sábado, 24 de novembro de 2012

Pastorais propõem “Vigília pela Vida nascente”


Brasília, 24 nov (CNBB/SIR) - No ano de 2010, para as vésperas do 1º Domingo do Advento, o papa Bento XVI propôs uma “Vigília pela Vida Nascente” a toda Igreja católica.
Esta proposta foi acolhida por várias dioceses e paróquias no Brasil. E neste ano – por sugestão de algumas dioceses, paróquias e comissões de defesa de vida –, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família (CEPVF), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), sugerem que a proposta seja retomada. De acordo com as comissões, para se realizar um ato em favor da vida, “não há necessidade de muita organização”.
No site da CNBB, na seção da Comissão Vida e Família, encontram-se a carta de motivação enviada pelos presidentes da Congregação do Culto Divino e do Pontifício Conselho para a Família, bem como um roteiro para preparar uma vigília e sugestões de cantos. O Papa havia também falado da possibilidade de se realizar uma adoração ao Santíssimo Sacramento.
Segundo as comissões, pode-se também estender a oração por “uma cultura de vida e de amor”, dentro do contexto litúrgico do Advento, na celebração eucarística, cuja intenção seja a acolhida da vida, sua proteção e sua promoção, em todas as fases. Nesta ocasião, é oportuno lembrar que a coleta de assinatura para o Estatuto do Nascituro continua sendo feita no site da Pastoral Familiar.
O projeto de lei do Estatuto do Nascituro se encontra agora na Comissão de Finanças e Tributação. “É de suma importância que haja favorável manifestação popular junto aos deputados desta Comissão. Também rezamos pela proteção da vida em nossas grandes cidades, perturbadas pela violência, e para que haja paz para os países em guerra”, divulgou a Pastoral Familiar, em seu site.

Card. Kasper: Concílio Vaticano II deve ser interpretado à luz da Igreja de todos os tempos


Salamanca, Espanha, 24 nov (SIR) - O Congresso "Aos cinquenta anos do Concílio Vaticano II (1962-2012)", organizado pela Junta de Decanos das Faculdades de Teologia de Espanha e Portugal, culminou na Espanha no último sábado, 17.
O documento final do evento esteve a cargo do Cardeal Walter Kasper, presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que fez um chamado para conhecer de forma profunda o Concílio.
Para o prelado, este esforço "deve ser não só sincrônico, referido à Igreja atual, mas também diacrônico, referido à Igreja de todos os tempos, segundo o pensamento de Bento XVI". Esta visão de conjunto permite enfrentar os desafios atuais sem romper com a Tradição, para descobrir a vontade de "uma renovação da Igreja dentro da continuidade".
A interpretação do Concílio Vaticano II se beneficia atualmente da experiência das últimas décadas, segundo expressou o Cardeal: "Hoje, cinquenta anos depois, vivemos em um tempo totalmente mudado, globalizado. A fé otimista no progresso faz tempo que já se evaporou". Deste modo, as correntes mais entusiasmadas que anunciavam uma primavera da Igreja enfrentam o que o prelado descreveu para Europa como uma fase invernal. O Concílio Vaticano II tem um caráter histórico singular, já que "não foi convocado por uma situação de heresias ou cismas, nem se declararam dogmas formais ou medidas disciplinares concretas". Em troca, buscou "traduzir à linguagem de nossos dias a fé tradicional". Este desafio não esteve isento de dificuldades, o que deu lugar a interpretações contraditórias.
"Em muitos casos teve-se que encontrar fórmulas de compromisso para buscar o consenso, e por isso os textos conciliares abrigam um amplo potencial conflitivo", explicou o Cardeal Kasper. A confusão que geraram alguns setores da Igreja depois do Concílio teve efeitos lamentáveis, segundo recordou o prelado: "Produziu-se um êxodo de muitos sacerdotes e religiosos, uma queda da prática religiosa, e sobretudo depois da encíclica Humanae Vitae, rejeitada injustamente, surgiram protestos". Estes sucessos não estão diretamente causados pelo Concílio, explicou o Cardeal, mas por interpretações que ofuscaram os frutos bons do mesmo.
Para o Cardeal Kasper, as contribuições do Concílio Vaticano II contribuem positivamente na "vida nas dioceses, paróquias e comunidades religiosas, através da liturgia, da espiritualidade bíblica e da participação dos leigos". Também destacou o chamado universal à santidade e ao reconhecimento da variedade de carismas que deram origem aos novos movimentos. Também expressou que a Igreja tem a oportunidade de avançar em temas como "a colegialidade do episcopado, a corresponsabilidade dos leigos na missão da Igreja, o papel das Igrejas locais", entre outros.
No caminho da "renovação em meio da continuidade" que o prelado expôs como vontade da Igreja, comentou que algumas petições de reforma "são dignas de serem tidas em conta, como a exigência de transparência; outras, que se distancia, da Tradição da Igreja, como a petição da ordenação das mulheres, não são aceitáveis". Segundo o Cardeal Kasper, essas iniciativas comumente aceitas e promovidas por setores alheios à Igreja, desviariam a religião de seu verdadeiro fim. "A Igreja que se inspira nas principais correntes sociais terminará sendo indiferente e por fim, inútil", afirmou.
O Cardeal sustentou que a fidelidade à doutrina é o que verdadeiramente atrai e motiva aos fiéis. A Igreja "não será atraente enfeitando-se com plumas alheias, mas defendendo sua causa de forma crível, sendo valente e potente diante da crítica da sociedade". Sob esta perspectiva de reta interpretação, o Cardeal convidou a aproveitar o valor do Concílio Vaticano II. "Agora é a ocasião para ocupar-se outra vez e à fundo dos textos do Concílio, e extrair suas riquezas", expressou.

