quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Decidir-se com ponderação. Evangelho do Dia

 

"Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?"


A decisão de seguir Jesus, por ser muito exigente, deve ser feita com muita ponderação. É indigno do discípulo ficar pelo caminho, sem atingir a meta fixada pelo Senhor. De sua parte, Jesus jamais pretendeu enganar seus seguidores, induzindo-os a assumir um projeto de vida, sem conhecer-lhe o teor.  Ele falou claro, para evitar frustrações.

O discípulo de Jesus deveria estar disposto a colocar o Reino acima de tudo. Mesmo as relações familiares ocupariam um lugar secundário, quando confrontadas com as exigências do Reino. Caso contrário, seria impossível fazer-se discípulo.  Por outro lado, a decisão pelo Reino comportaria perseguições, incompreensões e ódio para os discípulos. É a cruz inevitável do discipulado. Só quem está preparado para defrontá-la, poderá pôr-se no seguimento de Jesus.

Duas parábolas ilustram esta situação do discípulo. Ficará sujeito ao ridículo quem se puser a construir uma torre, sem verificar se tem condições para concluí-la. Está fadado à derrota quem vai lutar contra um exército mais forte, sem ter uma idéia exata do seu próprio potencial. Igualmente, quem pretende fazer-se discípulo de Jesus sem avaliar se está em condições de levar adiante este projeto, acabará por abandoná-lo na primeira dificuldade.

Oração 

Senhor Jesus, reforça o que em mim é fraco, para eu perseverar no discipulado, sem me render diante das dificuldades.

Evangelho do dia

Ano B - Dia: 07/11/2012



Quem quer seguir Jesus?
Leitura Orante


Lc 14,25-33

Certa vez uma grande multidão estava acompanhando Jesus. Ele virou-se para eles e disse:
- Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Se um de vocês quer construir uma torre, primeiro senta e calcula quanto vai custar, para ver se o dinheiro dá. Se não fizer isso, ele consegue colocar os alicerces, mas não pode terminar a construção. Aí todos os que virem o que aconteceu vão caçoar dele, dizendo: "Este homem começou a construir, mas não pôde terminar!"
- Se um rei que tem dez mil soldados vai partir para combater outro que vem contra ele com vinte mil, ele senta primeiro e vê se está bastante forte para enfrentar o outro. Se não fizer isso, acabará precisando mandar mensageiros ao outro rei, enquanto este ainda estiver longe, para combinar condições de paz.
Jesus terminou, dizendo:
Assim nenhum de vocês pode ser meu discípulo se não deixar tudo o que tem.

Leitura Orante

Preparo-me para a Leitura Orante, fazendo uma rede de comunicação
e comunhão em torno da Palavra com todas as pessoas que se encontram neste ambiente
virtual. Rezamos em sintonia com a Santíssima Trindade.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém
Senhor, nós te agradecemos por este dia.
Abrimos, com este acesso à internet,
nossas portas e janelas para que tu possas
Entrar com tua luz.
Queremos que tu Senhor, definas os contornos de
Nossos caminhos,
As cores de nossas palavras e gestos,
A dimensão de nossos projetos,
O calor de nossos relacionamentos e o
Rumo de nossa vida.
Podes entrar, Senhor em nossas famílias.
Precisamos do ar puro de tua verdade.
Precisamos de tua mão libertadora para abrir
Compartimentos fechados.
Precisamos de tua beleza para amenizar
Nossa dureza.
Precisamos de tua paz para nossos conflitos.
Precisamos de teu contato para curar feridas.
Precisamos, sobretudo, Senhor, de tua presença
Para aprendermos a partilhar e abençoar!
Ó Jesus Mestre, Verdade-Caminho-Vida, tem piedade de nós.

