terça-feira, 6 de novembro de 2012

O banquete do Reino. Evangelho do Dia

Disse a Jesus um dos convidados: “Feliz daquele que se sentar à mesa no Reino de Deus!”


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Lucas 14,15-24 
A resposta ao convite do Reino não pode ser adiada indefinidamente. Nem é sensato ficar se desculpando, pois esta é uma forma de rejeitá-lo. A paciência de Deus tem limites. Seu projeto de salvação não será frustrado pela má vontade humana.

A parábola do banquete sublinha a necessidade de assumir uma atitude responsável diante do apelo de Deus. Os convidados para a festa eram pessoas de gabarito: latifundiários, pecuaristas, homens respeitáveis. Quando chamados para o banquete, cada qual encontrou uma desculpa. As preocupações mundanas impediu-os de participar da alegria do Reino de Deus. E o apelo de Deus ficou sem resposta, pois exigia que superassem o apego desmedido às suas propriedades e se abrissem para a partilha e a comunhão. Eis uma grave falta de consideração para com Deus.

Quem preparara o banquete não se deu por vencido: mandou que a sala ficasse cheia de todos quantos fossem encontrados pelo caminho: pobres, aleijados, cegos e coxos. Esses não tinham como recusar o convite, seja porque necessitavam de alimento, seja porque não tinham nada que os impedisse de ir imediatamente.

A conclusão é clara. Quem tem o coração apegado aos bens deste mundo não tem tempo para Deus. Só responde ao convite e participa das alegrias do Reino quem se coloca, como pobre, diante de Deus.

Oração
Senhor Jesus, dá-me um coração livre, que saiba desapegar-se de tudo quanto me impede de responder, imediatamente, ao teu chamado.

Sínodo: o diálogo possível entre fé e modernidade

O último Sínodo que reuniu bispos e teólogos foi muito importante por várias razões, principalmente porque o papa evocou novamente o Vaticano II e se fez perguntas que dizem respeito aos fiéis e aos leigos. É preciso entender que começou o tempo das contaminações entre diferentes, animados por sentimentos de caridade. Como Jesus a entendia. A análise é de Eugenio Scalfari, jornalista e fundador do jornal italiano La Repubblica.