''A virgindade de Maria não é um mito''. Ratzinger e a infância de Jesus

"De onde tu és?", póthen eî sý? No pretório de Jerusalém, o governador Pôncio Pilatos, "juiz romano racionalista", que "já havia expressado o seu ceticismo" ("O que é a verdade?") faz ao acusado a pergunta decisiva. Bento XVI começa A infância de Jesus a partir daí, quase como se fizesse de Pilatos um ícone da incredulidade contemporânea.

Joseph Ratzinger começara em 2003 o seu Jesus de Nazaré como cumprimento de um "longo caminho interior" e, ao mesmo tempo, impulsionado por uma "urgência", escrevia ele na publicação do primeiro volume, em 2007: a percepção de " uma situação dramática da fé". A ideia de que, com o progresso das pesquisas "histórico-críticas", em si válidas, a figura de Jesus havia se tornado "cada vez mais nebulosa", voltava no segundo volume de 2011, juntamente com a necessidade de recompor o "rasgo" entre o "Jesus histórico" e o "Cristo da fé".
E agora a obra acabou. O livro mais esperado foi publicado no dia 21 de novembro. Nove anos de trabalho resumindo o sentido de uma vida inteira (a epígrafe é o Salmo 27: "É a tua face, Senhor, que eu busco. Não me escondas a tua face") se completam com Die Kindheitsgeschichten, a terceira parte sobre os "relatos da infância de Jesus".
Mas aquele que, no início, devia ser um "capítulo" tornou-se muito mais do que a "pequena sala de entrada aos dois volumes anteriores" sobre a qual o autor fala no prefácio. A pesquisa do "Jesus real" torna-se convincente ao falar do período mais misterioso da sua vida, apenas quatro capítulos e 180 versículos entre os Evangelhos de Mateus e Lucas. E é na análise desses textos que Bento XVI realiza o sentido da sua obra: porque as "narrações" da infância "não são mitos ulteriormente desenvolvidos" ou "lendas piedosas", escreve ele, muito menos podem ser adscritas ao gênero do "midrash hagádico", o antigo gênero literário judeu que interpreta a escrita por parábolas.
Escreve o papa: "Aqui se conta uma história que explica a Escritura e, por outro lado, o que a Escritura, em muitos lugares, quis dizer, torna-se visível somente agora, por meio dessa nova história".
"Eu tenho confiança nos Evangelhos", explicava ele no primeiro volume. E agora argumenta: "Quais são as fontes?". A resposta é, aparentemente, surpreendente: a "fonte" fundamental é Maria. "Lucas, às vezes, faz referência ao fato de que a própria Maria, a mãe de Jesus, era uma das suas fontes", e o faz em particular quando se lê no Evangelho que "sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração".
Bento XVI escreve: "Só ela poderia referir o evento da Anunciação, que não tivera testemunhas humanas". Certamente, "a exegese moderna" pode considerar "ingênuas" essas conexões, mas Ratzinger responde:" Por que não deveria haver tal tradição, conservada e, ao mesmo tempo, modelada no círculo mais restrito? (...) Por que Lucas deveria ter inventado?". O próprio "aparecer tardio" das "tradições marianas" se explica "na discrição da Mãe e dos círculos em torno dela", até a sua morte.
Mateus também "nos conta a verdadeira história" que "foi meditada e interpretada teologicamente", e não ao contrário. As narrações "provêm da tradição familiar". Com Klaus Berger, o papa afirma que, "até prova em contrário, é preciso supor que os evangelistas não pretendem enganar os seus leitores, mas querem relatar fatos históricos" e considera: "Contestar por pura suspeita a historicidade desse relato vai além de toda imaginável competência dos historiadores".
