quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Líderes religiosos comentam a renúncia do papa Bento XVI

papabento13022013
A renúncia de Bento XVI foi acolhida com respeito e apreço pelo Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Olav Fykse Tveit. "Respeitamos totalmente a decisão de Sua Santidade Bento XVI de renunciar", disse o pastor na sede do CMI, em Nova York, onde se encontra em visita.

"Com profundo respeito, vimos como ele assumiu a responsabilidade e o peso de seu ministério em idade avançada, num momento difícil para a Igreja. Manifesto meu apreço pelo seu amor e compromisso com a Igreja e com o movimento ecumênico. Pedimos a Deus que o abençoe neste momento e nesta fase de sua vida e que guie a Igreja Católica neste período importante de transição", sublinhou Tveit.
O novo arcebispo de Cantuária, Dr. Justin Welby, primaz da Igreja Anglicana, após a notícia da renúncia de Bento XVI ao pontificado, disse que "o Papa Bento XVI nos mostrou o que pode ser concretamente a vocação à Sé de Pedro, um testemunho universal do Evangelho e um mensageiro da esperança”. E completou: "Nós, que pertencemos à família cristã estamos cientes da importância deste testemunho e nos unimos aos nossos irmãos católicos no agradecimento a Deus pela inspiração e o desafio do ministério do Papa Bento XVI”.
Dom Fouad Twal, Patriarca Latino de Jerusalém, com os bispos auxiliares, sacerdotes e fiéis da Terra Santa saúdam com gratidão a coragem, sabedoria moral e humildade de Bento XVI que serviu com dedicação à Igreja por quase 8 anos. Por meio de nota, afirmam que foi com grande alegria e esperança que “receberam a Exortação Apostólica Ecclesia in Medio. Através dela os cristãos do Oriente Médio apreciaram os conselhos e instruções a fim de serem nesta região e no mundo comunhão e testemunho”. O texto termina dizendo que "com emoção, oração e recolhimento agradece de coração a Bento XVI pelo afeto paterno e compromisso pela paz na Terra Santa e deseja ao Santo Padre que a Virgem Maria o acompanhe nessa decisão e no tempo de descanso que o espera". 
O presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Renzo Gattegna, declarou que os “judeus italianos manifestaram proximidade e respeito ao Papa Bento XVI pela decisão dolorosa e corajosa tomada neste momento". Ele recordou foi extremamente significativo, ao longo do magistério do papa, “os passos dados em favor da aproximação entre judeus e cristãos, na esteira de valores comuns".

Audiência geral: Bento XVI agradece aos fiéis “pelo amor e pela oração"


