrado não eximia ninguém de fazer a vontade do Pai. Por
isso, mesmo em dia de sábado, ele atuava normalmente quando se tratava
de fazer o bem ou quando a vida humana corria perigo.
O sábado, no horizonte de Jesus, estava em função do ser humano, para
quem ele foi instituído. É tempo de repousar e recuperar as forças,
tempo de celebrar e louvar a Deus com a comunidade, tempo de cessar o
trabalho para conviver. Segundo este princípio, nada existe de
inconveniente providenciar o alimento em dia de sábado, mesmo
contrariando as normas em vigor. Se, num dia de sábado, colhe-se espigas
para comer e matar a fome, embora seja proibido fazer colheita, não
importa. Loucura seria morrer de fome, tendo o alimento à mão, só para
cumprir a lei. Jesus não pactua com tal estreiteza.
Oração
Senhor Jesus, livra-me das interpretações estreitas da lei e
dá-me abertura de mente para, em tudo, adequar meu agir ao querer do
Pai.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório –
Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e
disponibilizado neste Portal a cada mês).
Sobre as oferendas
Ó Deus, ouvi as nossas preces, ao proclamarmos as vossas
maravilhas em santa Inês, e, assim como vos agradou por sua vida, seja
de vosso agrado o nosso culto. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da comunhão: Eis que vem o esposo, ide ao encontro de Cristo, o Senhor! (Mt 25,6).
Depois da comunhão
Senhor nosso Deus, fortalecidos pela participação nesta
eucaristia, fazei que, a exemplo de santa Inês, nos esforcemos por
servir unicamente a vós, trazendo em nosso corpo os sinais dos
sofrimentos de Jesus. Por Cristo, nosso Senhor.
Santo do Dia / Comemoração (SANTA INÊS)
O nome "Agnes", para nós Inês, em grego significa pura e
casta, enquanto em latim significa cordeiro. Para a Igreja, Santa Inês é
o próprio símbolo da inocência e da castidade, que ela defendeu com a
própria vida. A idéia da virgindade casta foi estabelecida na Igreja
justamente para se contrapor à devassidão e aos costumes imorais dos
pagãos. Inês levou às últimas conseqüências a escolha que fez à esses
valores. É uma das Santas mais antigas do cristianismo. Sua existência
transcorreu entre os séculos três e quatro, sendo martirizada durante a
décima perseguição ordenada contra os cristãos, desta vez imposta pelo
terrível imperador Diocleciano, em 304.
Inês pertencia à uma rica, nobre e cristã família romana. Isso lhe
possibilitou receber uma educação dentro dos mais exatos preceitos
religiosos, o que a fez tomar a decisão precoce de se tornar "esposa de
Cristo". Tinha apenas 13 anos quando foi denunciada como cristã.
Dotada de uma beleza incomum, recebeu inúmeros pedidos de casamento,
inclusive do filho do prefeito de Roma. Aliás, essa foi a causa que
desencadeou seu suplício e uma violenta perseguição contra os cristãos. A
narração que nos chegou conta que o rapaz, apesar das negativas da
jovem, tentava corteja-la. Seu pai indignado com as constantes recusas
que deixavam seu filho inconsolável, tentou forçar que Inês aceitasse
seu filho como esposo, mas tudo em vão. Numa certa tarde de tempestade, o
rapaz tentou toma-la nos braços, mas foi atingido por um raio e caiu
morto aos seus pés. Quando o prefeito soube, procurou Inês com humildade
e lhe implorou que pedisse a seu Deus pela vida de seu filho. Ela
erguendo as mãos e voltando os olhos para o céu orou para que Nosso
Senhor trouxesse o rapaz de volta à vida terrena, mostrando toda Sua
misericórdia. O rapaz voltou e percebendo a santidade de Inês se
converteu cristão. Porém, seu pai, o prefeito, viu aquela situação como
um sinal de poder dos cristãos e resolveu aplicar a perseguição,
decretada por Diocleciano, de modo implacável.
Inês, segundo ele, fora denunciada e por isso teria de ser enviada
para a prisão. Mesmo assim, ela nunca tentou se livrar da pena em troca
do casamento que fora proposto em nome do filho do prefeito e muito
menos negou sua fé em Cristo. Preferiu sofrer as terríveis humilhações
de seus carrascos, que estavam decididos a fazê-la mudar de idéia
através da força. Arrastada violentamente até a presença de um ídolo
pagão, para que o adorasse, Inês se manteve firme em suas orações à
Cristo. Depois foi levada à uma casa de prostituição, para que fosse
possuída à força, mas ninguém ousou tocar sequer num fio de seu cabelo,
saindo de lá na mesma condição de castidade que chegou.
Cada vez mais a situação ficava fora do controle das autoridades
romanas e o povo estava se convertendo em massa. Para aplacar os ânimos
Inês foi levada ao Circo e condenada à fogueira, mas o fogo
prodigiosamente se abriu e não a queimou. Assim, o prefeito decretou que
fosse morta por decapitação a fio de espada, naquele exato momento. Foi
dessa maneira que a jovem Inês testemunhou sua fé em Cristo.
Seu enterro foi um verdadeiro triunfo da fé; seus pais, levaram o
corpo de Inês, e o enterraram num prédio que possuíam na estrada que de
Roma conduz a Nomento. Nesse local, por volta do ano de 354, uma
Basílica foi erguida a pedido da filha do imperador Constantino, em
honra à Santa. Trata-se de uma das mais antigas de Roma, na qual
encontram-se suas relíquias e sepultura. Na arte, Santa Inês é comumente
representada com uma ovelha, e uma palma, sendo que a ovelha sugere sua
castidade e inocência.
Sua pureza martirizada faz parte, até hoje, dos rituais da Igreja.
Todo ano, no dia de sua veneração, em 21 de janeiro, é realizada na
Basílica de Santa Inês, fora dos muros do Vaticano, uma Missa solene
onde dois cordeirinhos brancos, ornados de flores e fitas são levados
para o celebrante os benzer. Depois os mesmos são apresentados ao Papa,
que os entrega a religiosas encarregadas de os guardar até a época da
tosquia. Com sua lã são tecidos os pálios que, na vigília de São Pedro e
São Paulo, são colocados sobre o altar da Basílica de São Pedro.
Posteriormente esses pálios são enviados à todos os arcebispos do mundo
católico ocidental e eles os recebem em sinal da obediência que devem à
Santa Sé, como centro da autoridade religiosa.