Considerações que recorrem no livro. O massacre dos inocentes "não tem nada de impossível". Disse-se que Jesus teria nascido em Nazaré, enquanto Belém, cidade de Davi, seria um lugar teológico, mas "eu não vejo como se possa citar fontes verdadeiras a uma teoria dessas". O mesmo vale para o nascimento na gruta e as "tradições locais" ("na região desde sempre se usam grutas como estrebaria").
A palavra "primogênito" referida a Jesus indica "uma qualidade teológica" e "não se refere" a outros filhos. Quanto ao boi e ao jumento, no Evangelho, "não se fala de animais", mas "a meditação guiada pela fé" levou a uma passagem de Isaías, e "nenhuma representação do presépio renunciará ao boi e ao jumento".
Mais delicada é a questão do parto virginal de Maria. "É um evento histórico real ou uma lenda piedosa? É verdade o que dizemos no Credo?". A resposta "sem reservas é: sim". E com o grande teólogo protestante Karl Barth, ele diz que "há dois pontos nos quais a ação de Deus intervém imediatamente no mundo material: o nascimento da Virgem e a ressurreição do sepulcro". Dois pontos "são um escândalo para o espírito moderno", escreve o papa: "A Deus é concedido agir na esfera espiritual, mas não sobre a matéria. Isso perturba. Ali não é o seu lugar". Mas esses pontos são "pedras de toque para a fé", é disto que se trata: "Se Deus não tem poder também sobre a matéria, então Ele não é Deus".
Além disso, "Jesus não nasceu e apareceu em público no impreciso ´uma vez´ do mito. Ele pertence a um tempo exatamente datável e a um ambiente geográfico exatamente indicado: o universal e o concreto se tocam". E não só isso: o texto deve ser lido também para o que diz agora, "diz respeito a mim?". Isso vale para o grito das mães depois do massacre das crianças; "na nossa época, esse grito a Deus ainda permanece".
Vale para a política; "o meu reino não é deste mundo", diz Jesus, e Ratzinger considera: "Às vezes, no curso da história, os poderosos deste mundo o atraem para si; mas precisamente então ele está em perigo: eles querem relacionar o seu poder com o poder de Jesus, e justamente por isso deformam o seu reino, o ameaçam".
Vale também para a relação com a ciência, confiada às páginas sobre os Reis Magos, que marcam o "fim da astrologia" ("o Menino guia a estrela") e, ao mesmo tempo, o alargamento da razão para o todo, a "autossuperação da ciência". O papa não se isenta nem da pergunta sobre se a estrela "realmente existiu". Ele cita a conjunção de Júpiter, Saturno e Marte no ano 7 e 6 a.C., a data "verossímil" do nascimento de Jesus (houve, como se sabe, um erro de cálculo da era cristã), tabelas chinesas que, no ano 4 a.C., indicam uma "estrela luminosa".
Um livro escrito com a simplicidade que é a meta do espírito e ao mesmo tempo "dois livros em um", dizia no dia 20 o presidente da RCS Libri, Paolo Mieli: um texto denso, complexo, que fala a todos, porque diz respeito a todos. O cardeal Gianfranco Ravasi citou as palavras de Maria em um texto teatral: "Este Deus é o meu filho. Esta carne divina é a minha carne. Ele é feito de mim, tem os meus olhos, e esta forma da sua boca é a forma da minha. Ele se parece comigo. É Deus e se parece comigo!". Depois, sorriu: "O autor, ateu, é Jean-Paul Sartre".
A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 21-11-2012, reproduzida pelo IHU-Unisinos.

