Então podemos exigir que todo mundo trabalhe?

Ofereço oportunidade de trabalho para quem quer ganhar o pão ou simplesmente nego o pão?
Por João Batista Nunes Coelho
É tema sempre atual. Será que temos obrigação de sustentar mendigos
que não querem trabalhar embora possam? É um questionamento comum,
especialmente a pessoas que batalham para ganhar o pão de cada dia e são
surpreendidas por pedintes.
Necessitados? O apóstolo se deparou com esta realidade.
O que ensinou sobre isto? “Quando estávamos convosco, nós vos dizíamos
formalmente: Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer.11
Entretanto, soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só
se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios.12 A esses
indivíduos, ordenamos e exortamos a que se dediquem tranquilamente ao
trabalho para merecerem ganhar o que comer” (2Ts 3,10-12). Que
atualidade este contexto! Enquanto vivemos neste mundo, nossa missão é
trabalhar para nosso sustento e sustento de quantos de boa vontade
pudermos ajudar.
Peso. É preciso não sermos pesados, se podemos não
sê-lo. "Não temos vivido entre vós desregradamente,8 nem temos comido de
graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e
dia, para não sermos pesados a nenhum de vós" (2Ts 3,7-8). Trabalhar
para viver. E viver para o trabalho, vale? Não vale. Mas é o que muitos
fazem hoje. É perigoso viver só pensando em trabalho, em conquistar,
esquecendo-se de cultivar a vida espiritual. Pode-se cair no vazio. É um
perigo. Precisamos, além de batalhar, também ter fé e sermos constantes
nela. 19 É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação (Lc
21,19). Essa dedicação também ao lado espiritual da vida, pode não ser
compreendida pelos que nos cercam.
Chacotas. Se podemos até não sermos odiados, como
acontece em certos países, podemos sofrer discriminação, chacota. Quem
nunca ouviu alguma piadinha sem graça, em relação aos que se dedicam à
fé cristã? Não é raro, isso. Num mundo materialista como o nosso é
difícil dar testemunho de fé. Quantos de nós damos? Quantos se acovardam
por causa da pressão social? “Sereis odiados por todos por causa do meu
nome” (Lc 21,17). Contudo o Senhor nos garante: não se perderá um só
cabelo da vossa cabeça (L 21,18). Não obstante as tribulações do mundo
materializado, consumista, regido pelo prazer, é preciso adorar a Deus.
Reverenciar. Não importa o que os outros deixem de
fazer. Aqueles que vivem apenas para este mundo, para o prazer, para
conquistas materiais, parece que vivem melhor. Você nunca achou isso?
Pode parecer. E os que reverenciam o Senhor, vão continuar no final da
fila, sofrendo? Para os que reverenciam o Senhor, está reservada melhor
sorte: “Sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol de justiça
que traz a salvação em seus raios. Saireis e saltareis, livres como os
bezerros ao saírem do estábulo” (Ml 3,20). Deus proporciona alegrias. E
sabe de onde vêm as grandes alegrias? Da doação, da generosidade.
Certamente recompensará por ajudarmos aqueles que querem oportunidade de
trabalhar, de vencerem na vida. A constância na fé e a dedicação ao
trabalho, são caminhos que nos conduzem a Deus. “É pela vossa
constância que alcançareis a vossa salvação” (Lc 21,19).
Esmola. Caminha com a oração. Reverenciando ao Senhor,
certamente saberemos distinguir aqueles que precisam de ajuda embora
labutem para não serem pesados aos outros, e aqueles que se acomodam na
vadiagem. Possivelmente a esmola dada até a estes últimos, tenha seu
valor diante de Deus. Quem somos nós para julgar! Contudo, estes e todos
nós, não podemos esquecer a exortação paulina: “Entretanto, soubemos
que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em
intrometer-se em assuntos alheios.12. A esses indivíduos ordenamos e
exortamos a que se dediquem tranquilamente ao trabalho para merecerem
ganhar o que comer” (2Ts 3,10-12).
Então podemos exigir que todo mundo trabalhe? Talvez, mas um instante:
também é verdade que é pelo socorro ao próximo - e Jesus não colocou
distinção se ele é vadio ou não - que seremos julgados. Veja só::
38Quando foi que te vimos como forasteiro, e te recebemos em casa, sem
roupa, e te vestimos? 39 Quando foi que te vimos doente ou preso, e
fomos te visitar?’ 40 Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, vos
digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que
são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ (Mt 25). Embaralhou tudo,
não? É possível, para alguns. No entanto, o Mestre está aí para
iluminar nosso discernimento.
Que o Ele nos ensine a trabalhar e a praticar a caridade!
EU DIANTE DA PALAVRA
Trabalhar
“10 Aliás, quando estávamos convosco, nós vos dizíamos formalmente: Quem
não quiser trabalhar, não tem o direito de comer.11. Entretanto,
soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se
preocupam em intrometer-se em assuntos alheios.12. A esses indivíduos
ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para
merecerem ganhar o que comer” (2Ts 3,10-12).
Ofereço oportunidade de trabalho para quem quer ganhar o pão ou simplesmente nego o pão?
Constância
“18 Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
19 É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação” (Lc 21,19).
Desanimo facilmente?
Odiados por causa da fé
“17 Sereis odiados por todos por causa do meu nome” (Lc 21,17).
Evito manifestar claramente que creio?
Os reverenciadores de Deus sobreviverão
“20 Mas, sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol de justiça
que traz a salvação em seus raios. Saireis e saltareis, livres como os
bezerros ao saírem do estábulo” (Ml 3,20).
Meu modo de vida demonstra minha reverência a Deus?
MINHA PRECE
Ó Deus, guardai-me sob vossa proteção
Para eu ser constante na fé.
Que as tribulações do dia a dia não me afaste de vós.
A constância me conduza.
Através dela ganharei a salvação.
Que o sol da justiça brilhe sobre mim,
E eu sempre reverencie o vosso nome.
Assim seja.
* Reflexão sobre as leituras do 33º domingo do tempo comum.