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Foi muito importante o Sínodo que reuniu 250 bispos vindos dos cinco continentes junto com inúmeros teólogos e colaboradores. Importante pelo tema que deverá ter sequências concretas por parte de todas as dioceses católicas e refere-se a uma nova evangelização da fé da qual a Igreja sente uma necessidade extrema; mas também é importante porque coincidiu com o cinquentenário do Concílio Vaticano II.
Os bispos reunidos em Sínodo evocaram novamente o Concílio, mas o próprio papa o lembrou e junto com ele os relatores do Sínodo. Foram formuladas muitas perguntas e dadas muitas respostas; perguntas em alguns casos deliberadamente provocadoras, e respostas em grande medida discordantes entre si, assim como foram discordantes as interpretações sobre a essência do Vaticano II. Algumas intervenções foram feitas não só pelos bispos e pelos teólogos do Sínodo, mas também por teólogos e bispos que escreveram a respeito em jornais católicos e na impressa de informação e por leigos interessados nos temas em discussão.
Em suma, sobre o estado atual da Igreja Católica, a atenção do "povo de Deus", da hierarquia que o guia ou pretende guiá-lo e daqueles – crentes ou não crentes ou crentes de outras religiões – estão interessados no debate sobre os valores da religião, foi intensa. Também queremos aproveitar a oportunidade que a atualidade nos oferece e expressar a nossa avaliação.
Bento XVI divulgará em breve um novo livro seu sobre a figura de Jesus e publicamente já se fez duas perguntas: "Quem somos nós? O que é a Igreja?" Na atual crise de valores, essas perguntas interessam a todos muito além dos recintos das Igrejas cristãs, que, além disso, representam a religião historicamente mais enraizada no nosso continente, mesmo que seja justamente no Ocidente que a sua crise enraivece e é o Ocidente o objetivo territorial e cultural da nova evangelização, que o Sínodo lançou. Há, portanto, o suficiente delas para despertar o nosso interesse.
* * *
O Vaticano II durou três anos. O Concílio anterior havia ocorrido 90 anos antes e tivera como resultado mais visível a proclamação da infalibilidade do papa, além do acolhimento das indicações fornecidas poucos anos antes pelo Sílabo. A essência daquele imponente encontro de bispos e de teólogos foi o reforço do centralismo curial, isto é, de uma hierarquia verticalista, depositária da política da Santa Sé e do ensinamento católico, da interpretação das Escrituras, da formação do clero e do seu recrutamento, dos tribunais eclesiásticos. Tudo isso ocorria enquanto os Bersaglieri de La Marmora entravam na cidade do papa pela brecha de Porta Pia abatendo definitivamente o poder temporal da Igreja.
Noventa anos depois, o novo Concílio convocado por João XXIII com um objetivo que não é excessivo definir como oposto ao anterior: relançar o tema da pastoralidade e, ao mesmo tempo, com ele, o do confronto e o do diálogo com o pensamento moderno: uma inversão espetacular enriquecida por muitos outros temas confiados ao estudo de outras tantas comissões de bispos, de teólogos, de historiadores do pensamento religioso. Referiam-se à contribuição do laicato católico, a posição da mulher na Igreja, o celibato dos sacerdotes, a modificação a liturgia, a poda e a restauração da Cúria, a difusão das Escrituras entre os fiéis e, portanto, a relação direta dos fiéis com Deus, sem mais o monopólio da interpretação sacerdotal.
Em suma, um impulso à renovação que causou fugas para a frente e fugas para trás dentro do Concílio e fora dele. Enquanto isso, o Papa Roncalli morrera. Paulo VI, que o sucedeu, tentou impedir e também gerir tanto o radicalismo dos inovadores quanto o dos tradicionalistas radicais. Em parte, ele conseguiu isso, embora tenha se verificado o pequeno cisma dos lefebvrianos concentrado na liturgia, na missa celebrada não mais em latim, mas sim nas línguas faladas nos vários países e no celebrante voltado para a plateia dos fiéis e não mais ao tabernáculo com os fiéis às suas costas.
Não era apenas uma questão de forma, mas também de substância: a liturgia, de fato, havia sido, por muitos séculos, a proteção bem selada da ritualidade tradicional. A sua inovação abrira essa proteção e havia liberado uma criatividade que, de algum modo, redescobria o papel essencial do "povo de Deus" com relação aos sacerdotes e à hierarquia. A pastoralidade tornava-se o elemento essencial e, também, a pregação de Cristo e dos apóstolos, assim como as Escrituras a haviam transmitido, nas diversas leituras que delas se podiam fazer.
Para os inovadores mais radicais, essa abertura da liturgia à criatividade significava algo mais: o rito se tornava subordinado à pastoralidade, isto é, ao diálogo entre as almas. E Deus perdia algumas de suas conotações adquirindo outras. Deus perdia as conotações da nacionalidade, perdia sobretudo o pertencimento a esta ou àquela Igreja cristã e até mesmo a esta ou aquela religião monoteísta. O Deus transcendente não podia ser reivindicado como católico, ou luterano, ou mórmon, ou batista, mas também nem mesmo como judeu, nem como muçulmano. Deus era ecumênico, o Vaticano II havia proclamado o ecumenismo e o diálogo entre as diversas religiões como um objetivo fundamental, também havia aberto o diálogo com os não crentes. De um lado, com finalidade de proselitismo; de outro, como confronto de almas com relação às suas crenças ou não crenças.
Permanecia firme a fé no Cristo encarnado em Jesus de Nazaré, no seu sacrifício e na sua ressurreição. Permanecia o mistério trinitário, desconhecido para as outras duas religiões monoteístas. Mas, em torno desse pilar, havia e há um espaço muito amplo para o diálogo, o debate e o encontro.