papa13022013Bento XVI recebeu nesta quarta-feira, 13 de fevereiro, na Sala Paulo VI cerca de 10 mil fiéis e peregrinos para a Audiência Geral – o primeiro evento público depois do anúncio de sua renúncia.
De fato, no início da Audiência, o Pontífice se dirigiu aos presentes com essas palavras:
“Como sabem, decidi (aplausos)... obrigado por vossa simpatia. Decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou em 19 de abril de 2005. Eu o fiz em plena liberdade pelo bem da Igreja, depois de muito rezar e examinar diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade deste ato, mas, ao mesmo tempo, consciente de não ser mais capaz de desempenhar o ministério petrino com aquela força física e de espírito que isso requer. Ampara e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, o Qual jamais a faltará sua guia e seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com os quais me acompanharam. Obrigado, senti quase fisicamente nesses dias para mim nada fáceis, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me oferece. Continuem a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor nos guiará”.
A catequese desta quarta-feira foi dedicada ao início do tempo litúrgico da Quaresma – os quarenta dias que nos preparam à celebração da Santa Páscoa. “É um período de esforço especial no nosso caminho espiritual”, disse o Papa, explicando que é o tempo que Jesus passou no deserto antes de iniciar sua vida pública, e onde foi tentado pelo maligno.
Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: Que lugar tem Deus na minha vida? As provas às quais a sociedade atual submete o cristão, de fato, são muitas, e dizem respeito à vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimônio cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, deixar espaço à oração e ao silêncio interior. “A tentação de colocar de lado a própria fé está sempre presente e a conversão se torna uma resposta a Deus que deve ser confirmada mais vezes na vida”, afirmou.
Neste Tempo de Quaresma, no Ano da fé, o Papa nos convida a renovar nosso empenho no caminho de conversão, para superar a tendência de nos fechar em nós mesmos e para deixar, ao invés, espaço a Deus, olhando com seus olhos a realidade cotidiana. “Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas fazer de modo que todos os dias, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor se tornem a coisa mais importante.”
Eis o resumo que o Papa fez de sua catequese em português:
“Queridos irmãos e irmãs, hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Estes quarenta dias de penitência nos recordam os dias que Jesus passou no deserto, sendo então tentado pelo diabo para deixar o caminho indicado por Deus Pai e seguir outras estradas mais fáceis e mundanas. Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: O que é que verdadeiramente conta na minha vida? Que lugar tem Deus na minha vida? O senhor dela é Deus ou sou eu? De fato, as tentações se resumem no desejo de instrumentalizar Deus para os nossos próprios interesses, em querer colocar-se no lugar de Deus. Jesus se sujeitou às nossas tentações a fim de vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus. Por isso, a luta contra as tentações, através da conversão que nos é pedida na Quaresma, significa colocar Deus em primeiro lugar como fez Jesus, de tal modo que o Evangelho seja a orientação concreta da nossa vida. Amados peregrinos lusófonos, uma cordial saudação para todos, nomeadamente para os grupos portugueses de Lamego e Lisboa, e os brasileiros de Curitiba e Porto Alegre. Possa cada um de vós viver estes quarenta dias como um generoso caminho de conversão à santidade que o Deus Santo vos pede e quer dar! As suas bênçãos desçam abundantes sobre vós e vossas famílias! Obrigado!”
O papa preside ainda hoje, na Basílica de São Pedro, a missa da Quarta-feira de Cinzas.

“Nós queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade", diz presidente da CNBB sobre Campanha da Fraternidade


domdamascnoroxo“Nós queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles”: esta é a finalidade da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano segundo o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Card. Raymundo Damasceno Assis.


A CF deste ano tem como tema “Fraternidade e Juventude” e o lema “Envia-me”. Eis o que disse o Card. Raymundo entrevistado pela Rádio Vaticano:

Primeiramente, nós estamos celebrando os 50 anos da Campanha da Fraternidade. Ela começou em Natal em 1962. A CF deste ano se insere dentro da preparação da visita do Papa para a próxima Jornada Mundial da Juventude. Sabemos que o Papa Bento XVI havia prometido estar no Rio de Janeiro para presidir a JMJ, mas com a sua renúncia nós esperamos e cremos que seu sucessor estará presente no Rio no mês de julho próximo.
 
A CF com este tema, Fraternidade e Juventude, tem seus antecedentes. Em 2011, a Assembleia dos Bispos do Brasil criou a Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude – uma Comissão que tem como objetivo acompanhar as pastorais da juventude aqui no Brasil: as pastorais da juventude, os movimentos apostólicos, novas comunidades e acompanhar também aquelas congregações que têm como carisma a dedicação, a formação dos nossos jovens, para que o trabalho da juventude aqui em nosso país seja feito na unidade dentro da diversidade dos carismas e de cada um dos movimentos e das novas comunidades. Visando criar em cada uma das dioceses o chamado “setor da juventude” – um setor que compreende todos aqueles que trabalham com a juventude.
 