(Ir. Patrícia Silva, fsp)

1. Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Lc 14,25-33 - As condições para ser seguidor de Jesus

Jesus Mestre fala claro sobre as exigências para quem se decide a segui-lo. Esta decisão supõe prontidão, desprendimento de outros vínculos, e ainda, a disposição a enfrentar o desconforto. É assim, se quiser seguir o Senhor. Jesus ilustra isto com duas parábolas: a do homem que decide construir uma torre e a do rei que se prepara para um combate. Em ambos os casos, o Mestre fala da necessidade de lançar bases, de preparar. O bem-aventurado Alberione, na sua inspiração original do carisma paulino, diz que num momento especial de oração diante do Santíssimo Sacramento, na passagem do século XIX ao XX, "sentiu-se profundamente obrigado a se preparar para fazer algo pelo Senhor e pelas pessoas do novo século" (AD, 15). E a partir de então, tudo foi visto sob esta luz. Jesus Mestre recomenda, através da parábola, a "se sentar e calcular o quanto vai custar" a torre. "Se sentar" supõe atitude de parada, reflexão, "preparar-se", como sentiu Alberione, criar convicções, definir um projeto com metas e estratégias claras. "Calcular o quanto vai custar", supõe abrir mão de muitas coisas, optando e investimento em valores, sendo o primeiro deles "amar a Jesus" mais do que tudo, até mais que "a si mesmo". Supõe, como diz o final deste texto, "deixar tudo o que tem". O que vale não é o "ter", mas, o "ser com Jesus", ou, o deixar que Jesus seja o meu tudo, a minha vida.

2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim, hoje?
O meu Projeto de vida é o do Mestre Jesus Cristo? Ou tenho olhado noutra direção? No Documento de Aparecida, os bispos disseram: "Parecidos com o Mestre. A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão de toda sua pessoa ao saber que Cristo o chama por seu nome (cf. Jo 10,3). É um "sim" que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). É uma resposta de amor a quem o amou primeiro "até o extremo" (cf. Jo 13,1). A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus: "Te seguirei por onde quer que vás" (Lc 9,57). (DAp 136.)

E eu me interrogo: Sinto-me uma pessoa parecida com o Mestre? Como respondo ao seu chamado e olhar de amor? Como é minha adesão, o meu "sim" realmente me compromete com Jesus Caminho, Verdade, Vida? Hoje, faço a opção: quero seguir Jesus por onde Ele for.

3.Oração (Vida)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, espontaneamente, com salmos e concluo com a oração:
Jesus, Mestre:
que eu pense com a tua inteligência, com a tua sabedoria.
Que eu ame com o teu coração.
Que eu veja com os teus olhos.
Que eu fale com a tua língua.
Que eu ouça com os teus ouvidos.
Que as minhas mãos sejam as tuas.
Que os meus pés estejam sobre as tuas pegadas.
Que eu reze com as tuas orações.
Que eu celebre como tu te imolaste.
Que eu esteja em ti e tu em mim. Amém.
(Bv Alberione)

4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Sinto-me discípulo/a de Jesus.
Meu olhar deste dia será iluminado pela presença de Jesus Cristo, a quem me disponho a seguir.

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Santo do dia

7 de novembro

São Prosdócimo
São muitos os nomes que soam familiares e típicos de certas localidades italianas, mesmo parecendo insólitos, estranhos ou exclusivos. Tais nomes estão ligados ao culto de um santo local, em muitos casos de um antigo bispo e, em outros, de um mártir.

O nome Prosdócimo, pouco freqüente atualmente, para os familiarizados, imediatamente mostra sua origem da região do Vêneto, da cidade de Pádua e, mais tarde, também de Rieti. Isso porque o culto a este santo vem de uma tradição muito antiga, do século II, que homenageia o primeiro bispo de Pádua, de Rieti e, também, padroeiro dessas duas cidades. Segundo narram os registros oficiais da Igreja, Prosdócimo teria evangelizado também toda a Veneza ocidental, numa grande obra de difusão que fixou, definitivamente, o cristianismo no coração daquelas populações.

Até a mais bela imagem dedicada a ele acabou sendo feita por um ilustre artista italiano, faz parte de um conjunto dedicado a santa Justina, outra mártir célebre daquela região. Na tela, Prosdócimo aparece com o típico atributo do jarro, símbolo da sua incansável atividade de batizador, ou seja, formador do rebanho do Senhor.

Nas várias regiões de Rieti e Pádua, o bispo Prosdócimo teria patrocinado prodígios e milagres, que as mais antigas tradições descrevem com toda a liberdade de expressão, reforçando ainda mais seus exemplos edificantes de fé em Cristo. Às vezes, porém, os poucos documentos tornam mais redundantes as tradições. Como foi o caso deste bispo. Depois de sua morte, encontrou-se o registro citando que a comunidade erguera, fora das muralhas de Pádua, a igreja de Santo Prosdócimo, que mais tarde tornou-se a Basílica de Santa Justina, uma das mais belas da cidade.

A glória do bispo Prosdócimo teria sido, de fato, Justina ter sido convertida por ele. Essa nova cristã soube manter intacta a sua fé, enfrentando o martírio na perseguição de Nero. Entretanto Prosdócimo foi poupado, não havendo nenhum registro, ou tradição, que explique o porquê.

O bispo Prosdócimo morreu naturalmente, carregado de merecimentos e de anos. O seu culto ainda é vigoroso, sendo venerado pelos fiéis, que rezam por sua paternal intercessão nas situações de aflição e desânimo. A Igreja confirmou a sua celebração e, no calendário litúrgico, são Prosdócimo deve ser homenageado no dia 7 de novembro.

O nome Prosdócimo, em grego, significa "esperado". Ele foi o primeiro evangelizador dessas cidades. De fato, verdadeiramente, o esperado por elas, que ainda eram pagãs. A tradição diz que ele teria sido enviado para atendê-las pelo próprio são Pedro, que para isso o consagrou primeiro bispo de lá.

Dicas Bíblicas

"O DISCURSO ESCATOLÓGICO NO EVANGELHO DE MARCOS"
novembro 2012
O texto que será refletido, neste mês de novembro, é o capítulo 13 do Evangelho de Marcos, que corresponde ao “Discurso Escatológico”. Você deve estar se perguntando, o que é a escatologia? São as reflexões que nasceram na comunidade de Marcos, sobre as últimas coisas que vão acontecer antes do fim dos tempos. Se você olhar na margem da Bíblia de Jerusalém, no capítulo 13 de Marcos, você irá encontrar a citação de Mateus 24 e de Lucas 21, que tratam do mesmo assunto. Contudo, Mateus, por exemplo, fala sobre a ruína de Jerusalém, do Templo e do mundo. Enquanto Marcos fala apenas, da destruição de Jerusalém. Como ele é o primeiro evangelho que foi escrito, os estudiosos reconhecem neste texto, um pequeno apocalipse judaico, que se inspirou no livro de Daniel e, foi completado por Jesus.
Quais são estas últimas coisas que irão acontecer no fim dos tempos? São fatos assustadores, que metem medo no povo. Este discurso em Marcos, começa com Jesus e os discípulos saindo do templo de Jerusalém. Um dos discípulos chama a atenção de Jesus: “Mestre, vê que pedras e que construções!” É neste momento que ele anuncia a destruição do templo ao afirmar que “não ficará pedra sobre pedra.” Mais adiante, os discípulos lhe perguntaram quando isso iria acontecer? Jesus não responde à pergunta, mas continua o seu discurso sobre o fim: cuidado, que ninguém vos engane, falando em meu nome, dizendo quem “sou eu”. Antes que isso aconteça, haverá guerras, terremotos, fome, nações contra nações, o irmão entregará o irmão, o pai entregará o filho, vocês serão odiados por causa do meu nome. E faz, ainda, outro alerta: quando estas coisas acontecerem, quem estiver na Judéia fuja para as montanhas e quem estiver no terraço não desça, no campo não volte e, ai das mulheres grávidas e das que amamentam, pois, vão encontrar muita dificuldade para se livrar dessa aflição. O Messias intervirá para abreviar estes dias. Depois desta grande tribulação, o sol e a lua escurecerão, as estrelas cairão e os poderes celestes serão abalados. Só depois de tudo isso, o Filho do Homem virá entre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará seus anjos e reunirá os eleitos. E para concluir conta a parábola da figueira e adverte a comunidade dos discípulos a vigiarem, para não serem pegos de surpresa.
Estes assuntos não nascem do nada, eles já circulavam na comunidade de Marcos. Pois, já havia acontecido o martírio de Estevão, por volta do ano 34 da E.C.. Mais tarde, por volta dos anos cinquenta e quatro a sessenta e quatro, aconteceu a perseguição de Nero, o imperador, aos cristãos. Entre os anos sessenta e cinco a setenta, contemporaneamente à redação do Evangelho de Marcos, aconteceu a 1ª grande revolta judaica, contra a dominação romana. Estes acontecimentos estão gravados na memória coletiva da comunidade e são confirmados pelo texto de Daniel.
Todo o capítulo 13 do Evangelho de Marcos, desemboca numa conclusão sábia: a vigilância. Esta é uma atitude básica que recomenda para os cristãos: “Atenção, e vigiai, pois, não sabeis quando será o momento. Será como um homem que partiu de viagem: deixou sua casa, deu autoridade aos seus servos, distribuiu a cada um a sua responsabilidade e ao porteiro ordenou que vigiasse. Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o senhor da casa voltará: à tarde, à meia noite, ao canto do galo, ou de manhã, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo. E o que vos digo, digo a todos: vigiai!”