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A rememoração do Vaticano II tornou atual um outro tema nada secundário: a apostolicidade da Igreja Católica. Se essa palavra tem um sentido – e certamente o tem – significa que a palavra dos Bispos reunidos em suas sedes específicas seguramente é consultiva, mas também pode levar a deliberações que a hierarquia deverá tornar operativas.
O Papa Ratzinger, que na época do Vaticano II foi um dos mais fervorosos defensores dos seus conteúdos inovadores, aproveitou a ocasião do Sínodo dos últimos dias para enfatizar que a Igreja Católica não é e não deve ser uma Igreja conciliar; os Concílios, na visão do papa, são apenas órgãos consultivos, assim como os Sínodos e os Bispos individuais titulares de Dioceses. O papa sempre será muito sensível às suas sugestões, mas não se trata, de modo algum, de órgãos "constituintes". Mesmo que proclamem novos dogmas, esses dogmas já terão sido deliberados pelo Vigário de Cristo, e o Concílio funcionará apenas como "amplificador" do que já foi elaborado e deliberado por quem se senta no trono de Pedro.
Sobre esse ponto, no entanto, o debate está aberto, e quem o pôs no centro das suas reflexões foi Carlo Maria Martini, que faleceu recentemente.
Martini partia de um dado surpreendente: em 2.000 anos de história do Cristianismo católico, os Concílios foram 21, com uma média de um a cada cem anos. Mas a média, como sempre acontece na estatística, esconde uma realidade histórica bastante surpreendente: os 21 Concílios se adensaram em certos períodos e em outros, de fato, não foram realizados. Ocorreram três ou quatro na virada dos séculos III e IV; outros na virada dos séculos X e XI; outros ainda dois séculos depois. Enfim, houve o Concílio de Trento e depois um salto de quase 300 anos, até o Vaticano I e, no meio disso, um Concílio-farsa desejado por Napoleão.
Uma Igreja organizada dessa forma pode se definir apostólica? Os Bispos são os descendentes dos apóstolos no mesmo título pelo qual o sucessor de Pedro é o vigário de Cristo na terra. Sem entrar no polêmico assunto de se se trata de órgãos consultivos ou deliberativos, o fato é que deveriam ser convocados (mas também podem se autoconvocar) com maior frequência e regularidade. Uma das propostas martinianas foi um Concílio por ocasião de cada Jubileu e, no intervalo, múltiplos Sínodos.
Uma Igreja desse tipo teria uma capacidade de ecumenismo muito maior do que a atual e veria aumentar o peso do laicato católico, dos oratórios em comparação com as paróquias, da liberdade religiosa tornada mais fértil pela estreita convivência entre as várias Igrejas cristãs, além das outras duas religiões monoteístas. Se o papa, como Bispo de Roma, recebesse a sua proeminência desse título e não apenas do Conclave cardinalício, e se Consistórios também assumissem um espaço consultivo mais amplo, a Cúria se configuraria como uma espécie de Intendência e não como a sede efetiva do poder católico.
São questões muito delicadas. Não há dúvida alguma de que a Igreja não duraria 2.000 anos sem arquitetura centralista, mas igualmente também não há dúvida de que essa arquitetura a envolveu em um "temporalismo" que muitas vezes distorceu as suas funções e traiu justamente aquela pregação evangélica e aquela pastoralidade que deveriam representar a substância do Cristianismo. A Igreja das Cruzadas, a Igreja corrupta e simoníaca que fez um indigno espetáculo entre os séculos XV e XVII, a Igreja-Estado que foi o principal obstáculo para o nascimento falho da nação italiana, a sua participação nas guerras na Europa subordinada às vezes à Espanha e às vezes à França, e, enfim, as fogueiras da Inquisição e das bruxas não são breves episódios dos quais seja possível se arrepender. A instituição-Igreja preservou a pregação e a pastoralidade por 2.000 anos, já o dissemos, mas o seu custo foi altíssimo e continua em formas felizmente muito mais atenuadas, mas ainda assim responsáveis pela secularização e pelo afastamento da Europa do ícone do Cristo crucificado e depois ressuscitado.
Se justamente a Europa se tornou terra de missão e de nova evangelização, deve haver um motivo. A arquitetura distorcida da religião não é apenas o único, mas certamente é um dos principais.
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Enfim, o diálogo com a modernidade. Não é e não será um diálogo fácil. A modernidade é uma época que combateu o absoluto colocando em seu lugar o relativismo. Destronou a metafísica, ressaltou a autonomia da consciência e o desejo do conhecimento. Confiou a ética à responsabilidade autônoma do indivíduo.
Um diálogo é desejável, mas dificilmente poderá levar a resultados positivos se a Igreja mantiver firmes as estacas dos princípios inegociáveis.
O único princípio inegociável do ponto de vista da Igreja é o Cristo, filho de Deus. Aconteceu-me, como velho secular não crente, de me encontrar com um sacerdote como Carlo Maria Martini com sua fé inabalável em um Cristo ressuscitado, por ele definido como "sempre ressurgente", portanto, não um ícone imóvel, mas sim uma presença dinâmica a ser reconquistada cotidianamente.
A esse Cristo sempre ressurgente, eu não contrapus, mas coloquei ao lado Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, pregador e profeta dos fracos, dos oprimidos e dos excluídos, filho do homem.
Esse e não outro é o diálogo possível entre a modernidade e a Igreja. O tempo das evangelizações acabou, e começou o tempo das férteis contaminações entre diferentes, animados por sentimentos de caridade. A caridade como Jesus a entendia quando exortava a amar o próximo como se ama a si mesmo. Para ele, esse era o único modo de adorar o Deus de todos e de cada um. Para nós, é a visão do mundo dos justos, uma utopia que pode se realizar se cada um de nós quiser.
Eugenio Scalfari, jornalista e fundador do jornal italiano La Repubblica, 25-10-2012.