A CF visa também preparar de uma forma “mais próxima” a JMJ e nós queremos com esta CF, e queremos fazê-la com os jovens e para os jovens, procurar despertar na nossa sociedade, nas nossas comunidades essa importância dos jovens. Nós devemos, como diz o Papa na sua mensagem para CF, ajudar os jovens a tornarem-se protagonistas de uma sociedade mais justa, mais fraterna, inspirada no Evangelho. E o Papa afirma que se os jovens forem o presente, eles serão também o futuro. Nós queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles.

Celebração de Cinzas e Abertura da Campanha da Fraternidade 2013 – Arquidiocese de Olinda e Recife


Jl 2,12-18; 2Cor 5,20-6,2; Mt 6,1-6.16-18
Brasão de dom Antônio Fernando Saburido
Ainda sob o impacto da renúncia do Santo Padre, o papa Bento XVI e na expectativa da eleição do seu sucessor, iniciamos mais uma Quaresma, tempo litúrgico em que a Igreja nos convida a conversão. “Convertei-vos e crede no Evangelho!” é o convite que escutaremos logo mais, no momento da imposição das cinzas sobre nossas cabeças. Outra fórmula utilizada para esse momento é bem realista: “lembra-te que és pó e em pó te hás de tornar”. Na vida tudo passa, somente Deus permanece! Portanto, vale a pena voltar, inteiramente, nosso coração e todo o nosso ser para os valores do Reino, para estarmos seguros dos ganhos espirituais que são eternos. Estes 40 dias de retiro espiritual nos confirmam a misericórdia de Deus, diante de gestos sinceros de arrependimento e disposição de mudar, conforme nos ensina o profeta Joel na 1ª leitura: “rasgai o coração e não as vestes; e voltai para o Senhor vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”.
 A Quarta-feira de Cinzas propõe a esmola, o jejum e a oração como metodologia segura para a conversão e o encontro com Deus. Conforme o Evangelho nos aconselha, tudo deve ser feito com discrição  no propósito de ser visto, apenas, pelo Pai que está nos céus. “E o teu Pai que vê o que está escondido, te dará a recompensa”, palavra que escutamos três vezes neste pequeno texto Mateus.  No mundo atual, cheio de ilusões enganosas, cuja segurança está posta em valores momentâneos, as pessoas sentem necessidade de serem vistas e reconhecidas. Esta atitude contradiz a Palavra de Deus que nos convida à imitação “daquele que não cometeu nenhum pecado e Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5,21), conforme escutamos na segunda leitura. Ao grande dom de amor que nos fez o Pai enviando-nos seu filho como preço do nosso resgate, mistério que celebraremos no tríduo pascal, respondamos com igual gesto de amor e misericórdia para com os nossos semelhantes.
No ano em que o Brasil tem a honra de acolher a Jornada Mundial da Juventude na cidade do Rio de Janeiro, em julho próximo, a CNBB lança a segunda Campanha da Fraternidade sobre a “Evangelização da Juventude”. A primeira foi em 1992 e teve por Lema: “juventude: caminho aberto”. Desta vez, “Eis-me aqui, envia-me (Is 6,8), em sintonia com o tema “”Ide e fazei discípulos entre todas as nações (cf. Mt 28,19), escolhido pelo Papa Bento XVI para a próxima JMJ. É mais uma ocasião em que a Igreja insiste na proposta missionária, chamando especial atenção da juventude, para que se sinta protagonista, especialmente, junto aos companheiros da mesma faixa etária.
A Campanha da Fraternidade que teve início na Arquidiocese de Natal e logo foi recebendo adesões de dioceses vizinhas. Este ano está celebrando jubileu de 50 anos que foi assumida nacionalmente pela CNBB. Para comemorar o acontecimento haverá especial celebração em Natal com a presença de todo o nosso Regional Nordeste II e representantes da sede nacional.