Evangelho do dia

Ano B - Dia: 24/11/2012



Deus é o Deus dos vivos
Leitura Orante


Lc 20,27-40

Alguns saduceus, os quais afirmam que ninguém ressuscita, chegaram perto de Jesus e disseram:
- Mestre, Moisés escreveu para nós a seguinte lei: "Se um homem morrer e deixar a esposa sem filhos, o irmão dele deve casar com a viúva, para terem filhos, que serão considerados filhos do irmão que morreu." Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou e morreu sem deixar filhos. Então o segundo casou com a viúva, e depois, o terceiro. E assim a mesma coisa aconteceu com os sete irmãos, isto é, todos morreram sem deixar filhos. Depois a mulher também morreu. Portanto, no dia da ressurreição, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela!
Jesus respondeu:
- Nesta vida os homens e as mulheres casam. Mas as pessoas que merecem alcançar a ressurreição e a vida futura não vão casar lá, pois serão como os anjos e não poderão morrer. Serão filhos de Deus porque ressuscitaram. E Moisés mostra claramente que os mortos serão ressuscitados. Quando fala do espinheiro que estava em fogo, ele escreve que o Senhor é "o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó." Isso mostra que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, pois para ele todos estão vivos.
Aí alguns mestres da Lei disseram:
- Boa resposta, Mestre!
E não tinham coragem de lhe fazer mais perguntas.

Leitura Orante

Graça e Paz a todos os que se reúnem aqui, na web, em torno da Palavra.
Juntos, rezamos ou cantamos o Salmo 94:
(Se, em grupo, pode ser rezado em dois coros ou um solista e os demais repetem)
- Venham, ó nações, ao Senhor cantar (bis)
- Ao Deus do universo, venham festejar (bis)
- Seu amor por nós, firme para sempre (bis)
- Sua fidelidade dura eternamente (bis)
- Toda a terra aclame, cante ao Senhor (bis)
- Sirva com alegria, venha com fervor (bis)
- Nossas mãos orantes para o céu subindo (bis)
- Cheguem como oferenda ao som deste hino (bis)
- Glória ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito (bis)
- Glória à Trindade Santa, glória ao Deus bendito (bis)

1. Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto na Biblia: Lc 20,27-40 e observo pessoas, palavras, relações, lugares.
Os saduceus foram a Jesus porque queriam entender a questão da ressurreição. Jesus inicia fazendo uma correção. A ressurreição verdadeira consiste em passar a uma nova categoria, a de filhos de Deus. O matrimônio, após a morte, não permite gerar filhos. Tampouco se casa após a morte. Após a morte, "os que vivem, vivem para o Senhor", como diz São Paulo aos Romanos (Rm 14,8).

2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim, hoje?
Meu Deus é o Deus dos vivos como propõe Jesus? Ou, fico ainda com conceitos e idéias de um Deus dos mortos? Em Aparecida, disseram os bispos: "Jesus Cristo é a plenitude que eleva a condição humana à condição divina para sua glória: "Eu vim para dar vida aos homens e para que a tenham em abundância" (Jo 10,10). Sua amizade não nos exige que renunciemos a nossos desejos de plenitude vital, porque Ele ama nossa felicidade também nesta terra. Diz o Senhor que Ele criou tudo "para que o desfrutemos" (1 Tm 6,17)." (DAp 355).

3.Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, renovando minha fé na ressurreição:
Creio

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo,
Seu único Filho, Nosso Senhor,
Que foi concebido pelo Espírito Santo.
Nasceu da Virgem Maria,
Padeceu sob Pôncio Pilatos,
Foi crucificado, morto e sepultado.
Desceu à mansão dos mortos,
Ressuscitou ao terceiro dia,
Subiu aos céus,
Onde está sentado à direita de Deus Pai
E donde há de vir julgar os vivos e os mortos,
Creio no Espírito Santo,
Na santa Igreja católica,
Na comunhão dos santos,
Na remissão dos pecados,
Na ressurreição da carne,
Na vida eterna. Amém.