A verdadeira generosidade



A observação de Jesus faz parte de uma crítica aos escribas que ensinam a Lei, entretanto exploram os pobres e “devoram as casas das viúvas” (Mc 12,38-41). Como? Induzindo as viúvas a entregar em herança as suas moradias em troca de uma mixuruca assistência?
Não se sabe com exatidão a que Jesus se refere, mas sua observação constitui uma crítica violenta à generosidade calculista que encontramos em nossa sociedade hoje. Em vez de praticar a justiça social, em vez de fazer (e aplicar) leis que garantam a distribuição equitativa dos bens, a sociedade mantém um sistema de beneficência paternalista, que justifica lucros maiores. As esmolas até se podem descontar do imposto...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A retribuição divina. Evangelho do Dia

"Quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos."


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Lucas 14,12-14
O Reino insere, no coração humano, preocupações que superam a visão mundana da vida. Ele toca, até mesmo, coisas muito simples, qual seja a lista de convidados para um almoço ou jantar. Quem não pensa segundo o Reino, será levado a convidar pessoas que, no futuro, poderão retribuir-lhe o convite. Os ricos, neste caso, serão visados em primeiro lugar.

O discípulo do Reino, porém, parte de outro critério. Escolhe exatamente os pobres e os excluídos, aqueles que não terão condições de oferecer-lhe nada em troca. Basta-lhe a retribuição que o Senhor reservou para quem se deixou guiar pelo amor. Sua felicidade consistirá em compartilhar, em saciar a fome do próximo, em proporcionar um momento de prazer a quem vive sob o peso da rejeição social e de suas próprias limitações físicas, em valorizar quem vive na condição de resto da sociedade.

O coração do discípulo deve manter-se imune de segundas intenções. É possível fazer um banquete e convidar os pobres e excluídos, com a intuito de ter o nome estampado nos jornais e ser objeto da admiração alheia. O discípulo não tem um espírito demagógico. Sua opção pelos pobres é fruto da comunhão com sua causa, porque são os preferidos de Deus. Ao colocar-se do lado deles, o discípulo tem motivos para esperar a retribuição do Pai.

Oração
Senhor Jesus, tira do meu coração todo desejo de receber retribuições humanas, mas esperar somente a que provém do Pai.