O objetivo geral da CF-2013 é: “Acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz. Os objetivos específicos são três: 1º) Propiciar aos jovens um encontro pessoal com Jesus Cristo a fim de contribuir para sua vocação de discípulo missionário e para a elaboração de seu projeto pessoal de vida; 2º) Possibilitar aos jovens uma participação ativa na comunidade eclesial, que lhes seja apoio e sustento em sua caminhada, para que eles possam contribuir com seus dons e talentos; 3º) Sensibilizar os jovens para serem agentes transformadores da sociedade, protagonistas da civilização do amor e do bem comum”.
Neste tempo de “mudança de época” a humanidade e, muito especialmente, a juventude tem sofrido grandes influências na sua estrutura psicológica, social e intelectual. Está escrito no ver texto-base: “Hoje, a relação entre pais e filhos é muito diferente da observada nas gerações anteriores. Há uma considerável influência das novas tecnologias no modo de estruturar e viver a vida familiar. Tais tecnologias podem atuar positivamente ou negativamente. Muitas vezes percebemos que alguns adolescentes e jovens tendem a um isolamento, quando usam essas ferramentas tecnológicas, com consequências prejudiciais para o seu desenvolvimento social e psicológico. A família, principalmente nas grandes cidades, transformou-se num grupo de pessoas que moram juntas, uma vez que pais e filhos se isolam diante da TV ou do computador, em detrimento do diálogo e da partilha”. Esta realidade exige, portanto da parte de todos, família, Igrejas e sociedade, especial atenção para adaptar-se aos novos tempos de maneira sábia e eficaz para o bem daqueles/as que Deus confiou aos nossos cuidados.
A Igreja, em todo o mundo e muito especialmente no Brasil, tem voltado atencioso olhar para a juventude, pondo em prática a “opção preferencial pelos jovens e pelos pobres”, assumida oficialmente em Puebla (México), no ano de 1979. Isto vem se confirmando desde os velhos tempos da “Ação Católica” com as organizações juvenis: JAC, JEC, JIC, JOC e JUC e, mais recentemente, a 44ª Assembléia Geral da CNBB de 2007 que gerou o Doc. 85 “Evangelização da Juventude” e criação da Comissão Episcopal para a Juventude. Não resta dúvida que, a Jornada Mundial da Juventude que, de fato, já começou a acontecer no Brasil, desde a conclusão da jornada de Madri, na Espanha, tem motivado os nossos jovens a participar ativamente da vida paroquial e diocesana, e despertado interesse em participar, do grande momento no Rio de Janeiro, com a presença do novo papa.
Dados do Censo 2010 do IBGE indicam que 76,3% dos jovens têm uma religião, dentre eles: 54,9% se declaram católicos e 21,4% evangélicos (protestantes históricos, pentecostais e neopentecostais). 2% se dizem ateus e 14,3% sem religião. Sem dúvida, percentuais elevados e que representam desafio pastoral para mantê-los na fé e motivar os incrédulos e indiferentes. Comenta a pesquisa: “o temor de Deus está entre os quatro valores mais importantes para os jovens”. Em junho de 2011, o papa Bento XVI afirmou aos jovens da Diocese de San Marino “Permiti que o mistério de Cristo ilumine toda a vossa pessoa! Então, podereis levar aos vários ambientes aquela novidade que pode mudar os relacionamentos, as instituições e as estruturas, para edificar um mundo mais justo e solidário, animado pela busca do bem comum. Não cedais a lógicas individualistas e egoístas! Que vos conforte o testemunho de muitos jovens que alcançaram a meta da santidade”. Trata-se, portanto, de convocação para o acolhimento da Palavra de Deus, com coragem, alegria e muito compromisso social. É animador constatar jovens evangelizando jovens, com sua linguagem própria e peculiar maneira de ser.