Algumas perguntas que podem ajudar na reflexão:
Leia Marcos 13 e observe o que chama a sua atenção e por quê?
Qual é o sentimento que nasce em você, ao falar do fim dos tempos?
O que pode trazer tranquilidade à alguém que tem medo do fim dos tempos?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O banquete do Reino. Evangelho do Dia

Disse a Jesus um dos convidados: “Feliz daquele que se sentar à mesa no Reino de Deus!”


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Lucas 14,15-24 
A resposta ao convite do Reino não pode ser adiada indefinidamente. Nem é sensato ficar se desculpando, pois esta é uma forma de rejeitá-lo. A paciência de Deus tem limites. Seu projeto de salvação não será frustrado pela má vontade humana.

A parábola do banquete sublinha a necessidade de assumir uma atitude responsável diante do apelo de Deus. Os convidados para a festa eram pessoas de gabarito: latifundiários, pecuaristas, homens respeitáveis. Quando chamados para o banquete, cada qual encontrou uma desculpa. As preocupações mundanas impediu-os de participar da alegria do Reino de Deus. E o apelo de Deus ficou sem resposta, pois exigia que superassem o apego desmedido às suas propriedades e se abrissem para a partilha e a comunhão. Eis uma grave falta de consideração para com Deus.

Quem preparara o banquete não se deu por vencido: mandou que a sala ficasse cheia de todos quantos fossem encontrados pelo caminho: pobres, aleijados, cegos e coxos. Esses não tinham como recusar o convite, seja porque necessitavam de alimento, seja porque não tinham nada que os impedisse de ir imediatamente.

A conclusão é clara. Quem tem o coração apegado aos bens deste mundo não tem tempo para Deus. Só responde ao convite e participa das alegrias do Reino quem se coloca, como pobre, diante de Deus.

Oração
Senhor Jesus, dá-me um coração livre, que saiba desapegar-se de tudo quanto me impede de responder, imediatamente, ao teu chamado.

Sínodo: o diálogo possível entre fé e modernidade

O último Sínodo que reuniu bispos e teólogos foi muito importante por várias razões, principalmente porque o papa evocou novamente o Vaticano II e se fez perguntas que dizem respeito aos fiéis e aos leigos. É preciso entender que começou o tempo das contaminações entre diferentes, animados por sentimentos de caridade. Como Jesus a entendia. A análise é de Eugenio Scalfari, jornalista e fundador do jornal italiano La Repubblica.


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Foi muito importante o Sínodo que reuniu 250 bispos vindos dos cinco continentes junto com inúmeros teólogos e colaboradores. Importante pelo tema que deverá ter sequências concretas por parte de todas as dioceses católicas e refere-se a uma nova evangelização da fé da qual a Igreja sente uma necessidade extrema; mas também é importante porque coincidiu com o cinquentenário do Concílio Vaticano II.
Os bispos reunidos em Sínodo evocaram novamente o Concílio, mas o próprio papa o lembrou e junto com ele os relatores do Sínodo. Foram formuladas muitas perguntas e dadas muitas respostas; perguntas em alguns casos deliberadamente provocadoras, e respostas em grande medida discordantes entre si, assim como foram discordantes as interpretações sobre a essência do Vaticano II. Algumas intervenções foram feitas não só pelos bispos e pelos teólogos do Sínodo, mas também por teólogos e bispos que escreveram a respeito em jornais católicos e na impressa de informação e por leigos interessados nos temas em discussão.
Em suma, sobre o estado atual da Igreja Católica, a atenção do "povo de Deus", da hierarquia que o guia ou pretende guiá-lo e daqueles – crentes ou não crentes ou crentes de outras religiões – estão interessados no debate sobre os valores da religião, foi intensa. Também queremos aproveitar a oportunidade que a atualidade nos oferece e expressar a nossa avaliação.
Bento XVI divulgará em breve um novo livro seu sobre a figura de Jesus e publicamente já se fez duas perguntas: "Quem somos nós? O que é a Igreja?" Na atual crise de valores, essas perguntas interessam a todos muito além dos recintos das Igrejas cristãs, que, além disso, representam a religião historicamente mais enraizada no nosso continente, mesmo que seja justamente no Ocidente que a sua crise enraivece e é o Ocidente o objetivo territorial e cultural da nova evangelização, que o Sínodo lançou. Há, portanto, o suficiente delas para despertar o nosso interesse.
* * *
O Vaticano II durou três anos. O Concílio anterior havia ocorrido 90 anos antes e tivera como resultado mais visível a proclamação da infalibilidade do papa, além do acolhimento das indicações fornecidas poucos anos antes pelo Sílabo. A essência daquele imponente encontro de bispos e de teólogos foi o reforço do centralismo curial, isto é, de uma hierarquia verticalista, depositária da política da Santa Sé e do ensinamento católico, da interpretação das Escrituras, da formação do clero e do seu recrutamento, dos tribunais eclesiásticos. Tudo isso ocorria enquanto os Bersaglieri de La Marmora entravam na cidade do papa pela brecha de Porta Pia abatendo definitivamente o poder temporal da Igreja.
Noventa anos depois, o novo Concílio convocado por João XXIII com um objetivo que não é excessivo definir como oposto ao anterior: relançar o tema da pastoralidade e, ao mesmo tempo, com ele, o do confronto e o do diálogo com o pensamento moderno: uma inversão espetacular enriquecida por muitos outros temas confiados ao estudo de outras tantas comissões de bispos, de teólogos, de historiadores do pensamento religioso. Referiam-se à contribuição do laicato católico, a posição da mulher na Igreja, o celibato dos sacerdotes, a modificação a liturgia, a poda e a restauração da Cúria, a difusão das Escrituras entre os fiéis e, portanto, a relação direta dos fiéis com Deus, sem mais o monopólio da interpretação sacerdotal.
Em suma, um impulso à renovação que causou fugas para a frente e fugas para trás dentro do Concílio e fora dele. Enquanto isso, o Papa Roncalli morrera. Paulo VI, que o sucedeu, tentou impedir e também gerir tanto o radicalismo dos inovadores quanto o dos tradicionalistas radicais. Em parte, ele conseguiu isso, embora tenha se verificado o pequeno cisma dos lefebvrianos concentrado na liturgia, na missa celebrada não mais em latim, mas sim nas línguas faladas nos vários países e no celebrante voltado para a plateia dos fiéis e não mais ao tabernáculo com os fiéis às suas costas.
