terça-feira, 10 de setembro de 2013

A diplomacia da caridade

O ponto de vista de Francisco se enraíza em uma original "diplomacia da caridade". O que importa não são abstratamente a justiça, a paz ou outros princípios. É decisivo colocar-se do lado das vítimas.

Por Agostino Giovagnoli

Da dor de Francisco pelo que está acontecendo na Síria brotou um ato de grande audácia. De fato, o papa expressou uma severa condenação contra o uso das armas químicas: "Eu ainda tenho fixas na mente e no coração as terríveis imagens", em particular as das crianças. E, a propósito de quem as utiliza, presumivelmente Bashar al-Assad, ele acrescentou palavras terríveis: "Há um julgamento de Deus e também da história sobre as nossas ações, dos quais não podemos fugir".

E, nesse domingo, voltou a condenar os conflitos com palavras que trazem à baila também os grandes interesses econômicos: "As guerras são feitas apenas para vender armas". Mas também disse que guerra chama guerra, e que violência chama violência. Nesse caso, a crítica refere-se à intervenção militar anunciada por Obama. E a Putin, ele escreveu palavras que claramente dizem respeito ao próprio presidente russo: "Muitos interesses de parte têm prevalecido desde quando iniciou o conflito sírio, impedindo que se encontre uma solução que evite o inútil massacre a que estamos assistindo".

O humilde papa que veio do fim do mundo, em suma, dirigiu, ao mesmo tempo, palavras de fogo a todos os poderosos da terra. O que o levou a tal audácia? O confronto entre as posições norte-americanas e as de Francisco foi reconduzido à relação entre os dois princípios da justiça e da paz, ponto crucial do pensamento ético-político ocidental. Se se quer afirmar a primeira, é necessário recorrer à força, mas isso contrasta com a segunda, que implica, ao invés, diálogo, negociações, mediações.

Obama falou da intervenção militar como de um ato de justiça, consequência obrigatória do emprego de armas vetadas pelas regras internacionais. A iniciativa de Francisco, ao contrário, reabriu a discussão sobre o magistério pontifício contemporânea sobre o tema da paz, da Pacem in Terris de João XXIII, ao grito de Paulo VI na ONU – "Nunca mais a guerra", retomado no Ângelus do dia 1º de setembro –, do apoio de João Paulo II à intervenção humanitária nos Bálcãs, à oposição muito firme desse mesmo papa à guerra no Iraque.

Notou-se que a condenação da guerra não foi absoluta e constante no papado contemporâneo, embora tenham diminuído cada vez mais as motivações que justificam a "guerra justa". Questionou-se, por isso, se Francisco dará o passo definitivo, banindo a guerra sempre e de todas as formas. O ponto de vista de Francisco, porém, é diferente e se enraíza em uma original "diplomacia da caridade".

O que importa não são abstratamente a justiça, a paz ou outros princípios, embora importantes: é decisivo, ao contrário, colocar-se do lado das vítimas. Na Síria, grande parte da população já sofre há anos enormes sofrimentos, e hoje uma intervenção armada não aliviaria e não impediria outras. O mesmo espírito anima a parte da carta a Putin dedicada à economia, em que Francisco pede que os grandes da terra "permitam uma vida digna a todos os seres humanos, dos mais idosos às crianças ainda no ventre materno, não só aos cidadãos dos países membros do G20, mas a todo habitante da Terra, até mesmo àqueles que se encontram nas situações sociais mais difíceis ou nos lugares mais remotos".

A diplomacia do papa Francisco, em outras palavras, é uma diplomacia a serviço dos pobres, das vítimas da guerra àqueles que sofrem fome, em nome dos quais ele interpela aos poderosos da terra.

O nó da relação entre justiça e paz, por isso, também ser desfeito colocando-se do ponto de vista dos pobres: muitas vezes, o uso da força para punir aqueles que violam a justiça tem pouca utilidade para eles, enquanto frequentemente são eles que sofrem mais a guerra e, por outro lado, se beneficiam menos da paz. Mas não se trata de regras rígidas, somente de lições que vêm da experiência, e, em todo o caso, a escolha deve ser feita segundo as circunstâncias históricas concretas. Por isso, o jejum não é acessório: constitui um apelo às consciências, para que todos assumam as suas próprias responsabilidades, renunciando à indiferença e ao interesse.

Foram os pobres, portanto, que deram a Francisco a força para discutir em pé de igualdade com os grandes da terra, de Obama a Putin, sem medo de criticá-los. O governo norte-americano respondeu com arrogância que o papa representa apenas a Igreja Católica. Mas é uma resposta precipitada. A mobilização de muitos – não só católicos, mas também outros, como os muçulmanos sírios – pela iniciativa de oração e jejum não constitui um evento irrelevante. E são bilhões aqueles que, em nome Francisco, tomaram a palavra, sem fazer distinções políticas, culturais ou religiosas: o povo muito vasto que vive nas periferias do mundo.

Também há, enfim, algo mais. O grito do papa revelou um vazio: nenhuma das diversas posições assumidas pelos governos ou pelas organizações internacionais sobre a questão síria parece hoje resolutiva. Portanto, se equivocariam as diplomacias subestimando quem é capaz de revelar o vazio da sua impotência.
La Repubblica, 09-09-2012.
*Agostino Giovagnoli é professor da Università Cattolica del Sacro Cuore, em Milão, e diretor do Departamento de Ciências Históricas da mesma instituição.

Bento XVI, o recurso a mais de Francisco


Francisco e Bento XVI: reclusão do papa emérito não é total.
Por Andrea Tornielli

Permanecerei "escondido para o mundo". Assim dissera Bento XVI aos padres romanos no último dia 14 de fevereiro, duas semanas antes de deixar o pontificado. Mas esse "escondimento" ao mundo, também por causa do afeto e dos convites do sucessor Francisco, não foi total.

Nesse domingo (8), pela primeira vez desde o momento da renúncia, o "papa emérito" vestido de branco celebrou a missa para os ex-alunos que anualmente se reúnem por alguns dias no fim do verão. Os pontos mais importantes da sua homilia, proferida de improviso em alemão, foram traduzidos e divulgados pela Rádio do Vaticano.

Homilia em sintonia com as palavras de Bergoglio, já que Ratzinger comentou o Evangelho em que Jesus convida à humildade e a escolher os últimos lugares. Homilia tornada pública, que confirma como esse "escondimento" não é total, nem corresponde a uma clausura, apesar do idoso pontífice emérito residir em um ex-convento.

Bento XVI, ajudado pelas quatro "memores Domini" do Comunhão e Libertação e pelo fidelíssimo Dom Georg, no duplo papel de secretário particular do ex-papa e prefeito da Casa Pontifícia do papa reinante, leva uma vida retirada, mas não monacal. Ele não escreve livros ou discursos, mas recebe visitas: de amigos, de conhecidos, de personalidades eclesiásticas e de leigos.

Alguns desses visitantes deram entrevistas públicas sobre as suas conversas, ou se limitaram a referi-las anonimamente, indo ao encontro de sonoros desmentidos, como aconteceu no caso recente referente à renúncia ao papado sobre a qual Ratzinger teria dito que havia sido "desejada" por Deus.

O papa emérito está semiescondido e não escondido, até porque, desde o primeiro encontro em Castel Gandolfo, o seu sucessor, Francisco, permitiu que se divulgassem as imagens deles dois juntos : o primeiro abraço, a oração juntos, o diálogo diante da mesinha com os documentos do Vatileaks.

A circunstância se repetiu quando Ratzinger retornou ao Vaticano, e, no dia 5 de julho, no dia em que era publicada a encíclica "a duas mãos", o papa Bergoglio quis ao seu lado o antecessor para a inauguração da estátua de São Miguel no Vaticano.

Francisco considera o emérito como um recurso. "É como ter o avô em casa, mas o avô sábio. Ele é um homem de uma prudência, mas não se intromete. Eu lhe disse muitas vezes: Santidade, receba, leve a sua vida, venha conosco...", disse Bergoglio no voo de volta do Rio de Janeiro.

Uma atenção também é demonstrada pela confirmação de Georg Gänswein como prefeito da Casa Pontifícia. Uma ponte cotidiana entre o papa no cargo e o seu antecessor demissionário e cada vez menos oculto.
Vatican Insider, 02-09-2013.

sábado, 7 de setembro de 2013

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS

Convocação

A PASTORAL  LITÚRGICA-  convoca para uma reunião dia 01.10.2013 – às 20h na Matriz, composta pelas seguintes comunidades/ grupos e movimentos:

- PROCLAMADORES DA PALAVRA – MINISTROS DA EUCARISTIA – ANIMADORES DAS CELEBRAÇÕES, ACOLHIDA – COLETA.

- COORDENADORES DAS COMUNIDADES: SANTO  ANTONIO DA BARRA, NOVO HORIZONTE ,NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS.  COMUNIDADE SENHORA   RAINHA,  COMUNIDADE   CHAMA,COMUNIDADE  TIMÓTEO E SANTA TEREZINHA .

-REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO DE MUSICA,

- REPRESENTANTE DOS ACÓLITOS, VICENTINOS, TERÇO DOS HOMENS.  EJC,  ECC,   PASCOM , OFICINA  DE  ORAÇÃO, APOSTOLADO DA ORAÇÃO , CATEQUESE E  COMIPA.

  OBS.  ESTA  REUNIÃO  FOI  SOLICITADA  POR   Pe.  PAULO SERGIO.
CONTAMOS  COM   A  PRESENÇA  DE  TODOS.

  

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Papa convoca vigília para amanhã pela paz na Siria


Milhares de pessoas são esperadas neste sábado (7) à noite na Praça de São Pedro para participar de uma vigília com o papa Francisco, que rezará pelo fim da crise na Síria. O público terá acesso ao local a partir das 16h30 (hora local), mas a vigília começará às 19h e deve terminar por volta da meia-noite.

O papa fez a convocação para a vigília na Oração do Angelus do último domingo (1º). "No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo", disse Francisco. Segundo ele, a humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança.

O apelo feito no domingo - não à guerra e sim à paz - será repetido amanhã, na abertura da vigília, que será encerrada com a bênção eucarística do papa Francisco.

A situação na Síria foi um dos assuntos abordados no primeiro compromisso do santo padre nesta sexta-feira, um encontro com o presidente da Bolívia, Evo Morales. Francisco e Morales conversaram também sobre a situação socioeconômica e religiosa na Bolívia e sobre a luta contra a desigualdade social e a pobreza. Em julho, no Rio, Morales esteve com o papa, na Jornada Mundial da Juventude, ao lado de outros líderes sul-americanos.
Agência Brasil

Os cristãos e as estruturas sociais


Roteiro Homilético

“Se Deus só serve para deixar tudo como está, não precisamos dele”: palavra de uma agente da educação popular. O Deus que é apenas o arquiteto do universo, mas fica impassível diante da injustiça dos habitantes de sua arquitetura, não tem relevância alguma. O cristianismo serve ou não para mudar as estruturas da sociedade?
São Paulo tinha um amigo, Filêmon. Este – como todos os ricos de seu tempo – tinha escravos, que eram como se fossem as máquinas de hoje. Um dos escravos, sabendo que Paulo tinha sido preso, fugiu de Filêmon para ajudar Paulo na prisão. Paulo o batizou (“o fez nascer para Cristo”). Depois o mandou de volta a Filêmon, recomendando que este o acolhesse, não como escravo, mas como irmão... Mais: como se ele fosse o próprio Paulo (2ª leitura).
Essa história é emocionante, mas nos deixa insatisfeitos. Por que Paulo não exigiu que o escravo fosse libertado, em vez de acolhido como irmão, continuando escravo? Aliás, a mesma pergunta surge ao ler outros textos do Novo Testamento (1Cor 7,21; 1Pd 2,18). Por que o Novo Testamento não condena a escravidão?
A humanidade leva tempo para tomar consciência de certas incoerências, e mais tempo ainda par encontrar-lhes remédio. A escravidão, naquele tempo, era uma forma de compensação de dívidas contraídas ou de uma guerra perdida. Imagine que se resolvesse desse jeito a dívida externa do Brasil! Seríamos todos vendidos (se já não é o caso...). Antigamente (?), a escravidão fazia parte da estrutura econômica. Na Idade Média, com os numerosos raptos praticados pelos piratas mouros, surgiram ordens religiosas para resgatar os escravos, até tomando o lugar deles. Mas ainda na época moderna, a Igreja foi conivente com a escravidão dos negros. A consciência moral cresce devagar, e mudar alguma coisa nas estruturas é mais demorado ainda, porque depende da consciência e das possibilidades históricas. As estruturas manifestam só aos poucos sua injustiça, e então leva séculos para transformá-las.
Porém, a lição de Paulo é que, não obstante essa lentidão histórica, devemos viver já como irmãos, vivenciando um espírito novo, que vai muito além das estruturas vigentes e que – como uma bomba-relógio – fará explodir, cedo ou tarde, a estrutura injusta. Novas formas de convivência social, voluntariados dos mais diversos tipos, organismos não governamentais, pastorais junto aos excluídos – a criatividade cristã pode inventar mil maneiras para viver já aquilo que as estruturas só irão assimilar muito depois.

O 'sim' ao jejum e o 'não' dos povos à guerra


Jejum de sábado: apelo do papa tornou-se evento mundial.
Por Claudio Sardo

A guerra na Síria, como as outras no Mediterrâneo, cresceram e semearam dezenas e dezenas de milhares de mortes também pela incapacidade do Ocidente e da Europa de se fazerem promotores de desenvolvimento e de coexistência. É hora de mudar de rumo. O tempo é agora.

Sim ao jejum do sábado pela paz. Acolhemos e relançamos o apelo do papa Francisco, que já se tornou um evento mundial. É preciso deter a guerra na Síria.

É preciso impedir que um ataque ocidental desencadeie uma reação devastadora e ingovernável, no Oriente Médio e além. É preciso abrir uma negociação para se chegar a uma solução política e enfrentar a emergência humanitária.

O jejum é repleto de fortes significados religiosos. No próximo sábado será uma oração comum dos pessoas de diversas fés. Mas o jejum também é um protesto civil, laico. Que testemunha os valores da não violência, da solidariedade, da unidade. Quem quer a paz deve logo se fazer um construtor de paz. É o momento de levantar forte esse grito. E de gritar juntos.

Mulheres e homens de fés, de culturas, de países distantes e diferentes. A guerra nunca será a solução. Ao contrário, no nosso tempo, pode gerar destruição e morte muito além de qualquer planejamento estratégico. O apelo do papa tornou-se, nestas horas – enquanto em São Petesburgo os líderes do G20 se reúnem –, o maior contrapeso mundial à guerra. Pode ser o gatilho pacífico de uma opinião pública sem fronteiras, que deseja a paz e quer agir por ela.

A guerra na Síria, como as outras no Mediterrâneo, cresceram e semearam dezenas e dezenas de milhares de mortes também pela incapacidade do Ocidente e da Europa de se fazerem promotores de desenvolvimento e de coexistência. É hora de mudar de rumo. O tempo é agora.

O jejum certamente não exonera as responsabilidades específicas dos governantes, mas um pouco da responsabilidade somos nós que devemos assumir.
L'Unità, 05-09-2013.

PROCLAMAS MATRIMONIAIS


PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS
ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE

 

07 e 08 de setembro de 2013


COM O FAVOR DE DEUS E DA SANTA MÃE A IGREJA, QUEREM SE CASAR:

·         LUIZ VITAL BEZERRA CAVALCANTI NETO
E
AURÉLIA PIETRINA DA COSTA ALBUQUERQUE

·         JOSÉ FRANCISCO BRITTO FRAGA
E
AMANDA CRISTINE GUIMARÃES ALCÂNTARA FRAGA

·         EDUARDO VIEIRA DE SOUZA
E
ANDRÉA MARIA DA SILVA

·         THIAGO BEZERRA LEITE CAVALCANTE
E
ÍTALA RAFAELA DA LUZ RIBEIRO

·         JACIEL GOMES DE ARAUJO
E
JULIANA CHAGAS DA SILVA

·         CAIZO DE OLIVEIRA
E
LUCICLEIDE FRANÇA DA SILVA

·         LANDERSON LUIZ SILVA PEREIRA
E
CAROLINA DE CASTROMENDONÇA

·         LUCIANO FONSECA VALERIANO
E
PRISCILLA DE OLIVEIRA PARENTE GARCIA

·         LUIZ FELIPE MUNIZ DACUNHA
E
DANIELA MEDICIS MARANHÃO LACERDA

·         CÉLIO MONTE DA  SILVA
E
TATIANA DANTAS FRANÇOSO

                       Quem souber algum impedimento que obste à celebração destes casamentos está obrigado em   consciência a declarar.