É motivo de preocupação a situação de violência em nosso pais atingindo, sobretudo, a juventude. O Brasil é o sexto país no ranking de homicídios entre jovens. De acordo com o mapa da violência de 2011, elaborado pelo Instituto Sangari, a taxa de homicídios entre pessoas de 15 a 24 anos subiu de 30 mortes por 100 mil jovens em 1998 para 52,9 em 2008. Nesse período, o número total de homicídios registrados no país cresceu 17,8%. Os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes de jovens no Brasil. Na população adulta, 1,8% dos óbitos foi causado por homicídio. O sociólogo Julio Jacobo, que coordenou o estudo, afirmou que a situação no Brasil é “epidêmica”. A taxa de homicídios entre jovens está três vezes acima da média internacional. Também cresceu o percentual de morte de jovens por acidentes de trânsito e suicídio. Entre 1998 e 2008 a taxa de mortes no trânsito entre a população jovem foi de 32,4%. Entre a população adulta, a taxa foi de 26,5%, portanto, 6% menor.
Foi essa razão que nos levou a escolher o Cenip (Centro de Internação Provisória de Menores Infratores da Funase) para o lançamento arquidiocesano da CF-2013. O setor juventude da CNBB, inclusive, iniciou alguns anos atrás movimento profético de denúncia contra o extermínio da juventude. A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), pensada inicialmente para ressocializar os menores infratores, através da educação escolar, convivência fraterna e profissionalização, precisa avançar mais para atingir essa meta. É frequente chegar ao conhecimento público atos de violência, sobretudo, nas unidades de Abreu e Lima e do Cabo de Santo Agostinho, inclusive, com mortes chocantes de menores de idade. A superlotação e maus tratos, somados às disputas internas de força e liderança, além da ociosidade numa idade em que a pessoa está transbordando de energia, contribuem para lamentáveis ocorrências dessa natureza.
Estamos aqui para dizer a vocês, meus caros jovens reeducandos, que nós os amamos e queremos colocar em prática o Evangelho quando ensina: “Eu estava na prisão e viestes a mim” (Mt 25,36). Nós acreditamos no potencial de vocês e queremos que ele seja utilizado para o bem e não para o mal. Queremos solidarizar-nos com todos diante da situação desigual de que são vítimas e não tiveram, talvez, o discernimento necessário para superar as barreiras. Desejamos, especialmente, através da Comissão para Juventude e Pastoral Carcerária, acompanhá-los de perto e ajudá-los a encontrar o verdadeiro sentido para suas vidas. Estamos desejosos de libertá-los da prisão física e, ainda mais, da prisão psicológica e espiritual que os acorrenta.
Além do ano da Fé que iniciamos em outubro próximo passado, a população católica do Brasil está com o olhar voltado para os jovens, por conta da Jornada Mundial da Juventude e Campanha da Fraternidade que estamos iniciando hoje. Em janeiro de 2012 a cruz missionária e o ícone de Nossa senhora, que continuam peregrinando pelo Brasil, passaram pela Funase de Abreu e Lima e muitos dos ré-educandos tiveram oportunidade de tocá-los. Hoje, é mais uma ocasião em que o Cristo Jesus vem ao encontro de vocês. É preciso, apenas um gesto simples, dizer sim, como fez nossa mãe Maria, e abrir o coração para acolher o Senhor que muito os ama e lhes garante vida e vida em plenitude (Jo 10,10).
A Quaresma é tempo de revisão de vida, de decisão, tempo da Graça do Senhor. Não podemos desperdiçar o kairós (tempo de Deus), e sim procurar imitar o jovem filho pródigo que se arrependeu do seu erro e voltou confiante para os braços do pai misericordioso (Lc 15,11-32).
Amém!
           Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo Metropolitano