Não era apenas uma questão de forma, mas também de substância: a liturgia, de fato, havia sido, por muitos séculos, a proteção bem selada da ritualidade tradicional. A sua inovação abrira essa proteção e havia liberado uma criatividade que, de algum modo, redescobria o papel essencial do "povo de Deus" com relação aos sacerdotes e à hierarquia. A pastoralidade tornava-se o elemento essencial e, também, a pregação de Cristo e dos apóstolos, assim como as Escrituras a haviam transmitido, nas diversas leituras que delas se podiam fazer.
Para os inovadores mais radicais, essa abertura da liturgia à criatividade significava algo mais: o rito se tornava subordinado à pastoralidade, isto é, ao diálogo entre as almas. E Deus perdia algumas de suas conotações adquirindo outras. Deus perdia as conotações da nacionalidade, perdia sobretudo o pertencimento a esta ou àquela Igreja cristã e até mesmo a esta ou aquela religião monoteísta. O Deus transcendente não podia ser reivindicado como católico, ou luterano, ou mórmon, ou batista, mas também nem mesmo como judeu, nem como muçulmano. Deus era ecumênico, o Vaticano II havia proclamado o ecumenismo e o diálogo entre as diversas religiões como um objetivo fundamental, também havia aberto o diálogo com os não crentes. De um lado, com finalidade de proselitismo; de outro, como confronto de almas com relação às suas crenças ou não crenças.
Permanecia firme a fé no Cristo encarnado em Jesus de Nazaré, no seu sacrifício e na sua ressurreição. Permanecia o mistério trinitário, desconhecido para as outras duas religiões monoteístas. Mas, em torno desse pilar, havia e há um espaço muito amplo para o diálogo, o debate e o encontro.
* * *
A rememoração do Vaticano II tornou atual um outro tema nada secundário: a apostolicidade da Igreja Católica. Se essa palavra tem um sentido – e certamente o tem – significa que a palavra dos Bispos reunidos em suas sedes específicas seguramente é consultiva, mas também pode levar a deliberações que a hierarquia deverá tornar operativas.
O Papa Ratzinger, que na época do Vaticano II foi um dos mais fervorosos defensores dos seus conteúdos inovadores, aproveitou a ocasião do Sínodo dos últimos dias para enfatizar que a Igreja Católica não é e não deve ser uma Igreja conciliar; os Concílios, na visão do papa, são apenas órgãos consultivos, assim como os Sínodos e os Bispos individuais titulares de Dioceses. O papa sempre será muito sensível às suas sugestões, mas não se trata, de modo algum, de órgãos "constituintes". Mesmo que proclamem novos dogmas, esses dogmas já terão sido deliberados pelo Vigário de Cristo, e o Concílio funcionará apenas como "amplificador" do que já foi elaborado e deliberado por quem se senta no trono de Pedro.
Sobre esse ponto, no entanto, o debate está aberto, e quem o pôs no centro das suas reflexões foi Carlo Maria Martini, que faleceu recentemente.
Martini partia de um dado surpreendente: em 2.000 anos de história do Cristianismo católico, os Concílios foram 21, com uma média de um a cada cem anos. Mas a média, como sempre acontece na estatística, esconde uma realidade histórica bastante surpreendente: os 21 Concílios se adensaram em certos períodos e em outros, de fato, não foram realizados. Ocorreram três ou quatro na virada dos séculos III e IV; outros na virada dos séculos X e XI; outros ainda dois séculos depois. Enfim, houve o Concílio de Trento e depois um salto de quase 300 anos, até o Vaticano I e, no meio disso, um Concílio-farsa desejado por Napoleão.
Uma Igreja organizada dessa forma pode se definir apostólica? Os Bispos são os descendentes dos apóstolos no mesmo título pelo qual o sucessor de Pedro é o vigário de Cristo na terra. Sem entrar no polêmico assunto de se se trata de órgãos consultivos ou deliberativos, o fato é que deveriam ser convocados (mas também podem se autoconvocar) com maior frequência e regularidade. Uma das propostas martinianas foi um Concílio por ocasião de cada Jubileu e, no intervalo, múltiplos Sínodos.
Uma Igreja desse tipo teria uma capacidade de ecumenismo muito maior do que a atual e veria aumentar o peso do laicato católico, dos oratórios em comparação com as paróquias, da liberdade religiosa tornada mais fértil pela estreita convivência entre as várias Igrejas cristãs, além das outras duas religiões monoteístas. Se o papa, como Bispo de Roma, recebesse a sua proeminência desse título e não apenas do Conclave cardinalício, e se Consistórios também assumissem um espaço consultivo mais amplo, a Cúria se configuraria como uma espécie de Intendência e não como a sede efetiva do poder católico.
São questões muito delicadas. Não há dúvida alguma de que a Igreja não duraria 2.000 anos sem arquitetura centralista, mas igualmente também não há dúvida de que essa arquitetura a envolveu em um "temporalismo" que muitas vezes distorceu as suas funções e traiu justamente aquela pregação evangélica e aquela pastoralidade que deveriam representar a substância do Cristianismo. A Igreja das Cruzadas, a Igreja corrupta e simoníaca que fez um indigno espetáculo entre os séculos XV e XVII, a Igreja-Estado que foi o principal obstáculo para o nascimento falho da nação italiana, a sua participação nas guerras na Europa subordinada às vezes à Espanha e às vezes à França, e, enfim, as fogueiras da Inquisição e das bruxas não são breves episódios dos quais seja possível se arrepender. A instituição-Igreja preservou a pregação e a pastoralidade por 2.000 anos, já o dissemos, mas o seu custo foi altíssimo e continua em formas felizmente muito mais atenuadas, mas ainda assim responsáveis pela secularização e pelo afastamento da Europa do ícone do Cristo crucificado e depois ressuscitado.
Se justamente a Europa se tornou terra de missão e de nova evangelização, deve haver um motivo. A arquitetura distorcida da religião não é apenas o único, mas certamente é um dos principais.
* * *
Enfim, o diálogo com a modernidade. Não é e não será um diálogo fácil. A modernidade é uma época que combateu o absoluto colocando em seu lugar o relativismo. Destronou a metafísica, ressaltou a autonomia da consciência e o desejo do conhecimento. Confiou a ética à responsabilidade autônoma do indivíduo.
Um diálogo é desejável, mas dificilmente poderá levar a resultados positivos se a Igreja mantiver firmes as estacas dos princípios inegociáveis.
O único princípio inegociável do ponto de vista da Igreja é o Cristo, filho de Deus. Aconteceu-me, como velho secular não crente, de me encontrar com um sacerdote como Carlo Maria Martini com sua fé inabalável em um Cristo ressuscitado, por ele definido como "sempre ressurgente", portanto, não um ícone imóvel, mas sim uma presença dinâmica a ser reconquistada cotidianamente.
A esse Cristo sempre ressurgente, eu não contrapus, mas coloquei ao lado Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, pregador e profeta dos fracos, dos oprimidos e dos excluídos, filho do homem.
Esse e não outro é o diálogo possível entre a modernidade e a Igreja. O tempo das evangelizações acabou, e começou o tempo das férteis contaminações entre diferentes, animados por sentimentos de caridade. A caridade como Jesus a entendia quando exortava a amar o próximo como se ama a si mesmo. Para ele, esse era o único modo de adorar o Deus de todos e de cada um. Para nós, é a visão do mundo dos justos, uma utopia que pode se realizar se cada um de nós quiser.
Eugenio Scalfari, jornalista e fundador do jornal italiano La Repubblica, 25-10-2012.

A verdadeira generosidade



A observação de Jesus faz parte de uma crítica aos escribas que ensinam a Lei, entretanto exploram os pobres e “devoram as casas das viúvas” (Mc 12,38-41). Como? Induzindo as viúvas a entregar em herança as suas moradias em troca de uma mixuruca assistência?
Não se sabe com exatidão a que Jesus se refere, mas sua observação constitui uma crítica violenta à generosidade calculista que encontramos em nossa sociedade hoje. Em vez de praticar a justiça social, em vez de fazer (e aplicar) leis que garantam a distribuição equitativa dos bens, a sociedade mantém um sistema de beneficência paternalista, que justifica lucros maiores. As esmolas até se podem descontar do imposto...