Dicas Bíblicas

"O DISCURSO ESCATOLÓGICO NO EVANGELHO DE MARCOS"
novembro 2012

O texto que será refletido, neste mês de novembro, é o capítulo 13 do Evangelho de Marcos, que corresponde ao “Discurso Escatológico”. Você deve estar se perguntando, o que é a escatologia? São as reflexões que nasceram na comunidade de Marcos, sobre as últimas coisas que vão acontecer antes do fim dos tempos. Se você olhar na margem da Bíblia de Jerusalém, no capítulo 13 de Marcos, você irá encontrar a citação de Mateus 24 e de Lucas 21, que tratam do mesmo assunto. Contudo, Mateus, por exemplo, fala sobre a ruína de Jerusalém, do Templo e do mundo. Enquanto Marcos fala apenas, da destruição de Jerusalém. Como ele é o primeiro evangelho que foi escrito, os estudiosos reconhecem neste texto, um pequeno apocalipse judaico, que se inspirou no livro de Daniel e, foi completado por Jesus.
Quais são estas últimas coisas que irão acontecer no fim dos tempos? São fatos assustadores, que metem medo no povo. Este discurso em Marcos, começa com Jesus e os discípulos saindo do templo de Jerusalém. Um dos discípulos chama a atenção de Jesus: “Mestre, vê que pedras e que construções!” É neste momento que ele anuncia a destruição do templo ao afirmar que “não ficará pedra sobre pedra.” Mais adiante, os discípulos lhe perguntaram quando isso iria acontecer? Jesus não responde à pergunta, mas continua o seu discurso sobre o fim: cuidado, que ninguém vos engane, falando em meu nome, dizendo quem “sou eu”. Antes que isso aconteça, haverá guerras, terremotos, fome, nações contra nações, o irmão entregará o irmão, o pai entregará o filho, vocês serão odiados por causa do meu nome. E faz, ainda, outro alerta: quando estas coisas acontecerem, quem estiver na Judéia fuja para as montanhas e quem estiver no terraço não desça, no campo não volte e, ai das mulheres grávidas e das que amamentam, pois, vão encontrar muita dificuldade para se livrar dessa aflição. O Messias intervirá para abreviar estes dias. Depois desta grande tribulação, o sol e a lua escurecerão, as estrelas cairão e os poderes celestes serão abalados. Só depois de tudo isso, o Filho do Homem virá entre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará seus anjos e reunirá os eleitos. E para concluir conta a parábola da figueira e adverte a comunidade dos discípulos a vigiarem, para não serem pegos de surpresa.
Estes assuntos não nascem do nada, eles já circulavam na comunidade de Marcos. Pois, já havia acontecido o martírio de Estevão, por volta do ano 34 da E.C.. Mais tarde, por volta dos anos cinquenta e quatro a sessenta e quatro, aconteceu a perseguição de Nero, o imperador, aos cristãos. Entre os anos sessenta e cinco a setenta, contemporaneamente à redação do Evangelho de Marcos, aconteceu a 1ª grande revolta judaica, contra a dominação romana. Estes acontecimentos estão gravados na memória coletiva da comunidade e são confirmados pelo texto de Daniel.
Todo o capítulo 13 do Evangelho de Marcos, desemboca numa conclusão sábia: a vigilância. Esta é uma atitude básica que recomenda para os cristãos: “Atenção, e vigiai, pois, não sabeis quando será o momento. Será como um homem que partiu de viagem: deixou sua casa, deu autoridade aos seus servos, distribuiu a cada um a sua responsabilidade e ao porteiro ordenou que vigiasse. Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o senhor da casa voltará: à tarde, à meia noite, ao canto do galo, ou de manhã, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo. E o que vos digo, digo a todos: vigiai!”

Algumas perguntas que podem ajudar na reflexão:
Leia Marcos 13 e observe o que chama a sua atenção e por quê?
Qual é o sentimento que nasce em você, ao falar do fim dos tempos?
O que pode trazer tranquilidade à alguém que tem medo do fim dos tempos?

Evangelho do dia

Ano B - Dia: 05/11/2012



Hospitalidade e gratuidade
Leitura Orante


Lc 14,12

Depois Jesus disse ao homem que o havia convidado:
- Quando você der um almoço ou um jantar, não convide os seus amigos, nem os seus irmãos, nem os seus parentes, nem os seus vizinhos ricos. Porque certamente eles também o convidarão e assim pagarão a gentileza que você fez. Mas, quando você der uma festa, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos e você será abençoado. Pois eles não poderão pagar o que você fez, mas Deus lhe pagará no dia em que as pessoas que fazem o bem ressuscitarem.