Arcebispo diz que “a renúncia do papa é um ato de amor”


dom e papa
“Um ato de humildade, coragem e amor”. Essa foi a definição dada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, quando soube da renúncia do papa Bento XVI – o quarto caso na história da Igreja. Apesar de a notícia ter o surpreendido, o religioso exaltou a atitude do pontífice e salientou que não há motivos para que a Igreja se desespere, ao contrário, o momento é de união de todos os católicos do mundo.
“Foi uma atitude muito sábia do papa. Prestes a completar 86 anos, mesmo com uma cabeça boa, ele estava muito debilitado fisicamente. Ele fez o melhor para a Igreja, em um gesto de coragem”, afirmou dom Saburido. “Todos nós temos que entender esse ato de amor do nosso papa e rezar por ele”, acrescentou.
Com a renúncia do papa a Igreja se prepara para um conclave que elegerá um novo pontífice. “A todos nós cabe a missão de estarmos juntos, unidos em oração para que os cardeais escolham o melhor para a Igreja, e o novo papa dê continuidade ao trabalho deixado pelo próprio Jesus”, aconselhou o arcebispo.
JMJ
Com a renúncia do papa muitos especulam o cancelamento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) marcada para julho deste ano, no Rio de Janeiro. O presidente da Comissão Arquidiocesana para a Juventude, padre Gimesson Silva, enfatizou que o evento ocorrerá normalmente, e será ainda mais especial, pois provavelmente será o primeiro grande evento do novo papa. “A jornada é uma ação da Igreja, independentemente de quem está a sua frente. O mesmo aconteceu depois da morte de João Paulo II, às vésperas do encontro em Colônia, na Alemanha, e a jornada foi realizada”, afirmou.
O sacerdote disse que os jovens não se devem levar pelas especulações que estão surgindo com a decisão do papa, e sim pelo modelo que Bento XVI foi para toda a Igreja. “Em um mundo de tantas coisas supérfluas de falsas promessas de felicidade, vemos um gesto de profundo amor do papa. Ele é para juventude um modelo de autenticidade e de humildade. É momento de rezar e agradecer a Deus”, declarou.
Da Assessoria de Comunicação AOR

Jovens mineiros que vão à JMJ acreditam numa nova Igreja


Belo Horizonte, 14 fev (Por Gustavo Werneck – Estado de Minas) - A renúncia do papa Bento XVI não tira o entusiasmo de quem vai participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a ser realizada no Rio de Janeiro entre 23 e 28 de julho, com a presença estimada de mais de 2 milhões de pessoas.
Ao contrário. Integrantes de comunidades católicas de Belo Horizonte acreditam que o evento, o maior da Igreja em congregação de jovens, será o primeiro grande encontro do novo sumo pontífice com crianças, adolescentes, adultos e idosos de todos os continentes. Com o início, hoje, da Campanha da Fraternidade 2013, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e dirigida à juventude – em BH, a abertura será na manhã de sábado –, rapazes e moças começam a se preparar também para a Semana Missionária ou Pré-Jornada, com sede na capital mineira no período de 16 a 21 de julho. Na tarde de ontem, um grupo de amigos passeou pela Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul, e falou de suas expectativas para a extensa maratona de fé e cultura.

Assessor de Juventude da Região Episcopal, o instrutor de informática Gleidson Cliger de Souza, de 27, acha que a melhor forma de a Igreja atrair os jovens é pela alegria. “É claro que não se pode mudar a liturgia, mas o jovem deve ser ouvido e expressar a sua fé. Essa alegria não se apresenta apenas pela música, mas pelo entendimento”, revela.

Com a camisa e bolsa a tiracolo da JMJ 2011, realizada em Madri, Espanha, e da qual participou, o coordenador do setor de Juventude da Arquidiocese de BH, Wendel José dos Santos, conta que o maior sentido da jornada é a união dos povos. “O anúncio da renúncia de Bento XVI em nada diminui esse caminho, muito menos o nosso estímulo. Espero que o novo padre fortaleça em todos, principalmente, nos jovens, o sentimento de pertença à Igreja”, disse Wendel. Ele lembrou que, em 2005, João Paulo II (1920-2005) estava à frente do evento realizado em Colônia, Alemanha, mas foi presidida por Bento XVI. “Desta vez, ocorre a mesma situação”, disse ele, que trazia ao peito a cruz da jornada com as cores vermelha, amarela, branca, azul e verde, simbolizando os continentes.