4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é de renovada fé. Sinto que minha fé é pequena, por isso, passarei o dia repetindo a oração de uma pessoa do Evangelho:"Creio,Senhor, mas aumenta a minha fé!" (Mc 9,24).

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Santo do dia

24 de novembro

Santo André Dung-Lac e companheiros
A evangelização do Vietnã começou no século XVI, através de missionários europeus de diversas ordens e congregações religiosas. São quatro séculos de perseguições sangrentas que levaram ao martírio milhares de cristãos massacrados nas montanhas, florestas e em regiões insalubres. Enfim, em todos os lugares onde buscaram refúgio. Foram bispos, sacerdotes e leigos de diversas idades e condições sociais, na maioria pais e mães de família e alguns deles catequistas, seminaristas ou militares.

Hoje, homenageamos um grupo de cento e dezessete mártires vietnamitas, beatificados no ano jubilar de 1900 pelo papa Leão XIII. A maioria viveu e pregou entre os anos 1830 e 1870. Dentre eles muito se destacou o padre dominicano André Dung-Lac, tomado como exemplo maior dessas sementes da Igreja Católica vietnamita.

Filho de pais muito pobres, que o confiaram desde pequeno à guarda de um catequista, ordenou-se sacerdote em 1823. Durante seu apostolado, foi cura e missionário em diversas partes do país. Também foi salvo da prisão diversas vezes, graças a resgates pagos pelos fiéis, mas nunca concordou com esse patrocínio.

Uma citação sua mostra claramente o que pensava destes resgates: "Aqueles que morrem pela fé sobem ao céu. Ao contrário, nós que nos escondemos continuamente gastamos dinheiro para fugir dos perseguidores. Seria melhor deixar-nos prender e morrer". Finalmente, foi decapitado em 24 de novembro de 1839, em Hanói, Vietnã.

Passada essa fase tenebrosa, veio um período de calma, que durou cerca de setenta anos. Os anos de paz permitiram à Igreja que se reorganizasse em numerosas dioceses que reuniam centenas de milhares de fiéis. Mas os martírios recomeçaram com a chegada do comunismo à região.

A partir de 1955, os chineses e os russos aniquilaram todas as instituições religiosas, dispersando os cristãos, prendendo, condenando e matando bispos, padres e fiéis, de maneira arrasadora. A única fuga possível era através de embarcações precárias, que sucumbiam nas águas que poderiam significar a liberdade, mas que levavam, invariavelmente, à morte.

Entretanto o evangelho de Cristo permaneceu no coração do povo vietnamita, pois quanto mais perseguido maior se tornou seu fervor cristão, sabendo que o resultado seria um elevadíssimo número de mártires. O papa João Paulo II, em 1988, inscreveu esses heróis de Cristo no livro dos santos da Igreja, para serem comemorados juntos e como companheiros de santo André Dung-Lac no dia de sua morte.

Dias que não vivemos


Um dos motivos pelos quais a morte
de uma pessoa próxima
se torna tão dolorosa
é a quantidade de coisas
que ficam sem ser ditas;

a quantidade de sentimentos
que quiséramos ter manifestado,
mas que nunca nos atrevemos a dizer;
a quantidade de coisas que quiséramos ter ouvido e que nunca nos disseram;

a quantidade de momentos preciosos
que escaparam pelo ralo;
a quantidade de carícias
que nos ficaram presas nos dedos.

... Sem dúvida,
quando nos encontramos com os vivos,
catamos, omitimos...

Somos nós mesmos
que nos dissolvemos
em nossas próprias sombras,
nos dias que não vivemos.


Gustavo Wilches Chaux

"PAIXÃO, MORTE, RESSURREIÇÃO e APARIÇÕES"


dezembro 2012

Marcos, como todos os demais evangelistas, termina o seu Evangelho com as narrativas da paixão, morte, ressurreição e as aparições de Jesus Cristo. eLE traçou o seu Evangelho tentando, na primeira parte, responder À pergunta quem é Jesus, cuja resposta foi dada por Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Foi muito feliz, revelando a sua essência. Na segunda parte, a preocupação de Marcos, volta-se para o discípulo. Quem é de fato, o verdadeiro discípulo de Jesus? Desde o primeiro anúncio da paixão, quando Jesus diz que o Filho do Homem deve sofrer muito, e será rejeitado e entregue nas mãos dos anciãos, dos chefes de sacerdotes e dos escribas, é repreendido severamente por Pedro. Mas Jesus tem consciência do projeto do Pai, e coloca Pedro no seu lugar de discípulo no seguimento do Mestre.
Um discípulo que foi capaz de fazer a máxima proclamação de fé sobre Jesus, em seguida tornou-se pedra de tropeço, para impedí-lo de seguir o seu caminho? O que dizer? Jesus tem uma missão árdua e intensa na formação dos seus discípulos. Logo após este primeiro anúncio da Paixão, Marcos colocou as condições para seguir Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar sua vida, a perderá; mas, o que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará...”
Mesmo com toda esta clareza, veja como os discípulos reagiram ao segundo anúncio da paixão de Jesus. Durante o caminho, estavam discutindo sobre qual deles era o maior. Com toda a paciência, Jesus sentou-se e ensinou-lhes: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos... (Mc 9,35). A cada passo Jesus foi dando um ensinamento: “Aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele... (Mc 10,15). “Como é difícil, a quem tem riquezas, entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus!” (Mc 10,23.25). Marcos afirma que os discípulos ficaram muito espantados e se perguntavam quem poderia se salvar. Acharam a proposta do seguimento muito exigente e Pedro chegou a lhe perguntar: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”, para dizer: a troco de quê? Jesus entendeu a preocupação de Pedro e disse: “Em verdade eu lhes digo que não há quem tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras por minha causa e por causa do Evangelho, que não receba cem vezes mais desde agora, neste tempo, casas, irmãos e irmãs, mãe e filhos e terras, com perseguições; e, no mundo futuro, a vida eterna. Muitos dos primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros.” (Mc 10,28-31).
Como se isso não fosse suficiente, após o terceiro anúncio da Paixão, dois dos discípulos estavam preocupados com o lugar que ocupariam no Reino de Deus e lhe pediram: “Mestre, queremos que nos faças o que te pedimos”. Ele perguntou: “ Que quereis que eu faça? ”Disseram: “Concede-nos, na tua glória, sentarmo-nos, um à tua direita, outro à tua esquerda”. E dessa experiência nasce um novo ensinamento, a partir dos chefes das nações que dominam e tiranizam o povo, mas entre vós não deve ser assim “aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10,41-45). Depois desse ensinamento, Jesus cura o cego de Jericó e se dirige à Betânia e depois realiza o seu ministério em Jerusalém.
Na cidade de Jerusalém, Jesus com os discípulos frequentam o templo. Ele profere muitos outros ensinamentos aos seus seguidores. Constata a esterilidade do templo e das autoridades religiosas. Começa os preparativos para a festa da Páscoa: a unção em Betânia, a traição de Judas, a predição da negação de Pedro, a ceia, a oração no Getsêmani, a prisão de Jesus, a traição de Pedro, o julgamento e a condenação de Jesus, a fuga dos discípulos e a morte de Jesus. Quem permaneceu com ele no calvário? As mulheres. Foi, também a uma mulher que ele apareceu, Maria Madalena e lhe confiam a missão de anunciá-lo aos discípulos, dizendo-lhes que os precederá na Galiléia. Lá Jesus lhes confere a missão: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). E Marcos conclui assim o seu evangelho: “E eles saíram a pregar por toda a parte, agindo com eles o Senhor, e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam” (Mc 16,20). Agora sim, são discípulos, de verdade e, segundo a tradição cristã, todos eles entregaram as suas vidas pela causa de Jesus, a Boa Nova do Reino.

Questões para o aprofundamento
1. O que chamou sua atenção, neste texto, sobre Jesus e os seus discípulos?
2. Que tipo de discípulo ou discípula de Jesus, você é?
3. Alguma vez falou de Jesus e de seus ensinamentos a alguém?