Leitura Orante

Saudação
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre,
Sois o Mestre e a Verdade:
iluminai-nos, para que melhor compreendamos
as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho:
fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida:
transformai nosso coração em terra boa,
onde a Palavra de Deus produza frutos
abundantes de santidade e missão.
(Bv. Alberione)

1. Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Lc 14,12-14 e observo pessoas. Procuro compreender o ensinamento de Jesus Mestre.
.
Jesus fala sobre a generosidade desinteressada: convidar os pobres, os que não têm como retribuir. Normalmente, na sociedade, convidam-se pessoas do mesmo nível e que acabam por retribuir. A caridade proposta por Jesus rompe este círculo e dá espaço aos pobres, aos coxos, aos sem aparência, aos cegos...E afirma que este tipo de caridade tem a recompensa de Deus.

2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim, hoje?
Minha vida reflete o que o texto diz ou há contradições? Na comunidade da qual participo é assim que as pessoas se relacionam ou há disputa de poder, pessoas que buscam fazer carreira? Que lugar ocupo eu?
A Conferência de Aparecida nos recorda: "
"A vida se acrescenta dando-a e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam da margem a segurança e se apaixonam na missão de comunicar vida aos demais. O Evangelho nos ajuda a descobrir que um cuidado enfermiço da própria vida depõe contra a qualidade humana e cristã dessa mesma vida. Vive-se muito melhor quando temos liberdade interior para doá-la "Quem aprecia sua vida terrena, a perderá" (Jo 12,25). Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: " que a vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. Isso é, definitivamente, a missão."(DAp 360).

3.Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus?
Meu coração já está em sintonia com todos os santos.
Vivo este momento em silêncio.Depois, concluo:
Espírito vivificador,
a ti consagro o meu coração:
aumenta em mim o amor a Jesus e aos irmãos.
Faze-me sentir filho amado do Pai. Amém.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós

4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou eliminar do meu modo de pensar e agir aquilo que não vem de Deus, que não é conforme o Projeto de Jesus Mestre. Vou pensar e tratar com amor as pessoas mais carentes.

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Santo do dia

5 de novembro

Santa Bertila
Século VII. Na França, a pequena Bertila, nascida em 630, de pais nobres e piedosos, não sentia satisfação com a vida fútil só de folguedos e festas. Com o passar dos anos, aumentou essa insatisfação e a certeza de que não encontraria a felicidade nos prazeres que o mundo oferecia, nas aldeias e nos palácios. Dizia sempre que sua vida estava destinada à caridade e à humildade a serviço de Deus. E assim aconteceu.

No início da adolescência, a seu pedido e com aprovação dos pais, ingressou no Mosteiro beneditino de Jouarre, próximo de Paris. A superiora era a própria santa Teodequildes, que logo percebeu a extrema vocação de Bertila. De fato, mesmo com pouca idade, ela assumiu com dedicação vários cargos de responsabilidade. Acabou sendo indicada para dirigir o novo Mosteiro de Chelles, fundado pela rainha Batildes, esposa do rei Clóvis II, e construído também nos arredores de Paris.

Bertila foi para lá no ano 659, como abadessa. O fervor que transmitia na piedade e caridade contagiou todas as religiosas. A fama de celeiro de santidades do mosteiro ganhou as cortes de toda Europa. E os pedidos para ingressar no Mosteiro de Chelles começaram a chegar de todos os lugares. Eram dezenas e mais dezenas de mulheres que queriam seguir o exemplo de humildade da abadessa Bertila, abandonando a nobreza para dedicar a vida à penitencia, oração e caridade, aos pobres e doentes abandonados.

Assim, no Mosteiro de Chelles ingressaram várias princesas e rainhas. Até mesmo a sua fundadora, rainha Batildes, que, influenciada pela jovem abadessa, trocou a coroa pelo hábito beneditino.

A incansável santa Bertila, como era chamada por todos ainda em vida, dirigiu a instituição por quarenta e seis anos, até morrer em 5 de novembro de 705. O seu corpo foi sepultado no cemitério do mosteiro, local que logo se tornou rota de peregrinação dos fiéis, desejosos de agradecer a intercessão da querida santa.

Mais tarde, o culto foi confirmado pela Igreja e também a festa de santa Bertila, que ocorre no dia de sua morte. As suas relíquias, hoje, estão guardadas na bela Catedral de Chelles.