A estudante de pedagogia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Graziele Cristina dos Santos, de 24, está certa de que a sucessão papal não vai interferir em nada na programação oficial, que já foi confirmada por bispos ligados ao Vaticano. “O importante é manter a fé. Espero que o novo ocupante do trono de São Pedro tenha a cabeça aberta e voltada para os jovens. Isso significa acolhê-los.” Ao lado dela, a amiga Magda Passos Barbosa, de 28, formada em relações públicas, brincava, dizendo que vai conhecer o Rio de Janeiro e também a praia. Ela ajuda na organização das atividades da Pré-Jornada, na Paróquia de São Marcos, e acredita que o mais importante é a participação.

ARMADILHAS - Ao lado da namorada, Tamiris Andreza de Oliveira Cruz, de 19, o estudante de engenharia de controle e automação Solón Vitor Rodrigues Batista, de 22, contou que vai receber cinco estrangeiros na república onde mora. Para ele, a nova geração tem de aprender a dizer não “às drogas, ao álcool, ao sexo desenfreado e à violência”. Na sua avaliação, a garotada de hoje cai em várias armadilhas. “A religião é importante para manter o equilíbrio, ver a vida com mais calma”, diz Solón. Numa das campanhas lançadas pela Arquidiocese de Belo Horizonte, que tem à frente o arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo – Minha família recebe um peregrino –, os católicos estão sendo convocados a acolher um jovem estrangeiro em casa. As informações de como participar estão disponíveis no site www.semanamissionariabh.org.br, com um link para peregrinos em família.

Sorridente, o estudante do Senai Leonardo Silva Neto, de 28, da Paróquia Santa Maria Mãe de Deus Perpétuo Socorro e residente no Bairro União, na Região Nordeste, conta que a turma está arrecadando recursos para ir ao Rio. “Fizemos um baile pré-carnavalesco (Pré-CarnaCristo) para a viagem.” Sobre a decisão de Joseph Ratzinger, ele diz que “Deus sabe o que faz”. Sentado num banco, perto da Alameda das Palmeiras, o estudante de serviço social Marcelo Bleme, de 21, gostou da “simplicidade e coragem” do papa ao tomar a decisão. “Estou planejando a vida para julho, pois serão duas semanas de eventos. Como estou trabalhando, vou participar só no fim de semana da Pré-Jornada, mas pretendo ir ao encontro com o papa no Rio”, afirmou.

Em mensagem aos brasileiros, Bento XVI pede que os padres ouçam jovens

Cidade do Vaticano, 14 fev (SIR) - Em mensagem para a Campanha da Fraternidade de 2013, o papa Bento 16 fala sobre renovação e afirma que os guias da Igreja Católica devem permanecer "novos por dentro, mesmo que não o sejam de idade".
O papa disse na mensagem aos brasileiros que "os sinais dos tempos" surgem através dos jovens. "Menosprezar estes sinais ou não os saber discernir é perder ocasiões de renovação. Se eles foram o presente, serão também o futuro", diz o texto assinado em 7 de fevereiro, dias antes da renúncia anunciada pelo próprio Bento XVI. A mensagem do papa foi lida na tarde desta quarta-feira (13) no lançamento da campanha da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que tem como tema "Fraternidade e Juventude".
Ao ler o texto, o secretário-geral da campanha, Luiz Carlos Dias, lembrou que, apesar da decisão de abrir mão do papado, Bento 16 continua como líder da Igreja Católica até 28 de fevereiro. Bento 16, que nesta quarta afirmou na Itália ter renunciado pelo "bem da igreja", afirmou na mensagem que, para os jovens serem protagonistas integrados na comunidade cristã, os líderes não podem "impor rumos". "Isto requer guias --padres, consagrados ou leigos-- que permaneçam novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho de salvação, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam", diz a mensagem.
Além de representantes da igreja e da CNBB, participam da abertura da campanha petistas como o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI) e o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG).